quarta-feira, 18 de outubro de 2017

"Uma Razão Para Recomeçar", filme para chorar (e esquecer)

Produção segue o estilo de romance-tragédia do escritor Nicholas Sparks (Fotos: Cineart Filmes/ Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Benjamin Morton - Ben - e Ava Kennedy se conhecem desde pequenos. Na verdade, namoram desde criança, quando foram vizinhos, por volta dos seis, sete anos de idade. São brancos, bonitos e fazem parte de uma típica classe média americana que tem acesso à universidade e ao mercado de trabalho - ele, por exemplo, trabalha no bem-sucedido escritório de arquitetura do pai enquanto ela estuda. Ambos têm amigos tão charmosos quanto eles e, claro, alguns são engraçadinhos e piadistas.

Durante um bom tempo de "Uma Razão Para Recomeçar", o único conflito do namoro de Ben e Ava, interpretados por Jonathan Patrick Moore e Erin Bethea é a falta de tempo dele para se dedicar à relação, o que gera pequenos conflitos, sempre resolvidos rapidamente com conversas, muitas declarações de amor e beijos. Tudo corre maravilhosamente bem na vida deles, como é esperado. Tão maravilhosamente bem que o espectador começa a desconfiar: alegria, amor e equilíbrio não são ingredientes suficientes e nem sustentam um bom filme. O longa só fica aquecido quando, a partir da festejada gravidez de Ava, descobre-se que ela está doente.

Difícil acreditar que o filme tenha sido dirigido pelo mesmo Drew Waters que foi responsável por um dos trabalhos mais duros e realistas da atualidade, a elogiada série "Breaking Bad", exatamente sobre o fascínio e o poder do mal. No longa atual, o que fica é a sensação de que roteiro e direção foram propositadamente elaborados para fazer chorar, para pegar o espectador pelo sentimentalismo e não pela emoção verdadeira. São raras as histórias que efetivamente emocionam o público sem apelar para a música de fundo, a quase pieguice.

Não seria correto dizer que "Uma razão para recomeçar" é um filme ruim. Nada disso. Mas, embora apele para a velha - e verdadeira - premissa de que ninguém está no comando da vida e que tudo pode mudar em questão de segundos, há outras formas - quem sabe mais poéticas e sutis - para se contar uma história de amor.

Como a maioria dos longas americanos do gênero, não faltam as tiradas e piadinhas de sempre que parecem querer dar leveza à dor que está por vir, o que soa um pouco raso, falso, mesmo que a lição final seja edificante. Ou seja: as pessoas chegam facilmente às lágrimas enquanto estão assistindo ao filme, mas se esquecem dele quando saem do cinema e mudam de assunto assim que tomam a primeira cerveja.



Tags: #UmaRazãoParaRecomeçar, #filmeprachorar, #drama, #romance, #cinemas.cineart, @CineartFilms, @CinemanoEscurinho

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"A Morte Te Dá Parabéns" é terror leve no estilo "déjà vu"

Jessica Rothe convence nos momentos em que é atacada pelo assassino mascarado (Fotos: Patti Perret/Universal Pictures)

Maristela Bretas


Os próprios atores citam a semelhança com a comédia "clássica" Feitiço do Tempo (1993), com Bill Murray e Andy MacDowell. Mas para os dias de hoje, "A Morte Te Dá Parabéns" ("Happy Death Day") está mais para o drama "Antes que Eu Vá" (2017), em que uma jovem vive repetidamente o fatídico dia de sua trágica morte, enquanto tenta descobrir o que precisa consertar na sua vida cada vez que acorda.

Para dar uma animada no filme, o diretor Christopher Landon transformou o que seria mais um romance de adolescentes em um terror leve, que não chega a ser "Premonição" nem "Pânico", mas que apresenta um novo personagem do mal. O  assassino em questão usa roupa preta e uma máscara horrorosa de gordinho tarado, carrega uma faca gigantesca e mata dia após dia a jovem Tree, vivida por Jessica Rothe, que foi coadjuvante em "La La Land". Ela é uma estudante arrogante que trata mal os rapazes, as colegas de fraternidade e não dá atenção ao pai, mesmo no dia do aniversário dela.

Até que é morta pela primeira vez, exatamente nesta data, pelo mascarado bochechudo. Ao acordar, ela descobre que está revivendo o dia anterior, numa sensação de "déjà vu" de sua morte. E ela terá de reviver esse momento, dia após dia, com pequenas variações de armas e locais. Só assim conseguirá descobrir quem é seu assassino e o porquê de ele querer tanto matá-la. Nesse meio tempo, vai conhecer Carter (Israel Broussard), o nerd que vai tentar ajudá-la a desvendar o mistério cada vez que ela despertar e lhe contar a história novamente.

Jessica Rothe está bem no papel, convence nos momentos de suspense e dá credibilidade a seu personagem. Israel Broussard faz o tipo de rapaz de filmes de adolescentes que nunca pegou uma garota e se sai bem. Se o espectador prestar atenção em alguns detalhes, poderá descobrir o assassino bem antes do final. Mesmo com Tree tendo deixado um rastro de inimigos em sua vida escolar, do tipo entra na fila pra me matar.

Apesar de terror, "A Morte Te Dá Parabéns" vale como diversão, é bem conduzido, diálogos simples, alguns sustos e poucas risadas. Diferente de algumas produções da Blumhouse, que se especializou em filmes do gênero, do tipo "Corra!" (2017), "Fragmentado" (2017), "12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição" (2016), "A Visita" (2015) ou "O Presente" (2015). Nada de muito novo, exceto a máscara do gordinho assassino, que deve disputar com a de "Pânico" e a  do palhaço "Pennywise", de "It - A Coisa" (2017) a preferência dos amantes do terror.



Ficha técnica:
Direção: Christopher Landon
Produção: Blumhouse Productions
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Duração: 1h36
Gêneros: Terror / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #AMorteTeDaParabens, #dejavu, @JessicaRothe, #terror, #suspense, #reviverapropriamorte, @UniversalPicturesBrasil, @BlumhouseProductions, @cinemas.cineart, @EspaçoZ, @CinemanoEscurinho

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Fotografia, figurinos e atuações são os destaques do emocionante "Entre Irmãs"

Marjorie Estiano e Nanda Costa formam uma dupla bem entrosada e conquista o público como as irmãs separadas pelo destino (Fotos: Divulgação)

Maristela Bretas


Uma é Emília, a outra Luzia. Duas irmãs inseparáveis vivendo com a tia, exímia costureira que lhes ensina o ofício. Duas personalidades com desejos diferentes - uma quer ganhar o mundo, se mudar para a capital; a outra, deficiente física desde a infância, deseja apenas manter a pequena família unida. Mesmo com seus caminhos separados, as jovens permanecem ligadas pelo amor de uma pela outra. Esta é a bela história de "Entre Irmãs", filme dirigido por Breno Silveira, o mesmo de "Dois Filhos de Francisco", que volta a investir na relação de família, e na ambientação regional de um Brasil que poucos conhecem.

Desta vez, os locais escolhidos foram o sertão pernambucano, com sua seca e pobreza, e Recife, com sua sociedade rica e preconceituosa. O diretor entrega ao público outro ótimo trabalho na escolha das locações e das protagonistas, além da fotografia impecável. Erra no entanto no enredo detalhista demais, o que deixou a produção longa e desnecessária - 2h40. Talvez porque ela deva ser adaptada para minissérie de TV, como aconteceu com outro trabalho de Breno Silveira - "Gonzaga - De Pai Pra Filho", de 2011, que contou também com as atuações de Nanda Costa e Cyria Coentro.

No longa, Nanda Costa interpreta Luzia, irmã de Emília, papel de Marjorie Estiano. As duas estão excelentes e mostram maturidade e grande sensibilidade que cativa e comove o público. Cyria Coentro, que faz a tia Sofia, merece também destaque, compondo o trio da primeira parte do filme. A chegada de Carcará (vivido por Júlio Machado, de "Joaquim" - 2017) vai mudar a vida das três mulheres para sempre, ao levar Luzia com ele. Baseado no livro "O Cangaceiro e a Costureira", de Frances de Pontes Peebles, "Entre Irmãs" transforma essa união numa versão romanceada da dupla de cangaceiros mais famosa do Nordeste - Lampião e Maria Bonita.

A história está bem distribuída entre a vida das duas irmãs, seus dramas e a relação com as pessoas que as cercam. Com a separação de Luzia, Emília também vai atrás de seu tão desejado sonho de morar na capital, onde irá descobrir que nem sempre o príncipe encantado é tudo aquilo que esperava. A partir da segunda parte do filme, outros bons atores são incorporados à trama, como a bela Letícia Colin, interpretando Lindalva, a amiga confidente de Emília, Rômulo Estrela, como Degas, Claudio Jaborandy e Rita Assemany, pais de Degas, Ângelo Antonio, como Dr. Eronildes, e Fábio Lago, o cangaceiro Orelha, do bando de Carcará.

Passado na década de 1930, o filme faz uma bela reconstituição de época, com figurinos impecáveis. A abordagem de alguns temas são bem atuais, especialmente o preconceito contra a mulher, o maior problema enfrentado por Emília e Luzia. Também a homossexualidade escondida ou vista como uma doença que ser tratada em clínica psiquiátrica bate com a discussão que hoje toma conta do país com a absurda "cura gay". Ou a tragédia na infância, que joga uma criança no mundo do crime e quando adulto age com crueldade contra seus inimigos, mas defende os injustiçados. Algo semelhante ao que acontece com alguns criminosos que controlam comunidades carentes.

"Entre Irmãs" é um belo filme, merece ser visto, apreciado e discutido. Breno Silveira acertou em quase todos os detalhes, errou apenas na duração, o que não compromete a qualidade desta produção nacional. Apesar de ser ambientado no século passado, é bem atual e contra com excelentes interpretações, principalmente de Marjorie Estiano e Nanda Costa, as irmãs costureiras, marcadas pela pobreza do sertão, que ganham o mundo e precisam impor suas personalidades, uma como dama da hipócrita sociedade da capital, e a outra como a mulher que não se dobra ao machismo do cangaço.



Ficha técnica:
Direção: Breno Silveira
Produção: H2O Films / Globo Filmes / Conspiração Filmes
Distribuição: Sony Pictures Brasil
Duração: 2h40
Gêneros: Drama / Nacional
País: Brasil
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #EntreIrmas, @BrenoSilveira, @NandaCosta, @MarjorieEstiano, @CyriaCoentro, @JulioMachado, #drama, #nacional, @H2OFilms, @GloboFilmes,  @SonyPicturesBrasil, @cinemas.cineart, @EspaçoZ, @CinemanoEscurinho

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

"As Aventuras do Capitão Cueca", um bom programa para ser feito em família

Jorge e Haroldo aprontam todas na escola e criam histórias em quadrinhos do super-herói de cuecas (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas


E o cinema ganhou uma versão das famosas aventuras do super-herói que usa a cueca por cima da roupa. Não, não é o Super-Homem nem o Batman, este é muito mais divertido e vai fazer a meninada dar boas gargalhadas. Está em cartaz nas salas de BH a animação da DreamWorks, "As Aventuras do Capitão Cueca" ("Captain Underpants: The First Epic Movie"), ideal para uma sessão em família, com os pequenos a partir de cinco anos - a classificação é seis anos, mas um ano a menos não vai ser problema, Valem as aprontações dos dois personagens principais - Jorge e Haroldo e o super-herói trapalhão.

Os dois meninos, amigos desde sempre, são muito criativos e não aceitam o regime rígido da escola onde estudam, para desespero do rabugento diretor Krupp, que tenta pegar a dupla inseparável de todas as formas e aplicar-lhes um pesado castigo. Enquanto ele não consegue, Jorge e Haroldo se tornam os ídolos dos outros alunos cada vez que criam uma "pegadinha" nova contra o diretor e os professores. Nas horas vagas, os dois se reúnem na casa da árvore e se dedicam a escrever histórias em quadrinhos com as aventuras do Capitão Cueca, um super-herói muito atrapalhado, cheio de vontade de fazer boas ações e que veste um cuecão branco e uma capa vermelha.

Ameaçados por Krupp de serem separados de sala, Jorge e Haroldo descobrem o poder hipnotizador de um anel e usam contra ele para que obedeça a suas ordens e se transforme no Capitão Cueca. Mas a mudança não dá muito certa e o trio agora terá de enfrentar um vilão muito doido. Baseado na série mundial de livros e best-seller escritos por Dav Pilkey, "As Aventuras do Capitão Cueca" é para rir e curtir com os filhos as aprontações e aventuras dos personagens. É até um incentivo para que comecem a gostar de ler livros e quadrinhos. Boa opção para o feriado prolongado.



Ficha técnica:
Direção: David Soren
Produção: DreamWorks Animation / Scholastic Productions
Distribuição: Fox Fim do Brasil
Duração: 1h29
Gêneros: Animação / Aventura / Comédia /Infantil
País: EUA
Classificação: 6 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #AsAventurasdoCapitaoCueca, #CapitaoCueca, @DreamWorksAnimation, @FoxFimdoBrasil, #comedia, #aventura, #infantil, #familia, #animação, @cinemas.cineart, @EspacoZ, @CinemanoEscurinho

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Confiram o arrasador trailer de "Star Wars: Os Últimos Jedi"



Divulgado na noite de segunda-feira (9), o primeiro trailer completo do "Episódio VIII - Star Wars: Os Últimos Jedi", com fortes revelações. A estreia do filme no Brasil está marcada para o dia 14 de dezembro, nos formatos 3D e Imax.

A saga da família Skywalker continua quando os heróis de O Despertar da Força se unem a lendas da galáxia em uma aventura épica que desvenda antigos mistérios da Força e revelações surpreendentes do passado.

Tags: #starwarsosultimosjedi, #starwarsthelastjedi, #starwars, @LucasFilm, #aventura, #ficção, @WaltDisneyStudios, @CinemanoEscurinho

"Pica-Pau" perde a graça e o sarcasmo que marcaram os desenhos

Filme com o famoso personagem tem história bem simples e elenco fraco (Fotos; Universal Pictures/Divulgação)


Maristela Bretas


Era para ser uma boa lembrança de um tempo em que os desenhos eram divertidos, mesmo recheados de sarcasmo e não tão "politicamente corretos", que provocavam risadas e não precisavam de tantos recursos técnicos para fazer um personagem marcar a infância de várias gerações. Esse era o "Pica-Pau", que agora ganhou uma versão em animação computadorizada com live-action, voltado para crianças a partir de seis anos, mas que não consegue ter a mesma simpatia que o original.

Em "Pica-Pau: O Filme", o pássaro falante e multicolorido voa de um lado para outro, apronta com todos, mas é sem graça. Vai divertir algumas crianças desta faixa, que possivelmente nunca viram o desenho, mas os próprios pais, que tiveram a oportunidade de ver o verdadeiro Pica-Pau, vão sentir uma diferença enorme. Além do personagem principal feito em computação gráfica, também os atores reais que contracenam com ele são bem fraquinhos. Timothy Omundson (que tem uma trajetória em séries de TV) faz o papel do arquiteto que Lance Walters, que quer desmatar a floresta onde vive o insano passarinho.

Para atrair o público brasileiro, onde o desenho ainda tem um público fiel que garante audiência, foi chamada a inexpressiva atriz Thaila Ayala (de "Mais Forte que o Mundo - A História de José Aldo" - 2016) para o papel de Vanessa, namorada de Lance. No elenco ainda temos Graham Verchere, como Tommy, filho de Lance, Scott McNeil e Adrian Glynn McMorran, que fazem os irmãos trapalhões Nate e Ottis Grimes.

A história é bem simples, sem mistério, ideal para criança pequena entender sem esforço: Lance quer construir uma mansão no meio de floresta e leva para o lugar sua namorada esnobe e o filho com quem não convive bem. Ao começar o desmatamento, provoca a revolta do travesso Pica-Pau, que parte para o ataque, usando as armas que tem, infernizando tanto os operários quanto os donos da casa. Ao mesmo que trava uma batalha com os desmatadores, a insana ave se torna amiga e defensora de Tommy e juntos vão tentar impedir a destruição do local.

Sem aprofundar muito na questão ambiental e até mesmo no lado de relacionamento entre pai e filho, o filme serve como distração para uma tarde com os pequenos. Eles podem se divertir com as aprontações da famosa ave, as falas e situações engraçadas com muitos tombos na lama, explosões sem ferimentos, picadas na cabeça e mensagens do tipo - "Não faça isso em casa". "Pica-Pau: O Filme" não chega aos pés do personagem louco criado por Walter Lantz em 1940 e único desenho animado a ter uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Alex Zamm
Produção: Universal Animation Studios
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h24
Gêneros: Animação / Comédia / Família
País: EUA
Classificação: 6 anos
Nota: 2 (0 a 5)

Tags: #PicaPauOFilme, #WoodyWoodpecker, @ThailaAyala, @TimothyOmundson, #animação, #comédia, #família, @UniversalPictures, @EspaçoZ, @cinemas.cineart, @CinemanoEscurinho

sábado, 7 de outubro de 2017

"Chocante", comédia dramática para lembrar as "boys bands" da década de 1990

Filme conta com elenco conhecido de bons humoristas, com direito a histeria de fãs e flashbacks (Fotos: Imagem Filmes / Divulgação)


Maristela Bretas


Os atores são bons humoristas, conhecidos de novelas e shows na TV e produções para o cinema, mas o filme desaponta. O enredo tenta mostrar como era (e ainda é) a reação histérica dos fãs adolescentes diante de seus ídolos, e, principalmente, como eles caem no esquecimento depois que o sucesso acaba e as novas gerações nem sabem que eles existiram. Essa é a história de "Chocante", comédia brasileira com Bruno Mazzeo, Marcus Majella, Lúcio Mauro Filho e Bruno Garcia. O elenco conta ainda com a participação de Tony Ramos, Débora Lamm e Pedro Neschling. 

A parte da comédia fica por conta de Marcus Majella, no papel de Clay, que durante o sucesso da banda sempre passar a imagem de garanhão e só depois de mais velho assume que é gay. Para seus amigos ele conta ele diz ser responsável pelo marketing de uma grande rede - não passa de anunciante de produtos de um supermercado. Outro também que proporciona algumas risadas é Bruno Garcia, como Toni, que ainda acredita que Clay é "o pegador" e fala para todos que trabalha com transporte executivo, quando na verdade é um motorista de aplicativo. 

Bruno Mazzeo é Téo, na época o líder da banda Chocante, e que faz o lado dramático da comédia. Um cara que nunca aceitou bem a separação da mulher, tem uma filha que o adora mas que ele tem pouco tempo para ela e finge para os amigos que é um diretor de cinema independente, enquanto faz filmagens de casamento e batizados. 


O papel mais sem graça ficou para Lúcio Mauro Filho, como Tim, irmão de Téo, um cara chato, com uma família chata, que trabalha como oftalmologista do Detran. Ele nunca se conformou com o fim da banda e não perdoa o irmão por ter causado a separação do grupo quando eles estavam no auge do sucesso e poderiam se tornar um fenômeno como os Menudos.

Todos vivem de lembranças e rancores, até que a morte do quinto integrante, Tarcísio, os une no velório e os coloca em contato com Quézia, a líder do fã clube, ainda fanática. Do tipo que tem a casa decorada com pôsters e objetos da Chocante mesmo passados 20 anos de seu fim, ela incentiva os quatro a se juntarem, pelo menos mais uma vez, para um show, em nome dos velhos tempos, apresentando seu hit mais famoso - "Choque de Amor". A música embala 90% do filme e é do tipo chiclete - fica grudada na sua cabeça horas depois.

O antigo empresário Lessa (interpretado por um espalhafatoso e cafona Tony Ramos) é procurado e este exige que a banda Chocante tenha os cinco integrantes como a original. Para isso, inclui Rod (Pedro Neschling), um jovem geração ultra conectado que acaba de vencer um decadente reality show e só pensa nos "likes" e compartilhamentos que vai ganha ao se unir aos "feras das antigas", como ele chama os quatro. E entre ensaios e discussões, o filme vai se desenrolando, contando o drama de cada um e a vontade de recuperar o tempo perdido da banda Chocante. Tudo muito esperado, sem nenhum impacto, uma risada aqui, um momento emocionante ali, mas não vale mais que um especial de TV de fim de ano, o que acredito deverá acontecer bem breve. 

O projeto de "Chocante", segundo seus produtores, foi criado em conjunto, a partir da ideia original de Pedro Henrique Neschling, que escreveu o argumento do longa em parceria com Luciana Fregolente, "Chocante" tem roteiro assinado por Bruno Mazzeo, Neschling, Fregolente e Rosana Ferrão. Em entrevista, Neschling explicou que se trata de um filme sobre reencontro de amigos, lembranças de um passado de sucesso, relacionamento familiar e um acerto de contas com a vida. Realmente, a produção aborda tudo isso, mas não é nada excepcional. Como está na própria chamada do filme, "Ninguém pediu, mas eles voltaram!" e com certeza vai atrair o público por causa do elenco.


Ficha técnica:
Direção: Johnny Araújo e Gustavo Bonafé
Produção: Globo Filmes / Orion Pictures / Casé Filmes / Rio Filme / Telecine
Distribuição: Imagem Filmes
Duração:  1h34
Gêneros: Comédia / Drama
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Nota: 2.5 (0 a 5)

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

"Blade Runner 2049" uma continuação digna do clássico

Ryan Gosling ocupa o lugar de caçador de androides que foi de Harrison Ford, que está de volta ao papel após 35 anos (Fotos: Sony Pictures / Warner Bros. Pictures /Divulgação)

Maristela Bretas


O clássico "Blade Runner: O Caçador de Androides" ("Blade Runner" - 1982) ganha sua continuação 35 anos depois de sua estreia, agora sob a direção de Denis Villeneuve com produção executiva de Ridley Scott, diretor do primeiro. Com dois renomados diretores e um elenco de primeira, estreia nesta quinta-feira nos cinemas "Blade Runner 2049", uma grande produção que faz jus ao filme original em vários aspectos, a começar pelo aumento da degradação ambiental e a evolução dos robôs nos 30 anos da história, a partir de 2019.

Destaque para a fotografia do filme, que supera até mesma a longa duração - 2h43, contra a 1h57 do original -, o que o deixa cansativo em alguns momentos. O roteiro foi muito bem conduzido e levanta a hipótese, em várias cenas e diálogos, para um possível terceiro filme, algo na linha de "O Exterminador do Futuro - A Rebelião das Máquinas" (2003), uma vez que os dois lados estão montando seus exércitos para um conflito final.

"Blade Runner 2049" mantém o visual sombrio, reforçado pela chuva constante, prédios enfileirados como blocos, locais escuros e abandonados e a iluminação da rua vinda de enormes letreiros de neon - por sinal, um grande merchandising, como no primeiro. Também as imagens da cidade vistas durante os voos das aeronaves, continuam sendo um espetáculo à parte. Para a área afetada por um colapso nuclear que mudou todo o ecossistema, o diretor escolheu tons mais amarelados, intensificados por uma névoa. As filmagens de "Blade Runner 2049" foram inteiramente realizadas na Hungria, com locações em todo o país e ocupando todos os seis platôs, além de gravações e montagens feitas em estúdios em Budapeste e Etyek.


O diretor pegou uma tarefa bem complicada: dar sequência a um clássico que marcou época e ainda é referência na união da ficção ao filme noir. E conseguiu fazer um belo trabalho, contando com nomes famosos e premiados na produção, como Ryan Gosling, Jared Leto, Robin Wright, Ana de Armas, Sylvia Hoeks e Dave Bautista, além de trazer de volta para o novo longa-metragem Harrison Ford, Edward James Olmos e Sean Young, que participaram do filme de 1982.


Gosling está ótimo no papel de K, um replicante consciente de sua origem que tenta ser insensível ao trabalho de eliminar a própria raça. Ele, no entanto, é apaixonado por uma imagem holográfica, a quem chama de Joi, bem interpretada também pela bela atriz Ana de Armas. Jared Leto tem um papel importante, mas foi pouco aproveitado. Harrison Ford, mesmo bem envelhecido, é a parte mais esperada pelo público e responsável pelas cenas de ação. O encontro dele com Gosling é um momento marcante do filme.


Assim como em "O Caçador de Androides", a história discute principalmente sentimentos, identidade e relação. A forma como é abordada a questão do trabalho escravo dos replicantes, não importando a idade, faz a gente refletir sobre uma realidade que vemos acontecer hoje em alguns países. Mais um motivo para humanos e replicantes conviverem se odiando.

No primeiro filme, os super androides Nexus 6 quase perfeitos foram considerados descartáveis e caçados até sua quase extinção. Em "Blade Runner 2049", eles estão "mais perfeitos que humanos", mas continuam sendo desprezados. K é o novo Blade Runner da Polícia de Los Angeles, sob o comando da tenente Joshi (Robin Wright). Ele deve eliminar remanescentes da nova geração de Nexus 8, função que no passado foi do humano Harrison Ford. O policial começa a ter dúvidas sobre sua origem e trabalho após encontrar o fazendeiro de proteína Sapper Morton (Dave Bautista).

K passa a investigar a empresa de Niander Wallace (Jared Leto) que encara os replicantes como necessários à sobrevivência da humanidade e tenta ampliar o número deles na Terra e nas colônias. Wallace é auxiliado por Luv (Sylvia Hoeks), uma androide que deixa cadáveres por onde passa. A investigação de K o leva a descobrir um segredo que poderá mudar os rumos da civilização. Para isso terá de encontrar Rick Deckard (Harrison Ford), um ex-policial Blade Runner desaparecido há três décadas. Entre lutas e perseguições, K ainda encontra tempo para o prazer virtual com a imagem de Joi, a quem ama mas não pode tocar.

Efeitos visuais excelentes, sem exageros, com destaque para as cenas em que a imagem de Joi é intercalada com a da garota de programa Mariette (Mackenzie Davis), além dos sobrevoos sobre a Los Angeles degradada do futuro. Trilha sonora sob a batuta de Hans Zimmer também muito boa, mas foge do estilo do Vangellis, responsável pelo original. "Blade Runner 2049" é um ótimo filme, deve ser visto e, apesar de os diretores dizerem que não é necessário assistir ao primeiro, acho essencial para entender vários pontos da nova produção. E também porque "Blade Runner: O Caçador de Androides" é considerado um dos melhores e mais importantes filmes de todos os tempos no gênero.




Ficha técnica:
Direção: Denis Villeneuve
Produção: Warner Bros. Pictures / Alcon Entertainment / Columbia pictures
Distribuição: Sony Pictures Brasil
Duração: 2h43
Gêneros: Ficção científica / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #BladeRunner2049, #ficçao, #suspense, @DenisVilleneuve, @RyanGosling, @HarrisonFord, @JaredLeto, @SonyPicturesBrasil, @WarnerBrosPictures, @EspaçoZ, @cinemas.cineart, @CinemanoEscurinho

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"O Melhor Professor da Minha Vida" e a sempre mágica relação mestre-aluno

Grande parte do acerto do filme deve-se aos atores Denis Podalydès e o estreante Abdoulaye Diallo (Fotos: Michaël Crotto/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Difícil prever se seria mais atraente se o título fosse "As grandes mentes", tradução literal do original, "Les Grands Esprits". A verdade é que filmes sobre alunos e mestres sempre despertam curiosidade e interesse e talvez esteja aí o motivo da escolha do nome do longa em cartaz a partir desta quinta-feira nas salas de BH: "O Melhor Professor da Minha Vida". Primeira direção de Olivier Ayache-Vidal, que assina também o roteiro, o trabalho é classificado como comédia dramática. Sensível e delicado, o filme cumpre o que parece ser sua missão de comover e fazer refletir.

Que ninguém espere a profundidade de "Sociedade dos Poetas Mortos" ou a empatia instantânea de "Ao Mestre com Carinho" - para ficar apenas em dois exemplos de relações e conflitos entre mestres e alunos. Como produção francesa que é, "O Melhor Professor da Minha Vida" tem suas particularidades no jeito de contar a história. Nada parece óbvio, nada é muito previsível. Embora haja momentos de riso - levados principalmente pela atuação correta de Denis Podalydès (de "Monsieur & Madame Adelman" - 2016) -, o assunto é sério.

François Foucault (Denis Podalydès) é um professor quarentão e solteiro que leciona literatura numa escola de alto nível em Paris, o Liceu Henri IV. Como integrante típico de uma elite intelectual, ele é arrogante e impaciente com os alunos. Filho de pai escritor, o assunto da família na mesa de jantar trata, claro, de autores e livros. Desafiado quase que por acaso pelo Ministério da Educação, e incentivado por uma bela funcionária, François aceita dar aulas durante um ano numa escola de periferia, onde falta estrutura e sobra indisciplina.


Grande parte do acerto do filme deve-se a Denis Podalydès, que incorpora com talento as mudanças pelas quais ele vai passando no convívio com seus novos alunos, especialmente um deles, Seydou, vivido pelo adolescente Abdoulaye Diallo, em seu primeiro papel no cinema. E reside aí, na relação professor/estudante e na transformação de ambos, a graça do filme. Apesar de levemente maniqueísta ao retratar dois tipos de professores - os que acreditam e os que já se desiludiram do poder da educação -, "O Melhor Professor da Minha Vida" dá seu recado com delicadeza e competência. Classificação: 14 anos




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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

"Kingsman: O Círculo Dourado" não supera o primeiro, mas diverte pelas piadas e efeitos visuais

Taron Egerton volta a interpretar o agente Eggsy, mais mortal sem perder a elegância (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas


Este é mais um caso em que o primeiro filme é muito melhor que a continuação. Para quem assistiu "Kingsman - Serviço Secreto" (2015), a expectativa era muito grande para "Kingsman: O Círculo Dourado" ("Kingsman: The Golden Circle"), principalmente pelo elenco, que repete vários atores e acrescenta outros de sucesso, além do cantor e compositor Elton John, que canta, dança e luta com bandidos. Produção bem britânica com muito estilo.

O filme é bom, tem uma trilha sonora de arrepiar, boa parte dela com músicas famosas de Elton John. As locações, principalmente em Londres, também foram bem escolhidas. O diretor Matthew Vaughn usa e abusa nos efeitos visuais, não faltam tiros, explosões (um prédio inteiro vem abaixo) muitos voos em slow-motion e cenas de lutas que chegam a provocar risadas de tão sacadas. Sangue tem de sobra, para todos os lados, assim como no primeiro filme, que pega até mais pesado na carnificina. Ou seja, foi seguido o estilo.

Então onde "Kingsman: O Círculo Dourado" pecou? Falar que foram os excessivos clichês é bobagem, isso era esperado numa comédia de espionagem. Mas o filme tem pontos que ficam monótonos, quebrando o ritmo de ação que sempre foi o melhor da franquia. A vilã Poppy Adams (papel de Julianne Moore) é fraca, não tem cara de má e até quando faz crueldade ou manda matar alguém parece que está servindo um sorvete. Uma pena, o roteiro poderia explorar melhor o potencial desta maravilhosa atriz. Mas em compensação, seu esconderijo no meio de uma floresta, é fantástico, uma reprodução de lugares bem nos anos 80.

Taron Egerton está mais maduro, tanto o ator quanto seu personagem, Eggsy, principal espião da Kingsman. E entrega um ótimo trabalho. O mesmo para Mark Strong, que interpreta Merlin, o gênio em tecnologia da agência. E claro, Colin Firth (o agente Galahad ou Harry Hart), que está de volta, mas eu não vou contar como isso acontece para não dar spoiler. Já o núcleo norte-americano da agência de espionagem conta com o gato Channing Tatum como o agente Tequila, que pode até não ser o top em interpretação, mas garante uma boa parte cômica; Pedro Pascal é Whiskey, o agente estilo cowboy americano; a agente Ginger Ale, "foda" em tecnologia, ficou para a atriz Halle Berry; e no comando do grupo o veterano Jeff Bridges, chamado de agente Champagne.

Para quem não viu o primeiro, a Kingsman é uma agência independente de inteligência internacional operando no mais alto nível de discrição, cujo objetivo é manter o mundo seguro. Após vencer os vilões em "Kingsman - Serviço Secreto" mas perder um dos principais espiões - Galahad, a agência agora conta com novo comando e a atuação dos recrutas elevados a agentes, sob a supervisão de Merlin. Só não esperavam enfrentar um perigo ainda maior - a traficante de drogas Poppy Adams, que decide pôr fim à agência para dominar o mundo.

Ela lança um ataque de mísseis à sede da organização que praticamente elimina a Kingsman e a maior parte de seus integrantes, restando apenas Eggsy e Merlin (Mark Strong). A dupla passa a procurar ajuda para retomar as atividades e descobre nos Estados Unidos uma agência semelhante à britânica - a Statesman, onde trabalham os agentes Tequila, Whiskey e Ginger, sob o comando de Champagne. Juntos eles vão tentar deter Poppy e seus aliados. 

História de espionagem seguindo a cartilha, sem muitas novidades, mas que consegue mesclar ótimas cenas de ação com boa comicidade. Vale conferir, boa diversão, mas recomendo que veja o primeiro para entender melhor a história.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Matthew Vaughn
Produção: 20th Century Fox / 
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 2h21
Gêneros: Ação / Espionagem / Comédia
Países: EUA / Reino Unido
Classificação: 16 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

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domingo, 1 de outubro de 2017

"Mãe!", o polêmico suspense apocalíptico de Darren Aronofsky

Produção, que tem recebido vaias e elogios da crítica especializada, tem na excelente interpretação de Jennifer Lawrence um de seus destaques (Foto: Paramount Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Não tem meio termo. "Mãe!" ("Mother!"), de Darren Aronofsky (que dirigiu também "Cisne Negro" e "Noé") é o suspense mais intrigante, alucinante,  desagradável e bem produzido até o momento do diretor. Mas como um filme pode reunir tantas características e ao mesmo tempo ser atraente. Depende da forma como ele é encarado. "Mãe!" foi produzido, conforme seu diretor, como uma alusão à criação do homem até o Apocalipse. Mas também pode ser encarado como discussão da relação de um casal em crise, com a esposa se anulando em função do marido escritor que se alimenta da adoração dela e de seus fãs.

O certo é que o filme não é fácil de digerir, leva um bom tempo para entender o por que do enredo e, principalmente, o rumo tomado após o período de calmaria. O roteiro, para quem não leu ou viu algum trailer, leva a várias opiniões sobre a proposta do diretor. Se a intenção dele era gerar polêmica, conseguiu. "Mãe!" recebeu aplausos e vaias desde a sua estreia. O filme provoca um carrossel de emoções no público que vão da revolta à passividade da esposa e o descaso do marido, à invasão da casa e do espaço do casal por estranhos até o final, que pode ser chamado de terceiro ato e é o mais cruel e assustador.

Muitas pessoas vão querer deixar o cinema quando esta parte começa e é compreensível. Chega a causar asco e ódio. Na minha opinião, o diretor não precisava avançar tanto em determinadas imagens, como a do bebê. "Mãe!" é provocativo, seja na visão religiosa ou na forma de tratar os problemas do casal. E a casa onde moram é o início, o meio e o fim de tudo, o local idolatrado pela mulher, quase uma parte dela e que deveria ser imaculado, mas que acaba invadida e degradada por estranhos.


Jennifer Lawrence está excelente no papel da mulher (Mãe), centro de toda a história e deixa Javier Bardem em segundo plano. Na versão bíblica, ela é a natureza, criada por Deus, papel de Bardem, o marido. Enquanto estão sozinhos tudo é o paraíso, que de uma hora para outra recebe a visita de um estranho (Ed Harris). Na Bíblia ele seria Adão, que da sua costela cria Eva (Michelle Pfeiffer) e, na sequência seus dois filhos Caim e Abel (os irmãos Brian e Domhnall Gleeson). E está formado o caos, que vai tomando conta do filme a cada ato, culminando no Apocalipse.

Se a história de "Mãe!" for analisada pelo lado de uma relação doentia, Jennifer é a mulher submissa, que faz tudo para agradar o marido mais velho que ela, inclusive reconstruindo a casa do casal destruída por um incêndio. O marido vive uma crise de abstinência de criatividade e nada importa para ele, apenas conseguir criar um novo poema e que as pessoas voltem a adorar sua obra. Quando estranhos chegam a sua casa, ele deixa que tomem o espaço, ignorando o desespero da mulher que não aceita mudanças na sua paranoica rotina. Até que uma tragédia desencadeia uma série de fatos bizarros e cruéis.

"Mãe!" ainda pode levar alguns espectadores a acreditarem que se trata de um filme de terror, graças aos mistérios da casa onde tudo acontece, com sangue brotando no chão e no porão, e aos fatos que tomam conta da metade do filme para a frente. Como se alguma força do mal atuasse sobre as pessoas que ocupam os cômodos. 

Também pode ser encarado como um drama e no segundo ato, a expectativa é que a calmaria da gestação da personagem de Jennifer leve a uma conclusão menos angustiante do que foi até ali. Grande engano. Aronofsky continua provocando o público, criando um clima cada vez mais tenso, a ponto de fazer com que este sinta raiva do filme ao expor cenas repugnantes e de pura agressividade. Como a que vemos em noticiários diários ou descritas na Bíblia.


"Mãe!" é um filme do tipo "ame-o ou deixe-o" porque confunde, agride, bate na cara e faz pensar sobre o caminho que o ser humano está tomando, com a perda de moral, respeito, dignidade e humanidade. Como muitos de meus amigos, ainda estou digerindo o filme e a cada conversa com outras pessoas que já assistiram, vejo uma nova abordagem. E concordo com a maioria: trata-se de um dos melhores suspenses deste ano e um dos melhores filmes dirigidos por Darren Aronofsky, apesar de tudo.

E o sucesso dessa produção, filmada em 16 mm, se deve ao grande elenco, especialmente Jennifer Lawrence e aos movimentos precisos de câmera colocadas junto aos atores acompanhando cada mudança de cenário, muitas vezes em cenas sem cortes. Difícil explicar, só assistindo até o final. E depois deixe seu comentário.



Ficha técnica:
Direção: Darren Aronofsky
Produção: Protozoa / Paramount Pictures
Distribuição: Paramount Pictures Brasil
Duração: 2h02
Gênero: Suspense
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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