quinta-feira, 14 de novembro de 2019

"As Panteras" mostram as garras e a força da mulher na versão 2019

Kristen Stewart, Ella Balinska e Naomi Scott, sob o comando de Elizabeth Banks, entregam uma homenagem à série original (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Uma versão mais engajada na luta pela valorização da mulher, unindo força, inteligência e beleza. Assim é o terceiro filme de "As Panteras", dirigido, roteirizado, produzido e estrelado por Elizabeth Banks (de "Brightburn: Filho das Trevas" - 2019). Com boas cenas de lutas e de perseguições, a produção que entra em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas é uma homenagem à série original de TV, trazendo boas lembranças e surpresas, mas abandonando o lado machista das Charlie's Angels.


A produção tem humor, muita ação, bons efeitos especiais e interpretações que não chegam a ser marcantes, mas surpreendem em alguns casos. Kristen Stewart está muito no papel da pantera Sabina Wilson, uma agente forte, decidida e segura. Ela também é ela a responsável pelos diálogos e situações cômicas. A estrela da franquia "Crepúsculo" perdeu a carinha da inocente Bela e vem se impondo a cada filme que protagoniza. Até os vilões de "As Panteras" reconhecem que ela é uma mulher independente e resolvida.


O mesmo acontece com Jane Kano, personagem da estreante Ella Balinska, parceira de Sabina como uma das agentes do misterioso Charlie. Com pose e estatura de modelo, a jovem se sai muito bem no papel, esbanjando sedução quando dança e mostrando ser a mais experiente agente, tanto como atiradora quanto em lutas. Melhor que muito homem. A mais fraquinha e sem sal do trio é Naomi Scott (a Jasmine, de "Aladdin" - 2018 e também intérprete de Kimberly, a ranger rosa de "Power Rangers" - 2017). No filme ela é Elena Houghlin, uma cientista especializada em tecnologia que precisa ser protegida pelas Panteras, integrantes da Agência Towsend de espionagem.


Da história nascida para a TV - três Panteras, o chefe Bosley e o chefão Charlie (daí o nome "Charlie's Angels") - sobraram a ideia original e, especialmente, a inesquecível e marcante música tema orquestrada. Dezesseis anos depois de "As Panteras Detonando" (2003), a agência cresceu, agora tem atuação internacional e reúne as mais bem treinadas agentes do mundo, que atuam onde são mandadas. Não existe mais um só Bosley, mas várias partes do planeta cada um com sua equipe.


Elizabeth Banks, que tem boa atuação como uma Bosley (ou Boz, numa associação a boss) não perde a cara de vilã e passa sempre a impressão de que vai puxar o tapete de alguém. Como diretora fez um bom trabalho, reforçando do início ao fim a importância das mulheres na trama e na vida real. O roteiro, também dela, tem alguns furos, mas parece ter sido feito por uma fã da antiga série, que resolveu recontar a história das "Anjos de Charlie" numa versão atualizada e "femininamente" correta.

A trilha sonora é um dos destaques do filme. Puxada pela música tema orquestrada - "Charlie's Angel" -, criada para a série de TV, ela marcou a geração entre os anos de 1976 e 1981. Para o filme atual foi chamado um trio da pesada para interpretar a canção "Don't Call Me Angel", - Ariana Grande, Miley Cyrus e Lana Del Rey


Os personagens masculinos são colocados em segundo plano, alguns em papéis dispensáveis e outros fragilizados (como Alexander Brok, papel de Sam Claflin) ou apenas para compor cenário, como o cientista Lasgston (papel de Noah Centineo). Djimon Hounsou ("Capitã Marvel" - 2019) tem participação rápida, mas importante na trama como um dos chefes da agência. Já Patrick Stewart, o Bosley principal, não perdeu o jeito de Professor Charles Xavier, da franquia "X-Men", só que sem a cadeira de rodas.

À esquerda, elenco da série de TV; à direita,as atrizes dos primeiros filmes para o cinema (Foto/Montagem)
Três gerações de Panteras

Para quem está conhecendo agora as poderosas espiãs, vale um pouco de recordação. As primeiras panteras, da clássica série de TV, foram as atrizes Jaclyn Smith, Kate Jackson e a inesquecível loura Farrat Fawcett-Majors. Ao longo das temporadas da série, elas foram sendo substituídas por Cheryl Ladd, Shelley Hack e Tanya Roberts, mas sem o mesmo carisma e glamour das primeiras..


No ano de 2000 o trio de espiãs ganhou a versão cinematográfica com um elenco atraente e de peso - Cameron Diaz, Drew Barrymore (uma das produtoras) e Lucy Liu, na divertida e explosiva produção "As Panteras". Já o segundo filme com elas e Demi Moore -  "As Panteras Detonando" (2003) - foi bem fraquinho. No reboot deste ano, a proposta é uma volta ao passado, com um trio que não é tão carismático como os anteriores, mas dá conta do recado. O blog @cinemanoescurinho recomenda para os saudosistas e quem gosta de um filme de ação com pitadas cômicas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Elizabeth Banks
Produção: Brownstone Productions / Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h59
Gêneros: Ação / Comédia /Espionagem
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #CharliesAngels, #DontCallMeAngel, #ElizabethBanks, #Kristen Stewart, #NaomiScott,  @SonyPicturesBR, #ação, #comédia, espionagem, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho, @espacozmkt, @cineart_cinemas

terça-feira, 12 de novembro de 2019

"A Odisseia dos Tontos": para rir, se emocionar, torcer, mas, principalmente, para ir à forra e lavar a alma

Um grupo de moradores argentinos começa a se organizar para criar uma cooperativa e sair do atoleiro (Foto: Alfa Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


É quase que imediata a identificação do público com os personagens de "A Odisseia dos Tontos", filme argentino em cartaz em Belo Horizonte e representante dos hermanos no Oscar de 2020. Algum traço dessa comédia dramática, dessa aventura maluca, faz com que, rapidinho, o espectador brasileiro se identifique e se coloque entre aqueles tontos, aquele bando de trabalhadores cumpridores dos seus deveres e pagadores de impostos, cuja honestidade e esforços nem sempre são reconhecidos pelos engravatados donos do poder.

A história se passa em 2001, numa pequena vila da Província de Buenos Aires. O momento é de crise econômica, mas um verdadeiro tonto sempre acredita que tudo pode melhorar. Capitaneados pelo casal Fermín Perlassi e Lídia Perlassi (Ricardo Darín e Veronica Llinás), um grupo de moradores começa a se organizar para criar uma cooperativa e sair do atoleiro. A ideia é reformar os velhos silos abandonados e, a partir daí, processar e armazenar grãos. De porta em porta, Fermin e Lídia vão angariando apoios e alguns trocados para dar vida ao sonho de melhorar a vida do lugar. Mais conhecido por ter sido um jogador de futebol com alguma importância, Fermin vai à frente, tornando-se uma espécie de líder.


Aos poucos, juntam-se a eles, sempre depois de muitas perguntas e explicações, outros tontos tão desiludidos e sem rumo como o casal: o velho Antonio Fontana (numa brilhante atuação de Luis Brandoni), Belaúnde (Daniel Aráoz), Rodrigo Perlassi (Chino Darín, filho de Ricardo Darín), e a empresária Carmem Largio (Rita Cortese) entre outros. Em comum, a esperança de dias melhores. Um parêntese para destacar a interpretação de Brandoni, que já havia mostrado seu talento como o artista plástico Renzo Nervi no excelente "Minha obra-prima", de 2018, também argentino.


Fica claro, assim que o grupo consegue, a duras penas, reunir pouco mais de 150 mil dólares, que trata-sede gente, em sua maioria, com pouca ou nenhuma instrução. E é essa espécie de singeleza, de ingenuidade, que cativa o público que começa a torcer veementemente para os tontos assim que o dinheiro deles, depositado num banco, é roubado por Fortunato Manzi (Andrés Parra) um advogado inescrupuloso que agiu em parceria com o gerente da instituição. Lá, como cá, as tais informações privilegiadas funcionaram e enriqueceram pessoas próximas do poder. No Brasil, durante o confisco do governo Collor, no início de 1990. Na Argentina, no chamado "Corralito", em 2001.


Embora pareça comédia, embora pareça aventura, "A Odisseia dos Tontos" prende e emociona. Por mérito do diretor Sebastián Borensztein há um suspense de tirar o fôlego nas cenas de organização e execução do plano que pretende recuperar o dinheiro roubado do grupo. Há momentos também de muito riso e trapalhadas, claro, já que aqueles homens e mulheres não são exatamente especialistas nem experientes em nada. Por outro lado, Fortunato Manzi, o advogado vilão, carrega as tintas na caricatura e ajuda a aumentar as risadas.


Nesses tempos de vacas magras, crise, corrupção e injustiças, tanto no Brasil quanto na Argentina, não é difícil entender o sucesso do filme. Lá, ele já é o longa mais visto do ano. De certa forma, "A Odisseia dos Tontos" vai à revanche por todos os injustiçados e desprotegidos. Vinga. Lava a nossa alma. 

Confira também a crítica para o blog @cinemanoescurinho da nossa colaboradora Carol Cassese - "A Odisseia dos Tontos" - A 'tolice' como forma de resistênciaA produção pode e vale ser conferida nas salas 1 do Belas, sessões às 14 e 19 horas; 2 do Diamond, às 13 horas, e 2 do Net Cineart Ponteio, às 16h15 e 21 horas.
Duração: 1h56
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Classificação: 10 anos


Tags: #AOdisseiaDosTontos, #RicardoDarín, #Argentina, #Oscar2020, #SebastiánBorensztein, #AlfaPictures, #WarnerBrosPictures, #comedia, #drama, #aventura, @cinemanoescurinho, @cinemanoescurinho

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

"Cadê Você, Bernadette?" expõe o incrível prazer de ligar o foda-se

Cate Blanchett interpreta a personagem principal, uma arquiteta que abandonou a profissão para se dedicar totalmente á família (Fotos: Universum Film /Divulgação)

Carol Cassese


Na Antártida, sozinha em um caiaque, em meio a blocos de gelos imponentes e à paisagem desértica, Bernadette Fox se depara com uma moça em outra embarcação individual, que lhe pergunta: "Ei, quem é você?". Ao que Bernardette responde algo do tipo: "É o que estava me perguntando... Quem sou eu". A questão em foco é, no fundo, a que muitos de nós, um dia, já nos colocamos - ou deveríamos nos colocar.  E é sobre ela que orbita "Cadê Você, Bernadette?" ("Where'd You Go, Bernadette?"), novo filme de Richard Linklater ("Boyhood") em cartaz nos cinemas. 

Na superfície, Bernadette, vivida por uma Cate Blanchett no auge de sua beleza, aos 50 anos, é uma arquiteta que abandonou oficialmente a profissão após um evento traumático, indo acompanhar o marido, que trabalha na Microsoft, em Seattle. Mas quem é ela de fato?



A parte em que aparece no continente gelado, na verdade, está na segunda hora do filme, já que a trama é contada de forma linear, tendo alguns recuos temporais. Eles são necessários à explicação de como Bernadette chegou a um nível tal de intolerância ao ser humano, ao convívio social, feitos por meio de um encontro com outro arquiteto, seu antigo colega (Laurence Fishburne, uma presença sempre marcante), que visita Seattle. E também de um documentário disponível no Youtube, cuja existência, na verdade, só é revelada à personagem central por obra do acaso, Uma jovem fã, para seu desgosto, aborda a personagem no único lugar em que ela se sente bem em Seattle fora de sua casa, um centro cultural. 


É por meio desse artifício que o espectador fica sabendo que, em Los Angeles, onde a família vivia antes, o nome de Bernadette estava numa espécie de tredding topics dos novos talentos da arquitetura, ofício no qual nunca se furtou a encarar desafios. Casada com Elgie (Billy Crudup), um homem pra lá de compreensivo e apaixonado, e mãe de Bee (Emma Nelson), ela, tal qual uma leoa, trata de defender sua cria, comportamento que também é explicado no curso da história.


Quando é acuada pelo marido, passa a se indagar quem é de fato aquela mulher que ele um dia pensou conhecer, e que, para sua surpresa, está sendo manipulada até pela máfia russa. Bernadette foge até de quem mais ama para, enfim, tentar se reencontrar, sem o suporte de medicamentos tarja preta ou uma assistente virtual, Manjula. A mulher notável e mãe excepcional, que deixou de lado seu trabalho como arquiteta para se dedicar à vida em família, decide que é hora de sair de sua zona de conforto e desaparece misteriosamente de uma hora para outra, para desespero da filha.


Baseado no premiado best-seller de Maria Semple, "Cadê Você, Bernadette?" é um filme que exige atuações na justa medida, um feito que o elenco talentoso consegue cumprir. Se Cate Blanchett encontrou o tom apropriado, há que não se deixar de lado a boa performance do carismático Crudup e o talento da estreante Emma Nelson, uma garota de extraordinária presença. 

Com "Time After Time", o hit de Cindy Lauper, pontuando a trilha de maneira marcante, o filme também vale a ida ao cinema pela oportunidade que dá ao espectador de conferir, na tela grande, as paisagens absurdamente arrebatadoras do continente Antártico, bem como sua particular fauna, que, num écran menor, certamente perderiam o impacto.


Ficha técnica:
Direção: Richard Linklater
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 1h51
Gêneros: Drama / Comédia
País: EUA
Classificação: 14 anos

Tags: #CadeVoceBernadette, #CateBlanchett,  #LaurenceFishburne, @imagemfilmes, #Cinemark, @Cinemarkoficial, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

"Doutor Sono" é uma boa sequência de "O Iluminado", mas sem o mesmo impacto

Ewan McGregor interpreta Danny Torrance adulto, que vai fazer um ajuste de contas com seu passado. (Fotos: Warner Bros Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Um resgate do passado, sem medo de abusar das lembranças. Esta talvez seja a principal qualidade de "Doutor Sono", do diretor Mike Flanagan, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. A continuação de "O Iluminado" (1980) é também baseada na obra mestre do terror e suspense Stephen King, agrada ao relembrar cenários, como o Hotel Overlook, e situações semelhantes as do primeiro filme, dirigido por Stanley Kubrick. Mas fica difícil não comparar, especialmente porque a sequência não tem um Jack Nicholson para fazer as honras da casa.


O filme tem algumas cenas iniciais que insinuam algo mais tenebroso, mas só engrena mesmo após os primeiros 40 minutos. O diretor conduz a trama com uma preocupação bem didática, como se estivesse explicando para quem chegou agora, 39 anos depois, o que deu origem a toda essa loucura. Demora, mas funciona bem. Outro ponto favorável é a trilha sonora, com o tema original causando o impacto desejado e as locações, especialmente na região montanhosa coberta de neve. Sem falar nos efeitos visuais, que ajudam a dar mais vida à "Doutor Sono".


Ewan McGregor entrega uma boa interpretação de Danny Torrance, filho de Jack, papel de Nicholson, um adulto atormentado por visões, alcoólatra e sem perspectiva de vida Tinha tudo para seguir os passos do pai, seu maior tormento, e surtar. Ele vai bem a maior parte do filme, mas perde espaço para as interpretações da jovem atriz Kyliegh Curran (no papel de Abra Stone) e Rebecca Ferguson, que vive Rosie, a mágica má do chapéu.


É na dupla feminina que está a maior aposta, mas o roteiro não favoreceu o talento da bela Ferguson. Sua vilã é linda e sedutora, mas não convence não mete medo nem provoca o tradicional incômodo na cadeira no espectador que aguarda uma cena chocante. Os diálogos ficaram a desejar e enfraqueceram, em vários momentos, o roteiro e as atuações. 

Já Kyliegh Curran está ótima do início ao fim, convence e até faz a gente torcer por ela, especialmente quando começa a ter visões. É Abra Stone quem vai fazer tudo acontecer, juntamente com Danny. Ela passa uma imagem de poderosa, que consegue vencer seus piores inimigos, mas que ao mesmo tempo precisa de um amigo para dividir seu segredo.


Na história, Danny Torrance conseguiu sobreviver  ainda na infância a uma tentativa de homicídio por parte do pai, um escritor perturbado por espíritos malignos do Hotel Overlook. Danny cresceu e agora é um adulto traumatizado e alcoólatra. Sem residência fixa, ele se estabelece em uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospital local. Mas a paz de Danny está com os dias contados a partir do momento que cria um vínculo telepático com Abra Stone. A jovem tem poderes tão fortes ou mais  que aqueles que carrega.



O elenco conta ainda com alguns nomes conhecidos como Jacob Tremblay ("Extraordinário" - 2017); Henry Thomas (o inesquecível Elliot, de "ET - O Extraterrestre"), o substituto mais barato de Jack Nicholson; Cliff Curtis, Carl Lumbly e outros.

Para o escritor Stephen King, autor das duas obras de suspense homônimas, "Doutor Sono" agradou mais que o primeiro e foi considerado por ele, em recente entrevista para a Entertainment Weekly como uma redenção do que considerou ruim na versão cinematográfica de "O Iluminado" (1980). Resta agora ao nosso leitor conferir "Doutor Sono" nos cinemas e deixar seu comentário abaixo.


Ficha técnica:
Direção: Mike Flanagan
Produção: Warner Bros. Pictures / Vertigo Entertainment / Intrepid Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h32
Gêneros: Suspense / Fantasia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3,5  (0 a 5)

Tags: #DoutorSono, #StephenKing, #RebeccaFerguson, #MikeFlanagan, #suspense, #WarnerBrosPictures,  @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Programa Todas as Letras lança filme feito com crianças de Congonhas e Ouro Preto

Documentário, desenvolvido pelo Museu de Congonhas, tem direção de Papoula Bicalho (Fotos: Eliane Gouveia/Divulgação)

Da Redação


O projeto Museu de Congonhas - Programa Educativo Todas as Letras, finaliza as atividades de 2019 com o lançamento do filme “Difícil é não brincar” com direção de Papoula Bicalho. O documentário, produzido entre março e outubro deste ano, traz em 34 minutos, a alegria, os sonhos e as reflexões dos alunos das escolas municipais de Ouro Preto, Celina Cruz e Monsenhor Rafael, e da Escola Municipal Amynthas Jacques de Moraes, que fica no distrito de Lobo Leite, em Congonhas. 


As primeiras exibições serão nas instituições de ensino hoje, às 19 horas, no distrito de Lobo Leite, e  amanhã, às 10 e às 19 horas, nos distritos de Miguel Burnier e Mota, respectivamente. Os protagonistas, familiares, educadores e a comunidade local serão os primeiros a prestigiar o filme que também será exibido no Museu de Congonhas, dia 14 de novembro, (quinta-feira), às 9 horas, com entrada gratuita. O projeto tem o patrocínio da Gerdau e apoio Cultural do Museu de Congonhas, das secretarias de Educação de Congonhas e de Ouro Preto e realização da Luz Comunicação. .

"Difícil é não brincar" é uma viagem pelo universo das crianças por meio das brincadeiras que inventam, mostrando que é brincando que elas liberam seu imaginário e se reinventam continuamente. Então, conhecer essas crianças é também levantar a questão: por que o adulto para de brincar, se é tão mais difícil não brincar?", revela Papoula Bicalho. 



Tags: #DifícilÉNãoBrincar, #ProgramaEducativoTodasAsLetras, #MuseuDeCongonhas, #PapoulaBicalho, #LuzComunicacao, #Gerdau, #OuroPreto, @cinemaescurinho, @cinemanescurinho

domingo, 3 de novembro de 2019

Sem versão legendada em cinemas de BH, "A Família Addams" vale pela música-tema

Gomez, Mortícia, Wandinha, Feioso, Mãozinha, Tropeço, tio Chico e Vovó Addams estão de volta, agora em animação (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Não tem como não negar: o estalar de dedos da música tema é o principal atrativo da animação "A Família Addams" ("The Addams Family"), ao contrário de outras versões sobre a mais famosa e simpática família de monstros do cinema. Gomez, Mortícia, Wandinha, Feioso, Mãozinha, o mordomo Tropeço (que mais parece Frankenstein), tio Chico e Vovó Addams são inesquecíveis.


E para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer, estes estranhos vizinhos surgiram com força na série de TV exibida entre os anos de 1964 e 1966, baseada em personagens criados pelo cartunista americano Charles Addams na década de 1930 E foi composta para a série a famosa música-tema, com o estalar de dedos que dá o compasso.


Como não foi possível assistir a versão legendada da animação, uma vez que os cinemas de BH exibiram apenas a dublada, fica difícil dizer se as dublagens de atores famosos ficaram boas. Charlize Theron emprestou a voz para Mortícia, Oscar Isaac fez Gomez, Chloë Grace Moretz dublou Wandinha e Fin Wolfhard deu vida a feioso. 

Na versão em português, os dubladores entregaram um trabalho bom, dentro do texto que receberam, com diálogos pouco criativos e engraçados. Wandinha está mais para uma jovem vivendo a fase adolescente que uma figura sombria, ao contrário do personagem da série, e quer apenas conhecer e conviver com gente de sua idade, mesmo que sejam humanos normais.


Mortícia está uma mãe comum, sem nada de especial, exceto as roupas e o sarcasmo. Gomez mantém a graça e o ar bonachão, sempre de bem com a vida. Feioso dá o tom "explosivo" à família, enquanto Tio Chico, Mãozinha e Tropeço são os personagens mais divertidos da animação. Isso sem contar a menção a filmes de terror famosos, como "It - A Coisa". A vilã, se é que se pode chamar assim, é Margaux Needler e recebeu a voz da atriz Allisson Janney. Ele á uma "perua" de voz estridente que ninguém, não só os Addams, gostaria de ter como vizinha. Até Snoop Dogg e Bette Midler entraram no elenco de dubladores.


Na história, novamente a Família Addams enfrenta problemas com vizinhos que não aceitam morar ao lado e monstros estranhos e sombrios. A narrativa conta como surgiu a família de Gomez, a escolha da mansão assombrada, a vida pouco comum da família, que apesar de tudo tenta conviver bem com todos a sua volta. Uma grande festa reunindo todos os parentes vai colocar a vizinhança em pânico, com a possibilidade de chegada de mais monstros.


Muitas versões

Desde a série dos anos de 1960 foram muitas as versões para as telas de cinema e TV. Algumas contaram com a presença de atores famosos como a de 1991 com Anjelica Huston (Mortícia), Raúl Julia (Gomez), Christopher Lloyd (tio Chico) e Christina Ricci (Wandinha). A Família Addams fez tanto sucesso que ganhou também desenhos animados e videogames. Como diversão para todas as idades e para matar a saudade da música, vale a pena assistir a nova animação, que está em cartaz nos cinemas.


Ficha técnica:
Direção: Conrad Vernon e Greg Tiernan
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h27
Gêneros: Animação / Família
Nacionalidade: EUA
Classificação: Livre
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #AFamíliaAddams, #animação, #família, #Mortícia, #mãozinha, @UniversalPictures, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

"A Odisseia dos Tontos" - A 'tolice' como forma de resistência"


Pacatos moradores de uma cidade argentina se unem para recuperar o dinheiro roubado de suas contas (Fotos: Alfa Pictures/Divulgação)

Carol Cassese


Fãs do cinema que vai além do entretenimento só têm a agradecer à parceria firmada entre Ricardo Darín e Sebastián Borensztein. Dela já resultaram filmes memoráveis, como "Um Conto Chinês" (2011) e "Kóblic" (2016). Um terceiro título ao qual vale muito assistir entra em cartaz nesta quinta-feira (31), na cidade: trata-se de "A Odisseia dos Tontos" ("La Odisea de los Giles"), na qual o hoje rosto mais conhecido do cinema argentino contracena com seu filho, Chino Darín ("Uma Noite de 12 Anos") - e, sim, repetindo o laço familiar da vida real.

Como em "Kóblic", "A Odisseia dos Tontos" parte de um episódio real e traumático da história argentina para, na sequência, alçar voo rumo a outras direções - ainda que essas não se descolem totalmente do substrato original. Se na produção de 2016 o ponto de partida eram os chamados "voos da morte", prática inominável registrada durante o regime militar naquele país, aqui, o start é dado por um evento menos. Digamos horrorizante, mas igualmente avassalador: o "corralito", ou o confisco da poupança ocorrido no dia 3 de dezembro de 2001, quando quase US$ 70 bilhões em depósitos de poupadores foram congelados nos bancos. Os brasileiros já tinham vivido pesadelo similar em 1990, quando o governo do então presidente Fernando Collor de Melo confiscou a poupança de milhões de pessoas. 


No caso, Darín é Fermín Perlassi, um ex-jogador e hoje pacato cidadão que resolve formar uma cooperativa de grãos em um lugar abandonado. Os moradores da região são tipos modestos, de poucos recursos, de modo que o arrecadado nem de longe chega ao valor pedido pelo proprietário - mesmo com o desconto que esse resolve dar diante do entusiasmo de estar negociando com um ex-jogador regional de relativo êxito. A eles, soma-se uma senhora de relativas posses, sempre em conflito com o filho. 

Com a evidência de que terão de pedir um empréstimo para chegar ao total, Fermín deposita o que arrebanhou no cofre de uma instituição. Certo dia, o gerente o aconselha a passar esse dinheiro para pesos e depositá-lo na conta particular de Fermín, para que, ao ter o pedido de empréstimo analisado, a central enxergue ali, no saldo do solicitante, uma espécie de lastro para a concessão. 


O ex-jogador titubeia, pois, dentro do espectro do homem de bem, de um ser honesto - o tolo do título -, o certo seria, claro, consultar previamente os outros. Mediante a pressão do gerente, porém, ele acaba cedendo e transfere a "plata" para a sua conta - afinal, ok, seria uma estratégia para o bem comum... Bem, no outro dia, a Argentina amanhece sob o impacto do corralito. O dinheiro do grupo foi confiscado, e não há maneira mais traumática de os demais cooperados saberem da decisão que Fermín havia tomado horas antes.

A coisa não termina aqui. O caixa do banco que acompanhou a operação de transferência do dinheiro dos cooperados para a conta corrente de Fermín acaba confessando que o gerente sabia de antemão do iminente confisco, e teria propositadamente saqueado o dinheiro dos poupadores antes do anúncio oficial do governo, investindo-o em dólares. 


E como tragédia pouca é bobagem, um acidente de carro aniquila ainda mais o personagem, que passa a viver recluso em casa, a qual agora abriga também o filho - esse, diante da crise econômica, abandona os estudos para ficar atuando nos sinais de trânsito, tentando angariar alguns pesos limpando para-brisas. Um belo dia, o grupo recebe uma informação preciosa. Um dos envolvidos no golpe contratou um morador local para abrir um grande buraco numa zona erma vizinha, escondida por árvores, e em meio a uma pastagem. 

Sabiamente, acabam deduzindo que ele, na verdade, escondeu, ali, um cofre, onde estaria a fortuna desonestamente amealhada. A explicação é por demais óbvia: deixar o dinheiro longe do alcance das autoridades. Para proteger o local de visitantes indesejados, o golpista arma-se de um quase intransponível esquema de alarmes. Bem, dissemos quase. 

Munidos de muita sagacidade, o grupo entra em campo na tal odisseia (mais uma vez, do título) que tenta provar que a união faz toda a diferença... Até entre os considerados tolos pela sociedade capitalista selvagem que só visa o lucro, obtido a qualquer preço. E aí, o filme deixa o viés político principal para incorrer no território do suspense e da aventura. Com boas pitadas de comédia. Conseguirão os componentes do grupo burlar todo o engenhoso esquema e recuperar o dinheiro? 

Mas, que fique claro, se o fato "corralito" deixa de ser o mote principal, o viés social (que, claro, nunca deixa de estar atrelado ao político) segue ali, onipresente. E acrescido de outras abordagens interessantes, como a da relação mãe e filho focada. Para dar ritmo à ação, o filme perpassa vários gêneros musicais - da ópera da cena de início ao rock, passando pela valsa, numa trilha interessantíssima e marcante. A câmera também se mostra ágil e com excelentes sacadas de efeitos e edição... Combinando tudo isso a boas atuações e diálogos inteligentes, o resultado não poderia ser outro senão um filme para enternecer, torcer, vibrar, remexer na cadeira. Um filme para todos os tolos (no excelente sentido) do mundo.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Sebastián Borensztein
Produção: Alfa Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Drama / Comédia / Aventura
Países: Argentina / Espanha
Classificação: 10 anos

Tags: #AOdisseiaDosTontos, #RicardoDarín, #Argentina, #Oscar2020, #SebastiánBorensztein, #AlfaPictures, #WarnerBrosPictures, #comedia, #drama, #aventura, @cinemanoescurinho, @cinemanoescurinho

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

"Re-costuras e Afetos" mostra a força do Cinema Negro no Galpão Cine Horto

Cena do filme “Pitanga”, de Camila Pitanga e Beto Brant (Fotos Divulgação)


Da Redação


De 4 a 25 de novembro, sempre às 19 horas, o Galpão Cine Horto irá homenagear o mês da Consciência Negra recebendo a Mostra de Cinema Negro: "Re-costuras e Afetos", organizada pelo Projeto Enquadro. Serão quatro sessões, duas com a exibição de longas e duas com curtas, totalizando dez filmes. A programação da mostra fará parte do Segunda tem Cinema, projeto do Cine Horto que oferece sessões gratuitas e comentadas por pesquisadores do cinema negro e por cineastas e atores dos próprios filmes em exibição. As exibições também entrarão como parte da edição de 2019 do Festival de Arte Negra – FAN. 


Programação

Dia: 4/11 - Filme
"Pitanga" (2016), de Camila Pitanga e Beto Brant
Duração: 1h53
*Com comentários de Amanda Lira e Gabriel Araújo, jornalista e fundadores do projeto Enquadro

Cena do filme "Café com Canela", de Glenda Nicácio e Ary Rosa
11/11 - Curtas-metragens
"Travessia" (2017), de Safira Moreira – 5’
"Favela em Diáspora" (2018), de Gabriela Matos – 22’
"Noir Blue" (2017), de Ana Pi – 27’
"Negrum3" (2019), de Diego Paulino – 22’
*Com comentários de Tatiana Carvalho Costa, professora do curso de cinema e audiovisual da UNA e Gabriela Matos, cineasta. Mediação: Gabriel Araújo

18/11 - Filme
"Café com Canela" (2017), de Glenda Nicácio e Ary Rosa
Duração; 1h42
*Com comentários de Fábio Rodrigues Filho, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG. Mediação : Amanda Lira e Gabriel Araújo

Cena do filme “Sem Asas”, de Renata Martins
25/11 - Curtas-metragens
"Sem asas" (2019), de Renata Martins – 19’
"Sophia" (2013), de Kennel Rógis – 14’
"Looping" (2019), de Maick Hannder – 11’
"Quintal" (2015), de André Novais Oliveira – 20’
*Com comentários de Norberto Novais Oliveira, ator, e Arthur Arantes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFMG. Mediação : Amanda Lira

Serviço:
Mostra de Cinema Negro: "Re-costuras e Afetos"
Data: Todas as segundas-feiras, de 4 a 25 de novembro
Horário: 19 horas
Local: Galpão Cine Horto - Rua Pitangui, 3613 - Horto
Entrada: Gratuita
Mais informações: http://bit.ly/recosturaseafetos

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terça-feira, 29 de outubro de 2019

"Abominável", uma singela animação sobre amizade, descobertas e família

Everest e Yi se tornam grandes amigos e vão viver uma grande aventura que vai transformar suas vidas (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Uma animação onde tudo é lindo e emociona. Assim é "Abominável" ("Abominable"), mas uma bela produção da DreamWorks Animation, capaz de fazer escorrerem algumas lágrimas ao abordar os temas amizade e família. O filme é lindo, a história envolvente e trazendo uma bela mensagem de união e perseverança. Tudo isso numa jornada cheia de aventuras de quatro amigos - dois adolescentes, uma criança e filhote de yet. Isso mesmo, você não leu errado. O famoso Homem das Neves é nosso personagem principal e nada tem de abominável, só o título. Ele é fofinho, carinhoso, fiel, determinado, tem grandes olhos e uma enorme sensibilidade, capaz de transformar as pessoas e fazer com que elas encontrem seu lado bom.



"Abominável" parece uma versão chinesa de "ET - O Extraterrestre", com o mesmo tipo de narrativa - o "monstro" que é perseguido por malvados cientistas e acaba encontrando uma jovem que irá ajudá-lo, junto com dois amigos, a retornar à sua casa, no Monte Everest, no Himalaia. A abordagem e os diálogos têm a mesma pureza, assim como a ligação entre os personagens e os poderes mágicos de Everest (como foi batizado o yet), capazes de mudar a natureza. No lugar de uma fuga em bicicletas usaram baleias encantadas e um mar com ondas gigantescas de flores. Tudo muito colorido, com a uma escolha marcante das locações por onde passam nossos bravos heróis, cheias de encantos e magia.



O ponto principal é a amizade entre Yi (voz de Chloe Bennet), uma menina que não aceita a perda do pai e só pensa em fugir, e o yet Everest (grunhidos feitos pelo compositor Rupert Gregson-Williams). Enquanto a jovem tenta ajudar seu gigantesco e estabanado amigo, a relação entre eles vai ficando cada vez mais forte e ambos vão descobrindo os poderes que possuem a cada novo destino. Uma jornada recheada de amizade, lembranças, conquistas, descobertas e especialmente, a importância da família. 



Como em toda aventura, há momentos engraçados, mas também de muito perigo. O grupo de amigos terá de escapar de um vilão que quer recapturar Everest, foragido de seu laboratório. A parte divertida fica por conta de Peng (Albert Tsai), o pequeno vizinho de Yi, que logo se torna um grande amigo de Everest. Afinal, ambos são crianças. O mais ranzinza é Jin (Tenzing Norgay Trainor), o tio adolescente de Jin, que vê perigo em tudo e só se preocupa com a imagem nas redes sociais. Mas até ele também começa a ver um mundo além de seu celular.




A ação começa em Shanghai, na China quando Yi descobre um yet no telhado do prédio onde mora. A partir disso, ela e seus amigos decidem levar Everest até sua família, que está na montanha mais alta do planeta. Porém, os três amigos terão que conseguir despistar o ganancioso Burnish (Eddie Izzard) e a zoóloga Dra. Zara (Sarah Paulson), que querem pegar o yet a qualquer custo. O elenco conta ainda com as vozes de Sarah Paulson (a zoóloga Dra. Zara), Eddie Izzard (o empresário Burnish), Tsai Chines Hong (a vovó Nai Nai), Michelle Wong (a mãe de Yi) e James Hong.



Rupert Gregson-Williams também é o responsável pela trilha sonora, que conta com três lindas canções conhecidas do público - "Fix You", da banda Coldplay, "Dreams", de Phil Beaudreau, e "Beautiful Life", de Bebe Rexha. 


Este sim é um ótimo filme para levar os filhos a partir dos 5 anos. As crianças vibram com os personagens, torcem por Everest e comentam o tempo todo com os pais o que estão achando da história. É uma animação que conquista o público de todas as idades. "Abominável" está em cartaz em salas da rede @cineart _cinemas nos shoppings Boulevard, Cidade, Del Rey, Minas Shopping, Paragem e Via Shopping (Barreiro), somente em versões dubladas. Merece ser visto, especialmente em família.



Ficha técnica:
Direção: Jill Culton e Todd Wilderman
Produção: Dreamworks Animation / Pearl
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h37
Gêneros: Animação / Aventura / Comédia
País: EUA
Classificação: 6 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

"Zumbilândia - Atire Duas Vezes" é comédia que faz até morto-vivo dar risada

Passados dez anos, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Abigail Breslin e Emma Ston ainda lutam para sobreviver aos zumbis (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Dez anos depois do lançamento da comédia de terror "Zumbilândia" (2009), entra em cartaz nos cinemas, nesta quinta-feira, "Zumbilândia- Atire Duas Vezes" ("Zombieland 2: Double Tap"). Com o mesmo elenco principal, agora com ganhadores e indicados ao Oscar, e um bom elenco coadjuvante, esta continuação está sendo considerada por muitos fãs como ainda melhor e mais divertida que o antecessor. O mesmo diretor Ruben Fleischer e os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick do primeiro filme retomam a história sobre uma epidemia zumbi que dizimou parte do mundo e proporcionam 100 minutos de boas gargalhadas, piadas picantes e sátiras a outros filmes, políticos e personalidades do mundo atual.



O quarteto principal continua sob o comando de Woody Harrelson (Tallahassee), que tem Jesse Eisenberg (Columbus) como seu braço direito. A dupla de indicados ao Oscar, que se reúne após "Truque de Mestre - O 2º Ato" (2016) está imbatível e mais entrosada que nunca. Eles garantem os melhores momentos desta produção, que tem mais de comédia e ação do que terror. Emma Stone (Wichita) parece um pouco deslocada do papel, que foi um dos maiores sucessos do seu início de carreira. 



A ganhadora da estatueta de 2017 por "La La Land", em alguns momentos, dá a impressão de estar apenas cumprindo contrato, mas não deixa a peteca cair e o talento fala mais alto. A atriz de "Pequena Miss Sunshine" (2006), Abigail Breslin, também indicada ao maior prêmio de Hollywood, deixou de ser a menina do primeiro filme e se tornou a adolescente Little Rock, que quer conhecer pessoas de sua idade e parar com tanta matança, como sua irmã Wichita e os amigos.



O elenco secundário não fica para trás: Luke Wilson (no papel do caubói Albuquerque) e seu parceiro Thomas Middleditch, como Flagstaff, um nerd matador de zumbi estão ótimos. Zoey Deutch brilha como Madison, uma típica "patricinha" burra que só veste cor de rosa e, sabe-se lá como, conseguiu sobreviver aos zumbis. Até Rosario Dawson entrou na trama como uma sedutora dona de um hotel que atira bem e dirige melhor ainda.

Além do elenco, "Zumbilândia - Atire Duas Vezes" apostou fundo no seu maior trunfo - as lutas sangrentas entre sobreviventes e zumbis. O diretor não economizou em tinta vermelha e jorra sangue por todos os lados, sem dó nem piedade. Para quem gosta do gênero, o que não falta neste filme é ação, acompanhada de muitos tiros, facadas, bombas, explosões, ataques zumbis e brigas (algumas em slow-motion para ficarem mais engraçadas).



Afinal, o que vale é sobreviver a estes monstros. Apesar de alguns furos no roteiro, o filme soube acompanhar o amadurecimento dos atores ao longo desses dez anos, mostrando que os personagens adquiriram experiência no combate ao inimigo. Mesmo quando o comportamento infantil da ala masculina mostra o contrário, exigindo a intervenção das mulheres para por ordem na casa.


E se o elenco humano é bom, melhor ainda é a turma zumbi. Grande trabalho de Tony Gardner na maquiagem e efeitos especiais. Ele é responsável por outras produções do gênero terror como "Parque do Inferno" (2018) e "A Morte Te Dá Parabéns" (2017). Também a trilha é um ponto forte e relembra sucessos como “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan, o reggae “Three Little Birds”, de Bob Marley and the Wailers, “Master of Puppets”, da banda Metallica e o rap "Click Clack - Get Back", de Ice Cube.

Anos depois de se unirem para atravessar o início da epidemia zumbi nos Estados Unidos, Columbus (que narra a história), Tallahassee, Wichita e Little Rock seguem buscando novos lugares para habitarem, garantindo sua sobrevivência. Quando decidem ir até a Casa Branca, acabam encontrando outros sobreviventes e percebem que precisam mudar suas vidas. Mas um novo inimigo, mais forte, pode tornar esta guerra ainda pior.



Atenção para os mais apressadinhos: como se trata de uma continuação, figuras carimbadas do humor também estão de volta e dão um show a parte, para alegria do espectador que não deve deixar a sala durante os créditos finais.  Quer ver um filme divertido e não se incomoda com sangue e cabeças cortadas? Então não perca "Zumbilândia - Atire Duas Vezes", a partir de hoje nos cinemas.


Ficha técnica:
Direção: Ruben Fleischer
Produção: Columbia Pictures / Pariah Films
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h40
Gêneros:  Comédia/ Terror/ Ação
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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