segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Kenneth Branagh entrega um "Assassinato no Expresso do Oriente" fiel à obra de Agatha Christie

Elenco de peso, fotografia e figurino foram os pontos principais desta versão cinematográfica adaptada do romance homônimo (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas


Agatha Christie é e sempre será uma referência na literatura como romancista policial. E não menos o personagem mais famoso de seus livros, o detetive Hercule Poirot, que ganha ótima interpretação de Kenneth Branagh na nova versão adaptada para o cinema de "Assassinato no Expresso do Oriente" ("Murder on the Orient Express"), também dirigida por ele. O filme consegue captar bem o universo da famosa escritora, com seus personagens, inclusive os mais jovens, entregando boas atuações em papéis recheados de sutilezas e mistério. 

Digno da obra da autora britânica lançada em 1934. Além de Branagh, destaque para Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Williem Dafoe, Penélope Cruz, Judi Dench e Daisy Ridley ("Star Wars Episódios VII e VIII"). Johnny Depp deixa seu lado Jack Sparrow, da franquia "Piratas do Caribe", e compõe um personagem marcante e essencial no enredo.

Além das boas interpretações, "Assassinato no Expresso do Oriente" apresenta uma bela fotografia, principalmente por usar locações em regiões cobertas pela neve. Além do próprio trem onde acontece quase toda a ação. O Expresso do Oriente, que começou a circular em 1883, ligando Paris a Istambul, durante décadas foi sinônimo de luxo e glamour, destinado aos mais abastados. Fotografia e figurino, numa excelente reprodução de época, também chamam a atenção na produção.


O ritmo fica lento em algumas partes do filme por causa da forma detalhista como o famoso detetive belga conduz a investigação, que induz a todo o momento um novo suspeito. Tudo começa quando Hercule Poirot embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, partindo de Istambul, a convite do amigo Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. A bordo, ele conhece os demais passageiros, entre eles o gângster Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular.

Durante a madrugada, um dos passageiros é morto em seu aposento no vagão, sem que ninguém percebesse qualquer anormalidade. Em seguida, um deslizamento de neve cobre os trilhos, impedindo a continuação da viagem. Isso que dará tempo para que Poirot use suas habilidades para investigar os suspeitos, todos um com um passado nebuloso, e desvendar o crime cometido.

Bem apresentado, fiel ao livro na maior parte dos detalhes, mas com toques bem interessantes do diretor com a trama sendo mostrada por diversos ângulos, dentro e fora dos vagões. Uma boa sacada de Branagh na cena em que Poirot reúne os 13 suspeitos na entrada de um túnel, que remete para um famoso quadro de Leonardo Da Vinci. Difícil não reconhecer. "Assassinato no Expresso do Oriente" é um filme que vale a pena ver, principalmente por quem conhece a obra de Agatha Christie. Não vai se decepcionar.



Ficha técnica:
Direção: Kenneth Branagh
Produção: 20th Century Fox
Distribuição: Fox Film do Brasil / Scott Free Productions
Duração: 1h49
Gêneros: Suspense / Romance Policial
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

"Extraordinário", uma lição de vida que sacode os sentimentos

Depois de "O Quarto de Jack", o jovem Jacob Tremblay brilha novamente no papel do cativante Auggie Pulmann (Fotos: Lionsgate Films/Divulgação)

Maristela Bretas


Poderia ser simplesmente mais um filme meloso, sobre uma criança com uma deformidade facial que sofre bullying na escola. Mas "Extraordinário" ("Wonder") foi muito além e dá uma sacudida nas emoções. Ele faz a gente rir, chorar, ficar com raiva quando o garoto é ameaçado e ao mesmo tempo sentir orgulho, pela forma como ele enfrenta o mundo preconceituoso. O filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas e vale muito a pena ser visto. por pais e filhos juntos. 

O filme é baseado no best-seller mundial homônimo, da escritora R.J. Palacio. O livro narra, com algumas alterações a história verdadeira do menino August Pullman, que nasceu com uma síndrome genética que lhe causou deformidade facial. Mesmo após passar por 27 cirurgias plásticas que lhe permitiram ouvir, enxergar e falar melhor, ele ainda sofre com o preconceito. Para muitos, essa história já faria desistir de ver o filme ou ler o livro. 

Grande engano. O resultado dessa jornada de superações é capaz de mexer com a emoção de muita gente. E a escolha do jovem Jacob Tremblay, de "O Quarto de Jack", foi muito acertada para o papel de Auggie (como August era chamado pelos pais e amigos), que contou com uma maquiagem surpreendente. Ele está excelente e conta ainda com pais de renome ao seu lado - Julia Roberts (sempre ótima, como Isabel, a mãe superprotetora que não quer ver o filho sofrer) e Owen Wilson (no papel de Nate, o pai alegre, boa praça, divertido e que sempre tenta mostrar o lado bom da vida para o filho).

A jovem Izabela Vidovic, que interpreta Via, irmã de Auggie também entrega uma boa interpretação, como a adolescente que ama o irmão, mas sofre por receber menos atenção dos pais por causa da doença dele. Sônia Braga, apesar de constar no cartaz brasileiro como forma de atrair público, faz apenas uma ponta como avó de Auggie e Via. O elenco mirim também cumpre bem o seu papel tanto os que criticam e humilham Auggie quanto os que se tornam seus amigos, especialmente Jack Will, interpretado por Noah Jupe. Até a cachorrinha Dayse merece destaque.

Auggie é um menino especial em todos os sentidos: divertido, sensível, inteligente, amoroso, criativo e fã de "Star Wars". Os personagens da saga são seus maiores aliados nos momentos difíceis do mundo real, principalmente Chewbacca, o defensor das horas de aperto. O capacete de astronauta é sua armadura para enfrentar o mundo, já que impede que as pessoas vejam seu rosto coberto de cicatrizes . Assim elas não podem criticar nem zombar dele.


“Extraordinário” conta a emocionante história de August Pullman, um menino de 10 anos que sempre estudou em casa por causa de uma deficiência facial. Agora ele terá de deixar a segurança de sua casa, onde é um herói e sonha se tornar um astronauta, para frequentar a 5ª série de uma escola convencional, com todos os desafios e preconceitos desta faixa de idade, extremamente cruel. E para vencer esta jornada ela vai precisar contar ainda mais com sua família, professores e novos amigos.

Claro, não poderiam faltar as frases de efeito, comuns em um drama como este, mas nada que comprometa o enredo, muito bem conduzido pelo diretor Stephen Chbosky ("As Vantagens de Ser Invisível"). É pra chorar? Com certeza e sem vergonha de levar um lencinho para o cinema. A história é linda, emocionante e a atuação de todo o elenco contribui para ser um filme "Extraordinário". Além de ter uma boa trilha sonora. O filme é uma lição de vida, para adultos e crianças, mostrando a importância de aceitar e respeitar as pessoas como elas são.



Ficha Técnica
Direção e roteiro: Stephen Chbosky
Produção: Lionsgate / Mandeville Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h53
Gêneros: Família / Drama
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

"Em Busca de Fellini", uma reverência ao genial cineasta italiano

Filme dirigido por Taron Lexton remete a lugares, referências, frases e trechos de produções de Federico Fellini (Fotos: Cineart Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Mesmo os que não são profundos conhecedores do cineasta italiano vão gostar de "Em Busca de Fellini", delicioso filme descaradamente feito para homenagear e reverenciar esse genial criador, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH. No entanto, quem tiver mais conhecimento da sua obra vai, certamente, reconhecer lugares, referências, frases e, claro, se deliciar com trechos dos seus filmes. Estão lá, por exemplo, cenas emocionantes e citações de "La Dolce Vita", "Oito e Meio", "Noites de Cabíria" e, principalmente, "A Estrada da Vida".


Difícil acreditar, mas o filme, dirigido por Taron Lexton, é baseado em fatos reais. Lucy (Ksenia Solo em atuação impecável) é uma jovem ingênua que vive na pequena Ohio, nos Estados Unidos, de onde nunca saiu. Superprotegida pela mãe é sonhadora, tem dificuldades com os rapazes e acaba desenvolvendo um louco amor pelo cinema, mais especificamente por Federico Fellini, de quem se torna fã ardorosa.



Entre outras identificações, ela se vê no personagem Gelsomina, vivido por Giullietta Masina em "A Estrada da Vida". Assiste ao filme repetidas vezes e sempre se emociona as lágrimas. Sem saber que sua mãe Claire (Maria Bello) está doente, decide ir para a Itália à procura do diretor que, como ela, acredita que "o visionário é o único e verdadeiro realista".


A viagem solitária de Lucy pela Itália, passando por Verona, Veneza e Roma, é a grande mágica do filme, e se torna comovente, principalmente por ser habilmente intercalada com o drama de sua mãe Claire, que ficou em Ohio aos cuidados da irmã Kerri (Mary Lynn Rajskub), talvez a única personagem de toda a trama que tem alguma tangência com o real. Entre loucuras, experiências, desencontros e perigos, a jovem conhece Angelo (Lorenzo Balducci), que a ajuda na busca por Fellini.


Cenas passadas na bela Itália sempre encantam e emocionam. Lugares, comidas, a música envolvente e o idioma parecem aquecer a alma do espectador, mesmo que a viagem de Lucy cause algum estranhamento. Que ninguém se pergunte, por exemplo, onde ela se hospeda, com que dinheiro se desloca e outros questionamentos de ordem prática.


Onírica como a obra de Federico Fellini, a passagem da jovem americana pelo país europeu é pura fantasia, fiel, portanto, à excentricidade e à estética do diretor, para quem "a vida é uma combinação de magia e espaguete". Mas, enfim, em se tratando de Fellini, quem precisa de realidade?


"Em Busca de Fellini", distribuído no Brasil pela Cineart Filmes, já conquistou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz no Festival de Ferrara deste ano, na Itália. A produção além de homenagear o diretor e seu pais, é baseada na verdadeira história de Nancy Cartwright, uma das roteiristas e produtoras. Classificação: 14 anos
Duração: 1h43