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23 agosto 2022

“Não! Não Olhe!” mistura elementos de diferentes gêneros e é carregado de referências

Novo longa do diretor Jordan Peele repete a excelente parceria com ator Daniel Kaluuya (Fotos: Universal Pictures)


Carolina Cassese
Blog no Zint Online



É difícil segurar a expectativa quando se trata de algum trabalho assinado por Jordan Peele. Com o sucesso do inovador “Corra” (2017), o diretor logo se tornou uma referência por desenvolver um terror (ou thriller, como alguns preferem caracterizar) repleto de simbologias e críticas sociais. 

Dois anos depois, ele lançou “Nós”, longa que muitos consideram ter sido injustamente esnobado por premiações como o Oscar, por exemplo. Neste ano de 2022, mais um longa do diretor chega nesta quinta-feira (25) aos cinemas: “Não! Não Olhe!” (“Nope”), que mistura elementos de western, terror, suspense e ficção científica.


Assim como no longa “Corra”, em “Não! Não Olhe!” também temos Daniel Kaluuya como protagonista, que dessa vez interpreta O.J. Haywood, um treinador de cavalos para uso em filmes e comerciais de televisão. 

Depois que seu pai morre em circunstâncias bizarras, O.J. herda o rancho e logo se junta a sua irmã, Emerald, interpretada por Keke Palmer. Quando, de repente, o céu está com uma aparência esquisita sobre o rancho Haywood, os irmãos se unem para formar uma aliança defensiva amadora.


Se em “Corra” nosso protagonista é um “outsider” que precisa lidar com uma família aparentemente tradicional e conservadora, em “Nós” os “intrusos” são literalmente cópias (assustadoras) dos nossos protagonistas. Já no filme “Não! Não Olhe!”, os outsiders realmente vêm de muito, muito longe e não se assemelham em nada com os protagonistas.


Vale aqui pontuar a presença dos dois atores principais, Kaluuya e Palmer, que realmente entregam uma ótima dupla de irmãos. Boa parte da comédia do filme deriva justamente da dinâmica entre eles, ao passo que ambos também estão excelentes nas cenas de terror, quando o tal invasor começa a de fato “atacar”. O ritmo do longa também é digno de elogios, já que realmente nos sentimos imersos na narrativa e cada ato cumpre com o seu propósito.

Como também ocorre nos dois primeiros filmes de Peele, são possíveis várias interpretações acerca da obra. Há diversas referências ao próprio fazer cinematográfico, como o contraste de imagens (digitais e ópticas) e a onipresença de câmeras - um dos personagens é, inclusive, um jovem que trabalha com vigilância eletrônica. 


Além disso, há uma série de alusões a eventos que marcaram a história do cinema, como o acidente no set de “Twilight Zone: The Movie” (1982). O olhar é outro elemento importante para o entendimento: a única maneira de não ser devorado pelo monstro é evitar olhar diretamente para ele.

Em diferentes momentos do longa, podemos observar ainda a maneira em que os humanos tentam domar criaturas consideradas como “inferiores” por essa sociedade. Há uma alerta: após tanto abuso, é esperado que alguns desses bichos se revoltem. 


Em entrevista ao veículo The Wrap, o diretor pontua que os animais são como um lembrete de como exploramos os bichos e a natureza. “Este filme, em sua essência, é sobre espetacularização e exploração”, disse. Há possíveis leituras, ainda, a respeito da universalidade do racismo.

Numa época em que grandes empresários realizam uma corrida espacial, é difícil até mesmo falar da vida fora do planeta sem esbarrar em algum tema social. Como pontuou Peele, não faltam inspirações da vida real para seus trabalhos: “O mundo me dá coisas horríveis para interpretar”.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Jordan Peele
Produção: Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h10
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: terror / suspense / western /  ficção

18 maio 2017

"Corra!" aposta no terror para alfinetar o preconceito racial

Daniel Kaluuya é o jovem que passa por momentos terríveis durante sua visita à casa dos pais de sua namorada branca (Fotos: Universal Pictures /Divulgação)

Maristela Bretas


"Corra!" ("Get Out") é uma trama bem estruturada, com doses equilibradas de suspense, terror e comicidade. Em sua primeira experiência como diretor, o ator e comediante Jordan Peele soube juntar tudo isso para cutucar a ferida do preconceito racial da sociedade norte-americana. Um tema que conhece bem e do qual soube tirar o diferencial para sua produção para que não fosse apenas mais uma do gênero terror. Ele inclusive inseriu nos diálogos frases de racismo velado, como por exemplo, "Eles (os pais de Rose) não são racistas" ou "Meu pai teria votado no Obama pela terceira vez".

A escolha do ator britânico Daniel Kaluuya (da série "Black Mirror") para viver o fotógrafo Chris Washington foi muito boa. Ele incorpora o personagem, feliz por estar com sua amada, mas sempre receoso com a maneira como todos se comportam quando está por perto. O jovem passa o tempo trabalhando a questão de sua cor, o que fica claro em suas fotografias em preto e branco. E acha estranho quando todos se mostram "normais" com sua relação interracial com uma garota branca. O personagem sai de sua zona de conforto ao ser hipnotizado para viver a mais bizarra experiência de sua vida. E Kaluuya transita muito bem por todas essas mudanças e dá seu recado.

Também em ótima interpretação estão Bradley Whitford e Catherine Keener, como Dean e Missy Armitage, os pais simpáticos e receptivos de Rose (Allison Williams, da série "Girls"), cujo personagem tem papel fundamental na conexão da história. Destaque para Milton "Lil Rel" Howery, que oferece os momentos engraçados da trama como Rod Williams, amigo e confidente de Chris que trabalha como agente de segurança da TSA no aeroporto.

No elenco estão ainda Caleb Landry Jones no papel de Jeremy, irmão de Rose, que provoca Chris desde que se conhecem; Stephen Root como Jim Hudson, um comerciante de arte que simpatiza com o fotógrafo; Betty Gabriel e Marcus Henderson, que fazem a empregada e o caseiro negros da família Armitage e estão assustadoramente bem. Assim como Lakeith Stanfield, que interpreta Logan King, um jovem negro que vai à reunião familiar e parece um tanto perdido com sua esposa branca idosa.

Dirigido por Jordan Peele, o longa é produzido pela Blumhouse, responsável por sucessos como “Fragmentado”, “A Visita” e a série “Atividade Paranormal”. O diretor conta que fez um roteiro provocativo, dando seu toque ao gênero de thriller e horror. "Definitivamente é como os EUA lidam com o racismo e a ideia de que racismo em si é um demônio”. Veja abaixo a entrevista:


No filme, Chris é um fotógrafo que visita pela primeira vez à casa dos pais de Rose Armitage, sua namorada branca, e tem certo receio por ela não ter avisado que ele é negro. Ao chegarem, o casal descobre que não se trata de um fim de semana comum, mas a tradicional festa anual de jardim do avô falecido de Rose e que conta com a presença de moradores ilustres da comunidade. Aos poucos, Chris percebe que o comportamento exageradamente hospitaleiro da maioria dos presentes e a forma reprimida dos dois empregados negros da casa escondem uma verdade assustadora.

Se o peso na importância de cada um dos integrantes do elenco foi acertado, o mesmo não se pode dizer dos clichês, mas nada que comprometa. A duração do filme, no entanto poderia ser menor, pois as intenções dos personagens ficam claras nos primeiros 40 minutos, quando o terror e o suspense dominam a tela. O restante foi para ganhar o tempo até chegar a um final muito bom. E pelo visto, a proposta do diretor deu muito certo - "Corra!" já atingiu a marca de US$ 200 milhões de bilheteria em todo o mundo e está entre os 10 filmes de terror mais rentáveis da história do cinema. Vale a pena conferir.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Jordan Peele
Produção: Blumhouse
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h44
Gêneros: Suspense / Terror
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #Corraofilme #suspense #terror #relacaointerracial #preconceitoracial #DanielKaluuya #AllisonWilliams #CatherineKeener #BradleyWhirford #LilRelHowery #JordanPeele #Blumhouse #UniversalPictures #CinemanoEscurinho

05 março 2018

Oscar 2018: "A Forma da Água" confirma previsões e é escolhido o Melhor Filme

Ficção dirigida por Guillermo Del Toro conta a história de uma funcionária muda que se apaixona por um ser aquático preso no laboratório onde ela trabalhava (Fotos: Divulgação)

Maristela Bretas


Sem grandes gafes e marcada por discursos fortes a favor da igualdade de gênero, valorização da mulher, do negro e da diversidade, a 90ª Edição do Oscar, promovida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood entregou a estatueta de Melhor Filme de 2018 à produção "A Forma da Água", de Guillermo del Toro, também escolhido como Melhor Diretor. O filme ainda conquistou outras duas estatuetas - Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção - das 13 indicações que disputava. "Dunkirk" foi o segundo maior premiado, com três estatuetas, todas técnicas: Melhor Edição, Edição de Som e Mixagem de Som.

"Dunkirk"
Pela segunda vez, o comediante norte-americano Jimmy Kimmel foi o mestre de cerimônia da festa, celebrada no Teatro Dolby, em Los Angeles (Califórnia, EUA). Kimmel contou histórias e fez piadas sobre os candidatos e o presidente Donald Trump, e relembrou que o ano de 2017 foi marcado pelos escândalos de denúncias contra o assédio sexual em Hollywood. A abertura, feita em preto e branco, lembrou grandes produções premiadas com o Oscar nos últimos 90 anos. O cenário era semelhante a um grande diamante.

Sam Rockwell - "Três Anúncios Para um Crime"
O primeiro prêmio entregue foi o de Melhor Ator Coadjuvante e contou com uma montagem mostrando os maiores premiados em todos os anos nesta categoria. Viola Davis entregou a estatueta a Sam Rockwell, de "Três Anúncios Para um Crime", que já havia conquistado também o Globo de Ouro.

Gal Gadot e Armie Hammer apresentaram a categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo, prêmio entregue a "O Destino de Uma Nação", pelo trabalho feito em Gary Oldman. Na sequência, "Trama Fantasma" ganhou em Melhor Figurino. Laura Dern e Saoirse Ronan entregaram a estatueta para "Ícaro" como vencedor de Melhor Documentário em Longa-Metragem, que critica a corrupção e o maior esquema de doping montado pela Rússia nos Jogos Olímpicos.

Gary Oldman - "O Destino de Uma Nação"
Taraji P. Henson, de "Estrelas Além do Tempo" chamou ao palco Mary J. Blige para interpretar a primeira música das concorrentes a Melhor Canção Original - "Mighty River", do filme "Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi". O prêmio de Melhor Documentário em Longa-Metragem foi para "Ícaro". Uma linda edição de cenas dos vencedores do Oscar nestes 90 anos serviu de gancho para o anúncio das categorias de Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som, premiações conquistadas por "Dunkirk". 

"Me Chame pelo Seu Nome"
A segunda música apresentada foi "Remember Me", da animação Disney/Pixar "Viva - A Vida é uma Festa", de autoria de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez. A canção foi interpretada em duas versões - por Gael Garcia Bernal e Natalia La Fourcade. "Mystery of Love", do filme "Me Chame Pelo Seu Nome", de autoria de Surjan Stevens, foi a terceira canção a ser apresentada.

Allison Janney - "Eu, Tonya"
A veterana atriz Rita Moreno chegou arrasando para apresentar o Melhor Filme Estrangeiro, que ela comemorou ao entregar a estatueta para o chileno "Uma Mulher Fantástica". Grandes atrizes foram lembradas na edição feita para anunciar a vencedora na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Mahershala Ali (escolhido como Melhor Ator Coadjuvante em 2017 por "Moonlight: Sob a Luz do Luar") chamou ao palco Allison Janney, pelo excelente trabalho em "Eu, Tonya".

"Viva - A Vida é Uma Festa"
O simpático robozinho BB8, Mark Hamill, Oscar Isaac e Kelly Marie Tran anunciaram a categoria de Melhor Curta em Animação, premiação conquistada por "Dear Basketball", de Glen Keane e do astro basquete mundial Kobe Bryant. O jogador recebeu o prêmio e agradeceu a família e a John Williams pela trilha sonora. O elenco de "Star Wars - Os Últimos Jedi" entregou também o prêmio de Melhor Animação para "Viva - A Vida é uma Festa".

"Blade Runner 2049"
Gina Rodrigues e Tom Holland foram os responsáveis por entregar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais aos representantes de "Blade Runner 2049". Matthew McConaughey anunciou "Dunkirk" como o vencedor por Melhor Montagem. O diretor do filme Christopher Nolan cumprimentou Lee Smith pela vitória.

"Dunkirk"
Vários atores e atrizes fizeram uma surpresa ao público que estava numa sala de cinema ao lado do local da entrega do Oscar. Os primeiros a entrarem foram Jimmy Kimmel e Gal Gadot, que enlouqueceram a plateia e agradeceram a todos aqueles que vão ao cinema. Mark Hamill, Guillermo Del Toro e outras celebridades entregaram balas, cachorros quentes e brindes. 

Um dos espectadores chamou as apresentadoras que anunciaram "Heaven is a Traffic Jam on the 405" como Melhor Documentário em Curta-Metragem e "The Silent Child" como Melhor Curta Metragem. Na sequência, a apresentação da quarta canção que disputa o Oscar 2018 - "Stand Up for Something", de Diane Warren e Lonnie R. Lynn, tema do filme "Marshall". Chadwick Boseman e Margot Robbie entraram para entregar a "Me Chame Pelo Seu Nome" de James Ivory, o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. 

Jordan Peele - "Corra!"
O diretor Jordan Peele recebeu das mãos de Nicole Kidman a estatueta de Melhor Roteiro Original por "Corra!". Ele foi o primeiro negro a vencer nesta categoria. Mantendo a política de diversidade, a Academia convidou Wes Studi, ator de origem da tribo indígena cherokee para apresentar o especial homenageando os militares norte-americanos que serviram pelo mundo, como ele. 

Sandra Bullock, com uma plástica no nariz que parecia Lorde Voldemort, de Harry Potter, anunciou "Blade Runner 2049" como vencedor na categoria Melhor Fotografia. O responsável Roger Deakins recebeu o prêmio. A última canção a ser apresentada foi "This is Me", do filme "O Rei do Show", composta por Benj Pasek e Justin Paul e interpretada na cerimônia pela cantora e atriz da Broadway Keala Settle.

"Remember Me" - "Viva - A Vida é uma Festa"
O veterano Christopher Walken foi aplaudido de pé ao anunciar a Melhor Trilha Sonora Original para "A Forma da Água", representado por Alexandre Desplat. Na sequência, "Remember Me", de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, tema da animação de "Viva - A Vida é uma Festa" foi escolhida como Melhor Canção Original.

Jennifer Garner apresentou o quadro In Memoriam que homenageia as pessoas ligadas ao cinema que morreram em 2017, incluindo Jerry Lewis. Emma Stone, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz em 2016 por "La La Land", anunciou Guillermo del Toro como Melhor Diretor por "A Forma da Água". Para anunciar o vencedor de Melhor Ator, Jane Fonda e Helen Mirren falaram das mudanças no mundo e chamaram ao palco Gary Oldman, pelo papel de Winston Churchill em "O Destino de Uma Nação".

Frances McDormand - "Três Anúncios Para um Crime"
Nova montagem com filmes protagonizados por grandes atrizes foi a chamada para a entrega da estatueta de Melhor Atriz. Jodie Foster, de muletas, e Jennifer Lawrence, brincaram com Meryl Streep como se ela fosse a causadora. A escolhida foi Frances McDormand, protagonista de "Três Anúncios Para um Crime". Ela dedicou seu prêmio às mulheres que foram indicadas a todas as categorias do Oscar 2018.

"A Forma da Água"
A dupla Faye Dunaway e Warren Beatty foi perdoada pela gafe do ano passado quando anunciou "La La Land" como o filme vencedor do Oscar 2017, quando o correto era "Moonlight". Desta vez, Beatty não repassou o envelope a sua parceira de palco e ainda confirmou por mais de uma vez o nome do vencedor "A Forma da Água" como o Melhor Filme de 2018. O diretor subiu ao palco para receber a premiação acompanhado de parte do elenco e produção e agradeceu a todos, encerrando a cerimônia.

Vencedores do Oscar 2018. Clique nos links para ler as críticas da turma do Cinema no Escurinho

Melhor Filme - "A Forma da Água"
Melhor Diretor - Guillermo del Toro ("A Forma da Água")
Melhor Ator - Gary Oldman ("O Destino de Uma Nação")
Melhor Atriz - Frances McDormand ("Três Anúncios Para um Crime")
Melhor Ator Coadjuvante - Sam Rockwell ("Três Anúncios Para um Crime")
Melhor Atriz Coadjuvante - Allison Janney ("Eu, Tonya")
Melhor Roteiro Adaptado - "Me Chame Pelo Seu Nome" (James Ivory)
Melhor Roteiro Original - "Corra!" (Jordan Peele)
Melhor Filme Estrangeiro - "Uma Mulher Fantástica" (Chile)
Melhor Design de Produção - "A Forma da Água"
Melhor Maquiagem e Cabelo - "O Destino de Uma Nação"
Melhor Figurino - "Trama Fantasma"
Melhor Fotografia - "Blade Runner 2049" (Roger Deakins)
Melhor Trilha Sonora Original - "A Forma da Água" (Alexandre Desplat)
Melhor Canção Original - "Remember Me" ("Viva - A Vida é uma Festa") 
Melhor Edição de Som - "Dunkirk"
Melhor Mixagem de Som - "Dunkirk"
Melhor Montagem - "Dunkirk"
Melhor Animação - "Viva - A Vida é uma Festa"
Melhor Curta em Animação - "Dear Basketball" 
Melhores Efeitos Visuais - "Blade Runner 2049"
Melhor Documentário em Longa-Metragem - "Ícaro"
Melhor Documentário em Curta-Metragem - "Heaven is a Traffic Jam on the 405"
Melhor Curta-Metragem - "The Silent Child"

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21 março 2019

"Nós" - o mais selvagem, provocante e espetacular terror psicológico do diretor Jordan Peele

Lupita Nyong'o é o destaque do filme, entregando personagens antagônicos com perfeição (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Assustador, tendo, surpreendente do início e especialmente o fim, "Nós" ("Us"), dirigido, roteirizado e produzido pelo excelente Jordan Peele ("Corra!"), é de prender na cadeira e deixar o espectador incomodado. Uma verdadeira aula de psicologia sobre o outro lado do ser humano, mesclando mitologia, terror e suspense na medida certa, mesmo nas cenas mais violentas. Ou seja, o conjunto da obra é impecável, colocando a produção como uma das melhores do gênero dos últimos anos.

Peele acertou em todos os pontos, especialmente na escolha da premiada Lupita Nyong'o como Adelaide e sua versão Red, que deu o toque assustador à trama, unindo os pontos isolados que aparecem no início do longa. A pacata dona de casa Adelaide, que guarda um segredo de infância, é confrontada pela macabra Red, sua imagem e semelhança, de perfil doentio e assassino. E Lupita dá uma interpretação assustadoramente perfeita para ambas, merecedora de um Oscar em 2020. 

O restante do elenco também entrega um excelente trabalho nas versões originais e duplas - Winston Duke, faz o papel de Gabe, marido de Adelaide e Abraham (a cópia), garantindo a parte cômica do filme com seus comentários sem propósito nas horas erradas, Também os jovens atores Shahadi Wright Joseph, como Zora e Umbrae, e Evan Alex, interpretando Jason e o vermelho Pluton, dão show de interpretação nos dois papéis. O elenco conta também com os veteranos Elisabeth Moss e Tim Heidecker, como o casal de amigos e vizinhos Kitty e Josh Tyler.

Ao jornal The Hollywood Reporter, Jordan Peele contou que sua intenção com o filme era criar uma mitologia de monstro e analisar um tipo diferente de terror. “Era muito importante pra mim ter uma família negra no centro de um filme de terror. Mas também é importante notar que, ao contrário de 'Corra!', 'Nós' não é sobre racismo. Ao invés disso, é sobre algo que eu acho que se tornou uma verdade inegável. E é o simples fato de que nós somos nossos próprios piores inimigos”, afirmou.

Fotografia e trilha sonora também são destaques em "Nós", com o diretor empregando raps em momentos tranquilos da família e música clássica nas horas de maior tensão, uma mudança do convencional que agrada. Além do roteiro que explora os medos, traumas e o lado sombrio de cada um. Chega a dar um nó na cabeça de quem está no cinema sobre até onde tudo o que está acontecendo é verdade ou uma grande alucinação? Até que ponto escondemos uma versão violenta que pode se manifestar quando a nossa sobrevivência está em jogo?

Na trama, Adelaide e Gabe decidem levar o casal de filhos para passar um fim de semana em uma casa de veraneio na praia. Aproveitam o dia com o amigos Kitty e Josh Tyler e as gêmeas do casal. Adelaide não se sente bem ao voltar á cidade onde na infância sofreu um grande trauma. Mas será à noite que todos os seus medos virão à tona, quando passam a ser perseguidos por um grupo macabro, exatamente igual a ela e sua família, mas com deformidades nos rostos. Usando macacões vermelhos e tesouras douradas, a única intenção dos duplos é acabar com as versões originais bonitinhas e perfeitas.

A partir daí, cada peça de um imenso quebra-cabeça que começou a ser formado no início do filme vai se encaixando, permitindo ao público criar sua própria opinião sobre o que está ocorrendo e o que esperar do final. Surpreendente, imperdível e perturbador, "Nós" é uma reflexão sobre o eu de cada. Dificilmente terá neste ano um concorrente á altura neste gênero. 


Ficha técnica:
Direção: Jordan Peerle
Produção: Universal Pictures / Blumhouse Pictures
Distribuição: Universal Pictures 
Duração: 1h56
Gêneros: Terror / Suspense
País: EUA
Classificação: 18 anos
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #Nos, #Us, #LupitaNyongo, #JordanPeele, #WinstonDuke, #ShahadiWrightJoseph, #terror, #suspense, #UniversalPictures, #BlumhousePictures, #EspaçoZ, #cineart_cinemas, #cinemaescurinho

22 fevereiro 2018

"Pantera Negra" apresenta bem o super-herói negro da Marvel e valoriza a força das mulheres

Adaptação dos quadrinhos, produção explora a luta entre o bem e o mal com outra perspectiva (Fotos: Walt Disney/Marvel/Divulgação)


Maristela Bretas


O filme apresentou muito bem o super-herói negro de um país imaginário na África, que quase parece o reino de Asgard, de Thor. Mas são as mulheres que fazem a diferença em "Pantera Negra" ("Black Panther"), a superprodução da Marvel Studios que muda a cara de tudo o que foi apresentado no cinema desde o lançamento de "Os Vingadores" em 2012. Se nos filmes dos demais super-heróis a aposta tem sido nas batalhas e poderes dos integrantes do famoso grupo, em "Pantera Negra" a força está na discussão política, na valorização do negro e na importância das mulheres para que este herói exista.

O príncipe T'Challa (Chadwick Boseman), que incorpora o personagem Pantera Negra ao assumir o reino de Wakanda, seria só mais um sem as fortes mulheres a sua volta: a irmã Shuri (Letitia Wright, da série de TV "Black Mirror"), que coordena a área tecnológica do país e cria seus trajes e "brinquedinhos" de combate ao crime; Nakia (a sempre excelente Lupita Nyong'o, de "12 Anos de Escravidão"- 2014 e StarWars VII e Star Wars VIII), grande paixão de T´Challa; e Okoye (Danai Gurira, da série de TV "The Walking Dead"), a arrasadora guerreira e chefe da guarda de Wakanda. Elas são a força, a inteligência, o poder e a essência de Wakanda e da história de "Pantera Negra".

O herói Pantera Negra já havia aparecido em "Capitão América: Guerra Civil" (2016) e estará de volta em "Os Vingadores - Guerra infinita", com estreia marcada para 26 de abril. E Chadwick Boseman ("Deuses do Egito" - 2016) incorporou bem o papel e deixa sua marca em personagem que é o diferencial. Mas fica em segundo plano quando contracena com alguma das mulheres fortes de sua vida.

Outro com ótima participação foi Michael B. Jordan ("Creed - Nascido para Lutar" - 2016, do mesmo diretor Ryan Coogler), que não chega a ser um vilão, uma vez que luta para que o povo africano seja respeitado pelo restante do mundo. Mas prefere o conflito armado para impor seu poder, ao contrário do novo rei que adota a negociação, como seu pai. 

Mas vilão mesmo é Andy Serkis (o intérprete do gorila Cesar, de "Planeta dos Macacos - A Guerra" - 2017), que está ótimo como o mercenário Ulysses Klaue. Ele é cruel, sem escrúpulos, racista, machista,com uma risada que beira a histeria. Merecia ter mais tempo no filme. No elenco estão também outros ótimos nomes conhecidos como Daniel Kaluuya (que concorre ao Oscar 2018 de Melhor Ator por "Corra!" - 2017), Martin Freeman (“O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos" - 2014), Forest Whitaker ("A Chegada"- 2016) e Angela Bassett (da série de TV "American Horror Story").

"Pantera Negra" é um filme de super- herói onde o branco não tem voz. E a produção soube explorar muito bem os figurinos, a trilha sonora e a fotografia, com belíssimas paisagens e locações deste novo universo Marvel. E a questão política e racial é o forte do enredo, mostrando que nem Wakanda escapa desta ferida. Enquanto o restante da África sofre com guerras, fome e abandono, o reino de T´Challa está isolado e protegido sob uma capa invisível, mantendo seus rituais e dividido em tribos que tentam preservar suas origens, tirando proveito dos benefícios que o vibranium, um material raro, pode proporcionar.

Na história, o príncipe T'Challa assume a coroa de Wakanda após a morte do rei, seu pai, e se transforma no novo Pantera Negra, guardião do reino. Das cinco tribos, apenas os jabari não apoiam o novo governo. A nova missão do Pantera Negra é encontrar e levar para Wakanda o mercenário Ulysses Klaue, que anos atrás roubou uma grande quantidade de um metal raro, o vibranium. Ele terá ao seu lado nesta luta, as guerreiras Okoye e Nakia, além da irmã, especialista em tecnologia avançada. E terá de enfrentar outros inimigos ainda mais perigosos para preservar Wakanda e evitar uma guerra mundial.

"Pantera Negra" vale muito a pena. Assisti duas vezes - como um filme de super-herói Marvel, que eu gosto bastante, e como uma produção preocupada em fazer uma abordagem mais séria, destacando a força das mulheres e, principalmente dos negros. Em vários países, principalmente na África, de onde saíram alguns atores como Lupita Nyong'o foram muitas as manifestações de orgulho ao herói negro após as sessões. Wakanda Forever! Como postou meu amigo Marcelo Seabra em sua crítica no blog "O Pipoqueiro", "Pantera Negra" chegou fazendo história. 



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Ryan Coogler
Produção: Marvel Studios / Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney/ Buena Vista
Duração: 2h15
Gêneros: Ação / Aventura / Ficção / Fantasia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4,2 (0 a 5)

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13 setembro 2017

"Amityville - O Despertar" é uma colcha de retalhos fraca e sem criatividade

Produção tenta explorar novamente a história da casa mal-assombrada que ainda existe no vilarejo norte-americano (Fotos: Dimension Films/Divulgação)

Maristela Bretas


Mais um filme de terror sobre a famosa casa mal-assombrada de Amityville, que já recebeu diversas versões. A melhor delas seria a de 1979 - "Horror de Amityville", com James Brolin e Margot Kidder. Mas a cada produção, parece que os roteiristas só vão piorando a qualidade e entregando material que nem deveria sair do papel. É o caso de "Amityville - O Despertar" ("Amityville: The Awakening"), que entra em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira e pode ser colocado na categoria daqueles que não valem gastar com o ingresso.

O filme pode até tentar aproveitar a temporada de terror que está nas salas de cinema, alguns ótimos, como "It - A Coisa" e "Annabelle 2 - A Criação do Mal", outros nem tanto. Mas está anos-luz de ser uma boa produção. Ele é fraco, sem impacto, cheio de clichês e ainda usa cenas da versão de 1979 e imagens do livro "Horror em Amityville - A Verdadeira História", de Jay Anson, para explicar o que aconteceu na casa mal-assombrada.


O diretor e roteirista Franck Khalfoun não teve criatividade. Chega a ser ridícula a história: todo mundo na cidade sabe a tragédia e os casos de moradores que foram mortos ou fugiram do local por causa de uma entidade do mal que lá habita. Mas os novos moradores se mudam sem conhecimento dos fatos. Mesmo depois de fatos estranhos começarem a acontecer, a atual dona, Joan, papel de Jennifer Jason Leigh, insiste em ficar esperando que a entidade do mal tire seu filho James (Cameron Monaghan) do estado vegetativo.

O roteiro é uma colcha de retalhos sem rumo - uma hora explora a relação conflituosa de Joan com a filha Belle (Bella Thorne), gêmea de James, ao mesmo tempo que coloca a jovem fazendo novos amigos na escola e caindo de boba por ser a moradora da casa do mal. Além de aparições e ataques durante a noite, como todo filme feito de clichês, há também uma filha pequena, Juliet (McKenna Grace) que ouve vozes e conversa com a entidade. E a tia Candice (Jennifer Morrison) que sabe de tudo o que ocorreu lá no passado e ainda deixa a irmã ficar com os filhos no local.

Os atores são fracos, não conseguem dar o clima exigido pelo gênero, a trilha sonora nem dá para lembrar qual era, e o final, apesar de previsível, poderia ter sido melhor e salvar a produção, joga uma pá de cal. "Amityville - O Despertar" poderia ser mais um sucesso da Blumhouse, produtora especialista em filmes de terror e suspense, que tem em seu catálogo, sucessos como "Corra!" e"Fragmentado", além das franquias "Atividade Paranormal" e "Uma Noite de Crime" ("The Purge"). Dispensável.

A maldição da casa

Durante a madrugada de 13 de novembro de 1974, na casa localizada na Ocean Avenue 112, na pequena Amityville, em Long Island (EUA), Ronald DeFeo Jr., de 24 anos, matou o pai, a mãe e quatro irmãos a tiros de escopeta enquanto dormiam. Na época, ele alegou que estava possuído e que vozes vindas da casa mandaram que ele cometesse a chacina. Ele foi condenado a 150 anos de prisão e ainda está vivo. A casa depois foi alugada por outro casal com filhos que saiu corrido de lá depois de 28 dias. E não foram poucas as histórias de fenômenos assustadores na casa ao longo dos anos seguintes, até hoje.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Franck Khalfoun
Produção: Blumhouse Productions / Dimension Films / Miramax Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h25
Gênero: Terror
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2 (0 a 5)

Tags: #AmityvilleODespertar #terror #FranckKhalfoun #BlumhouseProductions #ParisFilmes #EspaçoZ #Cineart #CinemanoEscurinho

16 julho 2019

"Toy Story 4" diverte e encerra a franquia balançando o coração

Garfinho é o novo brinquedo que vai levar Woody e seus amigos a novas aventuras (Fotos: Disney/Pixar)

Maristela Bretas


Se o terceiro filme já foi pura emoção, não se podia esperar menos de "Toy Story 4" que encerra uma das mais fofas e cativantes franquias dos estúdios Disney /Pixar. A animação, sob a direção de Josh Cooley, faz rir, chorar, torcer pelos brinquedos heróis e prende do início ao fim da projeção. Difícil sair do cinema sem se sentir tocado pelo enredo, muito mais voltado para adultos que para crianças, como é bem o estilo das produções do estúdio - a franquia "Toy Story" (iniciada em 1995) é um ótimo exemplo de sucesso desde o início.


A animação, que estreou nos cinemas brasileiros em 20 de junho, permanece em cartaz em várias salas de cinema e com várias sessões esgotadas. O sucesso pelo mundo é comprovado com a excelente bilheteria, que já ultrapassou a marca dos US$ 770 milhões. Perde apenas para "Toy Story 3", que faturou US$ 1,067 bilhão e continua atraindo um público fiel à franquia há 24 anos, que poderá até mesmo levar a uma possível continuação.


Nossos amados brinquedos - o caubói Woody (voz de Tom Hanks desde a primeira animação), o astronauta Buzz Lightyear (dublado por Tim Allen, também desde "Toy Story") e vários dos antigos brinquedos das produções anteriores participam deste encerramento - Cabeça de Batata, Rex, Porquinho, Jessie e o cãozinho Slinky. Para quem não acompanhou a trajetória desta turma, o quarto filme faz uma rápida retrospectiva, desde que Woody foi dado a Andy (seu primeiro dono) até chegar aos dias de hoje, com todos os amigos pertencendo à nova dona, a pequena Bonnie.


Para as crianças, os brinquedos e suas aventuras são a grande atração e encantam. Já a abordagem para os adultos é para mexer com a emoção. "Toy Story 4" explora a separação, o abandono daqueles que são diferentes ou defeituosos, a preocupação com os amigos e com a felicidade de sua dona, a inocência da criança que faz de material descartável seu brinquedo predileto a partir de um garfo de plástico e a escolha entre a zona de conforto e um mundo novo. Tudo isso com muita magia e diversão.


A nova mudança da rotina da turma de brinquedos começa com um novo integrante - Garfinho - criado por Bonnie no seu primeiro dia de aula. Woody, mesmo sendo deixado de lado por sua dona, ainda mantém a preocupação de ser o xerife e de manter todos juntos. Ele passa a ser também o protetor do novo brinquedo preferido da menina. O caubói tenta mostrar para o garfo de plástico que ele não é um objeto descartável e que é importante para sua dona e criadora.


Mas Garfinho vai dar muito trabalho para Woody e toda a turma de brinquedos que vão viver grandes aventuras. Numa viagem pelo país, o velho xerife vai reencontrar um antigo amor, a boneca de porcelana Betty. Os dois terão de encarar grandes desafios e momentos bem divertidos e perigosos para salvar Garfinho e escaparem de perigosos e assustadores brinquedos vilões. Além da turma de Woody, eles vão contar com a ajuda de novos amigos bem engraçados - Duke, Coelhinho, Patinho e Caboom.

O certo é que "Toy Story 4" vai deixar boas lembranças para a legião de fãs que acompanhou até aqui as histórias dos brinquedos mais adorados e encantadores do cinema. E para quem não viu, corra para o cinema, leve as crianças e se emocione. Difícil não se apaixonar.



Ficha técnica:
Direção: Josh Cooley
Produção: Walt Disney Company / Pixar Animation Studios
Distribuição: Disney / Buena Vista
Duração: 1h26
Gêneros: Animação / Aventura / Família
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #ToyStory4, #Woody, #BuzzLightyear, #Pixar, #Disney, #animação, #cinemaescurinho

19 janeiro 2023

"M3gan" - aquele parente que é melhor não ter na família

A atriz-mirim Amie Donald interpreta a boneca robô com cara de assassina que tem vida infinita (Fotos: Universal Pictures)


Maristela Bretas


A roupa lembra uma professora primária, mas não se engane com esse novo brinquedo de 10 mil dólares que entrou em cartaz nos cinemas. Ela é "M3gan", uma boneca desenvolvida para ter vida infinita e ser a melhor amiga e protetora de sua dona. O que sua criadora não esperava é que ela também se tornasse seu maior pesadelo.

A produção não chega a ser um terror pesado. Os ataques da boneca começam mesmo a acontecer do meio do filme para frente. Antes disso, o roteiro é comum e segue explicando os dramas da criança amiga da boneca e sua relação com a família e o brinquedo. 


Só a cara e o olhar macabro de M3gan já causam pânico em qualquer um. Tudo indica que coisa boa não vai sair dali. A mesma sensação provocada por outros brinquedos do mal. 

Como Chucky (2019), na nova versão robotizada, ao contrário do original em pano e resina de 1998, como Annabelle (2014). Ambos assustam pela aparência. Não é normal um pai querer que algo bizarro assim passe longas horas com o filho.


Mas é exatamente isso o que acontece. Mesmo sendo um filme de terror, o roteiro tenta mostrar que a pequena órfã Cady (Violet McGraw, de "Doutor Sono" - 2019) só se liga na boneca porque a tia Gemma (Allison Williams, de "Corra" - 2017), roboticista de uma empresa high-tech de brinquedos para crianças, não lhe dá a atenção necessária. 


M3gan (com excelente interpretação da atriz-mirim, dublê e dançarina Amie Donald) é um protótipo de boneca realista, ainda em fase experimental, que usa Inteligência Artificial. 

No vídeo com conteúdos especiais, divulgado dia 18 nas redes sociais da Universal Pictures Brasil, elenco e produtores afirmam que a companheira de Cady é "a melhor amiga", "radiante como um raio de luz', até surtar. 


Programada para ser uma aliada dos pais e a maior companheira das crianças, ela é dada por Gemma à sobrinha Cady como teste para que aprenda a interagir com os humanos. Só que M3gan passa a assumir responsabilidades que deveriam ser da tia e suprir a carência da menina.

Mas a boneca vai além e se torna independente e possessiva com relação à Cady, não permitindo que nada nem ninguém lhe cause dor ou sofrimento. A partir daí, o pânico e as mortes passam a fazer parte da vida de Gemma e daqueles ao seu redor. 


M3gan não tem dó em usar um martelo, uma chave de fenda, ácido ou sua própria força para eliminar aqueles que ela não gosta ou que tentam afastá-la de Cady. 

As cenas de ataques não são explícitas, não se vê cabeças cortadas e corpos mutilados, mas o suspense é conduzido de maneira satisfatória e o sangue corre pela parede. 


Uma das melhores cenas é a "dancinha" que ela faz no corredor. Outro ponto positivo é a ótima trilha sonora de Anthony Willis, escolhida a dedo para compor as ações da personagem do mal. Destaque para “Titanium”, de Rihanna, interpretada por Jenna Davis, que também faz a voz da boneca. Clique aqui para conferir. 


O longa foi criado a partir do roteiro de Akela Cooper, com história de James Wan, que também é um dos produtores e tem em sua filmografia sucessos do terror como "Maligno" (2021), "Invocação do Mal 2" (2016), "Invocação do Mal "(2013), "Gritos Mortais" (2007) e "Jogos Mortais" (2004).


Apesar de ser um terror mediano, "M3gan" agrada e o público não sai insatisfeito do cinema. A boneca, apesar de ter uma cara que provoca arrepios, é com certeza a estrela do filme, sem passar uma aspecto fake. 

Pelo contrário, parece bem real e pode tirar o sono de muita criancinha. Entra para a minha lista dos bonecos assassinos que cumprem o que prometem. 


Ficha técnica:
Direção: Gerard Johnstone
Produção: Blumhouse Productions e Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h42
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: terror, suspense