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15 outubro 2026

“Dentro da Baleia” sufoca no suspense, mas afunda no drama familiar

 
Thriller de sobrevivência com Austin Abrams e Josh Brolin é baseado no romance “Whalefall”, de
Daniel Kraus (Fotos: 20th Century Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
A proposta era boa: deixar o espectador angustiado e até sufocado ao acompanhar o desespero do protagonista. Até a metade do longa, as cenas em que o mergulhador é engolido pelo animal e tenta escapar de dentro dele prendem a atenção e convencem.

Mas, da metade para frente, “Dentro da Baleia” (“Whalefall”) abandona o suspense de sobrevivência, até então tenso e bem conduzido, para se transformar em uma história arrastada sobre a relação mal resolvida entre pai e filho. O impacto se perde, e a baleia passa a ser apenas um pano de fundo. O filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas.


Baseada no romance “Whalefall”, de Daniel Kraus, que também assina o roteiro, a produção conta com ótimos efeitos visuais, mas peca ao desviar o foco para os flashbacks do protagonista. As lembranças se prolongam mais do que a carga de um cilindro de oxigênio e a paciência de quem está assistindo permitem.

A trama acompanha Jay Gardiner (Austin Abrams), um jovem que viaja até a costa da Califórnia para tentar fazer as pazes com a própria consciência. Para isso, mergulha no mar em busca dos restos mortais do pai, Mitt Gardiner (Josh Brolin), que está desaparecido.


Mesmo alertado sobre os perigos, Jay insiste em levar sua missão adiante. Só não contava que seria engolido por uma gigantesca baleia-cachalote, de 25 metros e 60 toneladas. Com apenas uma hora de oxigênio, ele trava uma luta desesperada pela sobrevivência.

Preso dentro do animal, o jovem também embarca em uma jornada emocional de luto e reconciliação com o pai. São as lembranças e os ensinamentos deixados por ele que poderão ajudar Jay a encontrar uma saída.


Austin Abrams e Josh Brolin, conhecido por interpretar o vilão Thanos em “Vingadores: Guerra Infinita” (2018) e “Vingadores: Ultimato” (2019), já haviam trabalhado juntos em “A Hora do Mal” (2025). Também integram o elenco Elisabeth Shue, John Ortiz, Jane Levy e Emily Rudd, mas seus talentos são pouco aproveitados.

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O filme é claustrofóbico e não recomendo a experiência para quem não suporta lugares fechados e apertados. Algumas cenas, realmente angustiantes, funcionam e sustentam a tensão.


Outras situações, porém, irritam por serem absurdas e facilmente evitáveis. É claro que a estupidez humana é capaz de coisas que até Deus duvida, e o roteiro deixa isso bem evidente nas decisões de Jay.

Merecem elogios a atuação e a entrega física de Austin Abrams na luta pela sobrevivência, assim como o trabalho de Josh Brolin. São os dois que ajudam a sustentar uma história dividida entre o thriller de suspense e o drama familiar. 

Destaque também para a fotografia de Aaron Morton e a trilha sonora de Joseph Trapanese, que contribuem para tornar o ambiente ainda mais desesperador.


O principal problema está na condução da segunda metade. O diretor Brian Duffield parece preso à história original, escrita pelo próprio Daniel Kraus, e aposta mais nos flashbacks do que na luta pela sobrevivência. 

O resultado é um longa arrastado, previsível e cansativo no desfecho, com direito a uma mensagem de união familiar bem ao estilo dos estúdios produtores. A produção também tem lançamento previsto na plataforma Disney+ após sua passagem pelos cinemas.

“Dentro da Baleia” é um filme com boas ideias e potencial para ir muito além do que entrega. Mas, infelizmente, perde em impacto até para a história bíblica de Jonas e a baleia e para a animação “Pinóquio”. 

A cachalote — com seu esôfago — e a lula gigante merecem ser consideradas as grandes coadjuvantes da produção. Sem elas, nada aconteceria e tudo não passaria de um drama familiar.


Ficha técnica:
Direção: Brian Duffield
Roteiro: Daniel Kraus
Produção: 20th Century Studios, Imagine Entertainment, 3 Arts Entertainment, Jurassic Party Productions
Distribuição: Walt Disney Studios e 20th Century Studios
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, drama

12 março 2026

“Marty Supreme”: ambição, ego e os limites de um sonho

Timothée Chalamet é um jovem disposto a ser tornar a grande estrela norte-americana do tênis de mesa
(Fotos: Diamond Films)
 
 

Filipe Matheus
Parceiro do blog Maravilha de Cinema

 
Determinação, talento e o desejo de brilhar no esporte. “Marty Supreme” parte da história de um jovem, vivido pelo talentoso Timothée Chalamet, que sonha em se tornar a grande estrela do tênis de mesa norte-americano. 

O longa é um dos fortes candidatos ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme, além de receber outras oito indicações: Melhor Direção, Melhor Ator (Timothée Chalamet), Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Direção de Elenco e Melhor Roteiro Original.


Na trama, Marty Mauser (Timothée Chalamet, de "Duna" - 2021 e "Duna: Parte 2" - 2023) é um jovem de ambição desmedida, disposto a tudo para realizar seu sonho e provar ao mundo que nada é impossível para ele.

O talento e a beleza de Gwyneth Paltrow (da franquia "Vingadores: Guerra Infinita" - 2018 e "Ultimato" - 2019) são alguns dos pontos altos do filme. Ela interpreta uma atriz apaixonada pela profissão e movida pelo desejo de reconhecimento.

O enredo prende do início ao fim e apresenta diversos plot twists, fazendo o espectador se envolver cada vez mais com a história. O diretor Josh Safdie conduz a narrativa com precisão, mostrando que nenhum sonho vale o preço de abandonar os próprios valores.


Timothée Chalamet conquistou o prêmio de Melhor Ator em Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro 2026 por sua performance no papel principal. Críticos e comentaristas apontam a atuação de Chalamet como uma das mais fortes de sua carreira, com um papel marcante e cheio de nuances.

"Marty Supreme" também recebeu diversas indicações na temporada de premiações, incluindo categorias técnicas e de roteiro, consolidando sua força entre crítica e público.

Com um orçamento estimado entre US$ 70 milhões, o longa superou “Guerra Civil” (2024) - US$ 50 milhões -, como a produção de maior investimento da história do estúdio A24 Films.


O elenco de “Marty Supreme” conta ainda com Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher, que trazem versatilidade e drama à história, conduzindo os personagens com sensibilidade e emocionando o público.

O filme é uma cinebiografia ficcionalizada inspirada em Marty Reisman (1930–2012), uma lenda do tênis de mesa e notório apostador. A personalidade intensa e controversa de Marty Mauser tem gerado debates e dividido opiniões sobre até que ponto o público se identificaria com um protagonista moralmente ambíguo.


Nos bastidores, uma das cenas que mais chamou atenção envolve Timothée Chalamet e Kevin O’Leary em uma sequência intensa e violenta com uma raquete de tênis de mesa. Rapidamente ela repercutiu entre o público e a imprensa pela ousadia e entrega dos atores.

O diretor de fotografia Darius Khondji optou por filmar grande parte do longa em película de 35 mm, utilizando lentes anamórficas vintage para dar mais profundidade e textura à ambientação da década de 1950.


A jaqueta estilizada usada por Chalamet virou item de desejo entre celebridades e fãs, gerando filas e grande repercussão nas redes sociais durante as ações promocionais.

Vale à pena conferir “Marty Supreme”, que ainda está em exibição em algumas salas de BH e Contagem. O longa é desafiador ao explorar os limites de um homem em busca do próprio sonho, mergulhando na vaidade, na ambição e até onde o ser humano é capaz de ir para alçar novos voos.


Ficha técnica:
Direção:
Josh Safdie
Produção: A24 Films
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: Una Cine Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cineart Shopping Contagem
Duração: 2h29
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: drama

29 julho 2025

Com muita ação, “Predador: Assassino de Assassinos” une filmes da franquia e abre novas possibilidades

Animação tem uma dinâmica muito boa com a divisão em três histórias distintas que acabam interligadas (Fotos. 20th Century Studios)
 
 

Jean Piter Miranda

 
Está disponível no Disney+ “Predador: Assassino de Assassinos” (2025). O longa-metragem de animação dá continuidade à franquia dos Yautjas. São três histórias, ocorridas em épocas distintas, que acabam se cruzando. 

Primeiro, uma guerreira viking busca vingança junto de seu grupo. Eles são observados por um predador. Da mesma forma, no Japão feudal, dois irmãos, um ninja e um samurai lutam entre si para resolver questões pessoais. O outro personagem é um piloto estadunidense em batalha na Segunda Guerra Mundial. 


Nas três histórias, os personagens são confrontados por predadores. Os Yautjas, como sempre, estão em busca de enfrentar os guerreiros mais fortes do universo. 

O filme é dirigido por Dan Trachtenberg, que também esteve à frente do ótimo “Predador: A Caçada” (2022). A animação tem um gráfico bem particular. É um tanto sombrio e bem envolvente, reforçado pela trilha sonora de Alan Silvestri, responsável pelas composições de sucessos como "Vingadores: Ultimato" (2019) e "Vingadores: Guerra Infinita" (2018).


A divisão do longa em três histórias dá uma dinâmica muito boa à animação. Os diálogos são suficientes e não se perdem em explicações desnecessárias e repetitivas. Os trechos silenciosos também dizem muito. Tudo na medida certa. 

As cenas de ação são intensas, bem desenvolvidas e muito bem construídas. A parte da guerreira viking traz uma violência bruta, em cenários de neve e gelo. Uma composição muito acertada. Da mesma forma a representação do Japão feudal com seus guerreiros e suas espadas afiadas. É poesia em forma de pancadaria. 


Destoando das duas primeiras histórias, a parte do piloto estadunidense é menos envolvente. Por se tratar de batalhas aéreas, perde o envolvimento das narrativas anteriores. Mesmo tudo sendo feito com a mesma qualidade, fica a sensação de que algo ficou faltando. 

No fim, como se espera, as histórias se cruzam e deixam muitas portas abertas. Com certeza uma continuação já está em produção. Há ainda pontos que ligam o filme com a série “Predador: Badlands (2025)”, que será lançada em novembro no Disney+. 


Também são apresentadas conexões com “Predador: A Caçada” (2022) e com os dois primeiros filmes da franquia: “O Predador” (1987), com Arnold Schwarzenegger, e “O Predador 2: A Caçada Continua” (1990), com Danny Glover. 

E pra deixar os fãs ainda mais eufóricos, há também ligações com “Alien: Romulus” (2024). Ao que tudo indica, muito em breve, predadores e aliens devem se enfrentar novamente.

“Predador: Assassino de Assassinos” tem muitas qualidades e faz uma ligação entre todos os filmes já produzidos pela franquia. Mostra que há muita coisa a ser explorada sem ser repetitivo. É pra curtir e esperar os próximos capítulos.


Ficha técnica:
Direção: Dan Trachtenberg e Josh Wassung
Roteiro: Micho Rutare
Produção: 20th Century Studios
Exibição: Disney+ Brasil
Duração: 1h30
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: ação, ficção, animação

08 maio 2023

"Guardiões da Galáxia - Vol. 3" marca despedida emocionante de Chris Pratt

Produção encerra com humor e uma montanha-russa de emoções a trilogia do grupo mais desajustado e querido do Universo Marvel (Fotos: Walt Disney)


Maristela Bretas


Quase uma década de muitas lutas, humor sarcástico, grandes efeitos especiais e um grupo de desajustados que deu super certo, chegou a hora da despedida. 

"Guardiões da Galáxia - Vol. 3" encerra a trilogia deixando saudades e reservando momentos bem emocionantes com seus personagens. 


Até mesmo o diretor e roteirista da franquia, James Gunn, encerrou seu ciclo na Marvel (pelo menos por enquanto) e começa uma nova fase na concorrente, a DC.

Desde 2014, quando Gunn iniciou a saga do grupo, chefiado pelo saqueador do espaço, Peter Quill/Star Lord, que a legião de fãs só foi crescendo. Os dois filmes anteriores podem ser conferidos na plataforma Disney+.


O primeiro filme "Guardiões da Galáxia (2014) foi o melhor, apresentou a maioria dos personagens e começou a contar a trajetória de cada um. A saga continuou com o mesmo tom cômico e com emoções, esclarecendo o passado de mais integrantes do grupo. 

Mas é neste terceiro filme (que faz parte da Fase 5 do MCU) que um dos mais rabugentos e também dos mais adorados personagens (além de Groot) ganha espaço. 


O guaxinim Rocket Racoon (novamente com a voz de Bradley Cooper) tem sua dramática história contada. E as lágrimas rolam quando o espectador fica sabendo tudo o que ele passou quando era filhote. 

O mesmo acontece com Quill e os outros guardiões. A amizade entre eles se torna ainda mais forte.


Além de Chris Pratt e Bradley Cooper, retornam para o elenco Zoe Saldana (Gamora), Dave Bautista (Drax), Karen Gillan (Nebulosa), Pom Klementieff (Mantis) e Sean Gunn (Kraglin). 

Vin Diesel retoma a voz de Groot, agora um adulto, e Maria Bakalova fica com a voz de Cosmo, o cachorro espacial. Entre as novidades, destaque para Will Poulter (Adam Warlock), um alienígena dourado com superpoderes.


Em "Guardiões da Galáxia - Vol. 3", o grupo se estabeleceu num planetóide chamado Luganenhum. Peter Quill não aceita ter perdido Gamora (em "Vingadores: Guerra Infinita" - 2018) e vive bêbado, para tristeza do grupo. 

Mas ele terá de voltar à ativa quando vilões do passado de Rocket vêm atrás dele. Junto com seus amigos, eles terão que fazer de tudo para salvar o guaxinim guerreiro. Mesmo que para isso precisem se unir a antigos aliados inesperados.


Drax ainda é o membro mais divertido, com as melhores frases e piadas. Ele faz o par perfeito com Mantis, a única que ainda tem paciência para o humor sem noção do grandalhão. 

Nebulosa é o lado racional e mesmo sem mostrar suas emoções, se sente cada vez mais responsável pela turma. 

Já Groot se tornou um adolescente bombadão, doido por uma briga (típico da idade) e mais fiel do que nunca a Rocket. 

O grupo ganhou o reforço de Kraglin (fiel parceiro de Yondu, saqueador e pai adotivo de Quill que morreu em "Guardiões da Galáxia - Vol. 2") e do cão Cosmo. 


O vilão, Doutor Herbert Edgar Wyndham (papel de Chukwudi Iwuji), é convincente e cruel, especialmente quando as cenas mostram o que ele fez com Rocket e alguns de seus amigos no passado. 

Também chamado de Alto Evolucionário, ele é um cientista em busca da espécie perfeita que desenvolveu habilidades telecinéticas e poderes semidivinos.


Trilha sonora de arrasar

Apesar da emoção e do humor serem pontos fortes de toda a trilogia, ela não teria alcançado tanto sucesso se não tivessem o reforço dos excelentes efeitos visuais e da trilha sonora. 

Neste terceiro filme, ela está muito boa, mas ainda fica aquém da que marcou o longa de 2014 e até mesmo o de 2017. 


O Awesome Mix Volume 1 foi espetacular, com sucessos dos anos 80, de Elton John, George Harrison, Marvin Gaye, The Jackson 5 e muitos outros cantores e bandas da época.

"Guardiões da Galáxia - Vol. 2" também contou com hits como "Father and Son", de Cat Stevens (tudo a ver com a história do filme), "My Sweet Lord" (George Harrison), "Mr. Blue Sky" (da banda Electric Light Orchestra) e "Fox the Run (Sweet).


Neste terceiro filme temos hits dos Beastie Boys, Florence + The Machine, Bruce Springsteen, Radiohead. Mas o destaque fica para o resgate da música-tema da franquia, "Come and Get Your Love", do Redbone.

A soundtrack completa do Awesome Mix dos três volumes, que fazem parte da playlist da fita K7 de Peter Quill, está disponível no @Spotify como "Guardians of the Galaxy: The Official Mixtape". Clique no link para conferir.  


Então, está preparado para muita ação e choradeira com a despedida destes heróis? Então não perca nos cinemas "Guardiões da Galáxia - Vol.3", um dos mais divertidos e emocionantes filmes do Universo Cinematográfico Marvel dos últimos anos. 

A franquia que, desde o seu primeiro filme, em 2014, já faturou mais de US$ 1 bilhão ao redor do mundo, tem o encerramento que merecia. 

O terceiro filme vale a pena ser assistido na versão legendada em Imax. Não esqueça: como em toda produção dos estúdios Marvel, há duas cenas pós-créditos.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: James Gunn
Produção: Marvel Studios
Distribuição: Walt Disney Pictures
Duração: 2h30
País: EUA
Classificação: 10 anos
Gêneros: ação, ficção científica, comédia

16 maio 2022

"Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" introduz o terror no universo da Marvel

 Produção esbanja nos efeitos visuais e nas ótimas interpretações (Fotos: Marvel Studios)

Jean Piter e Maristela Bretas


Segue lotando salas de cinemas brasileiros o mais novo filme da Marvel, "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" ("Doctor Strange in the Multiverse of Madness"). A história se passa depois de os eventos de "Vingadores Ultimato" (2019) e de "Homem-Aranha Sem Volta pra Casa" (2021). O mundo aparenta alguma tranquilidade, mas de repente, seres de outras dimensões chegam à Terra. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) e seu parceiro Wong (Benedict Wong) percebem que algo muito ruim está para acontecer e vão unir forças novamente.

Para entender bem o filme é preciso saber algumas histórias anteriores. Em "Vingadores - Guerra Infinita" (2018), o vilão Thanos apagou metade da vida do universo. Em "Vingadores Ultimato", os heróis viajam no tempo e conseguem trazer de volta as pessoas que haviam desaparecido. 


Depois, no último filme do Homem-Aranha, o feitiço do Doutor Estranho abriu as portas do multiverso. Essa é mais uma etapa da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM ou MCU em inglês), iniciada nos cinemas com "Viúva Negra" (2021) e na TV com a ótima série "WandaVision" (2021), o que abre a possibilidade de diversos mundos se cruzando no futuro.  

Em "Multiverso da Loucura" temos a introdução da personagem America Chavez (Xochitl Gomez). Ela tem o poder de viajar de um universo para outro. Habilidade que é desejada por um ser muito forte, digamos, o “vilão” da história. Chavez é perseguida e acaba parando na Terra, onde Wong e Strange tentam ajudá-la. Sabendo que se trata de uma grande ameaça ligada à magia, eles procuram a ajuda de Wanda.  


Strange tenta proteger Chavez a todo custo. Assim eles acabam fugindo por várias realidades. Em mundos onde há outros Doutores Estranhos, outras Wandas... Uma cópia de cada mundo, podemos dizer.

Chiwetel Ejiofor interpreta uma versão do Mordo, Rachel McAdams volta a interpretar a Dra. Christine Palmer. E não são participações gratuitas. Cada um tem sua importância na história. E tem também a introdução dos Illuminati, o grupo de heróis mais fortes e inteligentes reunidos para proteger os mundos.  


O filme é do Doutor Estranho, mas poderia ser da Wanda. Ela aparece como Wanda e também em sua versão mais forte, a Feiticeira Escarlate, em uma caracterização maravilhosa. Há também mais de uma versão de Stephen Strange, como mostrado nos trailers. E as interpretações de ambos estão excelentes. 

Entretanto, o ponto alto de "Multiverso da Loucura" é o terror. Não que seja um filme do gênero, ele continua sendo de ação, aventura, mas agora em vez de pitadas de humor como nos filmes do Thor ou dos Guardiões da Galáxia, temos recursos de terror em boa parte das cenas.  

O estilo sombrio de Sam Raimi

Essa mudança tem nome: Sam Raimi. O diretor que era muito conhecido pela trilogia do "Homem-Aranha" de Tobey Maguire tem o início da carreira marcada pela franquia “Uma Noite Alucinante”. Ele também dirigiu outros filmes do gênero. Pesadelos, almas penadas, zumbis, feitiços, reflexo no espelho, velas se apagando, possessão demoníaca, portas batendo, cenários sombrios... Tem um pouco de tudo na nova produção da Marvel. Graças a Raimi. Isso deu uma nova cara ao filme e ao mesmo tempo abre possibilidades para as próximas produções.  


A Marvel tem entre seus personagens vilões como Mefisto (demônio que governa o mundo dos mortos), Coração Negro (vilão poderoso e sem batimentos cardíacos), Zarathos (Anjo da Justiça), Chthon (Mestre da Magia do Caos), e vários outros. 

E ainda heróis e anti-heróis sombrios como Blade, Motoqueiro Fantasma, Cavaleiro da Lua e o próprio Doutor Estranho. Com tantas opções, dá pra se esperar outras obras mais voltadas para o terror, o que seria ótimo para diversificar o multiverso das produções cinematográficas que estão por vir.  


São duas horas de filme e muitos acontecimentos. Apesar disso, há quem possa achar que a história ficou incompleta, vaga, superficial. Que os personagens não tiveram o desenvolvimento adequado. Que os problemas não foram bem construídos. 

Mas a verdade é que tudo se encaixa. Longe de ser uma produção perfeita. Mas é muito bem construída. Tem início, meio e fim. E, claro, ficou tudo mais evidente pra quem assistiu as séries "What If...?", "Loki" e "WandaVision", todas ano passado.  


Havia muita expectativa com a introdução de dezenas de personagens. Muitas foram as teorias criadas na internet com as análises dos trailers, com supostos vazamentos. Ainda mais depois das aparições em "Homem-Aranha Sem Volta pra Casa" (2021). A maior parte disso não se concretizou, o que deixou muitos fãs relativamente frustrados e que acabaram não conseguindo enxergar os pontos positivos trazidos no novo filme do Doutor Estranho.  

Essa é uma boa oportunidade para rever a relação do público com os youtubers, influencers e sites voltados para o mundo nerd e de entretenimento. Esse monte de spoilers, especulações e supostos vazamentos têm estragado a experiência do cinema? É preciso refletir.  


Magia X feitiçaria

"Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" reforça a parte visual do mundo de cabeça para baixo, com dimensões se intercalando, como foi apresentado em "Homem-Aranha Sem Volta Para Casa". O filme começa com muita ação e se mantém assim até o final, com muita disputa entre magia e feitiçaria, numa viagem alucinante que abusa da computação gráfica e dos efeitos visuais, dignos de prêmios. 

Uma das cenas que mais merece aplausos é das notas musicais (não vou além para não estragar a surpresa). Um verdadeiro clássico, entregue pelas mãos do compositor Danny Elfman, responsável pela trilha sonora.


Além de apresentar personagens dos quadrinhos, pouco conhecidos da maioria do público e que podem ganhar futuramente versões solo para o cinema, o longa faz uma inversão de papéis, mostrando que heróis também podem se tornar vilões. E que até vilões podem ter momentos de razão e coração. A aparição desses novos personagens da Marvel, no entanto não causou (pelo menos na sessão em que eu estava) o impacto desejado, como foi com os três Homens-Aranhas do filme de 2021,

Elisabeth Olsen tem uma interpretação assustadoramente ótima, dominando as cenas. Uma continuação perfeita da sua personagem da série "WandaVision", da Disney+. Ela surgiu em "Vingadores: Era de Ultron" (2015) como Wanda Maximoff e foi crescendo no MCU e como super-heroína, entregando sua melhor atuação neste segundo filme do Doutor Estranho.


Sobre Benedict Cumberbatch não há muito que falar. Ele é o equilíbrio perfeito do longa, mostrando mais uma vez o excelente ator que é. Ele mantém a arrogância, a prepotência (e o charme) de sempre de seu primeiro “Doutor Estranho” (2016) e dos filmes dos Vingadores, mesmo quando está em desvantagem. Cumberbatch brilha, não importa se como super-herói e Mago Supremo dos Vingadores, ou como o vaqueiro Phil Burbank, do premiado "Ataque dos Cães" (2021), da Netflix.

"Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" tem como grande marco a abertura de outros mundos e outras realidades. Isso é muito importante para o que há de vir. Quem ainda não viu, vale a pena ver. Ao que tudo indica, essa é porta para uma nova fase em universos que vão se colidir. Quem já viu, vale a pena ver de novo e observar essa nova estética e todos os detalhes e referências que estão espalhados pelo filme.


Ficha técnica:
Direção:
Sam Raimi
Produção: Marvel Studios
Distribuição: Walt Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h06
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Ação, aventura, fantasia

19 dezembro 2021

"Homem-Aranha - Sem Volta Para Casa" é divertido, nostálgico e o melhor da trilogia com Tom Holland

Filme traz o personagem mais maduro, assumindo seu papel de herói e enfrentando o Multiverso do Doutor Estranho (Fotos: Marvel Studios)


Maristela Bretas e Jean Piter Miranda


O melhor filme da trilogia interpretada por Tom Holland, o super-herói mais jovem dos Vingadores. Esta é a minha opinião sobre "Homem-Aranha - Sem Volta Para Casa" ("Spider-Man: No Way Home") em cartaz nos cinemas de todo o pais. "Tom Holland está incrível, entrega sua melhor atuação. Ator e personagem amadureceram juntos e ficou ótimo. Ele deixou de ser o garoto que tinha medo se ser herói para assumir seu destino", diz meu amigo e colaborador Jean Piter, que também participa dessa crítica..


É lindo também ver Tom Holland formando o par romântico com Zendaya e lutando juntos nas batalhas contra os vilões. A química entre os dois é muito maior e melhor do que a mostrada em "Duna" (pelo menos no primeiro filme), ao lado de Timothée Chalamet. Ela entrega uma MJ simpática e carismática, seja contracenando com o herói ou com Jacob Batalon, no papel de Ned Leeds, o fiel amigo chiclete que nunca desgruda do casal. Um trio verdadeiramente nerd que agrada.


O terceiro filme do Homem-Aranha está atraindo milhares de fãs. Nas sessões de pré-estreia não foram poucos aqueles que se fantasiaram de "Miranha", como é chamado por muitos fãs. Camisetas com as mais diversas estampas dominaram as salas. 

E essa ansiedade continua a mesma, dias depois com os fãs na entrada. E é bom mesmo porque ninguém sai decepcionado da sessão. A sensação que dá é de que valeu a pena esperar e o fillme atendeu muito ao que era esperado!

Além de Tom Holland e Zendaya, o elenco conta novamente com a participação de outros conhecidos da franquia, como Marisa Tomei (tia May) "que ganhou mais espaço neste filme e brilhou", afirma Jean Piter, fã de carteirinha da atriz. Cabe a ela ajudar o sobrinho "aranhudo" a avaliar sua postura diante da vida e das responsabilidades que precisa assumir.


Outro essencial a toda a trama é Benedict Cumberbatch, que também faz uma atuação impecável como Dr. Estranho. Consegue ser um tiozão disposto a puxar a orelha do jovem e impetuoso Homem-Aranha. Mas também tem seus momentos de afagos e de comentários sarcásticos. Ele dará o tom do que podemos esperar para seu próximo filme solo, "Doutor Estranho no Mutiverso da Loucura", previsto para estrear em maio de 2022. 


Difícil falar sobre este terceiro filme do "amigo da vizinhança" sem dar spoiler. A cada cena surge uma surpresa que leva os fãs ao delírio. O multiverso da Marvel, onde tudo é possível, brinca com a nostalgia e com a cabeça do público, que está ansioso desde que começaram a ser divulgados os primeiros trailers do filme apresentando vilões do passado, fora do universo da Marvel, com seus atores originais. 


O que esperar de um filme que reúne Duende Verde (Willem Dafoe), Doutor Octopus (Alfred Molina), Homem Areia (Thomas Haden Church), Lagarto (Rhys Ifans) e nada menos que Electro (Jamie Foxx)? Com isso, criou-se a expectativa de ver juntos os três aranhas que passaram pelos cinemas: Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland. 


O diretor Jon Watts ("Homem-Aranha: de Volta ao Lar" - 2017 e "Homem-Aranha: Longe de Casa" - 2019) soube explorar bem a computação gráfica. Os efeitos especiais são ótimos, as cenas de ação, de luta corporal, explosões e destruição estão muito realistas, completa Jean Piter. 

A trilha sonora não fica para trás, entregue aos cuidados do premiado Michael Giacchino (compositor dos outros dois filmes do Homem-Aranha, das franquias "Jurassic World" - 2015 e 2018 - e "Planeta dos Macacos" 2013 e 2017; de animações como "Viva - A Vida é Uma Festa" - 2017, "Divertida Mente"- 2015, "Os Incríveis 2" - 2018 e dezenas de outros sucessos.


E mesmo com muita ação, um dos pontos fortes foi a emoção: Peter Parker terá de fazer escolhas que vão interferir em sua vida e na de todos ao seu redor. Especialmente após ter tido sua identidade revelada por Mysterio (Jake Gyllenhall) no segundo filme. A partir daí, ele passa a ser perseguido pela morte do alienígena e seu maior acusador é o jornal Clarim Diário, dando início a história deste filme. 


Tratado por alguns como herói e por outros como vilão, Peter pede ajuda ao Doutor Estranho para que use magia e faça com que todos esqueçam sua identidade. Mas o feitiço dá errado e vilões de outras versões são atraídos para a dimensão do atual Homem-Aranha.

 Agora, Peter não só terá de deter estes monstros como fazer com que voltem para seu universo original. E a todo o momento há sempre alguém que aparece para lembrá-lo de que "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades".


Crossover e continuações

Vale destacar também a animação de 2019 “Homem-Aranha no Aranhaverso” (2019), que trouxe seis versões do herói, todas juntas em um mesmo universo. Estória que também ganhou um série de quadrinhos. Isso reforçou a possibilidade de um crossover, os três universos se interligando. Algo jamais visto na história do cinema. 

Até agora, foram três filmes com Maguire “Homem-Aranha 1, 2 e 3” (2002, 2004 e 2007), dois com Garfield “O Espetacular Homem-Aranha 1 e 2” (2012 e 2014) e seis com Holland “Capitão América – Guerra Civil” (2016), “De Volta ao Lar” (2017), “Vingadores – Guerra Infinita” (2018), “Vingadores – Ultimato” (2019), “Longe de Casa” (2019) e agora em “Sem Volta pra Casa” (2021) vemos todas essas estórias se cruzando. 


O feito cinematográfico da nova produção já é por si enorme, gigante. Com ou sem a presença de Garfield e Maguire são cinco produções do Aranha se ligando a um universo de 29 filmes já produzidos, outros oito que estão em produção, fora as séries de TV e os curta-metragens.

"Sem Volta Para Casa" é acima de tudo um filme nostálgico de super-herói, cheio de grandes emoções, frases e situações que remetem a produções passadas e, claro, muita ação. Mas depois dele, o que podemos esperar para as próximas produções da MCU, especialmente com as distorções provocadas pelo Multiverso? Teremos um filme do Sexteto Sinistro, os principais inimigos do Homem-Aranha? Os heróis e vilões das séries vão para o cinema? 

É aguardar pra ver, com muito otimismo e ansiedade. Até agora, o que foi entregue aos fãs merece todos os aplausos. E pelas duas cenas pós-créditos, o mundo dos super-heróis vai virar de cabeça para baixo e nunca mais será o mesmo.


Ficha técnica:
Direção: Jon Watts
Exibição: Somente nos cinemas
Produção: Marvel Studios / Columbia Pictures / Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 2h30
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: Ação /Aventura
Nota: 4,8 (de 0 a 5)