quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Muita ação e efeitos especiais salvam "Robin Hood - A Origem" como diversão

Jamie Foxx e Taron Egerton formam uma dupla que faz muito barulho e dá trabalho para a realeza britânica (Fotos: Larry Horricks /Studiocanal)


Maristela Bretas


Taron Egerton e Jamie Fox se juntam para roubar dos ricos e dar aos pobres em "Robin Hood - A Origem",  aventura que conta como o nobre que lutou pela Inglaterra se transformou num dos maiores ladrões e ao mesmo tempo herói de seu povo. Como o próprio narrador conta no início do filme, esqueça a história tantas vezes contada em livros e produções cinematográficas.

A versão da vez, que conta com direção de Otto Bathurst, muda não só a origem do famoso Robin Hood, mas também de Lady Marian e Little John. Ao mesmo tempo, dá uma explicação para o ódio do xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn) e como ele se tornou o maior inimigo de Robin e um dos mais temidos por seu povo. A ação é intensa e os efeitos visuais muito bons, especialmente nos ataques com flechas e nas lutas corpo a corpo. 

Para sorte de Taron Egerton, muito fraco para o papel de Robin Hood. Ele repete o estilo (com direito a caras e bocas) adotado em "Kingsman - Serviço Secreto" (2015) e "Kingsman - O Círculo Dourado" (2017) e seria um mero coadjuvante se não tivesse ficado com o papel principal. 
A limitação de Egerton fica ainda mais clara quando contracena com Jamie Foxx, que interpreta John, um guerreiro árabe, inimigo da coroa, e não um britânico do povo "parrudo" e gigantesco. A troca foi boa e Foxx dá um banho quando aparece, colocando Robin Hood em segundo plano. Como Egerton é baixinho, seu companheiro de lutas vai parecer alto perto dele, daí passar a ser chamado de Little John.

A bela Eve Hewson (de "Papillon" - 2018 e "Ponte dos Espiões" -2015) entrega uma Marian mais normal, de origem simples, quase uma versão feminina de Robin Hood, uma vez que também rouba para ajudar os necessitados. É uma mulher de fibra, longe da donzela indefesa de outros filmes do herói e luta contra a opressão a seu povo ao lado de frei Tuck (Tim Minchin), contra o xerife e os desmandos da igreja. Marian é disputada pelo lorde Robin de Locksley e o líder dos operários Will Scarlett (Jamie Dornan, que melhorou pouco sua interpretação desde a sofrida trilogia "50 Tons de Cinza" - 2015 a 2918). O elenco conta ainda com a boa participação de F. Murray Abraham, como o bispo britânico.

A história se passa no século XII quando Robin, então lorde inglês é convocado a lutar nas Cruzadas contra os inimigos árabes em nome do Rei e abandonar Marian. Ao voltar, encontra seu reino destruído, o povo extorquido pelo xerife de Nottingham e a amada comprometida com um líder trabalhista, além de ter todos os bens confiscados pelo xerife. Para combater o inimigo, ele se une a John para fazer justiça, roubando dos poderosos e devolvendo ao povo.

A produção não economizou em cenários, reconstituição de época (exceto pelas roupas das mulheres da realeza que parecem vestidos atuais de gala). A ação é contínua, com ótimas batalhas e fugas espetaculares de Robin e John, com muitos efeitos sonoros e visuais. Como entretenimento, "Robin Hood - A Origem" vale a pena conferir.


Ficha técnica:
Direção: Otto Bathurst
Produção: Lionsgate / Summit Entertainment
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h56
Gêneros: Aventura / Ação
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #RobinHoodAOrigem, #RobinHood, @TaronEgerton, @JamieFoxx, #EspacoZ, @ParisFilmes, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho, #CinemaNoEscurinho

terça-feira, 27 de novembro de 2018

"Luna", de Cris Azzi, vence o Panorama Internacional Coisa de Cinema

Distribuído pela Cineart Filmes, longa levou o prêmio de Melhor Filme na Competitiva Nacional (Fotos: Alexandre Mota e Cineart Filmes)

O longa-metragem “Luna”, dirigido pelo mineiro Cris Azzi, foi escolhido o Melhor Filme do Panorama Internacional Coisa de Cinema na competitiva nacional. Ainda sem data para estrear no Brasil, o filme tem distribuição da Cineart Filmes e aborda o encontro de duas jovens, a trajetória deste relacionamento e as consequências após uma delas ter sua vida sexual exposta nas redes sociais.

"Em 2014 me vi chorando diante de uma matéria jornalística que narrava a morte de uma jovem brasileira de 17 anos que tirou sua própria vida após ter um vídeo de sexo viralizado nas redes sociais. Quatro anos depois, com o filme já montado, ainda me pergunto em qual lugar íntimo essa história me moveu a ponto de fazer um filme com essa inquietude como ponto de partida", conta o diretor.

No filme, Luana (Eduarda Fernandes) é uma adolescente introvertida, criada por sua mãe solteira. No primeiro dia de aula do último ano escolar, ela conhece Emília (Ana Clara Ligeiro), também filha única, mas com pais ricos que vivem viajando. Sentindo a mesma solidão em contextos totalmente diferentes, as duas se tornam amigas. 


Mas a promessa dessa amizade intensa e explosiva é interrompida, quando Luana tem sua intimidade exposta nas redes sociais e terá que descobrir quem realmente é: a menina que se esconde ou a mulher que se revela. A história trata de temas como a descoberta da sexualidade feminina associada à auto-exposição na internet, a busca por novas experiências e autoafirmação, liberdade e preconceito, liberdade e abuso, liberdade e julgamento moral. Para o diretor, além de tudo, o filme se orienta na potência do encontro com o outro, no amor e nas suas contradições.


"Durante esses quatro anos de realização, as reivindicações femininas ganharam luz no Brasil e indicam um caminho espinhoso, mas sem volta, na direção da igualdade de direitos em relação aos homens. Nesse sentido, quando ainda me vejo tentando entender por qual motivo a história lida no jornal me tocou tanto, começo a perceber que falar desse universo é também uma busca pessoal por aprendizado e ressignificação nas minhas relações humanas. Ainda estou em busca de respostas", completa.

Sobre o diretor

Cris Azzi é um diretor, produtor e roteirista brasileiro. Tem 40 anos, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde reside atualmente. É graduado em Comunicação Social pela Faculdade de Comunicação e Artes da PUC-MG. Trabalhou por mais de uma década como Assistente de Direção contribuindo para a realização de mais de 20 filmes de longa metragem e séries de TV. Karim Ainouz, Anna Muylaert e Paul Leduc são alguns dos diretores que Cris trabalhou.

Como diretor estreou em 2007 com o documentário "Sumidouro", exibido na Mostra Competitiva do Festival "É Tudo Verdade". Seu segundo documentário, "O Dia do Galo", codireção com Luiz Felipe Fernandes, foi o vencedor do júri popular da Mostra de Cinema de Tiradentes em 2015. Foi exibido durante seis semanas nas salas de cinema em Minas Gerais alcançando mais de 30 mil espectadores.

Na ficção, seu primeiro trabalho em longa metragem foi o filme de episódios "5 Frações de Uma Quase História", dirigindo "Qualquer Voo". Lançado em 2007, o filme foi exibido no Festival do Rio, Na Mostra Internacional de SP, na Mostra de Cinema de Tiradentes, no Chicago Latino Film Festival no Cine PE (prêmio especial do júri e melhor direção de arte) e no Brazilian Film Festival (prêmio especial do júri e melhor roteiro). Nos cinemas, "Luna" será o primeiro filme de ficção solo de Cris Azzi.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Cris Azzi
Produção: Delícia Filmes /Urucu
Distribuição: Cineart Filmes
Duração: 1h29
Gênero: Drama
País: Brasil
Classificação: 16 anos

Tags: #Luna, @CrisAzzi, #drama, #cinemas_cineart, @EduardaFernandes, @AnaClaraLigeiro, #cinemas_cineart, @PanoramaInternacionalCoisadeCinema, #CinemaNoEscurinho

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Diretor usa experiência para falar de adoção em "De Repente Uma Família"

Da lua de mel dos primeiros dias aos tormentos de uma adaptação, filme é inspirado na história do diretor Sean Anders (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Mark Wahlberg adota a postura de paizão e se une à ótima Rose Byrne para formarem o simpático casal que não pode ter filhos (faltar explicar por que) e resolve adotar uma criança. E a nova empreitada resulta em "De Repente, Uma Família" ("Instant Family"), uma comédia leve, com muitas alegrias, raivas, decepções, recheada de bons e não tão bons momentos. E o melhor, a história é real, baseada na vida do diretor Sean Anders (também roteirista e produtor), que resolveu com sua mulher Beth adotar uma família.

Em vídeo inédito, diretor Sean Anders apresenta a inspiração para o filme. Ele conta que os momentos mais delicados serviram de inspiração para o longa. “Passamos por momentos muito difíceis com as crianças se adaptando a nós e vice-versa. Não só nos adaptando a eles, mas também a sermos pais porque fomos do zero para três crianças de um dia para o outro. Quando comecei a pensar sobre fazer o filme, eu queria que fosse o mais parecido possível com a nossa história, mas também que retratasse diversas outras famílias, principalmente as que adotaram meninas adolescentes”, revela. Confira.

Mark Wahlberg divide a produção com Andres e vem se saindo melhor nesta linha de comédia do que em alguns filmes de ação. Na trama ele é Pete, casado com Ellie (Rose Byrne), e após várias tentativas, eles decidem entrar para o grupo mais diferenciado de casais que estão tentando a adoção. Rose Byrne é o destaque e está muito engraçada, principalmente quando parece que vai surtar com as crianças, e ao mesmo tempo morre de ciúmes por Pete ser chamado primeiro de pai do que ela de mãe pelas crianças. 

O grupo é coordenado pela divertida dupla Octavia Spencer e Tig Notaro, que não entra num acordo sobre a forma como o assunto adoção deve ser explicado aos futuros pais e que nem tudo é um mar de rosas. Pete e Ellie estão decididos e numa "feira" de criança (parece com aquelas feiras de adoção de animais), eles vão tentar achar a filha ou o filho perfeito para eles.


Num encontro pouco amistoso o jovem casal conhece e se encanta por Lizzie (Isabela Moner), uma adolescente de temperamento e que traz com ela os dois irmãos mais novos. Pete e Ellie agora precisam decidir se abandonam a adoção de Lizzie ou ficam com toda a família, retirada da mãe usuária de drogas. A atriz/cantora Isabela Moner, que interpreta muito bem a rebelde Lizzie, gravou uma das músicas da trilha sonora, a bela "I'll Stay", que pode ser conferida clicando aqui.

E esses três estranhos vão virar a rotina do casal de cabeça para baixo e fazer inclusive que seus pais e irmãos revejam seus conceitos sobre adoção, especialmente de crianças estrangeiras. Sean Anders não escondeu as dificuldades da adoção, mas trata sua história de maneira divertida com momentos dramáticos, como uma grande lição de vida. Além da experiência dele, também mostrou as expectativas dos demais casais do grupo - a grande diferença entre o que idealizavam e como acabaram sendo conquistados por modelos completamente diferentes de suas expectativas. 


"De Repente Uma Família" é leve, gostoso de assistir e emocionante ao focar no drama das crianças e adolescentes órfãos ou retiradas de seus pais e colocadas em instituições à espera de um lar e amor. Da comida que brigam para não comer, o medo constante de ser rejeitado ou a espera de voltar um dia para a mãe, Pete, Ellie e as crianças vivem um dia após o outro. 

E mesmo quando o casal pensa em desistir de tudo, que não aguenta mais tantos problemas e acusações de descaso por mais que façam o melhor para os irmãos, percebe que não consegue mais ficar longe daquela família.



Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Sean Anders
Produção: Paramount Pictures
Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 1h57
Gêneros: Drama / Comédia
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #DeRepenteUmaFamília, @MarkWahlberg, @RoseByrne, #SeanAnders, @comedia, @drama, @ParamountPictures, #cinemas_cineart, #espaçoz, #CinemaNoEscurinho

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

"Infiltrado na Klan" escancara a hipocrisia do racismo norte-americano

John David Washington é o policial negro  que inicia uma investigação com o colega Adam Driver contra uma das maiores seitas racista dos EUA (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Três grandes nomes do cinema atual - Spike Lee, Jordan Peele e Jason Blum - se uniram para produzir e entregar um dos melhores policiais do ano - "Infiltrado na Klan" ("Blackklansman"), um filme que bate sem dó na questão do racismo, cada vez mais forte nos Estados Unidos. Baseado no livro escrito por Ron Stallworth, o policial que desmascarou um dos maiores grupos racistas norte-americanos, a Ku Klus Klan, o longa revela que de Norte a Sul do país, a perseguição racial vem se tornando mais séria a cada dia.

Assim como em "Rodney King" (produção para a Netflix de 2017), Spike Lee tem procurado mostrar em seus filmes esta questão racial, que fez despertar também os movimentos de oposição promovidos por aqueles que sofrem ao longo dos anos. Apesar de ser um assunto sério, o diretor consegue mesclar no filme bons momentos cômicos para mostrar que o preconceito além de hediondo é burro e comandado por pessoas cujo ego fala mais alto que a razão.

"Infiltrado na Klan" começa sua história em 1978, quando Ron Stallworth (John David Washington) resolve se tornar o primeiro policial negro de uma pequena cidade no Colorado, no Centro-Oeste dos EUA, onde a Ku Klus Klan exerce uma grande influência. Com direito a cabelo black power e um estilo cheio de ginga, ele ainda acredita que o racismo na corporação não existe, mas aos poucos vai descobrindo outra realidade. E decide lutar contra isso, expondo os maiores responsáveis - os seguidores da seita - e precisará contar com ajuda do colega policial e judeu Flip Zimmerman (Adam Driver) para desmarcar o grupo.

Por meio de ligações telefônicas e cartas, Ron consegue se infiltrar na KKK, mas é Flip quem aparece nas reuniões. Toda a investigação dura meses, até Ron ocupar uma das lideranças da seita e receber como missão sabotar movimentos negros que começavam a se impor contra o preconceito e promover linchamentos e outros crimes de ódio dos racistas.

O personagem de John David Washington (que está excelente) vai ganhando força ao longo do filme, articulando toda a trama e envolvendo facilmente os integrantes da Klan com sua conversa bem articulada e culta para conseguir chegar ao líder supremo do movimento. Afinal, para os racistas, "negro não sabe falar, só usa gíria", o que torna mais fácil para Ron enganar seus inimigos.

Já Adam Driver faz a parte dos judeus, também alvo dos racistas, e seu personagem Flip vai descobrindo aos poucos a importância de suas origens a partir do momento que começa a se envolver com a seita e perceber que por ser judeu é tão discriminado quanto pessoas de outras raças e etnias.

Todo o elenco está excelente e conta ainda com Topher Grace, como David Duke, líder supremo da KKK; Ryan Eggold, um dos seguidores; Laura Harrier, a militante negra Patrice Dumas; Jasper Pääkkonen, Ashilie Atkinson como o casal racista também integrante da seita.

"Infiltrado na Klan" também apresenta grandes figuras negras norte-americanas como Angela Davis (apenas citada), que foi fonte de inspiração para várias jovens, incluindo Patrice Dumas, na forma de pensar, de se vestir e no corte de cabelo. Corey Hawkins e Harry Belafonte interpretam os líderes negros Kwane Ture e Jerome Turner, respectivamente, que atraíram milhares de seguidores pelo país.

O filme revela ainda como é grande a hipocrisia do sistema na questão racial que, mesmo a seita tendo sido desmascarada, ela não perdeu força e ganhou novos seguidores ao longo dos anos, garantindo espaço inclusive em importantes cargos no governo. A forma como Spike Lee foi contando a trajetória do racismo norte-americano, usando até mesmo cenas de "E o vento levou" para ilustrar a Guerra de Secessão (Guerra Civil nos EUA entre os estados do Sul e do Norte, entre os anos de 1861 e 1865) até chegar às imagens dos conflitos raciais ocorridos neste ano, é um diferencial. 

Um soco no estômago e também uma aula de história sob o ponto de vista daqueles que têm sofrido ao longo dos anos com o preconceito, em especial os negros, mas que souberam impor sua força e sua voz. Roteiro, direção, figurinos, reconstituição de época e trilha sonora estão impecáveis, mas acima de tudo "Infiltrado na Klan" é um filme excelente, realista, atual, que questiona e critica duramente o atual governo norte-americano. Um dos melhores filmes de Spike Lee. Recomendadíssimo.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Spike Lee
Produção: Blumhouse Productions / Focus Feature
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 2h16
Gêneros: Policial / Biografia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #InfiltradoNaKlan, #SpikeLee, #JohnDavidWashington, #AdamDriver, #racismo, #movimentonegro #espaçoz, @cineart_oficial, @cinemanoescurinho


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

"PO" - uma abordagem sensível e emocionante do autismo que toca o coração

A relação entre um pai e seu filho autista, que sofrem com a perda da mãe e precisam reconstruir a família (Fotos: Cineart Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Para muitos pode parecer mais um filme piegas, que faz chorar, sobre um assunto diversas vezes abordado pelo cinema - o autismo. Mas "PO" ("A Boy Called Po"), que estreia nesta quinta-feira (22) nos cinemas, com distribuição da @CineartFilmes, é uma produção sensível, emocionante desde o início, com uma trilha sonora irrepreensível composta e interpretada por Burt Bacharach, que tem como música-tema a maravilhosa "Close To You".


"PO" apresenta uma nova abordagem sobre o autismo e é um filme para ser visto por pessoas com sensibilidade para entender e acompanhar o drama de um pai viúvo que terá de criar sozinho o filho autista e ainda conciliar seu trabalho e as despesas com a casa e a criança. Christopher Gorham (da série de TV "Covert Affairs"), no papel do pai David Wilson, e o estreante Julian Fader, que surpreende como PO, o filho autista, estão muito bem ao mostrarem uma relação que tinha uma mãe que os unia e agora precisará ser refeita para que os dois possam continuar como uma família.


Após a morte da esposa, vítima de câncer, David Wilson fica com a responsabilidade de cuidar sozinho do filho Patrick, que gosta de ser chamado de PO, um garoto autista extremamente inteligente, mas que enfrenta o preconceito e o bullying na escola e das pessoas à sua volta. Para fugir do mundo real, cria seu próprio universo, onde ele é perfeito e convive apenas com pessoas e personagens que o deixam mais confortável. 


Enquanto isso, a relação com o pai, que faz de tudo para compreendê-lo, ao mesmo tempo em que precisa equilibrar o sofrimento com a perda da esposa, o trabalho e as despesas, vai se tornando cada vez mais distante. Os dois terão de aprender a dividir seus sentimentos para superar o trauma e evitar que o autismo tome conta totalmente da mente de PO e o leve para sempre para o seu mundo imaginário.


A abordagem do longa “PO” já foi usada em outra produções, mas o diretor John Asher soube aproveitar bem o tema ao inserir a letra de "Close To You", composta por Burt Bacharach e lançada em maio de 1970 pela dupla The Carpenters (foi um de seus maiores sucessos) para ilustrar o drama de pai e filho. E fazer chorar, com certeza. Confira aqui.


Além dela, compõe a trilha sonora a bela "Dancing With Your Shadow", interpretada por Sheryl Crow, também composta por Bacharach em homenagem a sua única filha, Nikki, que se suicidou em 2007 aos 40 anos, e era portadora da Síndrome de Asperger, um tipo de autismo. Clique aqui para curtir.


O longa ainda conta com belas locações, especialmente as imagens do universo imaginário de PO. Produzido em 2017, mas só agora estreando nos cinemas, "PO" já circulou por festivais mundo afora e ganhou prêmios de Melhor Filme no Albuquerque Film & Music Experience, Palm Beach International Film Festival, San Diego International Film Festival e WorldFest Houston. O ator-mirim Julian Feder também foi destaque nas premiações, levando troféus de Melhor Ator em Young Artist Awards, WorldFest Houston e Albuquerque Film & Music Experience. Um filme lindo, que merece ser conferido.


Ficha técnica:
Direção: John Asher
Distribuição: Cineart Filmes
Duração: 1h35
Gênero: Drama 
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #PO, #ABoyCalledPo, #JulianFeder, #JohnAsher, #ChristopherGorham, #drama, #autismo, #CineartFilmes, #cinemas.cineart, #CinemaNoEscurinho

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

"Parque do Inferno" é terror com muito sangue para disfarçar produção ruim

Filme conta história de jovens que são atacados num parque temático por um louco psicopata mascarado (Fotos: Tripictures/Divulgação)


Maristela Bretas


Junte Freddy Krueger" ("A Noite do Pesadelo"), Jason Voohees ("Sexta-feira 13"), Michael Myers ("Halloween") e outros assassinos cruéis e sanguinários. Coloque tudo num filme com direito a muito sangue jorrando e corpos esfacelados. Poderia até dar um bom filme de terror, com bons pulos na cadeira. Mas este não é o caso de “Parque do Inferno” ("Hell Fest"), produção que já nasce morta graças a um roteiro ruim e uma direção duvidosa de Gregory Plotkin.

Se o espectador não está preparado para cenas fortes, melhor pensar duas vezes antes de assistir a este filme - o sangue jorra com vontade, cabeças rolam, corpos são mutilados e não faltam perfurações com os mais diversos objetos. O vilão, apesar de brutal, é fraco e previsível em várias situações, a cara dele está sempre coberta pela máscara e apresenta o comportamento tradicional do psicopata que sai à caça de suas vítimas. O filme chega a indicar levemente que ele está em busca de um tipo especial de garota que será sua escolhida, mas depois abandona essa linha e volta a focar apenas nos ataques violentos ao público para despistar os "defeitos visuais".

Com protagonistas desconhecidos, "Parque do Inferno" antecipa as ações do mascarado, tirando o impacto do susto e deixado apenas um mal-estar pela crueldade dos crimes. É tão previsível que em uma das cenas, a adolescente Natalie (Amy Forsyth) simplesmente descobre como funcionam as atrações e conta para os amigos. O mesmo acontece em muitos momentos de ataque do louco do parque, que realmente é uma porta do inferno para seus frequentadores, com labirintos do medo, atrações e figurantes  sinistros cercando os frequentadores e os atraindo para os chamados "brinquedos".

Na história, a universitária Natalie chega à cidade onde mora sua amiga Brooke (Reign Edwards) para passar o Halloween. As duas decidem aproveitar com um grupo de amigos a nova atração que chegou à cidade, o "Hell Fest", ou "Parque do Inferno"- um parque temático cheio com jogos e brincadeiras que excursiona pelo país, mas é marcado por uma morte brutal ocorrida anos atrás.

O que os adolescentes não sabem é que em breve vão se tornar o alvo de um visitante mascarado que usa o local para sua caçada diante de uma platéia que acredita que tudo faz parte do show. A história parece interessante e poderia ter se tornado uma ótima produção, apesar de usar ideiais e situações de filmes famosos do gênero. Mas ficou muito a desejar e nem mesmo a produção de Gale Anne Hurd, idealizadora da série de sucesso“The Walking Dead”, salva o longa.


Ficha técnica:
Direção: Gregory Plotkin
Produção: CBS Films  / Valhalla Motion Pictures
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h29
Gênero: Terror
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #ParquedoInferno, #HellFest, #terror, #ParisFilmes, #espaçoz, #cinemas.cineart, #CinemaNoEscurinho

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Muito flashback e confusão em "Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald"

Newt Scamander (Eddie Redmayne) terá de viajar novamente aos EUA atrás de um bruxo do mal, interpretado por Johnny Depp (Fotos: Jaap Buitendijk/Warner Bros. Pictures)

Wallace Graciano


Goste ou não da saga “Harry Potter”, é impossível negar a importância de J. K. Rowling na história da literatura (não somente a infanto-juvenil). Porém, o mesmo talento que a elevou ao panteão dos grandes nomes que nos contaram as mais doces fábulas não parece florescer em outro tipo de narrativa: a de roteirista cinematográfica. 

Em “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” ("Fantastic Beasts: The Crimes Of Grindelwald"), que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas de todo planeta, a autora (que além de roteirista é uma das produtoras do filme) não consegue dar a mesma vivacidade dos livros às telonas, tal qual no precursor do spin-off.

Na sequência de “Animais Fantásticos”, que se passa 70 anos antes de Harry chegar a Hogwarts, Gellert Grindelwald (Johnny Depp) é transportado dos Estados Unidos, onde fora preso, até a Londres. Porém, o bruxo consegue escapar em uma batalha sufocante, digna dos grandes embates da saga canônica. Agora livre, ele vai em busca de Credence (Ezra Miller), o que norteará toda a história.

Paralelamente, Newt Scamander (Eddie Redmayne) está proibido de viajar ao exterior por causa do trabalho que deu ao mundo bruxo durante sua estada em Nova York. Sem ter muito o que fazer, cuida dos bichos em sua maleta e tenta escapar dos flertes do Ministério da Magia, que quer tê-lo como auror para recapturar Grindelwald. Quem consegue seduzi-lo é Alvo Dumbledore (Jude Law). 

Aproveitando que Scamander viaja escondido a Paris para tentar se reaproximar de sua paixão, Tina Goldstein (Katherine Waterston), o professor de Hogwarts lhe dá a missão de proteger Credence das mãos do bruxo das trevas, tudo isso em meio aos avanços do Ministério da Magia. É nesse ponto que a película chega ao seu ápice. 

Ao mesmo tempo em que traz o tom de naftalina aos saudosos amantes da saga, com a presença de personagens icônicos e do próprio castelo de Hogwarts, a trama oferece as batalhas, efeitos especiais e conspirações de “Harry Potter” que encantaram toda uma geração. Porém, ao contrário dos livros e filmes de outrora, este peca ao desenvolver os personagens justamente quando o clímax está estabelecido.

O roteiro tem grandes buracos e não consegue sequer encaixar os segredos agora revelados por J. K. Rowling do mundo bruxo antes de Harry. Assim como no precursor, “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” volta a ter cenários maravilhosos, batalhas intensas e personagens nostálgicos que se perdem em meio a um roteiro confuso. A magia da saga Harry Potter ficou mesmo por lá.


Ficha técnica:
Direção: David Yates
Produção: Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h14
Gêneros: Aventura / Fantasia
Países: Reino Unido / EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #AnimaisFantásticosOsCrimesdeGrindelwald, #HarryPotter, #JKRowling, #Fantasia, #Aventura, #EddieRedmayne, #JudeLaw, #Johnny Depp, #EzraMiller, #WarnerBrosPictures, #espaçoZ, #cinemas.cineart, #CinemaNoEscurinho

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Mônica Martelli e Paulo Gustavo estão de volta em trailer de "Minha Vida Em Marte"

(Foto:Agência Febre/Divulgação)
A dupla Mônica Martelli e Paulo Gustavo está de volta ao cinema, a partir de 27 de dezembro, na comédia “Minha Vida em Marte”. Com direção de Susana Garcia, Fernanda e Aníbal vão se encolver em novas e divertidas aventuras. Veja um pouco do que eles vão aprontar no trailer divulgado pela Paris Filmes e Downtown Filmes.

No filme “Minha Vida em Marte”, adaptação do monólogo homônimo de Mônica Martelli e continuação da franquia, Fernanda está casada com Tom (Marcos Palmeira) e tem com ele uma filha de 5 anos, Joana. O casal está em crise e vive os desgastes e as intolerâncias da rotina do casamento. Mas Fernanda tem o apoio incondicional de Aníbal (Paulo Gustavo), seu sócio e companheiro inseparável que está a seu lado durante toda a jornada para resgatar seu casamento ou acabar de vez com ele. Toda essa trajetória reserva muitas risadas, aventuras e aprendizados.

No elenco estão ainda Ricardo Pereira, Heitor Martinez e Fiorella Mattheis. Com distribuição da Downtown Filmes e Paris Filmes, produção de A Fábrica, Capri Produções e Supercombinado, e coprodução da Globo Filmes e Telecine, o filme tem roteiro de Mônica Martelli, Paulo Gustavo, Susana Garcia, Emanuel Aragão e Julia Lordello, que também assina a produção ao lado de Cecília Grosso e Luiz Noronha.



Tags: #MinhaVidaEmMarte, #MonicaMartelli, #PauloGustavo, #comedia#DowntownFilmes, #ParisFilmes, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Morre Stan Lee, gênio dos maiores super-heróis dos quadrinhos e do cinema

Cartunista deixa um legado de dezenas de personagens e histórias que marcaram muitas gerações (Fotos; Reprodução/Divulgação)

Maristela Bretas 


Quem é o Homem de Ferro, Thor, ou mesmo o Incrível Hulk? O verdadeiro super-herói, detentor das joias do Infinito era Stan Lee, o gênio do quadrinhos criador dos maiores e melhores super-heróis da história. Aos 95 anos, ele deixa uma vaga que dificilmente será ocupada em Hollywood para ser o destaque no Universo da criação.

Guardiões da Galaxia
O mestre faleceu na manhã dessa segunda-feira em Los Angeles, na Califórnia, vítima de problemas respiratórios decorrentes de uma pneumonia e perda gradativa da visão. Figura emblemática, além de criador dos personagens que são sucesso estrondoso de bilheteria e lotam salas de cinema pelo mundo, Stan Lee era sempre uma atração esperada (mesmo que rápida) em todos os filmes do universo Marvel, não importando o estúdio que estivesse produzindo - Disney, Sony ou Fox. 


Stan Lee iniciou seus quadrinhos com "Capitão América", em 1941, bem durante a 2ª Guerra Mundial, quando estava servindo pelo Exército. Ao fim da guerra, retornou aos quadrinhos como roteirista, escrevendo e adaptando textos e foi compartilhado no exército americano por nomes como o do cineasta italiano Frank Capra.


Homem-Aranha
Vinte anos depois surgiu o "Quarteto Fantástico" e a partir daí não parou mais e nos brindou com histórias dos mais variados heróis da Marvel que depois ganharam as telas de cinema. Como Homem-Aranha, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Doutor Estranho, Pantera Negra, Guardiões da Galáxia, X-Men, Deadpool e uma infinidade de personagens, inclusive grandes e excelentes vilões, como Thanos, de "Os Vingadores - Guerra Infinita".


Thor - Ragnarok
Ao todo, Stan Lee fez 35 aparições-surpresa em filmes da Marvel desde o ano 2000, incluindo a que ainda será exibida em "Vingadores 4", gravada há pouco tempo, antes de seu estado de saúde piorar. Além de manifestações dos atores que interpretaram seus personagens, Stan Lee foi homenageado por todo o mundo do cinema e dos quadrinhos.  Inclusive pela maior rival, a DC Comics, que postou a seguinte mensagem em sua conta no Twitter: "Ele mudou a forma como vemos os heróis e os quadrinhos modernos sempre terão sua marca indelével. Seu entusiasmo contagiante nos lembrou porque nós nos apaixonamos por essas histórias em primeiro lugar. Excelsior, Stan". 
Leia mais sobre a repercussão da morte de Stan Lee no Portal UAI.


Com parte dos Vingadores
Tags: #StanLee, #SuperHeroisMarvel, #OsVingadores, #MarvelStudios, #quadrinista, #CinemaNoEscurinho

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

"Entrevista com Deus" é raso, não vai além de mensagens óbvias de autoajuda

Brenton Thwaites se sai bem como o jornalista que entrevista David Strathaim no papel de um Deus humano (Fotos: Imagem Filmes/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Pode até ser que pessoas religiosas gostem de "Entrevista com Deus" ("An Interview With God"). Vai depender da religião, do nível de fé, do compromisso com a divindade constituída. Dificilmente o filme vai agradar aqueles que preferem a religiosidade, o respeito ao sagrado e ao ecumênico. Já os incrédulos, os ateus, esses têm tudo para não gostar nada do longa que pode, no máximo, ser classificado no rol das obras de autoajuda. Mesmo assim, das mais fracas. 


Dirigido por Perry Lang, o filme, todo passado em Nova York, mistura citações bíblicas, força questionamentos para dar um ar de imparcialidade, se alonga em eternas conversas pouco produtivas e não convence. A ideia é até boa: o repórter Paul Asher, que acaba de retornar de uma cobertura da guerra do Afeganistão, entra numa espécie de conflito pessoal depois de presenciar tanto sofrimento e dor. Com a fé abalada e o casamento em crise, marca uma entrevista com ninguém menos do que Deus, que promete responder, em três encontros, a todas as perguntas e dúvidas do jornalista. 

E o que ele quer saber, na verdade, é o que todos querem: desvendar o grande mistério da vida. Só que os diálogos são pobres, simplistas e nada eloquentes. Tema semelhante foi desenvolvido de forma muito mais original e irônica na comédia brasileira "Deus é brasileiro", de Cacá Diegues.


Como era de se esperar, o que fica, no final da história, é pueril e reduz as grandes questões da humanidade a mensagens que vão da culpa à salvação, do bom mocismo à moralidade. E o que é mais grave: é como se todos os habitantes do planeta Terra fossem cristãos. Jesus é apresentado como único filho de Deus, como a única verdade e a única salvação. Estão fora do paraíso, portanto, os adeptos do politeísmo, os muçulmanos, os índios, os ateus...

A história paralela também é fraca: a crise vivida por Paul e sua jovem mulher Sarah Asher é mal contada e precariamente desenvolvida. Sarah, interpretada por Yael Grobglas, aparece muito pouco no filme. David Strathaim dá seu recado de forma apenas correta como um Deus humano, quase um psicanalista, e Brenton Thwaites se sai bem como o jornalista questionador. Na verdade, nenhum papel do filme exige muito. "Entrevista com Deus" exige mesmo é do espectador, que tem que lutar para permanecer acordado até o final da exibição.
Duração: 1h37
Classificação: Livre
Distribuição: Imagem Filmes 


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