Edmilson Filho interpreta dois personagens completamente opostos que irão se encontrar em uma viagem à Cartagena, na Colômbia (Fotos: Tico Argulo/Divulgação)
Maristela Bretas
O ano de 2024 começou com comédias nacionais boas e outras nem tanto, mas que atraíram o público para os cinemas. Um bom exemplo é "Minha Irmã e Eu", de 2023, mas que estreou em janeiro, Na sequência, tivemos "Dois É Demais em Orlando" e "Os Farofeiros 2", em março; "Licença para Enlouquecer" e "Evidências do Amor", este mês, além de outras bem aguardadas até o final do ano, como "O Alto da Compadecida 2".
Seguindo o estilo muito barulho e história já explorada em outras produções, estreia nesta quinta-feira (2 de maio) o longa "Férias Trocadas", comédia nacional protagonizada por Edmilson Filho ("Loucas Pra Casar" - 2014, o filme "Cine Holliúdy" - 2013 e a série de mesmo nome, em exibição no canal Globoplay). Filmada em Cartagena, na Colômbia, a produção é dirigida por Bruno Barreto, responsável por sucessos como o belíssimo "Flores Raras", de 2013 (que pode ser conferido no Netflix).
Em "Férias Trocadas", conhecemos José Eduardo, o Zé (Edmilson Filho), que ganha uma rifa e consegue uma viagem com a família para Cartagena. Dono de uma escolinha de futebol, é casado com Suellen (Aline Campos, de "Um Dia Cinco Estrelas" - 2023, "Os Farofeiros" - 2018 e "Os Farofeiros 2") e pai da blogueirinha Rô (Klara Castanho, de "Tudo por um Pop Star" - 2018 e a série "Bom Dia, Verônica" - 2022 e 2024, da Globoplay). A família parte animada para a primeira viagem de férias internacional.
Viajando para o mesmo destino temos José Eduardo, conhecido como Edu (Edmilson Filho), um empresário preconceituoso que viaja com a esposa Renata (Carol Castro, de "Eike - Tudo ou Nada" - 2021) e o filho tiktoker João (Matheus Costa, de "Cinderela Pop" - 2018). O que os dois José Eduardo não esperavam era que a troca dos endereços de hospedagens iria acabar numa grande dor de cabeça e colocá-los frente a frente.
Nada de novo no enredo, rostos conhecidos de outras comédias. O personagem "Zé" (o pobre) é bem mais simpático, até mesmo quando está fazendo bobagem, ao contrário de Edu (o rico), que exagera tanto em seu preconceito que chega a ficar antipático, melhorando só no final, como esperado.
O restante do elenco cumpre bem o papel, especialmente Aline Campos e Carol Castro. A produção perdeu a oportunidade de explorar mais o visual das praias do paraíso colombiano, que são lindas, entregando belas imagens que seriam um diferencial do filme. Entre brigas, reconciliações, situações constrangedoras e romances, "Férias Trocadas" consegue fazer o público rir e é uma distração de sessão da tarde.
Ficha técnica
Direção: Bruno Barreto Produção: Paris Entretenimento Distribuição: Paris Filmes Exibição: nos cinemas Duração: 1h25 Classificação: 12 anos País: Brasil Gênero: comédia
Produção sobre a icônica cantora recebeu uma brilhante interpretação de Naomi Ackie (Fotos: CTMG/Divulgação)
Patrícia Cassese
Nos últimos anos, várias produções cinematográficas têm se debruçado sobre a trajetória de grandes fenômenos da música, como Freddie Mercury (1946-1991), Elton John (1947 -) e Elvis Presley (1935-1977) - a saber: "Bohemian Rhapsody" (2018), "Rocketman" (2019) e "Elvis" (2022).
Outro título recente que se filia a esse veio foi "Judy: Muito Além do Arco-Íris" (2020), embora, no caso, o foco fosse uma persona que desenvolveu carreira bem sucedida tanto na música quanto no cinema: Judy Garland (1922-1969).
Nesta quinta-feira (12), dia em que "I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston" adentra os cinemas de todo o país, é hora de o espectador saber um pouco mais sobre a história da cantora norte-americana Whitney Elizabeth Houston, falecida precocemente em 11 de fevereiro de 2012, aos 48 anos.
Para quem não se lembra, a cantora foi encontrada afogada na banheira de um hotel (Beverly Hilton) em Los Angeles. O laudo pericial apontou que, além de uma cardiopatia, Whitney havia consumido cocaína e outras drogas (algumas legalizadas, que ela utilizava inclusive com prescrição médica).
Tal como nos exemplos de filmes citados anteriormente (evidentemente, há dezenas de outras produções da sétima arte dedicadas a ícones da música, mas estamos fazendo um recorte entre alguns dos mais recentes), Whitney Houston teve uma carreira de sucesso não só em seu país de origem, mas no mundo todo.
Canções de seu repertório, como "I Will Always Love You", seguem sendo bastante executadas nas rádios. Aliás, sobre o hit, "I Wanna Dance" revela um fato que nem todos os fãs da interpretação da diva conhecem: a canção foi escrita e gravada por Dolly Parton, em 1973, tendo não só alcançado o topo da parada country nos meses seguintes como novamente em 1982, quando a cantora e atriz a regravou para o filme "A Melhor Casa Suspeita do Texas".
Sim, detalhes como esse estão entre os bons chamarizes da nova produção de Kasi Lemmons (de "Harriet", filme de 2019), que, cumpre frisar, tem roteiro do neozelandês Anthony McCarten, o mesmo que escreveu o já citado "Bohemian Rhapsody".
Mas o filme está longe de satisfazer apenas os fãs de Houston. O primeiro acerto a ser mencionado é a escolha da protagonista: Naomi Ackie, que, vale dizer, é britânica. Uma pesquisa na trajetória da moça conta que, apesar dos poucos papéis na sétima arte, a atriz tem feito bonito no que tange a indicações. Certamente não será diferente aqui.
Dona de uma beleza estonteante, Naomi consegue transitar pelas várias fases e estados da cantora (do início da carreira ao final, da pureza do início da carreira ao reconhecimento do declínio da extensão vocal, passando pelo espectro das drogas) com brilhantismo.
Embora as interpretações musicais vistas na tela tragam a voz original de Whitney Houston, Naomi é também cantora e caprichou em suas interpretações (depois sobrepostas) para conferir veracidade às cenas.
O restante do elenco não fica aquém, a começar do excepcional Stanley Tucci envergando as vestes do produtor Clive Davis - que, diga-se de passagem, é um dos produtores do filme.
Aqui, um pequeno desvio da análise do filme: aos 62 anos, Tucci sempre foi aquele ator que, mesmo não estando no papel de protagonista, dá farta contribuição ao êxito de produções como "O Diabo Veste Prada" (2006) ou "O Terminal" (2004).
Neste momento, ele mostra claramente sua potência na excelente série de suspense "Inside Man" (Netflix), onde dá vida a um preso no corredor da morte que, por sua inteligência e sagacidade, acaba ajudando na elucidação de outros crimes de difícil solução para a polícia. Anote na sua agenda, vale demais.
Como Clive, Tucci está simplesmente perfeito. E uma curiosidade: ao contrário da mítica figura do produtor e/ou empresário que explora o artista até extrair tudo o que ele tinha a oferecer, para então descartá-lo, Clive se mostra um dos mais devotados parceiros de Whitney Houston.
Ele acolheu e acatou seus desejos, ainda que esses, a início, possam soar como caprichos - como quando ela decide que quer porque quer fazer cinema. É ele também que a alerta quanto à necessidade de uma reabilitação, citando o exemplo de Judy Garland (por isso a menção ao filme no início desta matéria).
Hoje com 90 anos, Clive Davis é aquela espécie de Midas da indústria. Responde como descobridor do Aerosmith e de Janis Joplin, além de ter trabalhado, na Arista, gravadora que fundou, com ícones como Patti Smith, Barry Manilow, Aretha Franklin, Dionne Warwick e Annie Lennox, para citar alguns.
Todos os outros atores do elenco se mostram escolhas corretíssimas, mas vale destacar particularmente a atriz Tamara Tunie, como Cissy Houston, a mãe da cantora, que na primeira cena aparece como uma tutora quase implacável, mas que se revela plena de afetos e orgulho da cria.
E, ainda, Nafessa Williams (como Robyn Crawford, a grande parceira - afetiva e na carreira, como assistente-executiva - da cantora); Ashton Sanders (como Bobby Brown, marido de Whitney) e Clarke Peters (dando vida ao pai da diva, John Houston).
Os dois últimos, os grandes responsáveis pelas maiores dores de cabeça na vida de Whitney Houston - tendo o pai dilapidado uma parte absurda da fortuna da cantora.
Na condução dessa cinebiografia, Kasi Lemmons faz escolhas bem interessantes. Ao falar de "O Guarda-Costas" (1992), filme de Mick Jackson que estourou nos cinemas de todo mundo, o parceiro de tela de Whitney Houston, o astro Kevin Costner, não aparece sendo vivido por nenhum ator: no lugar desse artifício, o espectador vê uma cena do filme.
Idem para a menção à antológica participação da cantora no programa de Oprah Winfrey, em 2009, depois de sete anos sem conceder entrevistas (após a mal sucedida experiência ocorrida em 2002, quando foi entrevistada por Diane Sawyer, da ABC News).
"A melhor entrevista que já fiz na vida", disse posteriormente a icônica apresentadora. “Para mim, Whitney era a voz. A gente poderia escutar Deus por meio dela cantando. O coração era pesado, mas o espírito era agradecido pelo seu dom”.
Outra decisão é não falar sobre a trágica morte da única filha de Whitney Houston. Bobbi Kristina Brown (no filme interpretada por várias atrizes, como Bria Danielle Singleton) faleceu em 26 de julho de 2015, com apenas 22 anos de idade.
Em janeiro daquele ano, ela foi encontrada inconsciente na banheira de sua casa, em Atlanta. Bobbi chegou a ser reanimada, mas sua atividade cerebral já havia sido bastante afetada.
Em junho, diante da irreversibilidade do quadro, ela passou a receber cuidados paliativos, vindo a óbito no mês seguinte. A necropsia apontou como causas da morte uma pneumonia e má irrigação de sangue no cérebro, consequências, na verdade, de ter ficado muito tempo imersa na banheira, desacordada - o que, por sua vez, teria sido provocado pelo uso de drogas. O corpo de Bobbi foi enterrado ao lado do de Whitney.
Whitney Houston (Reprodução)
Em tempo: nos últimos anos de vida, Whitney conseguiu pagar suas dívidas e ainda deixou um valor considerável para a filha. Com a morte dessa, o dinheiro acabou ficando para a mãe e os irmãos da cantora, Michael e Gary.
Hoje aos 89 anos, Cissy - que também se firmou como cantora - é tia materna das intérpretes Dee Dee Warwick e Dionne Warwick. Já a madrinha de Whitney Houston era ninguém menos que Aretha Franklin.
Confira, a seguir, alguns dos marcos da carreira de Whitney, listados pela Wikipedia, a partir de várias fontes:
* Seu álbum de estreia, Whitney Houston, foi o primeiro de uma cantora a vender 25 milhões de unidades, com as vendas dos discos certificadas.
* "Whitney", seu segundo disco, tornou-se o primeiro a estrear no topo dos mais vendidos nos EUA e Reino Unido simultaneamente.
* Única artista com sete singles consecutivos a atingirem a primeira posição nas paradas de sucessos dos EUA, o recorde mantém-se até hoje.
* Whitney foi a primeira artista feminina a ter 3 singles número #1 de um álbum (Whitney Houston - 1985).
* Whitney foi a primeira artista feminina a ter 4 singles número #1 de um álbum (Whitney - 1987).
* "The Star Spangled Banner" foi a única versão do hino nacional norte-americanos a ser certificada platina, vendendo mais de 1 milhão de cópias.
* A maior certificação inicial de qualquer álbum pela RIAA foi para "The Bodyguard", cuja primeira certificação foi para as vendas de mais de seis milhões de cópias.
* "The Bodyguard" foi o segundo álbum mais vendido por uma artista feminina estrangeira no Brasil, mais de 1 milhão de cópias.
* "The BodyGuard" foi o 4º álbum mais vendido de todos os tempos.
* "The Bodyguard" foi a maior trilha-sonora do mundo vendendo mais de trinta e três milhões de exemplares de 1992 a 1999.
* "The Bodyguard" foi a trilha-sonora mais vendida da história, totalizando mais de quarenta e quatro milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
* "The Bodyguard" foi a primeira trilha-sonora a vender mais de 1 milhão de cópias em apenas uma semana.
* "The BodyGuard" foi o álbum mais vendido da década de 1990.
* "I Will Always Love You", segundo single mais vendido da década de 1990, com 10 milhões de cópias em todo o mundo.
* "I Will Always Love You" foi a 2° música de maior sucesso da história.
* "I Will Always Love You" foi a música mais executada entre 1992 e 1993.
* "The Bodyguard" foi o primeiro álbum pop a vender um milhão de cópias na Coreia.
* "The BodyGuard" foi o filme que mais fez sucesso tendo uma cantora como protagonista.
* Whitney ganhou um recorde de oito American Music Awards em 1994. Ela está empatada somente com Michael Jackson, que ganhou oito da AMA em 1984.
* Artista feminina com mais American Music Awards ganhos de todos os tempos, num total de vinte e dois.
* Whitney ganhou um recorde cinco World Music Awards na cerimônia em 1994, apenas igualada por Michael Jackson em 1996.
* Whitney foi a única artista com três álbuns a permanecer no topo do Top 200 da Billboard por mais de dez semanas "Whitney Houston" (14 semanas), "Whitney" (11 semanas) e "The Bodyguard" (20 semanas).
* Whitney tem a mais longa estadia no número um da Billboard Top Gospel Albuns Chart, quando "The Preacher's Wife" permaneceu 26 semanas.
* Recorde de 25 Billboard Music Awards vencidos.
* 20 Singles de Ouro e 7 Singles de Platina.
* Álbum Gospel mais vendido da história: "The Precher’s Wife".
* 32 canções no Top 10 da Billboard.
* 19 singles #1 mundialmente.
* Artista Feminina mais premiada da história certificada pelo
Livro Guinness dos Recordes (Guinness World Record) em 2006.
* Artista que mais músicas teve interpretadas no American Idol, com mais de 1.150 das 70.000 audições durante o show da terceira temporada. A canção "I Have Nothing" foi interpretada na final 6 vezes, mais do que qualquer outra.
Ficha técnica:
Direção: Kasi Lemmons Produção: TriStar Pictures / Sony Pictures Distribuição: Sony Pictures Exibição: nos cinemas Duração: 2h26 Classificação: 16 anos País: EUA Gêneros: biografia, musical, drama
Públicos de todas as idades irão se identificar com personagens e situações mostradas nessa divertida e emocionante produção (Fotos: Walt Disney Studios)
Maristela Bretas
Junte um ótimo elenco de dubladores, uma história fantástica com famosos personagens da Disney, um grandalhão desajeitado, mas de um coração enorme e uma garotinha apaixonada por corridas e você tem uma das melhores animações que está em cartaz no cinema: "WiFi Ralph - Quebrando a Internet" ("Ralph Breaks The Internet"). Ela faz rir, chorar, rir novamente e mescla, de maneira excepcional, o mundo dos games antigos (arcade) com os novos e velozes movidos à internet, para agradar a todas as idades, principalmente ao público nerd, que vai identificar conhecidos elementos da World Wide Web.
E foram a curiosidade e a necessidade que levaram Ralph (voz de John C. Reilly) e sua agitada amiguinha Vanellope (Sarah Silverman) à Internet, com tudo o que ela tem de atraente, mas também o lado ruim e distorcido. Somente a Disney para colocar numa animação marcas de produtos, serviços, aplicativos, enfim tudo o que corre na grande Rede, como Google, Facebook, eBay, Amazon, Snapchat, os passarinhos azuis do Twitter, o trenzinho incansável de mensagens do Gmail.
Tem até um sabe-tudo Isso sem falar nos pop-ups, spams, vírus e antivírus. Até mesmo a Deep Web foi lembrada com importante participação. E claro, a área de busca (do Google) com o "KnowsMore" (Alan Tudyk).
Se no primeiro, a disputa ocorreu no mundo dos games arcade, com Ralph deixando de ser o grande vilão e se tornando o herói do Fliperama Litwak, em "WiFi Ralph" a briga fica mais pesada, assim como os jogos. E é por causa do jogo "Corrida Doce", que tem Vanellope como a maior campeã, que a dupla entra nessa aventura. Com o volante do jogo quebrado por uma jogadora do fliperama, a máquina é desativada e em poucas horas será descartada, para desespero dos personagens. A única saída é encontrar um novo volante, só vendido pelo eBay e eles precisam descobrir o que é isso e essa tal de Internet.
Ralph e Vanellope vão enfrentar as mesmas raivas que os usuários enfrentam - a rede caiu, spams e pop-ups pulando a seu redor, o mensageiro avisando que o tempo para o pagamento está acabando, a necessidade absurda de conseguir o maior número de curtidas para se tornar famoso e conseguir vender ou comprar um produto, e por aí vai. Mas a fama trazida pela WWW tem também seu lado cruel - a decepção com os comentários maldosos e as fake news. Yesss (Taraji P. Henson), uma influenciadora e a alma por trás do "Buzzztube", um famoso website que dita tendências e que se torna amiga de Ralph define bem isso - "nunca leia os comentários".
Fãs do mundo geek vão curtir bem essa animação que remete a games antigos e apresenta os novos. O mais temido deles, que seria um similar do "GTA" é o "Slaughter Race" ("Corrida do Caos"), que tem uma líder de gangue forte, poderosa e absoluta - Shank (voz de Gal Gadot). Vanellope, que sempre foi a líder em Corrida Doce, descobre que é deste novo game que sempre sonhou participar e Vai pra pista contra Shank. E se não bastar, que tal misturar "Star Wars" nessa confusão, com seus dubladores oficiais, como Anthony Daniels como C3PO? Ou Baby Groot, na voz de Vin Diesel? Até Buzz Lightyear (Tim Allen) quis fazer parte.
O filme é para toda a família - pais e mães vão se identificar comj situações cotidianas vividas por quem navega na Internet (ou pelo menos tenta, depende da rede). Pode parecer que se trata de um filme apenas de jogos, mas "WiFi Ralph" vai muito além, abordando temas delicados como adoção, realização de sonhos, o velho sendo descartado, o novo (a Internet) dominando as pessoas (em todos os sentidos), colocando inclusive amizades em jogo e os riscos da vida conectada 24 horas.
Novamente a Disney reforça o poder das mulheres, transformando as famosas princesas, antes "dondocas do lar" em personagens batalhadoras, dispostas a uma boa briga e a se unirem para salvar os "homens fortões que precisam de ajuda" (só quem assistir vai entender esta fala). E as vozes de Anna e Elsa (Kristen Bell e Idina Menzel), Mulan (Ming-Na Wen), Moana (Auli'i Cravalho), Mandy Moore (Rapunzel), Irene Bedard (Pocahontas), Bella (Paige OHara), Ariel (Jodi Benson) e várias outras que estão na produção também são de suas dubladoras oficiais.
"WiFi Ralph - Quebrando a Internet" explora muito bem o mundo virtual, de maneira divertida, com muita cor, diálogos engraçados, efeitos visuais incríveis, uma bela trilha sonora e grandes mensagens, principalmente de amizade, o que já era esperado de uma produção do estúdio do castelo. E os diretores Rich Moore e Phil Johnston reforçam esse sentimento o tempo todo, entre os velhos e novos integrantes da história.
Com certeza, este segundo filme é ainda melhor que o primeiro - "Detona Ralph" (2012) - e merece estar na disputa de vários prêmios na categoria de Melhor Animação, concorrendo com "Homem-Aranha no Aranhaverso" (que já faturou vários) e "Os Incríveis 2". Imperdível.
Ficha técnica: Direção: Rich Moore / Phil Johnston Produção: Walt Disney Animation Studios Distribuição: Disney/Buena Vista Duração: 1h54 Gêneros: Animação / Aventura / Comédia / Família País: EUA Classificação: 6 anos Nota: 4,5 (0 a 5)
Klara Castanho, Maísa Silva e Mel Maia formam o trio de amigas inseparáveis que têm o mesmo sonho: conhecer sua banda preferida (Fotos: Globo Filmes/Divulgação)
Maristela Bretas
A história é bem simples, sem muitas reviravoltas e o diretor Bruno Garotti entrega o que propõe. "Tudo Por Um Pop Star" é um filme para fãs de 8 a 12 anos das atrizes principais, em especial Maísa Silva, do SBT. Ela é Gabi, que mora no interior do Rio de Janeiro e tem como melhores amigas as jovens Manu (Klara Castanho) e Ritinha (Mel Maia). As três são apaixonadas pela banda pop masculina Slavabody Disco Disco Boys, febre entre as mocinhas de todo o Brasil. Até que um dia, o grupo anuncia que irá tocar no Rio de Janeiro e elas resolvem fazer de tudo para que seus pais permitam que assistam ao show.
Entre peripécias, mensagens gravadas em vídeo e muita confusão, as jovens fazem tudo o que se espera de uma fã que quer conhecer e ficar perto de seu ídolo. E vão viver uma grande aventura, com direito a todos os clichês possíveis de um filme para adolescentes. Mas sem apelações, o que difere de muitas produções atuais para esta faixa de público. "Tudo Por Um Pop Star" é baseado no livro homônimo da escritora Thalita Rebouças, autora do sucesso "Fala Sério, Mãe" (2017) e que escreveu o roteiro do filme.
Como boas fãs, as três vivem (e sofrem) por seus ídolos, uma banda que tem um cantor brasileiro entre seus integrantes, papel de João Guilherme Ávila - fraquinho demais como ator. O destaque fica mesmo para as três jovens que passam a sensação de serem amigas de verdade. Há sintonia no trio e isso ajuda a segurar o filme, que tem uma história que é puro clichê e todos sabem como vai acabar, mas que deverá encantar e atrair uma legião de fãs às salas de cinema a partir desta quinta-feira.
O lado cômico de "Tudo Por Um Pop Star" fica por conta de Giovanna Lancellotti, que interpreta Babete, a prima hippie de Manu que leva o trio para ver o show no Rio. E o youtuber Felipe Neto, no papel do youtuber chiliquento Billy Bold, que critica o tempo todo banda teen e seus seguidores. A trilha sonora tem sucessos conhecidos, alguns interpretados pela Slavabody, como "Sing", de Ed Sheeran.
O roteiro foca mesmo é na mensagem de que a amizade está acima de tudo e que vale a pena correr atrás de um sonho, por mais impossível que ele possa parecer. Não espere nada além dessa comédia romântica nacional com cara de novela para adolescentes.
Ficha técnica: Direção: Bruno Garotti Produção: Panorâmica Filmes / Globo Filmes / Fox Films do Brasil/ Telecine Distribuição: Paris Filmes / Downtown Filmes Duração: 1h30 Gêneros: Comédia / Romance País: Brasil Classificação: Livre Nota: 2,5 (0 a 5)
George Clooney é refém de Jack O'Connell em suspense transmitido ao vivo (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)
Maristela Bretas
Jodie Foster aposta em novo drama, explorando desta vez o universo do novo jornalismo/espetáculo que vem dominando as emissoras de TV do mundo inteiro. Os apresentadores estão mais para atores de um programa de domingo à tarde do que de um noticiário. A própria notícia mudou de cara, que o ator George Clooney soube mostrar bem no filme "Jogo do Dinheiro" ("Money Monster").
A notícia sobre a cotação do dólar e a situação das bolsas de valores pelo mundo fica em segundo plano e o destaque é o espetáculo de Lee Gates (papel de Clooney), o apresentador do programa de TV "Money Monster". Ele dá dicas sobre o mercado financeiro mesclando com performances típicas de um pop star. Faz do noticiário um verdadeiro circo ao vivo envolvendo os telespectadores de tal forma que os faz investir suas economias no que indicar. Muito parecido com o que vemos hoje em vários programas diários de nossas emissoras.
A diretora soube conduzir bem a trama, que ganha força com invasão do cenário pelo desconhecido Kyle Budwell (Jack O'Connell), um homem que perdeu tudo após acreditar nas dicas do apresentador. Armado ele obriga Gates a vestir um colete de explosivos e ordena que a transmissão continue para que o público veja como é enganado pelo contrário. A produtora Patty Fenn (Julia Roberts), apesar do risco que Gates está correndo, aposta na audiência da transmissão e deixar correr toda a negociação ao vivo. E vê os índices subirem vertiginosamente. George Clooney está ótimo como o apresentador-showman, que faz de tudo para atrair a atenção do público. Ele usa uma linguagem apelativa e "tosca" para falar de investimentos, se vestindo de boxeador, tocando sinetas e colocando artes chamativas. Chega a ser cômico em muitos momentos, mesmo quando está sob a mira de uma arma e prestes a explodir.
Julia Roberts e Jack O'Connell completam bem o quadro de programa verdade (só que não!). Ela é a produtora que usa e abusa dos recursos da TV manipulando imagens, a disposição das câmeras pelo melhor ângulo e o que Gates deve falar. Ele é o inocente rapaz lesado pelo sistema financeiro que acaba se transformando em ídolo para o público e o motivo para se chegar ao que poderia se transformar num grande furo de reportagem com uma denúncia de fraude de um grande conglomerado financeiro. "Jogo do Dinheiro" prende desde o início, é ágil e envolve o espectador, mas enfraquece um pouco no final. Mesmo assim, merece ser visto por sua composição que mescla momentos de drama, de comicidade, de manipulação da informação e do publico. E principalmente pela atuação do elenco principal. O filme está sendo exibido em oito salas de oito shoppings de BH e Contagem, em sessões dublada e legendada.
Ficha técnica: Direção: Jodie Foster Produção: Village Roadshow Productions / Smoke House Productions / TriStar Pictures Distribuição: Sony Pictures Duração: 1h39 Gêneros: Suspense / Drama País: EUA Classificação: 14 anos Nota: 4 (0 a 5)
"Zoolander 2" reúne personalidades do mundo pop
star numa comédia confusa (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)
Maristela Bretas
Justin Bieber assassinado? Estrelas de Hollywood e da música
sendo mortos sem explicação? O que está acontecendo? Quem poderá ajudar a
polícia a capturar este "pop star serial killer"? Todas essas perguntas poderiam fazer parte do
enredo de um bom filme policial. Mas é o enredo de "Zoolander 2", uma
continuação que não tem a mesma graça do primeiro, que deu muito certo.
Apesar de a dupla de comediantes Ben Stiller e Owen Wilson
funcionar como um relógio - um bom exemplo é "Zoolander" (2001) e a trilogia
"Uma Noite no Museu", o segundo filme deixa a desejar. Além deles
outros grandes nomes compõem o novo elenco, incluindo a bela Penélope Cruz, no
papel de uma detetive ex-modelo de moda praia, e Will Ferrell, que volta como o
vilão Mugatu. Novamente Stiller é o diretor e um dos produtores e roteiristas
da produção, que não ficou barata pela quantidade de coadjuvantes.
Como se não bastasse o time principal, o elenco conta ainda
com nomes conhecidos como Benedict Cumberbatch (um top model andrógino),
Kristen Wiig (como Alexanya Atoz, que mais parece a Donatella Versace
melhorada), Kiefer Sutherland, Billy Zane e uma dezena de atores, modelos e
cantores. Destaque para a participação
do cantor Sting, que só vai aparecer a partir da metade do filme para esclarecer
alguns mistérios das duas histórias.
Isso sem contar o desfile de personalidades do mundo da moda
internacional, como os estilistas Valentino, Tommy Hilfiger, Marc Jacobs e
Alexander Wang. Segundo as revistas de fofocas, alguns deles teriam implorado
para fazer uma "ponta" em Zoolander 2" apenas para ganharem
visibilidade nas redes sociais.
Mas afinal, o que tem de especial em Zoolander 2"?
Nada, a não ser uma continuação da história do modelo muito, muito, muito
bonito Derek Zoolander (Ben Stiller) e seu ex-inimigo Hansel (Owen Wilson). O
filme começa com uma grande perseguição em Roma e a morte (pena que de
mentira), do cantor Justin Bieber. Antes de morrer, ele posta no Instagram uma
foto com o famoso "biquinho" blue steel, marca registrada de Derek Zoolander.
Além dele, outros astros da música pop são assassinados e
antes de morrerem fazem a mesma cara idiota. Somente Derek e Hansel poderão
ajudar a bela detetive da Divisão de Crimes de Moda e ex-modelo de moda praia
Valentina Valência (Penélope Cruz) a desvendar os crimes.
Zoolander vai aproveitar a oportunidade de voltar às
passarelas, ao lado de Hansel, para retomar o contato com o filho Derek Júnior
(Cyrus Arnold), agora adolescente, e que se torna o alvo de criminosos. A dupla
aceita o convite de Alexanya Atoz (Kristen Wiig) dona da marca mais badalada da
atualidade, para fazer um novo desfile. O que eles não sabem é que tudo não passa
de um plano maquiavélico comandado por Mugatu (Will Ferrell), antigo inimigo da
dupla.
Mas nem o marketing violento pelas passarelas e principais cidades do mundo da moda foi suficiente para fazer de "Zoolander
2" mais um sucesso sob a direção de Stiller.
O filme satiriza o estrelismo do mundo da moda, tira
"sarro" com o exagero de exposição que vivem os personagens deste
mundo, mas fica nisso. Muitas caras e bocas para pouco riso, que é o que se
espera em uma comédia. Deixou a desejar.
O filme pode ser conferido em 12 salas de oito shoppings de
BH, Betim e Contagem, em sessões dubladas e legendadas.
Ficha técnica Direção, roteiro e produção: Ben Stiller