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30 abril 2021

Impossível sair incólume do perturbador “Bela Vingança”

Filme dirigido por Emerald Fennell e estrelado por Carey Mullingan venceu o Oscar 2021 de Melhor Roteiro Original (Fotos: Focus Features)

Mirtes Helena Scalioni


Ninguém precisa pensar muito para se lembrar de ter ouvido, alguma vez na vida, homens - e mulheres - justificando um estupro com frases do tipo: “corpo de bêbada não tem dono”, “só aconteceu porque ela bebeu muito” ou “ela se ofereceu e ele fez a parte dele”. É mais ou menos disso que trata o filme “Bela Vingança” ("Promissing Young Woman"), cuja diretora e roteirista, Emerald Fennell, acaba de receber o Oscar de Melhor Roteiro Original. A estreia nos cinemas brasileiros acontece dia 13 de maio.


A cena é clássica e, normalmente, faz parte das comédias: numa balada, a moça se empolga incentivada por amigos, passa da conta na bebida e, no final da noite, é socorrida por algum homem que, generosamente, cuida dela. De manhã, acorda num lugar desconhecido, com alguém de quem não se lembra, de ressaca e, às vezes, sem calcinha. O episódio resulta sempre em muitas gargalhadas.


Foi nesse vespeiro tão corriqueiro quanto revoltante que Emerald Fennell quis cutucar ao escrever seu roteiro. E colocou o longa nas telas de forma tão enigmática que, até metade do filme, o público se pergunta por que a personagem central, a jovem Cassandra Thomas - Cassie (Carey Mulligan) trabalha como atendente num café se cursou a faculdade de Medicina?


Ou: por que ela costuma sair sempre sozinha para diferentes baladas, firmemente disposta a provocar e fisgar machos dispostos a abusar de mulheres bêbadas e depois se vingar deles? Ou ainda: por que ela é tão misteriosamente triste e sozinha a ponto de nem se lembrar do dia do seu aniversário de 30 anos?


Que ninguém se engane: “Bela Vingança” é um filme pesado e ácido. Aos poucos, lembranças e traumas vão sendo colocados para o espectador, que chega a ficar confuso com a cara de anjo de Cassie. 

Nesse ponto, a bela Carey Mulligan dá show, confundindo e despertando mais e mais curiosidade no público. Mesmo depois que ela encontra e passa a se relacionar com um ex-colega de faculdade, Ryan (Bo Burnham), seus planos continuam nebulosos por um bom tempo.


“Bela Vingança” é um filme propositadamente perturbador, inclusive pela inserção de belas e melodiosas canções que, tocadas praticamente na íntegra, parecem, de relance, não combinar em nada com a tensão da trama. Tudo é absolutamente surpreendente no longa. 

É tão estranho e admiravelmente inesperado que pode até parecer inverossímil. Mas verdade seja dita: a história lava a alma de mulheres e homens que acreditam que corpos são sagrados e não podem – em hipótese nenhuma – ser abusados.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Emerald Fennell
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: 13 de maio nos cinemas
Duração: 1h48
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Drama / Suspense

27 abril 2021

“Minari – Em Busca da Felicidade”: o sonho americano não é para todos

Uma família sul-coreana se muda da Califórnia para o interior do país na ilusão de iniciar um negócio (Fotos: Josh Ethan Johnson e Melissa Lukenbaugh / Prokino/ A24)


Mirtes Helena Scalioni


Alguém já disse que “Minari – Em Busca da Felicidade” é um filme sobre a imigração e suas consequências como a falta de adaptação e a sensação de não pertencimento a um grupo. Já foi dito que é sobre a sabedoria da maturidade, mas também definido como uma história familiar, com todas as nuances, afetos, diferenças e conflitos que isso costuma ter. Talvez seja melhor aceitar, então, que o longa dirigido pelo coreano americano Lee Isaac Chung é, na verdade, um pouco disso tudo, além de ser um filme de memórias de sua infância.


Autor também do roteiro, Chung se inspirou na trajetória do próprio pai, que se mudou da Coreia do Sul para os Estados Unidos em busca de alcançar o tão falado sonho americano. Na história, ambientada na década de 80, Jacob (Steven Yeun, um dos produtores executivos junto com Brad Pitt) arrasta sua mulher Mônica (Ye-Ri Han) mais dois filhos da Califórnia para a zona rural do Arkansas, com o firme propósito de cultivar ali vegetais utilizados na culinária coreana, de olho num mercado que ele acredita ser promissor.


Acontece que Jacob se esqueceu de combinar com a esposa, que detestou o lugar e só fala em retornar ao seu emprego de classificar o sexo de pintinhos na granja onde trabalhava na Califórnia. Além de não acreditar no sonho do marido, ela se preocupa também com o filho David (Alan S. Kim) que, aos sete anos, sofre de um problema cardíaco e pode precisar de socorro médico urgente naquele fim de mundo.

Nem mesmo a chegada de Soonja (Yuh-Jung Youn), mãe de Mônica, faz melhorar as relações da família. Embora cooperativa e disposta a ajudar, a avó de David e de Anne (Noel Cho) não consegue harmonizar o ambiente, apesar de a presença sábia ter desencadeado mudanças importantes na trama.


A atuação da sul-coreana Yuh-Jung Youn, de 73 anos, é um capítulo à parte e fez por merecer o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante do Oscar deste ano. Dizem que se trata da Fernanda Montenegro de seu país e não parece exagero. Ela está realmente fantástica no papel de uma velha discreta e equilibrada, que sabe até onde pode chegar para ajudar. Cabe ao seu personagem, a certa altura, esclarecer ao público que minari é um vegetal comestível tipicamente coreano que nasce em lugares úmidos.


Outro destaque é o menino Alan S. Kim. Seu David brilha e convence como uma criança contida e tímida, consciente de suas limitações por causa da doença, mas sempre atento ao que está acontecendo a sua volta. E é utilizando mais olhares e gestos do que palavras que ele e Soonja estabelecem, depois de muitos conflitos, uma relação de cumplicidade entre neto e avó. Anne faz um contraponto ao personagem.

E, correndo por fora, tem Will Patton fazendo Paul, uma espécie de empregado da fazenda que, pateticamente, nas horas vagas, vira um fanático religioso tão bizarro quanto triste de se ver.


“Minari...” não é definitivamente um filme de ação. O longa se arrasta lento, simples, mas prende, graças também à envolvente trilha sonora de Emile Mosseri. Em alguns momentos, o espectador pode até pensar que a trama vai cair no óbvio caso do marido sonhador versus mulher ranzinza pé no chão. Só impressão. 

A história toma outros rumos, surpreende, emociona. E o público fica com a nítida sensação de que não é preciso muito malabarismo para contar a saga de uma família, falar de imigração, xenofobia, sonhos, lembranças, raízes, maturidade, sabedoria...


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Lee Isaac Chung
Produção: A24 e Plan B
Distribuição: Diamond Films
Exibição: Nos cinemas
Duração: 1h55
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gênero: Drama

26 abril 2021

Oscar 2021 consagra "Nomadland" como Melhor Filme e Anthony Hopkins é eleito Melhor Ator


 

Maristela Bretas


Com muitas mudanças neste ano, a 93ª edição do Oscar, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood elegeu "Nomadland" como o Melhor Filme, prêmio entregue por Rita Moreno, de 89 anos, ganhadora de Oscar por "Amor, Sublime Amor", de 1961. O filme ainda conquistou outras duas estatuetas - Melhor Direção e Melhor Atriz.

Frances McDormand - Nomadland (Fox Searchlight/Divulgação)

A escolha de Anthony Hopkins, 83 anos, como Melhor Ator por sua espetacular atuação em "Meu Pai" foi a grande surpresa da noite, desbancando Chadwick Boseman, forte candidato a um prêmio póstumo. Este é o segundo Oscar da carreira de Hopkins - o primeiro foi por "O Silêncio dos Inocentes" (1992). O ator está no País de Gales em quarentena e não quis ir a Londres para participar da transmissão da cerimônia.

Anthony Hopkins -"Meu Pai" (California Filmes/Divulgação)

Frances McDormand confirmando todas as apostas e levou a estatueta, a terceira de sua carreira como Melhor Atriz, desta vez por seu papel em "Nomadland", o grande vencedor da noite. Ela também é uma das produtoras.

A cerimônia do Oscar deste ano, adiada de fevereiro para este domingo, 25 de abril, teve formato diferente das anteriores, não só por causa da pandemia de Covid-19. O número de categorias foi reduzido de 24 para 23, uma vez que a Academia uniu mixagem e edição em Melhor Som.

"Mank" (Netflix/Divulgação)

Também foi a vez de do streaming ganhar mais espaço para mostrar suas produções, uma vez que os cinemas permaneceram fechados em 2020 e grandes produções precisaram ser adiadas ou transferidas para estas plataformas.

Respeitando os protocolos de segurança e evitando a aglomeração, a transmissão da premiação ocorreu em dois locais diferentes: Los Angeles - a estação de trem Union Station e o Dolby Theater -, além de videoconferências feitas com os candidatos e vencedores em seus países. Em cada local, apenas os apresentadores, os indicados e seus acompanhantes e a produção do evento.

"Bela Vingança" (Universal Pictures)

A diretora e atriz Regina King, com estrada triunfal pela Union Station, abriu a premiação. Segundo ela, todos os presentes estavam sem máscaras porque foram testados, vacinados e colocados em mesas com distanciamento. King foi a responsável por entregar o primeiro prêmio da noite, de Melhor Roteiro Original a Emerald Fennell, por "Bela Vingança". Na sequência, anunciou "Meu Pai" como o vencedor de Melhor Roteiro Adaptado.

"Druk - Mais Uma Rodada" (Foto: Henrik Ohsten)

Laura Dern contou sua experiência com o cinema e entregou a estatueta de Melhor Filme Internacional ao já esperado - "Druk - Mais Uma Rodada", representante da Dinamarca. O diretor Thomas Vinterberg fez um discurso emocionante sobre a perda da filha num acidente de carro quatro dias após iniciar as filmagens.

Foi também a atriz que anunciou o Melhor Ator Coadjuvante. O prêmio ficou para Daniel Kaluuya, por sua ótima atuação como Fred Hamptom, o líder dos Panteras Negras, em "Judas e o Messias Negro". O filme também conquistou a estatueta de Melhor Canção Original.

Daniel Kaluuya - "Judas e o Messias Negro" (Warner Bros.Pictures/Divulgação)

"A Voz Suprema do Blues" também saiu da cerimônia com duas premiações já esperadas: Melhor Maquiagem e Penteado e Melhor Figurino, este último dado à figurinista Ann Roth, de 89 anos. Apesar da disputa acirrada, não deu para Viola Davis como Melhor Atriz.

Dois prêmios humanitários foram entregues nesta noite: o primeiro no Dolby Theater, totalmente vazio, entregue pelo ator Bryan Cranston à Motion Picture Television Fund (MPTF), uma organização que oferece assistência e atendimento aos que atuam nos setores de cinema e televisão. Na Union Station, Tyler Perry recebeu das mãos de Viola Davis a segunda premiação, o Jean Hersholt, dado a personalidades por contribuições a causas humanitárias.

"A Voz Suprema do Blues" (Netflix/Divulgação)

Um diretor sul-coreano entregou a estatueta de Melhor Diretor a uma diretora chinesa. Bong Jooh Ho, ganhador do Oscar 2020 por "Parasita", anunciou a vitória já esperada à também roteirista Chloé Zhao como Melhor Diretora, por "Nomadland".

Brad Pitt contou a história de cada uma das candidatas e entregou à sul-coreana Yuh-Jung Youn, de 73 anos, o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação em "Minari - Em Busca daFelicidade". Ela agradeceu por conhecer o ator pessoalmente e disse que todas as candidatas eram vencedoras, mas que ela teve um pouco mais de sorte.

Yuh-Jung Youn - "Minari" (A24/Divulgação)

Angela Basset apresentou o prêmio In Memoriam citando as milhares de vidas perdidas em 2020 pela covid-19, mas também pelo ódio, racismo e pobreza. E apresentou as lendas perdidas no mundo do cinema, nas áreas técnicas e executiva, além de nomes como Sean Connery e Chadwick Boseman.

Veja abaixo os vencedores do Oscar 2021:

MELHOR FILME: "Nomadland"
MELHOR DIREÇÃO: Chloé Zhao - "Nomadland"
MELHOR ATRIZ: Frances McDormand - "Nomadland"

Chloé Zhao - "Nomadland" (Fox Searchlight/Divulgação)

MELHOR ATOR: Anthony Hopkins - "Meu Pai"
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Yuh-Jung Youn - "Minari - Em Busca da Felicidade"
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Daniel Kaluuya - "Judas e o Messias Negro"

A Voz Suprema do Blues (Netflix/Divulgação)

MELHOR FIGURINO: "A Voz Suprema do Blues"
MELHOR FILME INTERNACIONAL: "Druk - Mais Uma Rodada" (Dinamarca)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: "Bela Vingança"
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: "Meu Pai"

"Soul" (Walt Disney Studios/Divulgação)

MELHOR TRILHA SONORA: "Soul"
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: "Fight For You" - H.E.R - "Judas e o Messias Negro"
MELHOR ANIMAÇÃO: "Soul"
MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: " Se Algo Acontecer, Eu te Amo" ("If Anything Happens I Love You")

"O Som do Silêncio" (Amazon Prime Video/Divulgação)

MELHOR SOM: "O Som do Silêncio"
MELHOR CURTA-METRAGEM EM LIVE ACTION: "Dois Estranhos" ("Two Distant Strangers")
MELHOR DOCUMENTÁRIO: "Professor Polvo" ("My Octopus Teacher")
MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: "Collete" (Romênia)


"Tenet" (Melinda Sue Gordon/Warner Bros. Pictures)

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO: "A Voz Suprema do Blues"
MELHORES EFEITOS VISUAIS: "Tenet"
MELHOR FOTOGRAFIA: "Mank"
MELHOR EDIÇÃO: "O Som do Silêncio"
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO:"Mank"
 
Saiba mais sobre outras produções que disputaram o Oscar e onde estão sendo exibidas nas críticas do blog Cinema no Escurinho.

"Uma Noite em Miami" (Amazon Prime Video/Divulgação)

- Uma Noite em Miami
- Agente Duplo (documentário)
- Era Uma Vez um Sonho
- O Tigre Branco
- Mulan
- Rosa e Momo
- Greyhound: Na Mira do Inimigo
- Relatos do Mundo
- O Céu da Meia-Noite

"Os 7 de Chicago" (Netflix/Divulgação)

Destacamento Blood - Netflix
- Os 7 de Chicago - Netflix
- Judas e o Messias Negro - No cinema
- O Som do Silêncio - Amazon Prime Video




21 abril 2021

Façam suas apostas - Sete curiosidades sobre o Oscar 2021 que valem uma graninha extra


Da Redação


Os indicados ao Oscar 2021 já são conhecidos e alguns praticamente estão com a estatueta na mão. Agora é sua vez de faturar uma graninha apostando nos candidatos à 93ª edição da maior premiação do cinema mundial, que acontece no próximo domingo (25). 

Neste ano, o formato será diferente dos anteriores, não só por causa da pandemia de Covid-19. Há mudanças no número de categorias, na data, no protocolo da cerimônia e até em critérios para os filmes indicados. E é aí que os cinéfilos ainda podem faturar uma graninha.

Nomadland (Walt Disney Pictures)

Confira abaixo sete curiosidades sobre o Oscar 2021:

1. Apostar no Oscar 2021
Quem sabe tudo de cinema e conhece os critérios e predileções da academia pode lucrar com o Oscar 2021 fazendo APOSTAS ONLINE. Isso porque a Casa de Apostas KTO tem odds para quase todas as categorias da premiação. No momento em que esse texto foi escrito, por exemplo, a odd para Viola Davis na categoria de Melhor Atriz era de 3.0. Isso significa que se você apostar R$ 10,00 nesta opção e acertar, o valor total que você vai ganhar é R$ 30,00.


2. Novidades nas categorias de som do Oscar
Até o ano passado, o Oscar premiava os filmes em 24 categorias diferentes. Neste ano, o número caiu para 23. Isso porque a academia decidiu unir os conceitos de mixagem e edição para definir o filme com melhor som. 

3. Novo critério na categoria de trilha original
A partir de agora, os filmes precisam ter pelo menos 60% de trilha original para concorrer nesta categoria. E nos casos em que a história seja sequência de uma película anterior é necessário que ao menos 80% da trilha seja original. 

Meu Pai (California Filmes)

4. Data da cerimônia do Oscar
O Oscar normalmente ocorre entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março. Contudo, neste ano, foi necessário adiar o evento. Ele será realizado apenas no final de abril. Diferentemente das duas primeiras mudanças, essa alteração foi por causa da pandemia. Vale comentar que a lista dos indicados também demorou mais para sair, sendo divulgada apenas no dia 15 de março.

Mank (Netflix)

5. Como será a cerimônia do Oscar 2021
Para conseguir adotar todos os protocolos de segurança sem abrir mão da cerimônia presencial, o evento vai acontecer em dois locais diferentes de Los Angeles. Além do Dolby Theater, a festa será realizada também na Union Station - estação de trem que fica a 15 minutos de carro da tradicional casa da academia. Somente os apresentadores, os indicados e seus acompanhantes e, é claro, a produção do evento estarão presentes nos dois locais. Não haverá convidados como na edições anteriores.

A Voz Suprema do Blues (Netflix)

6. Streaming é cinema
Uma das maiores polêmicas do Oscar 2021 nem diz respeito às alterações na data e formato. O que está deixando muita gente intrigada é a indicação de filmes da Netflix, Amazon Prime e Disney Plus, que não foram produzidos pensando nas telonas. "A Voz Suprema do Blues" e "Mank", que estão disponíveis no catálogo da Netflix, concorrem em diversas categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Direção.

7. Diversidade no Oscar
Em quase 93 anos de premiação, apenas uma mulher venceu o Oscar de Melhor Direção e cinco foram indicadas até 2020. Neste ano, mais duas estão concorrendo na categoria, sendo que Chloé Zhao é a franca favorita pelo seu trabalho em "Nomadland". Emerald Fennel também se destaca pela forma que conduziu o filme "Bela Vingança". Outro destaque entre as mulheres é Yuh-Jung Youn ("Minari"), sul-coreana que concorre entre as melhores atrizes coadjuvantes.

Minari (Foto: A24)

E além da diversidade de gênero, o Oscar 2021 também conta com três negros indicados na categoria de Melhor Ator Coadjuvante: Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield ("Judas e o Messias Negro") e Leslie Odom Jr. ("Uma Noite em Miami"). Na categoria de Melhor Ator temos a indicação do muçulmano Riz Ahmed ("O Som do Silêncio"), e o ásio-americano Steven Yeun ("Minari"), além do negro Chadwick Boseman, que concorre postumamente à premiação por seu papel em "A Voz Suprema do Blues".

Agora é apostar e torcer para que sua escolha seja a vencedora. Boa sorte.

16 abril 2021

"Mank" é um filme Cult muito superestimado, feito para meia dúzia de pessoas

 Produção conta a história do roteirista da obra "Cidadão Kane", Herman J. Mankiewicz (Fotos: Netflix/Divulgação)

Jean Piter Miranda


O filme com mais indicações ao Oscar 2021 - dez no total -, dirigido por David Fincher, com Gary Oldman como protagonista. Todo produzido em preto e branco para retratar parte da Era de Ouro de Hollywood. Mais que isso, para mostrar um pouco dos bastidores do filme “Cidadão Kane” (1941), considerado uma obra-prima de Orson Welles e uma das maiores produções da história do cinema. 

Partindo disso, dá pra imaginar que “Mank” (2020), disponível na Netflix, é de muito bom pra ótimo. Mas não é. É bem fraco, pra não dizer ruim, para decepção da maior parte dos amantes da sétima arte.


Mank (Gary Oldman) é o apelido de Herman Mankiewicz, um roteirista bem conhecido de Hollywood. Ele recebe a missão de escrever um roteiro para o diretor Orson Welles, uma das grandes estrelas do momento. Mank é meio que um alcoólatra, viciado em aposta e ainda tem alguns traumas. E o tempo que ele tem para entregar as centenas de páginas escritas é bem curto. 


Quando o filme começa, a impressão é de que Mank é um tipo de anti-herói. Parece que vai ser uma corrida contra o tempo para escrever o roteiro do que viria a ser o filme “Cidadão Kane”, um dos grandes clássicos da história do cinema. E pelo tanto que ele é conhecido e reconhecido, o roteirista vai colocar sua genialidade e talento em prática. A expectativa é de o filme mostre os bastidores de todo o processo criativo, com momentos e diálogos épicos. Mas não. Não tem nada disso.


Mesmo com muita boa vontade, não dá pra ter simpatia por Mank. É um personagem chato. Muito chato. O processo de escrita não aparece e não dá pra entender porque ele é tão conceituado na indústria do cinema. Ele é antipático e sem carisma algum. 

O filme é um amontoado de momentos desconexos, com diálogos que não parecem fazer sentido. É só um monte de frases de efeito soltas e algumas até meio bobas. Lembram programas de comédia, em que um ator levanta a bola para o outro cortar. Tem também várias citações de nomes de artistas e políticos da época que poucos vão entender e localizar. Do tipo, quem pegar pegou. 


Ao que parece, David Fincher fez “Mank” pra impressionar a Academia e ganhar indicações ao Oscar. Se for isso, deu certo. Hollywood adora essas homenagens. Obras sobre os bastidores e as grandes estrelas do cinema. É uma produção feita também para os cinéfilos mais extremistas. Aqueles que amam filmes alternativos, cults e não comerciais. Os que ficam procurando referências e curiosidades em cada uma das cenas, e que vão dizer que entenderam tudo quando quase ninguém compreendeu nada. 


O longa também foi feito para Gary Oldman. O ator já havia se destacado por interpretar Winston Churchill em “O Destino de Uma Nação” (2018), quando levou pra casa o Oscar de Melhor Ator, por uma caracterização impressionante em outra produção bem fraca. Em “Mank”, o protagonista está quase sempre com olhos bem arregalados, fazendo falas meio bêbadas e desviando olhar nas conversas. Como Herman Mankiewicz não é uma figura comum, bem conhecida, não dá pra saber se a interpretação é realista ou exagerada. 

Falando no elenco, Amanda Seyfried e Lily Collins estão desperdiçadas. São talentosas demais para papéis tão fracos como os que receberam em "Mank". Amanda aparece um pouco mais, quase que só pra enfeitar as cenas. Lily passa despercebida. 


“Mank” foi indicado ao Oscar de: Melhor Filme, Melhor Ator para Gary Oldman, Melhor Atriz Coadjuvante para Amanda Seyfried, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Direção para David Fincher, Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Design de Produção e Melhor Som. E pra não dizer que tudo é ruim, as indicações técnicas são bem merecidas. 


A fotografia de “Mank” é maravilhosa. Um filme em preto e branco de altíssima qualidade, com luzes e sombras muito bem acertadas. É como voltar no tempo para ver cinema nos anos 1930. As roupas, os cenários, cabelos, maquiagem... Tudo remete bem à Era de Ouro do Cinema. Uma ambientação perfeita. Só faltou uma boa história. Mas, ao menos uma meia dúzia de pessoas com certeza irá gostar.


Ficha técnica:
Direção: David Fincher
Exibição: Netflix
Duração: 2h12
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Drama / Biografia

19 março 2021

"Druk – Mais uma Rodada" leva aos cinemas o drama da bebedeira na vida de gente comum

 Produção dinamarquesa foi indicada aos prêmios de Melhor Diretor e Melhor Filme Internacional no Oscar 2021 (Fotos: Henrik Ohsten/Divulgação)

Jean Piter Miranda


“Casamento, batizado, formatura, aniversário e até chá de bebê, tô pronto pra beber”. Não é das citações mais inspiradoras. É de um hit sertanejo da dupla Humberto e Ronaldo, que ilustra bem a cultura brasileira. O povo aqui bebe em todo tipo de comemoração. Não há como separar festa de bebida alcoólica. E ao que tudo indica isso não é uma exclusividade do Brasil. O filme "Druk – Mais uma Rodada" mostra que na Dinamarca as coisas são bem parecidas.

O filme vai representar o país escandinavo no Oscar 2021 em duas categorias - Melhor Diretor e Melhor Filme Internacional. Dirigido por Thomas Vinterberg, chega dia 25 de março nas cidades onde os cinemas estão abertos e nas plataformas de streaming Now, Vivo Play, Sky Play, iTunes/Apple TV, Google Play e YouTube. 
 

"Druk" conta a história de um grupo de amigos, todos quarentões, que estão meio que enfrentando uma crise de meia idade. Martin (Mads Mikkelsen), Tommy (Thomas Bo Larsen), Nikolaj (Magnus Millang) e Peter (Lars Ranthe) são professores do Ensino Médio. Todos com vidas tediosas, tanto pessoais quanto profissionais. Um dia eles decidem testar uma tese de que com um pouco de álcool no sangue, diariamente, eles ficarão mais alegres, produtivos e criativos. E aí começa a bebedeira.

Os quatro amigos passam a beber um pouco todos os dias, inclusive em horário de trabalho. E sentem que estão mais soltos, mais vivos e até mais felizes. As aulas de cada um deles vão ficando com um astral diferente, tendo mais envolvimento e aceitação dos alunos. E a partir daí, eles vão promovendo encontros para registrar essas experiências. E, claro, nessas reuniões, aproveitam pra beber mais.


Não precisa ser um gênio para saber que uma hora isso vai dar ruim. O corpo vai se acostumando com a quantidade de álcool ingerida. Logo é preciso um pouco mais pra ter o mesmo efeito. A pessoa que bebe sempre acha que está no controle, meio que perde a noção de realidade e nem se dá conta dos problemas que estão chegando. E se seus melhores amigos estão na mesma situação, aí não tem nem como esperar ajuda. É cego guiando cego. Assim, os quatro amigos começam a ter encrencas no trabalho e na família.


"Druk" tá longe ser um filme moralista. Ele não coloca a bebida como vilã, nem põe glamour na cultura de beber para comemorar ou pra fugir de problemas. Nem tão pouco há um julgamento sobre as pessoas que bebem e perdem a linha. Há cenas que dão vergonha alheia, daqueles micos que a gente paga quando bebe demais. Seja adolescente ou adulto. E há situações em que se chega ao extremo e o prejuízo é bem maior. Vai do lamentável ao trágico.


Chama a atenção o fato de que o filme se passa na Dinamarca. Um país rico, de primeiro mundo. E, claramente, os personagens são de classe média alta. Como o álcool é uma droga legal, relativamente barata e muito acessível, o risco do alcoolismo também é maior. Para todos, de forma democrática. Mesmo com todas as diferenças, dá pra imaginar que "Druk" poderia ser feito tranquilamente aqui no Brasil, onde todo mundo conhece ou viveu uma história parecida.


As atuações são muito boas. Mads Mikkelsen está ótimo como sempre. É uma comédia dramática que põe a gente pra pensar sobre como o álcool está presente na nossa vida. Se isso é bom ou ruim e como estamos nessa. Não é um filme que faz apologia à bebida e também não faz campanha contra. Mas tem muita coisa ali que dá pra pegar e refletir. É acima de tudo, uma história sobre a vida de gente comum. Um filme que merece ser visto.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Thomas Vinterberg
Exibição: Now / Vivo Play / Sky Play / iTunes/Apple TV/ Google Play / YouTube
Distribuição: Vitrine Filmes
Duração: 1h57
País: Dinamarca
Gêneros: Drama / Comédia
Nota: 5 (de 0 a 5)

17 março 2021

"Nomadland" - Seres humanos em trânsito

Frances McDormand interpreta Fern, uma mulher que após perder tudo, descobre pelas estradas um novo mundo de grandes histórias (Fotos: Searchlight Pictures/Divulgação


Carolina Cassese


“Eu trabalhei numa empresa durante 20 anos. Meu amigo Bill trabalhava para a mesma empresa. E… ele teve insuficiência hepática. Uma semana antes de se aposentar. O RH ligou para ele no hospital e disse: ‘Vamos falar sobre a sua aposentadoria’. Ele morreu 10 dias depois. Nunca teve a chance de usar o veleiro que ele comprou e ficou em sua garagem. E ele perdeu tudo. Então ele me disse antes de morrer: ‘só não perca tempo, garota. Não perca tempo’. Então me aposentei assim que pude. Não quero que meu veleiro esteja na garagem quando eu morrer. E não está. Meu veleiro está aqui no deserto”.


Em torno de uma fogueira, um grupo compartilha histórias de vida. Ouvimos de alguém que desenvolveu estresse pós-traumático após a Guerra do Vietnã e de uma pessoa que perdeu a mãe e o pai num curto intervalo de tempo. Em seguida, é a vez da mulher parafraseada acima. O que todos têm em comum é justamente o fato de terem decidido tirar seus respectivos veleiros da garagem. 
 

Baseado no livro homônimo de Jessica Bruder, o longa "Nomadland" é centrado na mudança de vida de Fern (Frances McDormand), uma mulher que, após ter a vida gravemente afetada pela crise econômica e perder tudo, decide morar numa van, se submetendo a curtos contratos de trabalho para poder conseguir alguma renda. A produção foi escrita, dirigida e editada por Chloé Zhao, jovem chinesa radicada nos Estados Unidos.
 

Logo nas primeiras tomadas, nos deparamos com paisagens de tirar o fôlego. O espectador se torna um companheiro de viagem de Fern: encaramos vastas locações e, em determinados momentos, sentimos um vazio - que não é necessariamente incômodo, mas sim ligado ao ato de contemplar.


Na obra, é possível observar diversos cruzamentos entre ficção e documentário. O segundo gênero se configura especialmente a partir da (ótima) escolha da diretora em escalar verdadeiros nômades para o elenco, que interpretam eles mesmos. Os diálogos, portanto, soam bastante genuínos, e, dessa maneira, podemos entender verdadeiramente a razão deles serem itinerantes. Nossa porta de entrada para esse mundo é Fern, uma mulher forte e bastante real, brilhantemente interpretada por McDormand.
 

O abandono é outro elemento importante a ser observado. Essas pessoas foram abandonadas pela sociedade, pelo Estado e, assim, passaram a ocupar espaços que também foram deixados. A partir de "Nomadland", descobrimos um Estados Unidos vasto, ainda pouco explorado, com riquezas inesperadas para oferecer. A solidariedade é uma delas.

Depois da crise

A precarização do trabalho é outro pano de fundo importante para a compreensão da realidade apresentada. Como defende a pesquisadora Vera Follain em seu livro "A Ficção equilibrista: narrativa, cotidiano e político", o mundo do trabalho voltou a ser narrado no cinema a partir das crises do neoliberalismo. "Nomadland" definitivamente se encaixa nesse grupo de filmes, especialmente porque boa parte do grupo retratado decidiu mudar de vida após a crise de 2008, responsável por desestruturar a vida de inúmeras famílias estadunidenses.
 

Em determinado momento do filme, o representante Bob Wells afirma: “Nós não apenas aceitamos a tirania do dólar, do mercado. Nós as abraçamos. Nós alegremente vestimos a sela da tirania do dólar e vivemos toda a nossa vida assim. Pensem como uma analogia a um burro de carga. Um burro de carga disposto a trabalhar até a morte e então ser colocado para fora. E é isso que acontece com muitos de nós. Se a sociedade quer nos abandonar, mandando a gente, burros de carga, pra fora, nós temos que nos unir e cuidar uns dos outros”.


O filme de Zhao deixa claro que isso é exatamente o que o grupo faz: cuidam uns dos outros. Todos seguem suas respectivas jornadas individualmente, o que não significa, de forma alguma, que estejam sozinhos. Cada um, dentro de sua própria jornada, encontra mãos estendidas no caminho. É um paradoxo pensar que essas pessoas que escolhem viver mais solitárias talvez estejam menos inseridas na lógica do hiperindividualismo do que quem vive em sociedade.
 
 
Ao ser perguntada por uma antiga aluna se ela é “homeless” (sem lar), Fern responde: “não sou sem lar, apenas sem casa. Não é mesma coisa, certo?”. Ao terminarmos o longa de Zhao, sabemos a resposta: não, não é a mesma coisa. "Nomadland" tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros em 15 de abril.

Premiações

A produção já conquistou 20 premiações, entre elas Melhor Filme e Melhor Diretor no Globo de Ouro e Critic´s Choice Award de 2021. Além de seis indicações ao Oscar deste ano para os prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz (Frances McDormand), Melhor Direção (Chloé Zhao), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

 


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Chloé Zhao
Produção: Fox Searchlight Pictures
Distribuição: Walt Disney Pictures
Exibição: 15 de abril nos cinemas
Duração: 1h48
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gênero: Drama