domingo, 16 de julho de 2017

"Meu Malvado Favorito 3" mostra a força da família e os Minions ainda melhores

Gru ganha um irmão gêmeo e enfrenta seu pior inimigo nesta nova aventura (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Eles já haviam provado, desde o primeiro filme, que seriam a atração especial da franquia. E não poderia ser diferente em "Meu Malvado Favorito 3" ("Despicable Me 3"), o quarto filme com os bonequinhos amarelinhos de macacão azul que adoram banana e falam uma língua incompreensível que todo mundo entende. A história é sobre Gru e seu irmão gêmeo Dru, mas os Minions (cujas vozes são novamente do diretor Pierre Coffin) fazem a grande diversão da nova animação. E são temidos até por grandes vilões.


"Meu Malvado Favorito 3" é muito divertido e novamente explora a relação de família. No primeiro, Gru, o maior vilão de todos os tempos, se rende a três lindas órfãs Edith, Agnes e Margo e deixa a vilania. No segundo, já mais caseiro, cuidando das filhas, ele se rende ao amor ao conhecer Lucy e ainda conta com um empurrãozinho das filhas. Mas a vilania não saiu do sangue do maior dos malvados e até seus fiéis ajudantes, os Minions, sentem falta do antigo patrão e fazem de tudo para que ele pratique alguma maldade. 



A notícia da existência de um irmão gêmeo pode mudar toda a vida de Gru e trazer de volta a alegria aos bonequinhos amarelos que não aguentam mais a vidinha pacata e sem graça do chefe. E são as cenas com os Minions as mais engraçadas, principalmente quando resolvem conversar em seu idioma "diferente" e partem para uma nova vida, longe da família e cheia de aventuras e até prisões.


A relação de família está presente durante toda a animação, desde o momento, tanto na união de Gru (dublado por Leandro Hassum) com os Minions quanto na ligação dele com o irmão recém-descoberto e com Lucy (dublada por Maria clara Gueiros) e as crianças. O tema é bem explorado pelos diretores, dando a dimensão esperada para cada situação. Agnes continua sendo a mais fofinha de todas e encanta com seu olhar apaixonante e sua obsessão por unicórnios.


A experiente agente secreta Lucy, agora esposa de Gru, quer se tornar uma mãe verdadeira e tenta de todas as formas conquistar as crianças. Ao contrário do irmão, Dru (também dublado por Hassum) é a imagem do sucesso - farta cabeleira loura, rico e adorado por todos, o que chega a despertar inveja em Gru. Para Dru, o irmão é seu modelo de vilão, como era o pai, e quer que Gru lhe ensine a ser do mal.


Além da questão de família é muito bem explorada no enredo, a escolha do inimigo não fica para trás. Balthazar Bratt (principalmente na dublagem de Evandro Mesquita) é um vilão que não evolui no tempo, tanto nas roupas quanto na música dos anos 80, que ele usa como trilha sonora em cada aparição ou luta. Ele nunca aceitou o fim do seriado com seu personagem Evil Bratt e para se vingar entrou para o mundo do crime. Gru, agora do bem, é seu maior alvo. Em sua primeira aparição anos depois, Gru e Lucy são chamados para capturar Bratt, mas acabam demitidos por deixá-lo escapar.


"Meu Malvado Favorito 3" é uma grande aventura, com momentos "fofiiiiiiiiinhos" e divertidos que garantem boas gargalhadas, muitas sacanagens dos Minions e mensagens bacanas da família Gru. Merece ser visto e curtido. Recomendo para toda a família e todas as idades.



Ficha técnica:
Direção: Pierre Coffin / Kyle Balda
Produção: Illumination Entertainment 
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h30
Gêneros: Aventura /Animação / Comédia
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #MeuMalvadoFavorito3 #DespicableMe3 #3Minions #Gru #Dru #BalthazarBratt #LeandroHassum #MariaClaraGueiros #EvandroMesquita #comedia #animação# #aventura #IlluminationEntertainment #UniversalPictures #CinemanoEscurinho

domingo, 9 de julho de 2017

O Homem-Aranha que os fãs dos quadrinhos estavam esperando

Tom Holland foi a escolha acertada para o papel do mais novo super-herói a integrar o universo cinematográfico da Marvel (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Para quem pretende assistir "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" ("Spider-Man: Homecoming") o primeiro conselho é: esqueça o personagem das versões passadas com Tobey Maguire e Andrew Garfield. Não espere rever a história da morte do tio Ben, a picada que transformou Peter Parker no cabeça de teia ou mesmo uma tia May idosa que faz bolinhos para o sobrinho. A reviravolta foi quase total. Só uma coisa não muda: os vilões continuam sendo pessoas próximas com histórias que justificam seus atos.


O Universo Marvel, em parceria com a Sony Pictures, traz para o mundo cinematográfico um super-herói totalmente diferente, como os fãs esperavam desde os quadrinhos. O Homem-Aranha desta vez é um estudante que se prepara para formar no Ensino Médio, com 17 anos, cheio de vitalidade, aprendendo a usar seus poderes de aranha e que teve seu primeiro e famoso contato com os Vingadores - até roubou o escudo do Capitão América em "Guerra Civil". Agora, ele só pensa em capturar bandidos e realizar mais missões ao lado de seus ídolos. Só que no dia a dia, Peter Parker precisa dividir seu tempo com as tarefas da escola e o amor platônico pela amiga de sala.

E a escolha de Tom Holland para interpretar esse jovem não poderia ser mais acertada. O ator, de 20 anos, está excelente, tem simpatia, carisma, bom humor e seu jeito de super-herói iniciante faz sucesso com o público dos 8 aos 80 anos. Ele casou perfeitamente com o personagem do "amigo da vizinhança". Não tem a beleza e o porte físico (de tirar o fôlego) do Thor e do Capitão América, a força descomunal do Hulk ou a presença sempre marcante e essencial do Homem de Ferro. Ou melhor, Robert Downey Jr, com seu humor ácido.

Mas foi só aparecer por alguns minutos em "Capitão América: Guerra Civil" para ganhar as graças do público e marcar a entrada do personagem no Universo Marvel. E é a partir desta participação que começa a história do novo Homem-Aranha, já com poderes e achando que está pronto para a luta. Cabe a Tony Stark guiá-lo e colocar um freio em tanta empolgação, exigindo que o jovem estude, se prepare primeiro e continue apenas como o amigo mascarado do bairro para depois se tornar um Vingador. 

Se Holland e Downey Jr. formam uma dupla que funciona e agrada, principalmente nos diálogos e na parceria de combate ao crime, Michael Keaton está ótimo como o vilão Abutre, um homem comum que se revolta com todo o estrago que os Vingadores fizeram em sua cidade, mas ao mesmo tempo vive dos escombros desta batalha. 

Marisa Tomei cumpre bem o papel da tia May, muito mais jovem e descolada, mas que também não sabe, como suas antecessoras, dos poderes aracnídeos do sobrinho. Jon Favreau volta a viver o agente Happy Hogan que tem de bancar a babá do jovem Homem-Aranha. No elenco de apoio outro que se destaca é Jacob Batalon, que faz o papel de Ned Leeds, o amigo nerd de Parker. O jovem garante os momentos mais divertidos de "Homem-Aranha", com suas trapalhadas e a idolatria pelo super-herói e os Vingadores. Muito bem também Tony Revolori, como o aluno  riquinho Flash Thompson que está sempre humilhando os colegas.

GALERIA DE FOTOS



"Homem-Aranha: De Volta ao Lar" também se destaca pela fotografia e os ótimos efeitos visuais, principalmente nas batalhas contra o Abutre e na cena do navio se partindo. Tudo funciona bem e já indica uma continuação, além da participação do nosso amigo Homem-Aranha nas produções dos Vingadores. Se alguém achou que Tom Holland era jovem demais para  o papel, essa dúvida deixa de existir ao assistir o filme dirigido por Jon Watts

O diretor se preocupou mais em mostrar o Peter Parker jovem, fazendo coisas da idade, como o vlog de sua participação na luta com os Vingadores e ao lado de Tony Stark. Ao mesmo tempo, o novo super-herói fica frustrado por ter de esconder sua identidade secreta das pessoas mais próximas, como a tia May e Liz Allan (Laura Harrier) por quem é apaixonado.

Chama atenção também a participação da atriz Jennifer Connelly, que empresta sua bela voz a Karen, o programa que ensina o Homem-Aranha a usar os dispositivos instalados em sua roupa. Enfim, são poucos os pontos negativos, que passam batido. "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" é imperdível, um dos melhores filmes de super-heróis da Marvel dos últimos tempos. É leve, divertido e forte concorrente de "Mulher Maravilha" na disputa pela liderança das bilheterias mundiais.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Jon Watts
Produção: Marvel Studios / Sony Pictures
Distribuição: Sony Pìctures
Duração: 2h13
Gêneros: Ação / Aventura
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4,4 (0 a 5)

Tags: #HomemAranha #DeVoltaAoLar #Spiderman #Homecoming #TomHolland #PeterParker #TonyStark, #Abutre, #MichaelKeaton #RobertDowneyJr #MarisaTomei #ação #aventura #SonyPictures #MarvelStudios #CinemanoEscurinho

sábado, 1 de julho de 2017

"A Múmia" abre saga de clássicos do terror com muita ação, pouco susto e enredo confuso

 Sofia Boutella é a estrela do primeiro filme do Universo Escuro da Universal que vai reviver monstros e personagens famosos do passado (Fotos: Universal Pictures do Brasil/Divulgação)

Maristela Bretas


Uma mistura que na maior parte do tempo ficou sem pé nem cabeça, reunindo Dr. Jekyll e Mr. Hyde com lobisomem, múmias, templários, feiticeiras, caçadores de relíquias. E o espectador tendo que entender esta doideira em menos de duas horas. A ideia da Universal de começar seu universo escuro de personagens e monstros (Dark Universe) com "A Múmia" ("The Mummy") parece que não deu muito certo.

O que se vê são críticas da maior parte do público que foi ao cinema achando que iria assistir uma refilmagem das aventura cômicas com Brendan Fraser - "A Múmia" e "O Retorno da Múmia". E acabaram encontrando um Tom Cruise dividido numa produção que mistura aventura, terror fraco e fantasia. O roteiro ficou confuso e para aqueles que não conhecem clássicos como "O Médico e o Monstro", a dúvida sobre o que está acontecendo é ainda maior. Tom Cruise vive o caçador de relíquias Nick Morton, que se envolve com a arqueóloga Jenny Halsey, interpretada por Annabelle Wallis. 


Ela está à procura de uma peça egípcia, mas os dois acabam despertando a princesa Ahmanet (Sofia Boutella, muito bem no papel), punida pelos sacerdotes por tentar reviver Set, o deus da morte. Ao retornar ao mundo dos vivos, ela escolhe Nick para ser seu novo companheiro.

Para dar os primeiros indícios da saga de monstros famosos da Universal entra em cena Russell Crowe como o médico Dr. Jekyll (nas horas boas) e Mr. Hyde (quando está de mau humor). O pesquisador usa a desculpa de que "o mal tem cura" para justificar suas experiências. Colocar tantos personagens numa história foi bem complicado e a possibilidade de tornar o primeiro filme compreensível para poucos era grande.

"A Múmia" foi a tentativa do diretor Alex Kurtzman, mas não deu muito certo como roteiro de uma saga que deveria ter o terror como seu principal gênero. Não lembra produções clássicas como as de Boris Karloff ou Vincent Price, nem as versões cômicas de Brendan Fraser. A bilheteria desta versão vai ditar os ajustes no roteiro (que não são poucos) dos próximos filmes, mais do que em muitas continuações famosas.

Em compensação, as cenas de ação são ótimas, principalmente a da queda do avião e do ataque de Ahmanet à cidade de Londres. Os esqueletos também dão sua contribuição, mas ficou muito esquisito misturá-los com zumbis. 


Maquiagem e efeitos visuais muito bons e bem explorados. E claro, Tom Cruise, que apesar de não funcionar muito bem como Indiana Jones, é sempre uma presença especial e dá seu recado. Assim como Russell Crowe, que deu outra cara ao Médico e Monstro. Não espere muito deste primeiro episódio do Dark Universe. O importante é ficar atento aos primeiros sinais indicando quais poderão ser os vilões dos próximos filmes.



Ficha técnica:
Direção e produção: Alex Kurtzman
Produção: Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures do Brasil
Duração: 1h51
Gêneros: Fantasia / Terror / Aventura
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #amumia #themummy, #TomCruise #SofiaBoutella #AnnabelleWallis #RussellCrowe #AlexKurtzman #fantasia #terror #aventura #DarkUniverse #UniversalPictures #CinemanoEscurinho

domingo, 25 de junho de 2017

"Meus 15 Anos" é comédia musical para adolescente com clichês, mas sem apelação

Larissa Manoela estreia como protagonista e conquista público com simpatia e interpretação (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Livremente inspirado no livro homônimo, de Luiza Trigo, "Meus 15 anos" apresenta a atriz teen Larissa Manoela em seu primeiro papel como protagonista, após três produções para jovens - "O Palhaço" (2011), Carrossel - O Filme (2015) e Carrossel 2 - O Sumiço de Maria Joaquina (2016), este último já mostrando o potencial da atriz. E a jovem dá conta do recado e segura o filme com uma boa interpretação.

Menina dos olhos do SBT e Televisa, Larissa Manoela ganha destaque com esta produção ao interpretar Bia, uma garota de 14 anos que vive com o pai viúvo, só tem um amigo e todos na escola a acham esquisita. O enredo lembra alguns filmes atuais sobre adolescentes ao tratar de bullying, jovens que são isolados por colegas, brincadeiras e situações humilhantes.

Na escola, Bia tem apenas Bruno (Daniel Botelho, muito bem no papel) como amigo e com quem forma uma dupla musical - ele tocando atabaque e violão e ela compondo e tocando Ukulelê. Mais uma motivo para serem a piada entre os colegas. Para piorar, o pai dela, Edu (o comediante Rafael Infante) trabalha num shopping e cada dia aparece na escola para buscá-la vestido com uma fantasia diferente (e mais esquisita).

Bia insiste que só quer ser invisível, mas no fundo sonha em se enturmar com os colegas. E a situação surge quando Edu inscreve a filha num concurso que dará uma festa de 15 anos à ganhadora. Claro que ela ganha, já que é a protagonista, e Bia será Cinderela por uma noite, com direito a príncipe e Anitta cantando no baile.

Como não poderia deixar de ser ela vira o centro das atenções da escola e todos querem se tornar seus amigos para ganharem um convite. Até mesmo Thiago (Bruno Peixoto), o garoto mais cobiçado pelas meninas, o que acaba despertando ciúmes em Bruno (que tem uma paixão platônica por Bia). Sem ter como escapar da situação criada pelo pai, a jovem terá de vencer seus medos, viver novas experiências, inclusive do amor, e aprender a crescer.

O filme é recheado de clichês, com momentos de inveja, falsas amizades mas também reforça bons valores, como família. O carinho e o cuidado de Edu com a filha e a amizade sincera entre Bia e Bruno, que nunca abandona a amiga, mesmo quando é desprezado por ela.

Larissa Manoela é o destaque da produção e se esforçou para desempenhar um bom papel. Aprendeu inclusive a tocar ukelelê. A atriz passa uma imagem simpática, canta, dança e interpreta uma Bia muito segura do que quer em alguns momentos e também a de uma ingênua sonhadora, como as garotas de sua idade. Clique aqui para ver o depoimento do elenco sobre o filme.

Já parte do elenco juvenil de "Meus 15 anos" não é tão expressivo, o que colaborou para que Larissa aparecesse ainda mais. A cantora Anitta faz uma ponta, no papel dela mesma, dando inclusive conselhos musicais para Bia. Os momentos engraçados ficam por conta de Polly Marinho, como a promoter da festa, e Victor Meyniel, seu assistente Joseph Charles.

Sem grandes pretensões mas com muitas mensagens incentivadoras e clichês do início ao fim, "Meus 15 Anos" é uma comédia romântica musical feita para a faixa de 10 a 15 anos. A trilha sonora confirma isso, usando sucessos internacionais (como "A Thousand Years", de "A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2") e nacionais interpretados por Anitta, a própria Larissa Manoela, Clarice Falcão e até Claudinho e Buchecha com "Fico Assim Sem Você". Quem for ao cinema deve assistir "Meus 15 Anos" como uma distração saudável, sem a apelação de muitas produções atuais. Um filme para a família, com direito a valsa de debutante e muito brilho.



Ficha técnica:
Direção: Caroline Fioratti
Produção: Paris Entretenimento / Televisa / SBT
Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes
Duração: 1h30
Gêneros: Comédia / Romance / Musical
País: Brasil
Classificação: 10 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Meus15anos #LarissaManoela #RafaelInfante #Anitta #DanielBotelho #CarolineFioratti #comedia #romance #musical #DowntownFilmes #ParisFilmes #Televisa #SBT #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 22 de junho de 2017

"A Garota Ocidental" é uma história de liberdade versus tradição

A atriz francesa Lina El Arabi como a sofrida Zahira tem atuação sob medida (Fotos: Cineart Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Nada mais oriental do que "A Garota Ocidental" ("Noces"), filme paquistanês em coprodução com a Bélgica, Luxemburgo e França, e que no Brasil ganhou o subtítulo "entre o coração e a tradição", uma obviedade desnecessária - é bom que se diga. Qualquer pessoa é capaz de identificar, logo nas primeiras cenas do longa, que se trata da história de uma jovem estudante paquistanesa que vive na Bélgica e entra em conflito com a família assim que atinge a maioridade.


Enquanto os pais da bela Zahira querem - praticamente obrigam - a filha a escolher, via skype, um marido paquistanês entre três candidatos apontados por eles, ela deseja ser livre e trilhar seu próprio caminho.


A pegada oriental de "A Garota Ocidental" é também facilmente identificada. Os cortes e ângulos são diferentes do que o espectador está habituado a ver no chamado cinemão, que tem como seu modelo mais característico o feito em Hollywood. Até a luz das cenas parece estranha nos primeiros momentos do filme. Os closes são privilegiados e quase não se vê ângulos abertos, o que imprime um intimismo necessário ao drama que o diretor belga Stephan Streker se propõe a contar.


Além da atriz francesa Lina El Arabi como a sofrida e tumultuada Zahira em atuação sob medida, destacam-se no elenco, em interpretações intimistas, Babak Karimi como o pai da jovem, e Sébastien Houbani, irmão e confidente de Zahira, personagem-chave na trama.



Importante dizer que o filme é baseado em fatos reais. No fim, uma surpresa assusta o expectador e aumenta o peso da narrativa, como se o diretor quisesse assustar o público. Se, durante quase toda a projeção, os diálogos sobre feminismo, direito, honra e tradição se arrastam com pouquíssima ação, o final choca, sacode, faz pensar.


Apesar do uso constante de modernidades como a internet e o celular, apesar do ambiente descolado e juvenil das baladas, com muita dança, música e bebidas, a tradição e os conceitos arraigados têm força e poder para transformar o destino das pessoas. "A Garota Ocidental" trata, principalmente, de escolhas. Uma bela produção que entra nesta quinta-feira em cartaz com distribuição da Cineart Filmes.



Tags: #AGarotaOcidental #Noces #LinaElArabi #SébastienHoubani #Babak Karimi #StephanStreker #drama #Paquistão #CineartFilmes #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 19 de junho de 2017

"Tudo e Todas as Coisas" é distração romântica para adolescentes

Amandla Stenberg e Nick Robinson são os protagonistas desta moderna história de amor (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


O que você faria se sofresse de uma doença rara, vivesse numa redoma de vidro, tivesse uma mãe superprotetora e do lado de fora de sua janela surgisse o amor de sua vida, sem que pudesse tocá-lo. Pois este é o tema de "Tudo e Todas as Coisas" ("Everything, Everything"), baseado no best-seller escrito por Nicola Yoon e dirigido por Stella Meghie.

O filme tem uma história típica de romance de adolescente, com dois atores jovens, conhecidos de outras produções - Amandla Stenberg (“Jogos Vorazes”), como Maddy, e Nick Robinson (“Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros”), como Olly. O elenco conta ainda com Anika Noni Rose (“Dreamgirls: Em Busca de um Sonho”), como a mãe de Maddy, e Ana de la Reguera (“Sun Belt Express”), a enfermeira que cuida da jovem desde pequena.

Maddy tem uma doença rara - ela sofre de Síndrome da Imunodeficiência Combinada e seu corpo não é capaz de combater vírus e bactérias do mundo exterior. Além do drama da jovem, o filme aborda também a paranoia da mãe dela, que por medo de perdê-la cria a adolescente numa redoma de vidro. Uma prisão de alto luxo. E é da janela de seu quarto que ela vê chegar à casa ao lado seu vizinho Olly, um rapaz com pinta de rebelde. O interesse de um pelo outro é imediato.


A jovem está desesperada para experimentar o desejado e estimulante mundo além das paredes de seu quarto – e a promessa de seu primeiro amor. Os olhares trocados apenas pelo vidro das janelas e as conversas pelo Whatsapp criam um profundo laço entre ela e Olly. E os dois vão fazer o possível para ficarem juntos, ignorando a doença e todas as pessoas que tentarem afastá-los.

Um enredo sem nada de especial, seguindo o estilo da autora de relacionamentos interraciais, mas "Tudo e Todas as Coisas" agradou ao público jovem presente à sessão. Principalmente aqueles que leram o livro, cujo final é diferente da versão cinematográfica, segundo eles. Mas o casal principal deu conta do recado. Gostei mais da atuação de Amandla Stenberg. Achei Nick Robinson um pouco devagar para um jovem apaixonado que faria tudo pela amada. Mas vale a sessão como distração.



Ficha técnica:
Direção: Stella Meghie
Produção: Alloy Entertainment
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h37
Gêneros: Drama / Romance
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #TudoeTodasasCoisas #EverythingEverything #AmandlaStenberg #NickRobinson #StellaMeghie #AlloyEntertainment #WarnerBrosPictures #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 15 de junho de 2017

"Colossal" nos monstros e nas bebedeiras, mas pecou no roteiro

Anne Hathaway e seu monstro são as estrelas desta cômica ficção científica (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Paula Milagres e Maristela Bretas


O diretor Nacho Vigalondo abraçou "Colossal" do início ao fim, sendo o criador da ideia original, roteirista e produtor executivo. Mas conseguiu apenas fazer um filme que ironiza monstros do tipo "Godzilla" e robôs gigantescos como os de filmes japoneses que destroem cidades inteiras, no estilo "Power Rangers". E só se a intenção era explorar os medos e as raivas do ser humano que o transformam em algo incontrolável, a ideia passou só de raspão no roteiro. E pior, não soube aproveitar o talento de uma grande atriz.

Anne Hathaway e Jason Sudeikis conseguem salvar parcialmente o filme com suas atuações como Glória, a jovem sem rumo que adora um álcool e ele como seu amigo de infância. Mas ela se apavora quando percebe que suas bebedeiras libertam seu monstro interno, o mesmo acontecendo com o personagem dele, Oscar.


Glória é uma jovem que está sem emprego. Passa a maior parte do tempo ocupando sua cabeça com bebidas e noitadas, o que atrapalha também em seu relacionamento com Tim (Dan Stevens), que acaba se separando dela. Sem dinheiro, namorado e procurando mudanças, ela volta a sua terra natal, onde reencontra Oscar. E logo no primeiro dia instalada na cidade, fica sabendo do ataque de um monstro a Seul, na Coreia do Sul.

O ataque acontece às 8h05 da manhã. Ela se assusta com o fenômeno, semelhante ao ocorrido há 25 anos quando era criança. Vendo o telejornal, ela percebe que o monstro repete certas manias suas, como por exemplo, coçar a cabeça. Oscar e seus amigos Garth (Tim Blake Nelson) e Joel (Austin Stowell) se surpreendem com o fato e começam a ajudar a desvendar o mistério.


Ela tenta, de todas as formas, deter o ser gigantesco que continua atacando todos os dias a cidade sul-coreana, sempre no mesmo horário, coincidentemente quando ela está em uma pracinha de sua pacata cidade. Para piorar um robô nas mesmas proporções entra na história, porém sem controle, trazendo sérias consequências.

Se a intenção era discutir o monstro que cada um de nós carrega, o diretor perdeu o fio da meada apesar da originalidade da forma como tentou explorar o tema. Há momentos que o filme está mais para uma comédia, de final previsto mas interessante. Na trilha musical uma curiosidade: o tema de abertura da série de TV "The Flash", do canal Warner.



Ficha técnica:
Direção: Nacho Vigalondo
Produção: Brightlight Pictures
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h30
Gêneros: Ficção científica / Ação /Comédia
Países: Espanha / Canadá
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Colossal #AnneHathaway #DanStevens #AustinStowell #JasonSudeikis #NachoVigalondo #ficcaocientifica #acao #comedia #ParisFilmes #CinemanoEscurinho

sábado, 10 de junho de 2017

"Neve Negra" reúne ótimo elenco em suspense interessante mas previsível

Drama está sendo considerado o maior filme argentino do ano (Fotos: Paris Filmes / Divulgação)


Maristela Bretas


Ricardo Darín retorna às telas no papel de um homem amargo, quase eremita, dividindo desta vez as atenções com outros dois ótimos atores argentinos - Leonardo Sbaraglia e Federido Luppi. A produção "Neve Negra" ("Nieve Negra") é um suspense bem interessante e está sendo considerado o maior filme argentino do ano. Não sei se é chega a tanto - seu roteiro é bem previsível em várias cenas, inclusive no final, a partir do momento que se descobre o motivo que levou dois irmãos a se afastarem um do outro por anos.

Darín interpreta Salvador, o mais velho dos filhos de um caçador e que vive isolado na cabana da família nas montanhas. Marcos (papel de Sbaraglia) é seu irmão do meio e ambos eram maltratados pelo pai que tinha atenção apenas para a filha e o caçula. E foi neste ambiente hostil e de tratamentos diferenciados que os quatro filhos foram criados até uma tragédia fazer com que a família se separasse.


O enterro do pai e a possibilidade de vender por uma fortuna o terreno na montanha onde está a antiga cabana da família faz Marcos retornar à terra natal, acompanhado de Laura (a atriz espanhola Laia Costa) sua namorada grávida. Ele terá de se reaproximar de Salvador para tentar convencê-lo a aceitar a venda da área e deixar o lugar. O reencontro dos irmãos irá reviver traumas antigos do passado.

A condução de "Neve Negra" pelo diretor Martin Hodara é muito boa, com o drama familiar relembrado em flashbacks. Além de uma ambientação sombria e pesada, predominando o branco da neve e o cinza, o que ajuda a tornar a história mais tensa e ao mesmo tempo cansativa. 

Darín como sempre está muito bem, um rosto marcado por traumas e uma vida solitária, como se vivesse de culpas e rancores. Também Sbaraglia e Luppi (como Sépia, amigo da família) se destacam em suas atuações. Este último, juntamente com Laia Costa, são responsáveis por alguns dos melhores momentos do filme. Se os atores fizeram bem sua parte, o mesmo não se aplica ao roteiro, que deixa a desejar ao apresentar um suspense previsível.

"Neve Negra" é um filme que vale a pena ser conferido, principalmente pelo trio masculino. Mantém um bom grau de suspense e drama até que um simples diálogo entre os irmãos praticamente conta o final. Mesmo assim este pode surpreender pela forma como é conduzido.



Ficha técnica:
Direção: Martin Hodara
Produção: Gloriamundi Produccuiones / A Contracorriente Films / Bowfinger Inti Pictures / Pampa Films
Distribuição: Paris Filmes 
Duração: 1h30
Gêneros: Drama / Suspense
Países: Argentina / Espanha
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #NeveNegra #NieveNegra #RicardoDarin #Leonardo Sbaraglia #Federido Luppi #LaiaCosta #MartinHodara #drama #suspense #ParisFilmes #CinemanoEscurinho

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Piratas do Caribe - A Vingança de Salazar" encerra a saga de Jack Sparrow

Produção recupera a essência do original e novamente se destaca pelos efeitos visuais (Fotos: Walt Disney/Divulgação)

Maristela Bretas


Foram cinco filmes, nem todos excelentes, mas que atraíram milhares de espectadores aos cinemas e garantiram muitos milhões de dólares em bilheteria. E a franquia foi bem encerrada com "Piratas do Caribe - A Vingança de Salazar" ("Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales"), com Johnny Depp comandando a festa e Javier Bardem interpretando o Capitão Salazar, um de seus piores inimigos do passado. Sem esquecer a ótima participação de Geoffrey Rush, como o capitão Barbossa.

A produção acerta algumas arestas, apresenta novos participantes e reúne antigos como Orlando Bloom (Will Turner) e Keira Knightley (Elizabeth Swann) e arrasa como sempre nos efeitos especiais, principalmente nas cenas de batalhas no mar e nas aparições dos navios piratas, como o do capitão Salazar e o Pérola Negra. 


Mas acabou na hora certa, Johnny Depp parece estar mais entediado que o próprio personagem Jack Sparrow. Mesmo assim, ele brilha e ainda abre espaço para outros estrelarem, como Geoffrey Rush e Kevin McNally, que faz Gibs, o fiel escudeiro que acompanha o pirata malandro desde o primeiro filme.

"A Vingança de Salazar" também traz outro astro do rock para a telona. Se o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, foi o pai de Sparrow em "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo" (2007) e "Navegando em Águas Misteriosas" (2011), desta vez quem ganha o título de tio do pirata é o ex-Beatle Paul McCartney (irreconhecível), numa rápida aparição.

O novo filme tem duas caras novas (mas conhecidas do público) para dividirem as atenções com o elenco famoso - Brenton Thwaites ("O Doador de Memórias" - 2014), como Henry Turner, filho de Will e Elizabeth, e Kaya Scodelario (da franquia "Maze Runner"), como Carina Smith. O jovem casal é simpático, mas está muito aquém de Bloom e Knightley. Eles fazem importantes ligações entre os demais personagens. Já Bardem tem seu talento pouco aproveitado e faz um vilão limitado, para cumprir roteiro.

Na história, Salazar é o capitão espanhol de um navio que se tornou inimigo de Sparrow no passado e que agora lidera um navio fantasma e sua tripulação. Seu objetivo é caçar todos os piratas existentes, principalmente Jack, que para poder escapar dele precisará encontrar o Tridente de Poseidon. O artefato dá a seu dono o poder de controlar o mar. Ele terá de contar com a ajuda de sua não tão fiel tripulação e dos jovens Henry, que quer quebrar a maldição de seu pai, e Carina, que sabe como chegar ao tridente.

"A Vingança de Salazar", mesmo sem apresentar muitas novidades, recupera o brilho da franquia, perdido com alguns antecessores e apresenta ótimas cenas de lutas, bela fotografia, o humor sarcástico e divertido dos personagens e, principalmente, a essência da história original. Muito bom e merece ser conferido.



Ficha técnica:
Direção: Joachim Ronning e Espen Sandberg
Produção: Walt Disney
Distribuição: Disney/ Buena Vista
Duração: 2h09
Gêneros: Aventura / Fantasia / Ação
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #PiratasdoCaribeAVingançadeSalazar#PiratasdoCaribe #JohnnyDepp #JavierBardem #GeoffreyRush #JackSparrow #capitaoSalazar #capitaobarbossa #piratas  #acao #aventura #fantasia #Disney #BuenaVista #CinemanoEscurinho