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09 março 2026

"Elio": aventura, amizade e pertencimento pelo olhar da Pixar

Filme é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação (Fotos: Walt Disney Studios)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Dirigido por Madeline Sharafian, Domee Shi e Adrian Molina, "Elio" é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação. O filme acompanha Elio Solís (voz de Yonas Kibreab), menino de 11 anos sonhador, apaixonado pelo espaço e por vida alienígena. 

Por engano, ele envia um sinal para o desconhecido e é “captado” pela misteriosa organização intergaláctica Comuniverso, onde é confundido com o embaixador da Terra. Agora, Elio precisa se adaptar, fazer amigos extraterrestres e descobrir quem realmente é.


O longa acerta ao tratar o tema do pertencimento de forma lúdica e inspiradora. Elio não se sente completamente em casa no mundo humano e, ironicamente, precisa encontrar seu lugar no universo que sempre sonhou explorar. 

A tia Olga (Zoe Saldana) se destaca como figura de afeto e proteção, mas também como exemplo de sacrifício e responsabilidade familiar.


Por outro lado, a animação apresenta lacunas: o luto é apenas citado e personagens secundários têm pouca profundidade, funcionando mais como suporte à jornada do garoto. 

A resolução de conflitos acontece rápido demais, deixando pouco espaço para nuances emocionais.


Ainda assim, "Elio" é encantador, com momentos de pura imaginação e emoção, além de uma ótima trilha sonora que conta, inclusive, com canções da banda "Queen". 

Talvez perca pontos frente a outras animações mais ousadas da temporada, como "Guerreiras do K-Pop" (Netflix), mas cumpre bem sua função: emocionar e divertir, enquanto fala de amizade, coragem e autodescoberta.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adrian Molina, Domee Shi e Madeline Sharafian
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: Disney+
Duração: 1h39
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: infantil, aventura, animação

28 junho 2023

"Ruby Marinho: Monstro Adolescente" - Uma divertida animação para falar de família e adolescência

Simpática e inocente, a jovem kraken quer conhecer o mundo e fazer amizades (Fotos: DreamWorks Animation)


Maristela Bretas


As mudanças provocadas pela adolescência, relação familiar e aceitação pelos colegas são temas que já foram muitas vezes abordados em animações. Mas sempre ha uma nova forma de mostrar esses assuntos, especialmente se for com diversão, aventura, muitas cores e animais marinhos simpáticos. 

E é isto que o público vai encontrar em "Ruby Marinho: Monstro Adolescente", que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas. Dirigida pelo cineasta indicado ao Oscar Kirk DeMicco. Pela primeira vez, uma animação da DreamWorks é dublada em São Paulo - elas sempre foram feitas no Rio de Janeiro.  


A animação nos apresenta a jovem Ruby Marinho (dublada por Lana Condor e, em português, por Agatha Paulita). No auge dos seus 15 anos, com a rebeldia típica da idade, ela só quer conhecer o mundo, ser aceita pelos demais colegas e criar coragem para se declarar para o humano Connor (Jaboukie Young-White/Gabriel Santana), um colega da aula de matemática.  


Ruby cresceu em uma cidade litorânea na Flórida e, como todo adolescente, tem vergonha de sua família. O que ela não sabe e vai descobrir de uma maneira inesperada, é que vem de uma família de monstros marinhos muito poderosos. 

A jovem vive em constante conflito com a mãe Agatha (voz original de Toni Collette e dublagem nacional de Adriana Pissardini), que não quer que ela faça as coisas normais de uma adolescente para não colocar sua identidade em risco. 

Irônico, uma vez que a jovem tem pele azul (como uma Smurff) e fala para todo mundo que é diferente por ser do Canadá. 


Para piorar, Agatha é uma mãe superprotetora que esconde dos filhos segredos sobre seu passado e o conflito com a mãe, a Rainha Guerreira dos Sete Mares, cuja voz original é de Jane Fonda (dublada em português por Patrícia Scalvi).

A chegada de Chelsea (Annie Murphy/Giovana Lancellotti) à escola vai revolucionar a vida de Ruby. Ela é a aluna bonita, corpão e cabelo parecendo propaganda de xampu e se torna o centro das atenções. 

A novata logo se aproxima da inocente jovem monstro e se torna sua melhor amiga e passa a incentivá-la a se assumir e enfrentar a mãe. 


A animação reforça o poder das mulheres, que aqui são representadas pelas figuras marinhas. Somente elas podem se tornar gigantes. 

Já os machos são pequenos e funcionam como coadjuvantes, mas bem divertidos, especialmente Brill (Sam Richardson /Rodrigo Araújo), tio de Ruby.


Outro ponto que chama a atenção é a transformação de Ruby em uma gigantesca e desengonçada kraken roxa, com as mudanças no corpo e no humor, como acontecem na adolescência. 

Alterações provocadas pela puberdade e relação entre pais e filhos nesta fase da vida já foram temas de outras animações, como "Meu Malvado Favorito 3" (2017), "Divertida Mente" (2015), "Elementos" (2023) e "Red - Crescer é uma Fera" (2021), da Disney.


Para as crianças, o colorido e os bichinhos do fundo do mar serão as atrações do filme e nem vão se assustar com a vilã. Enquanto os adultos, especialmente mães e adolescentes, vão se identificar com as reações de Ruby e as relações familiares. 

"Ruby Marinho: Monstro Adolescente" emociona, tem personagens bem divertidos, simpáticos e fofinhos. Uma animação que vale a pena ser conferida em família.


Ficha técnica:
Direção: Kirk DeMicco e Faryn Pearl
Produção: DreamWorks Animation e Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h31
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, comédia, família, aventura

23 fevereiro 2023

"As Múmias e o Anel Perdido" - Uma aventura no tempo dos faraós

Animação espanhola tem ótima qualidade e enredo simples, com linguagem para crianças pequenas (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas


Londres nunca mais será a mesma depois que um trio de múmias e um crocodilo bebê se aventurarem por suas ruas e ainda se tornarem pop star das paradas musicais. Impossível? 

Então confira nos cinemas a animação "As Múmias e o Anel Perdido", do diretor espanhol Juan Jesús García Galocha.


Na sessão em exibição no Cineart Boulevard, a criançada vibrou muito com os heróis de séculos passados. Especialmente o simpático bebê crocodilo, que adora seu porquinho rosa de pelúcia. 

Não faltaram comentários e risadas (inclusive de adultos), apesar de ser uma produção totalmente voltada para crianças de até 7 anos. 

Um ponto positivo é que, em algumas salas, a produção tem versões acessíveis.


O enredo não tem novidades, com final esperado, mas a qualidade da animação e a simpatia dos personagens seguram a produção e agradam. 

O longa tem ação do início ao fim, com corrida de bigas e de ônibus, além de bons exemplos de amizade e companheirismo entre irmãos e animais. 


Também aborda costumes passados, que impõem o casamento às filhas, sem deixar que elas escolham qual destino querem seguir. 

Já no caso de Thut, o trauma de uma corrida é o ponto-chave que passa a definir a vida do jovem. Até mesmo o vilão sofre com o controle da mãe.

Personagens

Os caminhos dessa dupla de múmias vão se cruzar por uma obra do destino (ou melhor, de um bumerangue). Thut (na voz de Joe Thomas) é um campeão de corridas de bigas que se aposenta prematuramente. Passa a viver da fama do passado e dos livros autografados que vende. 

Ele tem um irmão, o simpático e super antenado Sekhem (Santiago Winder), que nunca se separa de seu bichinho de estimação, um crocodilo bebê. O bichinho é tão fofo e divertido que dá vontade de levar pra casa.



Para formar o par não tão romântico temos a princesa Nefer (Elanor Tomlison), herdeira do trono do Faraó (Sean Bean). A jovem acha a vida no reino entediante e sonha em ser cantora. E como Thut, tem aversão a casamento.

Por azar (ou sorte) do destino, o piloto de bigas é acidentalmente escolhido para ser marido de Nefer. Mas até o dia do casamento, ele terá de tomar conta de um anel ancestral, de propriedade da Família Real das Múmias.


Só não contava com a aparição do ambicioso arqueólogo Lorde Carnaby (Hugh Bonneville), que está de olho nesta e em outras relíquias históricas. 

O vilão descobre, sob as pirâmides do Egito, uma passagem para o reino escondido das múmias e rouba a preciosa peça.

Agora o quarteto (claro que o pet conta) terá de deixar seu mundo seguro no subterrâneo e conhecer as belezas e perigos do mundo atual dos humanos. 


O local escolhido onde eles vão tentar recuperar o Anel de noivado é Londres, com seus ônibus de dois andares, teatros, museus e turistas.

Destaque para a ótima reprodução de locações, tanto da cidade subterrânea dos faraós, quanto da Londres moderna, com direito à famosa roda gigante. 


Fernando Velazquez, também vencedor do Prêmio Goya, compôs a trilha sonora. O filme traz três canções originais: “I Am Today” ("Nefer Song") e "New Song", com música e letra dele. E “Ring Song”, com música de Velázquez e letra de Jordi Gasull. 

O roteiro de "As Múmias e o Anel Perdido" foi coescrito por Jordi Gasull, também produtor do filme. Ele é vencedor de três prêmios Goya (o mais importante do cinema espanhol) de Melhor Animação (“As Aventuras de Tadeo” - 2012, “No Mundo da Lua” - 2016 e “As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas” - 2017). Boa pedida para conferir com os pequenos.


Ficha técnica:
Direção: Juan Jesús García Galocha
Produção: C.O.R.E. Feature Animation, 4Cats Pictures, Anangu Grup SLU e Moomios Movie AIE
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h29
Classificação: Livre
País: Espanha
Gêneros: animação, família, comédia, aventura