Dirigido por Madeline Sharafian, Domee Shi e Adrian Molina, "Elio" é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação. O filme acompanha Elio Solís (voz de Yonas Kibreab), menino de 11 anos sonhador, apaixonado pelo espaço e por vida alienígena.
Por engano, ele envia um sinal para o desconhecido e é “captado” pela misteriosa organização intergaláctica Comuniverso, onde é confundido com o embaixador da Terra. Agora, Elio precisa se adaptar, fazer amigos extraterrestres e descobrir quem realmente é.
O longa acerta ao tratar o tema do pertencimento de forma lúdica e inspiradora. Elio não se sente completamente em casa no mundo humano e, ironicamente, precisa encontrar seu lugar no universo que sempre sonhou explorar.
A tia Olga (Zoe Saldana) se destaca como figura de afeto e proteção, mas também como exemplo de sacrifício e responsabilidade familiar.
Por outro lado, a animação apresenta lacunas: o luto é apenas citado e personagens secundários têm pouca profundidade, funcionando mais como suporte à jornada do garoto.
A resolução de conflitos acontece rápido demais, deixando pouco espaço para nuances emocionais.
Ainda assim, "Elio" é encantador, com momentos de pura imaginação e emoção, além de uma ótima trilha sonora que conta, inclusive, com canções da banda "Queen".
Talvez perca pontos frente a outras animações mais ousadas da temporada, como "Guerreiras do K-Pop" (Netflix), mas cumpre bem sua função: emocionar e divertir, enquanto fala de amizade, coragem e autodescoberta.
Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adrian Molina, Domee Shi e Madeline Sharafian Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures Distribuição: Disney Pictures Exibição: Disney+ Duração: 1h39 Classificação: Livre País: EUA Gêneros: infantil, aventura, animação
Christian Bale e Jessie Buckley entregam ótimas atuações e formam um casal que chega a ser simpático aos olhos do público (Fotos: Warner Bros. Pictures)
Maristela Bretas
Maggie Gyllenhaal foi extremamente ousada ao escrever e dirigir "A Noiva" ("The Bride!), apostando forte no feminismo sem levantar bandeiras explícitas, mas deixando bem claro, nos diálogos e nas atitudes revolucionárias da protagonista, a revolta contra o desprezo, a violência e o descaso aplicados às mulheres.
Mostrando realidades que nós, mulheres, vivemos diariamente, a diretora abusa do burlesco sem ser vulgar e da violência crua envolvendo os personagens principais. Como diria o parceiro do blog, Marcos Tadeu, do @jornalistadecinema: “se 'Coringa: Delírio a Dois' (2024) tivesse seguido este caminho, seria arrasador”.
A escolha de Jessie Buckley ("A Filha Perdida" - 2021, também escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal) para interpretar a Noiva de Frankenstein foi outro grande acerto da produção.
Ao lado dela, Christian Bale entrega uma excelente atuação e a sincronia do casal funciona muito bem. O público chega a torcer por eles, mesmo com toda a loucura da relação.
A atriz está impecável, assim como em "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", forte candidato ao Oscar 2026 de Melhor Filme. Ela também entra na disputa por uma estatueta como Melhor Atriz.
O filme começa em Chicago, na década de 1930, e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada ressuscitada nos mesmos moldes de Frankenstein.
Cansado da solidão, o famoso monstro procura a Dra. Euphronius (Annette Bening) para criar uma companheira para ele, saída do mundo dos mortos. Juntos, eles trazem a jovem de volta à vida, nascendo assim a criatura batizada de “A Noiva”, uma mulher revolucionária, além do seu tempo.
Numa época marcada pela violência, pela criminalidade e, especialmente, pelo desprezo às mulheres, o estranho casal vive uma paixão além do tempo — selvagem e explosiva — recheada de ação, mortes e fugas alucinantes.
Um Road movie que prende do início ao fim, sem perder a coerência. Com um fator que explica, já nos primeiros minutos de exibição, as mudanças repentinas de humor e comportamento da Noiva.
A diretora reforça sua posição de defensora feminista ao creditar à escritora Mary Shelley — autora de Frankenstein — o motivo de o filme ser protagonizado por uma mulher e reforçar tanto seus direitos.
A protagonista usa até mesmo a frase, tão atual, “NÃO É NÃO” quando os abusos acontecem, mesmo colocando sua sobrevivência e a de seu parceiro em risco.
Não bastassem os direitos violados da Noiva, outras mulheres vivem a mesma situação, como a detetive Myrna Mallow, interpretada pela ótima Penélope Cruz. Num mundo totalmente dominado pelos homens — o da polícia —, ela precisa conviver com situações constrangedoras.
Como ser chamada de secretária pelo colega detetive Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e ver suas ordens serem ignoradas por outros policiais, só por ser mulher.
Christian Bale entrega um Frankenstein diferente, que quer alguém para dividir a vida. Apaixonado e romântico, ele também mostra que pode deixar seu lado cruel aflorar se sua amada estiver em perigo.
E quem disse que monstro não pode ser sensível e ter bom gosto? O maior prazer de Frankie é assistir a musicais no cinema de um ator que acompanha há anos — Ronnie Reed, papel de Jake Gyllenhaal —, numa clara referência a Fred Astaire. O filme, inclusive, faz referências a outros dançarinos famosos de Hollywood na época.
“A Noiva” acerta em vários quesitos — direção, roteiro, efeitos visuais, maquiagem e cabelo, elenco excelente e trilha sonora, entregue à compositora premiada Hildur Guðnadóttir. Tem tudo para concorrer a várias premiações este ano e disputar um Oscar em 2027.
Gostei muito do longa de Maggie Gyllenhaal. A roteirista e diretora deu um olhar diferente e mais ousado para a história da noiva de Frankenstein, já contada em várias outras produções. Vale conferir.
Ficha técnica:
Direção: Maggie Gyllenhaal Produção: First Love Films e In The Current Company Distribuição: Warner Bros. Pictures Exibição: nos cinemas Duração: 2h07 Classificação: 16 anos País: EUA Gêneros: ficção, drama, terror, suspense, romance