quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Motorrad" é um terror nacional sangrento, de violência brutal

Thriller nacional foi eleito "Melhor Filme" no Rio Fantastik Festival de 2017 (Fotos: Filmland Internacional/Divulgação)

Maristela Bretas


"Motorrad" é um filme nacional de ação, perseguição e morte, com personagens criados pelo quadrinista Danilo Beyruth, atual colaborador da DC Comics. Apesar de ser uma boa produção, a aposta nos movimentos rápidos e no ronco dos motores das motos, com câmeras acopladas aos atores e veículos, deixa o filme um pouco confuso e cansativo. O terror é constante e a violência brutal e crescente até chegar a um final sem pé nem cabeça que não leva a lugar algum. Tudo isso acontecendo num ambiente de pouca cor, apesar de se passar em boa maior parte do tempo em campo aberto.

O barulho excessivo das motos e as cenas de perseguição eram intenção do diretor para causar maior impacto, contrastando com as belas paisagens da Serra da Canastra, em Minas Gerais, onde o filme foi feito. O lado estético de "Motorrad" foi muito bem trabalhado, mas a extrema violência torna a produção indicada apenas àqueles que gostam muito do gênero. 

Sobre o enredo, começa do nada e vai para lugar algum, não se sabe se é um filme de terror com motoqueiros assassinos e alienígenas, o porquê de as mortes acontecerem, quem são essas pessoas que vão surgindo no desenrolar da história. As dúvidas são muitas, mas as explicações ficam por conta da criatividade do público.

O elenco é formado por oito personagens identificáveis: Emílio Dantas (Ricardo), Guilherme Prates (Hugo, irmão mais novo de Ricardo), Carla Salle (como Paula a motoqueira misteriosa), Juliana Lohmann (Bia), Pablo Sanábio (Tomás), Rodrigo Vidigal (Rafa) e Alex Nader (Maurício), além de Jayme Del Cueto, no papel do homem do ferro velho. Já a quadrilha assassina não tem rosto e passa o tempo todo de capacete. Você vai sair do cinema sem saber quem são os integrantes.

O longa conta a história de um grupo de motocross que se aventura por uma trilha desconhecida na Serra da Canastra. No caminho encontra uma motoqueira misteriosa que os convida a fazer uma trilha mais eletrizante onde ficam as melhores cachoeiras. O grupo só não contava que passaria a ser caçado por motoqueiros sádicos e sobrenaturais.

Curiosidade

"Motorrad" foi o único representante brasileiro no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2017 e eleito "Melhor Filme" no Rio Fantastik Festival do ano passado. Segundo o diretor Vicente Amorim rodar na Serra da Canastra exigiu uma logística incrível de produção por causa da dificuldade de acesso - somente veículos 4x4 conseguiam chegar até os locais de filmagem, e eram quase duas horas de deslocamento. Mas ao final, após meses de gravação e montagem, quase todas as cenas do roteiro foram usadas. Como ele mesmo disse, "Motorrad" é um thriller. "Terror e ação sem concessões".



Ficha técnica:
Direção: Vicente Amorim
Produção: Filmland Internacional / República Pureza Filmes / LG Tubaldini Jr.
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h32
Gêneros: Terror / Suspense
País: Brasil
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Motorrad, #VicenteAmorim, #EmilioDantas, #LGTubaldiniJr, #FilmlandInternacional, #terror, #suspense, #WarnerBrosPictures, #espaçoz, #cinemas.cineart, #cinemanoescurinho

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Nem a presença de Helen Mirren salva "A Maldição da Casa Winchester"

Filme é baseado em fatos que teriam ocorrido na mansão mais assombrada dos EUA (Fotos: Splendid Film/Divulgação)


Maristela Bretas


Com estreia marcada para esta quinta-feira (1º de março), o filme "A Maldição da Casa Winchester" ("Winchester: The House That Ghosts Built") deixa a desejar apesar de ter em seu elenco principal dois nomes conhecidos: a ganhadora do Oscar, Helen Mirren ("Beleza Oculta" - 2016, "Decisão de Risco" - 2015 e "A 100 Passos de um Sonho" - 2014) e Jason Clarke ("Evereste" e "O Exterminador do Futuro: Gênesis", ambos de 2015).

A proposta era de um filme de terror, mas o susto é pequeno e o suspense nem tanto. Mirren mostra pouco de seu talento para um roteiro fraco, sobre uma casa com dezenas de cômodos que existe até hoje na Califórnia e é considerada a mais mal assombrada de todas. A tal mansão pode até ser ponto turístico para quem gosta de excentricidades, mas a história adaptada pelos irmãos australianos Michael e Peter Spierig ficou muito aquém do esperado.

A estratégia de marketing no Carnaval e na frente das salas de cinema pode atrair um público curioso sobre a famosa casa que pertenceu à família Winchester, uma das maiores fabricantes de armas de fogo dos EUA, e que foi construída para abrigar espíritos. Eles aparecem na maior parte do tempo, mas não no lugar onde é esperado. Mesmo assim, o público pode sair decepcionado após a sessão.

A famosa Casa Winchester tem 160 cômodos e foi construída por Sarah Winchester (interpretada por Helen Mirren), herdeira da fortuna da família. Começou a ser construída no início do século e assim continuou durante décadas de forma incessante, 24 horas por dia, sete dias por semana. Tem sete andares de altura e abriga centenas de quartos e nunca foi terminada. Um terremoto em 1906 destruiu parte dela, mas mesmo assim permaneceu sendo moradia de Sarah e sua família por vários anos. Atormentada pelos espíritos, os cômodos teriam sido feitos pela herdeira para abrigar fantasmas vingativos, vítima das armas produzidas por sua família.

No filme, Sarah é considerada perturbada e sem condições de continuar à frente da empresa. A diretoria contrata o psiquiatra Eric Price (Jason Clarke) para morar na casa e avaliar a sanidade da milionária herdeira. Mas ele mesmo tem seus próprios fantasmas a serem combatidos. Além dos empregados, moram também na casa Marion (Sarah Snook), sobrinha de Sarah e o filho menor dela. E todos são perseguidos pelas almas atormentadas que habitam o local.


A proposta da produção é boa, poderia ter sido mais bem explorada, mas ficou só no início interessante, depois caiu no comum, tão obvio que dá para identificar em pouco tempo qual o fantasma mais perigoso. Nem Helen Mirren é capaz de salvar "A Maldição da Casa Winchester". Jason Clarke também está inexpressivo, assim como o restante do elenco. A maquiagem no entanto foi bem feita e as imagens aéreas dão uma boa noção da extensão da construção centenária. O figurino foi bem escolhido mas nada de excepcional, assim como os efeitos visuais.

Apesar de ser inspirada em fatos reais contados ao longo dos anos, o filme deixa dúvidas se os ataques dos espíritos realmente aconteceram ou se foram fruto da imaginação de Sarah Winchester. Uma pena que a maldição da famosa Casa Winchester tenha sido mal aproveitada pelos diretores e também roteiristas, que também desperdiçaram bons talentos.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Michael e Peter Spierig
Produção: Liosngate / CBS Films / Splendid Film
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h40
Gêneros: Terror/Biografia
Países: EUA / Austrália
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #AMaldiçãodaCasaWinchester, #HelenMirren, #JasonClarke, #terror, #assombração, #ParisFilmes, #Lionsgate, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

"Pantera Negra" apresenta bem o super-herói negro da Marvel e valoriza a força das mulheres

Adaptação dos quadrinhos, produção explora a luta entre o bem e o mal com outra perspectiva (Fotos: Walt Disney/Marvel/Divulgação)


Maristela Bretas


O filme apresentou muito bem o super-herói negro de um país imaginário na África, que quase parece o reino de Asgard, de Thor. Mas são as mulheres que fazem a diferença em "Pantera Negra" ("Black Panther"), a superprodução da Marvel Studios que muda a cara de tudo o que foi apresentado no cinema desde o lançamento de "Os Vingadores" em 2012. Se nos filmes dos demais super-heróis a aposta tem sido nas batalhas e poderes dos integrantes do famoso grupo, em "Pantera Negra" a força está na discussão política, na valorização do negro e na importância das mulheres para que este herói exista.

O príncipe T'Challa (Chadwick Boseman), que incorpora o personagem Pantera Negra ao assumir o reino de Wakanda, seria só mais um sem as fortes mulheres a sua volta: a irmã Shuri (Letitia Wright, da série de TV "Black Mirror"), que coordena a área tecnológica do país e cria seus trajes e "brinquedinhos" de combate ao crime; Nakia (a sempre excelente Lupita Nyong'o, de "12 Anos de Escravidão"- 2014 e StarWars VII e Star Wars VIII), grande paixão de T´Challa; e Okoye (Danai Gurira, da série de TV "The Walking Dead"), a arrasadora guerreira e chefe da guarda de Wakanda. Elas são a força, a inteligência, o poder e a essência de Wakanda e da história de "Pantera Negra".

O herói Pantera Negra já havia aparecido em "Capitão América: Guerra Civil" (2016) e estará de volta em "Os Vingadores - Guerra infinita", com estreia marcada para 26 de abril. E Chadwick Boseman ("Deuses do Egito" - 2016) incorporou bem o papel e deixa sua marca em personagem que é o diferencial. Mas fica em segundo plano quando contracena com alguma das mulheres fortes de sua vida.

Outro com ótima participação foi Michael B. Jordan ("Creed - Nascido para Lutar" - 2016, do mesmo diretor Ryan Coogler), que não chega a ser um vilão, uma vez que luta para que o povo africano seja respeitado pelo restante do mundo. Mas prefere o conflito armado para impor seu poder, ao contrário do novo rei que adota a negociação, como seu pai. 

Mas vilão mesmo é Andy Serkis (o intérprete do gorila Cesar, de "Planeta dos Macacos - A Guerra" - 2017), que está ótimo como o mercenário Ulysses Klaue. Ele é cruel, sem escrúpulos, racista, machista,com uma risada que beira a histeria. Merecia ter mais tempo no filme. No elenco estão também outros ótimos nomes conhecidos como Daniel Kaluuya (que concorre ao Oscar 2018 de Melhor Ator por "Corra!" - 2017), Martin Freeman (“O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos" - 2014), Forest Whitaker ("A Chegada"- 2016) e Angela Bassett (da série de TV "American Horror Story").

"Pantera Negra" é um filme de super- herói onde o branco não tem voz. E a produção soube explorar muito bem os figurinos, a trilha sonora e a fotografia, com belíssimas paisagens e locações deste novo universo Marvel. E a questão política e racial é o forte do enredo, mostrando que nem Wakanda escapa desta ferida. Enquanto o restante da África sofre com guerras, fome e abandono, o reino de T´Challa está isolado e protegido sob uma capa invisível, mantendo seus rituais e dividido em tribos que tentam preservar suas origens, tirando proveito dos benefícios que o vibranium, um material raro, pode proporcionar.

Na história, o príncipe T'Challa assume a coroa de Wakanda após a morte do rei, seu pai, e se transforma no novo Pantera Negra, guardião do reino. Das cinco tribos, apenas os jabari não apoiam o novo governo. A nova missão do Pantera Negra é encontrar e levar para Wakanda o mercenário Ulysses Klaue, que anos atrás roubou uma grande quantidade de um metal raro, o vibranium. Ele terá ao seu lado nesta luta, as guerreiras Okoye e Nakia, além da irmã, especialista em tecnologia avançada. E terá de enfrentar outros inimigos ainda mais perigosos para preservar Wakanda e evitar uma guerra mundial.

"Pantera Negra" vale muito a pena. Assisti duas vezes - como um filme de super-herói Marvel, que eu gosto bastante, e como uma produção preocupada em fazer uma abordagem mais séria, destacando a força das mulheres e, principalmente dos negros. Em vários países, principalmente na África, de onde saíram alguns atores como Lupita Nyong'o foram muitas as manifestações de orgulho ao herói negro após as sessões. Wakanda Forever! Como postou meu amigo Marcelo Seabra em sua crítica no blog "Pipoqueiro", "Pantera Negra" chegou fazendo história. 



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Ryan Coogler
Produção: Marvel Studios / Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney/ Buena Vista
Duração: 2h15
Gêneros: Ação / Aventura / Ficção / Fantasia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4,2 (0 a 5)

Tags: #PanteraNegra, #BlackPanther, #Wakanda, #RyanCoogler, #ChadwickBoseman, #LupitaNyong'o, #MichaelBJordan, #DanaiGurira, #AndySerkis, #ação, #aventura, #ficção, #superheroiMarvel, #MarvelComics, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Daniel Day-Lewis se despede com "Trama Fantasma", um de seus melhores papéis

Drama aborda a conturbada relação entre o costureiro Reynolds Woodcock e Alma, uma garçonete que se tornou sua musa inspiradora (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Anunciado como seu último trabalho no cinema, Daniel Day-Lewis entrega em "Trama Fantasma" ("Phantom Thread") uma interpretação impecável do excêntrico costureiro Reynolds Woodcock, um homem que se inspirava nas mulheres com quem se relacionava sem compromisso, mas que não conseguia dar um passo sem a aprovação da irmã.

Daniel Day-Lewis passeia com competência pelos dois perfis de seu personagem - o renomado e confiante Woodcock, costureiro da realeza e da elite britânica, e o fraco e carente Reynolds, dependente e controlado pelas duas mulheres que ama na vida. Por este papel, ele é um dos fortes candidatos ao Oscar 2018 como Melhor Ator.

Lesley Manville, como a irmã Cyril, e Vicky Krieps, como a garçonete Alma, que se torna a mais nova musa inspiradora e amante do costureiro, são a perfeita combinação para compor o triângulo na vida de Woodcock e ajudar a dar mais brilho ao personagem de Daniel Day-Lewis. Lesley Manville está na disputa da estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante. Muito justa a indicação.

O figurino de "Trama Fantasma" também concorre à maior premiação do cinema nesta categoria. A reconstituição de época - a história se passa na década de 1950 - com os figurinos deslumbrantes, principalmente as criações do estilista para Alma desfilar com ele pela sociedade, é um dos pontos positivos da elegante produção.

No drama, Reynolds Woodcock é um homem carente, ciumento, egocêntrico e perfeccionista, cercado por funcionários e bajuladores, que é controlado até em suas relações amorosas pela irmã Cyril sua aliada na Maison. Ele nunca se prende a nenhuma mulher, até conhecer Alma, uma garçonete simples que irá se tornar sua amante e musa inspiradora. 

Apesar de parecer frágil, ela fará uma revolução na vida de Woodcock e será capaz de tudo para manter o controle sobre seu grande amor.

O roteiro de Paul Thomas Anderson, também diretor e produtor de "Trama Fantasma", é muito bom, conduz a um labirinto de emoções do personagem principal. O elenco cumpre muito bem seu papel, ancorado pela bela trilha sonora instrumental de piano de Jonny Greenwood. Mas do meio em diante a história se torna cansativa, arrastada. São 2h11 que parecem 4 horas. O final, apesar de não surpreender, agrada, mas dificilmente vai superar os dois mais cotados - "A Forma da Água" e "Três Anúncios Para um Crime".



Ficha técnica:
Direção, produção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Produção: Annapurna Pictures / Focus Features
Distribuição: Universal Pictures do Brasil
Duração: 2h11
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #TramaFantasma, #PhantomThread, #DanielDayLewis, #LesleyManville, #VickyKrieps, #PaulThomasAnderson,  #drama, #UniversalPicturesdoBrasil, #cinemas.cineart, #espaçoZ, #CinemanoEscurinho

domingo, 18 de fevereiro de 2018

"A Forma da Água" - uma fábula de fantasia para um duro contexto de realidade

Sally Hawkins entrega um excelente trabalho como a funcionária muda que se apaixona pelo ser aquático preso no laboratório (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Wallace Graciano


O cinema sempre teve como grande atributo apontar ao público o “elefante branco na sala”. Pelo fantástico, há uma transgressão às regras preestabelecidas e se aponta determinadas feridas em camadas que aos poucos são reveladas. O diretor Guillermo Del Toro é um dos que melhor sabem conduzir esse tipo de narrativa, como mostrou em “Labirinto do Fauno”, em 2006, ao subverter o gênero da fantasia para explorar determinados meandros, levemente inseridos na película. 



Uma década depois, com “A Forma da Água” ("The Shape of Water"), ele volta a apresentar uma fábula que expõe contextos políticos e sociais ao ridículo, com toques de fantasia que captam qualquer expectador. Não à toa, recebeu 13 indicações ao Oscar e talvez tenha chegado àquela que pode ser sua obra-prima.


Assim como outrora, ele leva a fantasia para escapar do duro contexto da realidade. Desta vez, a ambientação se passa em um laboratório secreto norte-americano, em meados da década de 1960, no ápice da corrida espacial e da Guerra Fria. O ambiente rígido e paranoico começa a ganhar cor através de Eliza (Sally Hawkins), uma zeladora muda que trabalha no local. Certo dia, ela chega ao centro e se depara com um humanoide anfíbio. A partir desse momento, embriagada pelo sentimento em comum de solidão e de ser párea da sociedade, ela constrói uma relação intrínseca com aquele “monstro”.


Nesse momento, entra um parêntese ao belíssimo trabalho de condução de Del Toro, que conseguiu fazer uma conexão incomum entre realidade e fantasia, criando uma sinergia que dialoga em meio à atmosfera militar da película, de tons escuros com cores quentes escolhidos pela fotografia. A isso, soma-se o trabalho de maquiagem, que, como ele, já se caracterizou em suas últimas obras.

Em suma, “A Forma da Água” é uma belíssima fábula moderna, que conta com leveza um romance muito além do imaginário em um ambiente paranoico. Uma obra que justifica o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza como Melhor Filme.



Ficha técnica:
Direção: Guillermo Del Toro
Produção: 20th Century Fox / Fox Searchlight Pictures
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 2h03
Gêneros: Fantasia / Drama / Romance
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #AFormadaAgua, #GuillermoDelToro, #SallyHawkins, #OctaviaSpencer, #RichardJenkins, #MichaelStuhlbarg, #GuerraFria, #cinemas.cineart, #FoxFilmdoBrasil, #FoxSearchlightPictures, #cinemanoescurinho

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Em "Cinquenta Tons de Liberdade" até Cinderela ficaria com vergonha da história

O casal Anastasia Steele e Christian Grey completa a trilogia escrita por E.L. James (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


E a famosa trilogia chega ao fim. "Cinquenta Tons de Liberdade" ("Fitty Shades Freed") conseguiu ser pior que os dois filmes anteriores, com uma história boba que até Cinderela teria vergonha de interpretar. Se o casal Anastasia Steele (Dakota Johnson) e Christian Grey (Jamie Dornan) já não convencia no primeiro filme, a situação só ficou pior neste com o casamento esperado pelas fãs que acompanharam ansiosas o fim do conto de fadas moderno. E terminou deixando muito expectador que não leu os livros sem saber se a proposta dos filmes era ser pornô chique, sadomasoquismo ou só uma história boba com final previsível para atrair uma legião de mulheres ao cinema.

E foi isso que aconteceu, incluindo neste terceiro nas salas onde está sendo exibido: um grande público feminino e pequena presença masculina, acompanhando a esposa ou a namorada. Na sessão em que estava um senhor acompanhado da esposa chegou a roncar durante o filme. A história era tão "interessante" que duas jovens sentadas na fileira atrás da minha não paravam de tagarelar e a expectadora na fileira da frente passou boa parte enviando whatsapp para uma conhecida.


"Cinquenta Tons de Liberdade" é clichê do início ao fim, com direito a casamento, véu, grinalda e vestido branco, mansões, jatos, viagens pelo mundo, seguranças particulares, governantas e um vilão, Jack Hyde (Eric Johnson) que poderia ter salvado tudo, mas era tão ruim quanto os protagonistas. Dakota dá a impressão de que não via a hora de a trilogia acabar. 

Dornan está ainda mais sem sal. Ele inclusive deu algumas declarações sobre as filmagens que geraram mais interesse do que sua atuação. Como a de que usou enchimento para dar volume às "partes íntimas". Sinal de que o ator precisa de propaganda enganosa para valorizar seu personagem, que sempre foi o lado fraco do pseudo-romance porno-chique.

Anastasia continua tirando a roupa facilmente (acho que se esqueceram de avisar ao roteirista que o público masculino é reduzido), enquanto Christian fica só fazendo gênero, usando calça jeans e sem camisa com barriga tanquinho e bunda exposta à meia luz. E só. "Cinquenta Tons de Liberdade" continua machista e idiota, expondo apenas o corpo da mulher e preservando o do homem, como em seus antecessores, agora fazendo a linha família.

"Cinquenta Tons de Liberdade" agrada quem sonha com um marido rico, poderoso e apaixonado, uma vida de glamour com tudo o que o dinheiro pode proporcionar, especialmente um casamento de princesa. O último filme da trilogia tem tudo isso, além de tentativa de assassinato e sequestro e final feliz bem família quem nem em sessão da tarde se vê mais. As poucas cenas mais apimentadas ficam apenas "nos entretanto". Os "finalmente" ficam por conta da imaginação do público.


A produção não faz nem um meio de campo, já começa no casamento de Anastasia e Christian, lua de mel fantástica, passeio de jatinho, iate e jet ski, marido ciumento e uma mulher que não aceita mais ser subjugada. O agora casal Grey terá de aprender a viver junto, continuar mantendo acesa a chama do desejo, se proteger de antigos inimigos (nem isso mudou) e ser "feliz para sempre".

Não espere muito de "Cinquenta Tons de Liberdade", que deixa a sensação de que foi feito só para encerrar a trilogia. Faltaram desejo, calor, criatividade e, acima de tudo, interpretação. Mas deverá ser outro sucesso de bilheteria, como aconteceu com "Cinquenta Tons de Cinza" (2015) e "Cinquenta Tons Mais Escuros" (2017), que renderam quase U$ 950 milhões pelo mundo.



Ficha técnica:
Direção: James Foley
Produção: Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures do Brasil
Duração: 1h46
Gêneros: Drama / Romance / Erótico
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 2 (0 a 5)

Tags: #CinquentaTonsdeLiberdade, #JamesFoley, #DakotaJohnson, #JamieDornan, #EricJohnson, #ELJames #drama, #erotico, #romance, #UniversalPictures, #cinemas.cineart, #espacoz, #cinemanoescurinho


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"Três Anúncios Para um Crime", um trabalho inesquecível de Frances McDormand

Filme conta a história da luta de uma mãe para encontrar os assassinos de sua filha (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas


Impecável, tenso, brutal em alguns momentos. Tudo isso é encontrado no excelente "Três Anúncios Para um Crime" ("Three Billboards Outside Ebbing, Missouri"), mais um dos fortes candidatos ao Oscar 2018 como Melhor Filme. Ele disputa com "Lady Bird - A Hora de Voar", "Me Chame Pelo Seu Nome", "O Destino de Uma Nação", "Corra!", "A Forma da Água", "Dunkirk", "The Post - A Guerra Secreta" e "Trama Fantasma" - Confira as críticas de todos estes filmes no Cinema no Escurinho. Se já não bastasse a indicação ao maior dos prêmios, Frances McDormand, interpretando Mildred Hayes, a mãe que quer justiça pela morte da filha, vai merecidamente para a disputa da estatueta de Melhor Atriz. Está excelente no papel, é a grande estrela da produção.

O diretor, roteirista e produtor Martin McDonagh encontrou a forma e o elenco certos para contar uma história que poderia ser apenas mais uma sobre assassinato e vingança. "Três Anúncios Para um Crime" vai além, explora cada personagem e suas fraquezas e desatinos. A começar por Mildred Hayes (McDormand), uma mulher forte, determinada, divorciada do marido que a trocou por uma jovem de 19 anos, mãe de um rapaz que não compreende sua obsessão por justiça e que vive o drama do assassinato da filha adolescente que foi estuprada enquanto era morta. Sete meses se passaram e nenhuma notícia dos responsáveis.

Cansada da inércia da polícia local, Mildred decide instalar três outdoors na estrada onde aconteceu o crime e quase não é usada pela população da pequena Ebbing, no Missouri. Os anúncios cobram uma solução das autoridades, principalmente do xerife Bill Willoughby. Mildred é aquela pessoa que as pessoas respeitam mas não gostam de seu jeito direto e claro de resolver as coisas, principalmente quando o assunto é a morte da filha, que todos evitam falar. E sua atitude de colocar os anúncios denunciando o crime sem solução vai provocar a ira de vários moradores.

Já o xerife Bill Willoughby, papel muito bem interpretado por Woody Harrelson, é aquele querido por todos na cidade, bom marido e pai, mas que também vive seu drama pessoal e não sabe como resolver o caso da morte de Ângela, filha de Mildred. E ainda precisa controlar uma delegacia formada por integrantes destemperados que acobertam as falhas uns dos outros.

Entre eles está Jason Dixon, papel de Sam Rockwell, irrepreensível como o policial psicopata dominado pela mãe, homofóbico e que gosta de bater em negros. Totalmente sem controle, ele vê Mildred como uma inimiga que merece ser exterminada por pressionar o xerife, a quem idolatra. Sam Rockwell vai para a disputa do Oscar 2018 junto com Woody Harrelson na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. E ambos fizeram jus às indicações por suas excelentes atuações na produção.

O elenco conta ainda com as ótimas participações de Peter Dinklage (o anão apaixonado por Mildred), Lucas Hedges (como Robbie Hayes), Caleb Landry Jones (o corretor de imóveis Red Welby) e John Hawkes (Charlie Hayes, o ex-marido). "Três Anúncios Para um Crime" oferece também bela fotografia, locações bem selecionadas e um roteiro envolvente que provoca sensações variadas no público com relação aos personagens - ódio, compaixão, vingança, desejo de justiça. Até chegar a um final surpreendente.

Um filme que merece ser visto nos cinemas a partir desta quinta-feira como uma das melhores estreias da semana para quem busca um drama de qualidade, bem dirigido e com ótimas interpretações. Além de ser o vencedor dos festivais de cinema de Toronto, Veneza, San Sebastian, San Diego e BFI London em 2017, "Três Anúncios Para um Crime" concorre ainda aos prêmios de Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora Original no Oscar 2018.



Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Martin McDonagh
Produção: Film4 / Fox Searchlight Pictures
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 1h56
Gênero: Drama
Países: EUA / Reino Unido
Classificação: 16 anos
Nota: 5 (0 a 5)

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

"The Post - A Guerra Secreta" - Lembrar para não esquecer

Tom Hanks e Meryl Streep são os protagonistas deste drama que denuncia o jogo de interesses na Guerra do Vietnã (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Patrícia Cassese


Volta e meia, o universo das redações de jornais entra na mira dos estúdios de cinema pela participação efetiva desse dito "quarto poder" nos grandes acontecimentos da história recente. É fato: muitas vezes, sua participação se dá apenas no sentido de reportar o ocorrido - a cobertura de uma grande tragédia natural, por exemplo, como o tsunami de 2004. Em outras, porém, o papel da imprensa se amplia no sentido de tornar público o que, de outra forma, fatalmente ficaria circunscrito ao conhecimento de um círculo bem limitado de pessoas - e, neste espectro, entram os chamados segredos de estado, por exemplo.

"The Post - A Guerra Secreta", de Steven Spielberg, filme que está no páreo do Oscar - concorre a Melhor Atriz (Meryl Streep) e Melhor Filme - se debruça sobre um desses momentos nos quais o jornalismo assume o protagonismo ao revelar fatos que abalaram dois dos alicerces do mundo ocidental: a Casa Branca e o Pentágono. Em cena, a publicação de documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã, que elevaram o "The Washington Post" ao panteão dos jornais mais influentes (e lidos), deliberada após uma série de discussões entre a proprietária do veículo, Kay Graham (Meryl Streep), e seu editor, Ben Bradlee (Tom Hanks).

Recuemos a 1971. Em meio ao conflito que se desenrolava no sudeste asiático, e que, num escopo mais amplo, reverberava ali, naquele pedaço do mapa, a Guerra Fria, um dos maiores jornais norte-americanos, o "New York Times", recebe (de um ex-colaborador do governo, Daniel Ellsberg, interpretado por Matthew Rhys) os chamados "Documentos do Pentágono". Os papéis deflagravam a verdade sobre a não necessidade do conflito, que se estendeu até 1975, tolhendo a vida de milhares de soldados de ambos os lados (no caso dos americanos, 58 mil) e provocando uma derrama de dinheiro público. O jornal, claro, deu início à publicação desse material explosivo, até que veio o recado, de certa forma edulcorado, sob a alegação de a segurança nacional estar em risco: o governo de Richard Nixon não iria tolerar que o restante do material fosse veiculado.

Ocorre que o incipiente "The Washington Post" também tinha esse material "nitroglicerina pura" em seu poder. E os documentos - encomendados por Robert McNamara (Bruce Greenwood), ex-secretário de Defesa dos EUA nos governos anteriores, de John F. Kennedy e de Lyndon Johnson - haviam chegado a um momento emblemático do periódico, que, na luta pela ampliação de público, abria seu capital, disponibilizando ações no mercado. Não bastasse se Katharine "Kay" Graham, a publisher, já vivia aí a tormenta de ter assumido o controle do jornal após a morte súbita do marido, a situação ganha contornos mais complicados quando se flagra em meio à difícil decisão de publicar ou não o material (inclusive diante de possibilidade real de ser presa, assim como dos laços que mantinha com alguns dos envolvidos).

Como se trata de um fato histórico, o desenrolar desse imbróglio não é mistério para ninguém: o material foi publicado e o "Washington Post" alçado a outro patamar. À imprensa, o diretor Steven Spielberg declarou que se viu impelido a passar esse projeto a frente de outros, dada a inquietação que o acomete, referente aos rumos que o atual governo de seu país vem tomando - está aí a troca de provocações com a Coreia do Norte que não nos deixa mentir. Pontuou, ainda, a honra de ter pela primeira vez, sob sua batuta, esses dois ícones do cinema dividindo o set - sim, qualquer cinéfilo que se preze sabe que ele dirigiu Hanks em "Ponte dos Espiões" (2015) e, com Meryl, estabeleceu colaboração em "A.I. Inteligência Artificial". Mas até então, os três não tinham dividido o set.

O filme tem fortes pilares. O primeiro, claro, o elenco e o diretor, já apontados. E sim, em um momento em que o protagonismo feminino é palavra de ordem, ver a personagem avant la lettre Kay Graham lutando para conciliar o lado mãe e avó com a recente viuvez e a dificuldade em se impor num ambiente então ainda predominantemente masculino é outro aspecto que certamente vai provocar empatia no público.

Mas o grande trunfo da empreitada é recuperar o tempo em que os jornais eram a fonte de informação à qual a população devotava legitimidade - e o poder público, justificado temor. Uma época de ouro que parece cada vez mais distante, diante da avalanche das novas mídias e na era das fake news. 
E se os acadêmicos do Oscar optaram por deixar de fora os nomes de Hanks e Spielberg na corrida para as estatuetas de ator e diretor, isso não diminui o mérito dessa empreitada que, de forma precisa (um pouco didática, talvez, mas válida), volve seu olhar sobre um episódio cujo paulatino distanciamento temporal não deve, jamais, minimizar o alerta que reside em seu bojo: guerras custam a vida de milhares de inocentes. E passam, para as páginas da história, como desnecessárias medidas advindas da ganância da indústria bélica aliadas à sanha pelo poder de insanos governantes. Os tais podres poderes aos quais Caetano Veloso se referia na música homônima.

Em tempo: palmas para Michel Stulbargh, ator que está presente em nada menos que três dos filmes do Oscar 2018: "The Post" (como Abe Rosenthal, editor-executivo do "The New York Times"), "Me Chame Pelo Seu Nome" (pai do personagem principal, Elio) e "A Forma da Água" (Robert Hoffstetler, o espião russo). "The Post - A Guerra Secreta" pode ser conferido nas salas das redes Cineart - Del Rey (5) e Ponteio Lar Shopping (3) - e Cinemark - Diamond Mall (4 e 5) e Pátio Savassi (1).



Ficha técnica:
Direção e produção: Steven Spielberg
Produção: DreamWorks Pictures / 20th Century Fox / Amblin Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h57
Gêneros: Drama / Suspense
País: EUA
Classificação: 12 anos

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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Nostálgico e encantador: "Lady Bird – A Hora de Voar" tem tudo pra surpreender no Oscar

Diretora Greta Gerwig aposta na simplicidade e faz o expectador adulto se lembrar dos tempos de escola (Fotos:Universal Pictures/Divulgação)

Jean Piter Miranda


Um filme que faz a gente ter saudades da adolescência. Esse é "“Lady Bird – A Hora de Voar". O filme conta a história da jovem Christine McPherson (Saiorse Ronan), uma estudante do último ano do ensino médio que mora em Sacramento, na Califórnia. Aos 17 anos, ela vive seus conflitos com a família, a escola, os amigos, namorados, e os planos para a vida adulta que batem à porta.

Christine é uma jovem rebelde, que se deu o nome de "Lady Bird". É como gosta de ser chamada. Ela não se dá bem com a mãe, Marion, (Laurie Metcalf) e não é por falta de amor. Elas se amam, só não se entendem. Algo comum em muitas famílias. E, como em muitos lares, a menina é a preferida do pai, Larry (Tracy Letts), com quem as coisas são bem diferentes. Com o irmão Miguel (Jordan Rodrigues), a mocinha também não bate muito.


O principal ponto de discordância na família é o futuro de Christine. A história se passa em 2002, uma época de crise nos Estados Unidos. A mãe faz dupla jornada num hospital para tentar compensar o fato de o marido estar desempregado. Isso tudo dificulta em muito o sonho da mocinha ir para a faculdade. Sem contar que ela não é das melhores alunas, o que também deixa longe a possibilidade de conseguir uma bolsa de estudos.

Pra deixar tudo ainda mais complicado, "Lady Bird" não gosta da cidade onde vive. Ela quer se mudar para uma metrópole. Tem também os conflitos com as novas amizades, o baile de formatura, os amores... Tudo muito americano, mas ao mesmo tempo muito cativante. Um filme muito bem feito, bem construído, despretensioso e ao mesmo tempo genial. A jovem diretora Greta Gerwig tinha tudo para apostar em alguns clichês para não correr riscos, mas optou pela simplicidade e pela originalidade. E o resultado foi ótimo!


Ver "Lady Bird" faz o expectador adulto se lembrar dos tempos de escola. A imaturidade, as descobertas, o primeiro cigarro, o primeiro porre, a primeira transa, as brigas com os amigos, as decepções, os professores preferidos, a preguiça de estudar, as festinhas e tantas outras coisas. É uma barra pra quem tá crescendo. É um rito de passagem pra vida adulta. E quando já estamos grandes, meio que olhamos pra tudo isso com um ar de nostalgia. É o um filme que a gente vê com um meio sorriso no rosto, do início ao fim.

Oscar e outras premiações

Saiorse Ronan e Laurie Metcalf fazem atuações brilhantes. Ambas foram indicadas para os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Saiorse já havia sido indicada em 2016, pelo papel no ótimo filme "Brooklin". Ela parece estar cada dia melhor e faz agora, em "Lady Bird", o melhor trabalho de sua carreira. Concorre com ninguém menos que a gigante Meryl Streep ("The Post – A Guerra Secreta"). Mas, Saiorse tem tudo pra vencer e se levar, o prêmio estará em boas mãos.

"Lady Bird" também concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original. São cinco indicações no total, nas principais e mais importantes categorias do Oscar. O longa recebeu 76 prêmios, entre eles o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical e Melhor Atriz Coadjuvante Comédia ou Musical. Outra curiosidade: o ator franco-americano Timothée Chalamet está presente em outro candidato ao Oscar, o belo "Me Chame Pelo Seu Nome".



Ficha técnica:
Direção: Greta Gerwig
Produção: IAC Films
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Duração: 1h34
Gêneros: Drama / Comédia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 5,0 (0 a 5)

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

"O Que Te Faz Mais Forte" é uma história de superação no estilo norte-americano


Jake Gyllenhaal e Tatiana Maslany vivem o casal Jeff e Erin que precisa superar um grande trauma que mudou suas vidas (Fotos: Divulgação)

Maristela Bretas


Jake Gyllenhaal estrela a produção "O Que Te Faz Mais Forte" ("Stronger"), uma história da superação do trabalhador Jeff Bauman, de 27 anos, que estava na Maratona de Boston, em 2013 para tentar recuperar sua ex-namorada Erin (Tatiana Maslany), participante da prova. Esperando por ela na linha de chegada, ele é atingido pela explosão de uma das bombas do atentado que deixou três mortos e mais de 260 feridos durante o evento, e perde as duas pernas. 

Depois de recuperar a consciência no hospital, Jeff pode ajudar o FBI a identificar um dos criminosos, mas sua própria batalha acaba de começar. Trata-se de um relato pessoal de Jeff sobre sua jornada de recuperação, sofrendo a forte influência da família, principalmente da mãe alcoólatra e fumante inveterada (a candidata ao Oscar, Miranda Richardson, muito bem no papel). E a tentativa de acertar seu relacionamento com Erin, que não o abandona depois da tragédia.

Poderia ser um filme de chorar com tanto drama, mas não é o que acontece. Trata-se de um relato frio, mas real, com excesso de exaltação ao nacionalismo norte-americano, transformando Jeff de vítima em herói da cidade, mesmo ele não querendo e não aceitando isso. Jake Gyllenhaal está excelente no papel, mesclando momentos de total apatia sobre o que se passa ao seu redor e fúria incontida por sua condição de deficiente. O lado psicológico está destruído pelos momentos de terror vividos após a explosão e ele tendo que participar de eventos com direito a bandeira e platéia em estádios.


Também Tatiana Maslany entrega uma boa interpretação da namorada sensata que vê o estado de Jeff como algo a ser tratado e não explorado pela mídia, ao contrário dos familiares destemperados que tentam tirar o máximo de proveito da situação, a começar pela mãe, que a vê como uma escolha ruim do filho.

Cheio de emoção crua, humanidade de alguns personagens e patriotismo exacerbado, "O Que Te Faz Mais Forte" é a história inspiradora da vida real do homem que se tornou personagem vivo do movimento "Boston Strong", que reergueu o moral e uniu a população  de uma cidade e do país após o atentado da Maratona. Para quem gosta do gênero, vale conferir.




Ficha técnica:
Direção: David Gordon Green
Produção: Lionsgate / Bond Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h59
Gêneros: Drama / Biografia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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