segunda-feira, 22 de abril de 2019

"O Gênio e o Louco", uma irresistível e contundente demonstração de amor à palavra

Mel Gibson e Sean Penn interpretam os criadores do famoso dicionário inglês Oxford (Fotos: Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Pessoas que gostam de - ou trabalham com - palavras não devem perder a mais recente empreitada de Mel Gibson, que conseguiu colocar nas telas um projeto com o qual sonhava desde 1998, quando leu "O Gênio e o Louco" ("The Professor And The Madman"), de Simon Winchester, e imediatamente adquiriu os direitos autorais da obra. O livro, que conta a história da real criação do primeiro dicionário inglês de Oxford, joga luz sobre um episódio histórico sui generis que, certamente, mudou os rumos da humanidade e, de certa forma, apontou caminhos para o que hoje conhecemos como gramática, literatura, linguagem, poesia. Enfim, o mundo das letras. Mas não só ele.


Contam que Gibson, que além de ator é um dos produtores do filme "O Gênio e o Louco", é obstinado. E obstinação, quase obsessão, é uma das tônicas do personagem que ele próprio interpreta: o professor James Murray que, em 1857, se dispõe, com a ajuda de uma pequena equipe, a catalogar e definir todas as palavras da Língua Inglesa. Como a tarefa era praticamente impossível de ser cumprida, Murray pediu ajuda de voluntários que, pelo correio, sugeriam palavras e definições. Entre esses voluntários, chama a atenção a colaboração de um certo Doutor W.C Minor, que contribui brilhantemente com mais de 10.000 verbetes. Com um detalhe: de dentro de um hospício para criminosos.


Convenhamos: o fato que deu origem ao livro e ao filme é, por si só, deliciosamente tão inverossímil quanto genial. E genial está também a atuação de Sean Penn, que se entregou de corpo e alma ao atormentado Minor, deixando confuso o público, que balança entre a admiração, a compaixão e o medo do criminoso louco que ele criou. As poucas cenas em que Gibson e Penn contracenam seriam suficientes para se indicar o filme, mas há outros motivos que tornam "O Gênio e o Louco" imperdível.


Além do resgate de uma verdade histórica, o longa merece aplausos também pela excelente reconstituição de época, pelos figurinos, pela iluminação cuidadosamente fraca como convinha aos anos de 1800 e pelas corretas interpretações de coadjuvantes como Natalie Dormer, no papel de Eliza Merret, viúva do homem assassinado por Minor, e Jennifer Ehle, como Ada Murray - a nos fazer lembrar que há sempre grandes mulheres envolvidas em grandes projetos, mesmo que elas nem sempre tenham o destaque merecido. Na verdade, todo o elenco está brilhante.


"O Gênio e o Louco" não é um filme leve. Nem fácil. Há tensão, dúvidas, mistérios, violência, ignorância. Mas tudo acaba ficando em segundo plano diante da obsessão e, principalmente, do amor de Murray e Minor pelas palavras. Essa parece ser também a obsessão de Farhad Safinia, o diretor iraniano-americano que conseguiu equilibrar com talento a tênue linha que separa a genialidade da loucura. Afinal, é a linguagem que nos torna diferentes dos bichos.
Duração: 2h04
Classificação: 14 anos
Distribuição: Imagem Filmes


Tags: #OGênioEOLouco, #MelGibson, #SeanPenn, #DicionarioOxford,  #ImagemFilmes, #cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

sábado, 20 de abril de 2019

Comovente, "O Tradutor" revela o poder transformador da compaixão

Rodrigo Santoro interpreta Malin, um professor universitário cubano que vai trabalhar em um hospital para crianças vindas de Chernobyl (Fotos: Gabriel G. Bianchini)

Mirtes Helena Scalioni


Tudo pode mudar a qualquer momento. A rotina, a vida, as certezas, tudo pode se transformar de uma hora para a outra quando alguém se envolve em um acontecimento marcante e é tocado de alguma forma por ele. Essa parece ser a verdade escancarada no filme "O Tradutor", que conta a história de Malin, um sisudo professor universitário cubano de Literatura Russa que vê sua vida tranquila e equilibrada virar de cabeça para baixo quando é convocado pelo governo a trabalhar na ala infantil de um hospital em Havana. Lá, estão em tratamento dezenas de crianças vítimas do desastre nuclear de Chernobyl, algumas com leucemia. 


Antes, é preciso salientar que o filme é dirigido pelos irmãos Rodrigo e Sebastián Barriuso, filhos do professor Malin original, o verdadeiro tradutor. Eles são, portanto, praticamente testemunhas do fato, se não presenciais, no mínimo como portadores das histórias que cresceram escutando, ou mesmo como vítimas da transformação do próprio pai. Isso confere legitimidade a "O Tradutor", que emociona sem pieguices e exageros. O excelente desempenho de Rodrigo Santoro no papel principal também ajuda. Falando russo e espanhol com certa fluidez e naturalidade, exibindo uma expressão corporal primeiro altiva, depois deprimida, decadente, o ator brasileiro convence e merece aplausos. 


Além de Santoro, cuja transformação o público acompanha a olhos vistos, fazem parte do elenco Yoandra Suárez como Isona, a mulher do professor; Estelinda Nuñes como a Dra. Rivas; Genadijs Dolganous como Vladimir, o pai de uma das crianças; e, destacando-se, Maricel Álvarez como a enfermeira Gladys, que faz um jogo bonito de se ver com o brasileiro. As cenas em que os dois atuam, num bate-bola convincente entre dois atores experientes, são eficientes, além de comover. Merecem atenção também as atuações das crianças, verdadeiras e envolventes.


Detalhe que chama atenção no longa: como é passado em 1989, Havana é apresentada ao público em dois períodos diferentes. Antes da queda do muro de Berlim, é notório o progresso e a fartura de Cuba. Supermercados sortidos e casas confortáveis se chocam, após a queda, com a escassez de combustíveis, as dificuldades, a falta de tudo. O mesmo acontece com o professor Malin, que primeiro detesta a missão que lhe é imposta, mas vai aos poucos sendo tomado pela empatia ao presenciar o sofrimento das crianças e suas famílias. Enfim, "O Tradutor" é um filme melancólico, pois fala de transformação pela dor. Mas mesmo assim - talvez por isso - imperdível.  Sessões no Belas 1, às 14h e 18h40.
Duração: 1h47
Classificação: 12 anos
Distribuição: Galeria Distribuidora


Tags: #OTradutor, #RodrigoSantoro, #GaleriaDistribuidora, #Cuba, #Chernobyl, #drama, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 18 de abril de 2019

"A Maldição da Chorona" ousa fugir do comum e fascina ao explorar o sensorial

Trabalhando luz e som, o diretor Michael Chaves aumenta o impacto das aparições da Chorona (Fotos: Scott Patrick Green/Warner Bros. Pictures)

Wallace Graciano


Poucos gêneros são tão previsíveis como o terror. A capacidade de explorar o psicológico dos espectadores parece ter uma limitação cada vez mais evidente, o que impede os amantes do estilo de acompanharem com afinco as novidades. Nos últimos anos, porém, há uma tentativa de romper com o comum e algumas surpresas, como “Annabelle 2”, trouxeram um alento aos cinéfilos. E uma das que pode seguir esse rumo é a “Maldição da Chorona” ("The Curse of La Llorona"), que estreia nesta quinta-feira (18) nos cinemas de todo país.


O filme é ambientado em Los Angeles, nos Estados Unidos, no início da década de 1970. Nele, Anna (Linda Cardellini), uma assistente social nada idealizada, cria seus filhos após a morte de seu marido. Porém, ao trabalhar em um caso de uma mãe que tentava esconder seus filhos, começa a ser atormentada por uma entidade sobrenatural: “La Llorona" (a Chorona).


Segundo o folclore popular mexicano, a Chorona, em vida, afogou seus filhos após ser traída pelo marido. Após perceber seu erro, jogou-se em um rio, se debulhando em lágrimas. Porém, sua alma ficou presa ao plano terreno e ela busca outras crianças para reparar seu mal. É aí que você deve estar pensando: “Poxa, mais um clichê que explora o vínculo intrínseco do espiritual com o carnal. Que falta de originalidade”. Sim, esse é um pecado da película. Talvez um dos poucos. Se por um lado não houve a busca por um personagem com um arquétipo menos estereotipado, por outro, a trama se desenrola sem prender-se aos recursos tradicionais do gênero.


Um exemplo é o corte das cenas. Michael Chaves, o diretor, não abusa de planos em que a antagonista esteja evidenciada para levar temor ao espectador. O sensorial é bem trabalhado durante a trama, sendo que o pânico não surge apenas do visual. A edição de som, por exemplo, conseguiu fazer com que o barulho de uma fechadura em determinada cena seja impactante e relevante à película.

Para além, há a exploração de variações de sons e imagens dentro de um mesmo plano-sequência, o que impede o expectador se preparar para o susto. Em um deles, por exemplo, crianças correm por um corredor esverdeado, com ruídos clamando pelo pior. Quando ele vem, a tensão ganha cores com a falta de som e luz.


O subjetivo da Chorona é outro ponto alto. Sua figura malévola ganha cor em diversos cenários, causando temor também pelas aparições metafísicas. O roteiro também foi bem desenrolado, com apresentação e desenvolvimento rápido e bem construído dos personagens. Até mesmo o Padre Perez dá seu "pitaco" no longa, nos convidando para "Annabelle 3", que deve estrear em julho. Ou seja, “A Maldição da Chorona” é muito além do comum que o gênero foi tomado, trazendo respiração presa e tensão aos amantes do terror.


Ficha técnica:
Direção: Michael Chaves
Produção: New Line Cinema
Distribuição: Warner Bros Pictures
Duração: 1h34
Gênero: Terror
Países: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #AMaldiçãoDaChorona, #terror, @WarnerBros, #EspacoZ, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho, #cinemaescurinho

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Keanu Reeves brinca de Deus e clona mentes humanas em "Cópias - De Volta à Vida"

Suspense conta história de neurocientista obsecado que usa a própria como cobaia de suas experiências (Fotos: Replicas Holdings/Divulgação)

Maristela Bretas


Keanu Reeves ataca de neurocientista nada convincente que clona mentes de seres humanos mortos em "Cópias - De Volta à Vida" ("Réplicas"), filme que estreia nos cinemas nesta quinta-feira. Tirando algumas locações paradisíacas no início e no fim em Porto Rico, pouca coisa se aproveita desta produção confusa, cheia de buracos no roteiro e facilmente esquecível.


O elenco é tão fraco quanto a história, inclusive o "vilão", interpretado por John Ortiz (de "A Justiceira" e "Bumblebee", ambos de 2018), que teve o talento desperdiçado. Thomas Middleditch, como o assistente de Will Foster (papel de Reeves) serve de alavanca para jogar o foco para o protagonista (que se sai bem melhor em "John Wick - Um Novo Dia Para Matar" - 2017). O restante é só para compor cenário e apresentar a família.


Na história Will Foster é um neurocientista que desenvolve um projeto tecnológico para clonar a mente de humanos mortos para robôs. Após várias tentativas frustradas, uma tragédia vai mudar sua vida e fazer com que desafie todas as leis da natureza e do homem. Num grave acidente de trânsito ele perde toda a sua família e não aceita o destino. Ameaçado de ter sua pesquisa encerrada devido aos resultados ruins e obcecado em trazer de volta à vida sua família, ele brinca de Deus e usa a mulher e os filhos mortos de cobaias. A situação, no entanto, foge do controle e Will terá de fazer escolhas que vão mudar a vida de todos.


O tema de "Cópias - De Volta à Vida" até que não é ruim, só não foi bem trabalhado, Reeves parece deslocado do papel de marido, pai e cientista louco. Como se tivesse que fazer tudo rapidinho para acabar logo o filme e ir pra casa arrependido de ter dado um tiro no pé com esta produção. Falta carisma em todo o elenco. As cenas de ação são poucas, mas muito boas, assim como a trilha sonora. O final clichê e totalmente esperado é típico de romance de Nicholas Sparks. Fora isso, a produção é daquelas que você mal se lembra dos detalhes ao sair do cinema. Para os fãs do ator, não foi dos seus melhores trabalhos, mas distrai numa sessão da tarde.


Ficha técnica:
Direção: Jeffrey Nachmanoff
Produção: Lotus Entertainment / Fundamental Films / Di Bonaventura Pictures / Company Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h48
Gêneros: Suspense / Ficção científica
Países: EUA, Reino Unido, China, Porto Rico
Classificação: 14 anos
Nota: 2 (0 a 5)

Tags: #CopiasDeVoltaAVida, #KeanuReeves, #suspense #ficção, #EspacoZ, @ParisFilmes, @cinemanoescurinho, #cinemaescurinho

domingo, 14 de abril de 2019

"Superação - O Milagre da Fé" - um filme emocionante e sensível sobre o poder de Deus

Chrissy Metz interpreta Joyce Smith, autora do livro que conta seu drama após o acidente com o único filho e como o poder da oração ajudou a salvá-lo (Fotos: Allen Fraser/Fox Film)


Maristela Bretas


O produtor DeVon Franklin está se especializando em filmes religiosos e após "Milagres do Paraíso" (2016), que teve Jennifer Garner como protagonista e a animação "A Estrela de Belém" (2017), aposta agora suas fichas em "Superação - O Milagre da Fé" ("Breakthrough") escolhendo um elenco que têm à frente a atriz Chrissy Metz. Conhecida do público brasileiro por seu papel como Kate Pearson na série de TV “This is Us”, ela é a alma do filme e entrega uma interpretação forte, envolvente, emocionante e sensível de Joyce Smith, a mãe cujo amor e a fé em Deus salvaram o filho John, dado como morto após um acidente.


Poderia ser mais um filme religioso, como muitos que inundam as telas de cinema, mas "Superação - O Milagre da Fé" é diferente, sem pieguismo, sem louvar essa ou aquela religião. Baseado em fatos reais, a história foi extraída do livro escrito por Joyce Smith - “The Impossible” (“O Impossível”) - sobre o drama vivido por ela em janeiro de 2015 quando John cai em um lago congelado no Missouri (EUA). Após quase uma hora de tentativas para ressuscitá-lo, o garoto é dado como morto, mas ela se recusa a aceitar e se apega à fé e ao poder da oração a Deus para salvá-lo. 



Mas não basta apenas John voltar a respirar, ele terá de enfrentar uma luta diária de recuperação. E Joyce estará sempre a seu lado, passando força e o amor de mãe. Ela terá de viver um milagre a cada dia e sua fé e esperança vão inspirar todos a sua volta, mesmo com as previsões médicas apontando o contrário.


Chrissy Metz, que conviveu com Joyce Smith conta que ela é uma pessoa que adora conversar e contar sobre o que a fé fez por sua família. Para as pessoas que duvidam do poder da fé, ela diz: "Não deixe o senso comum e a lógica ditarem sua fé". Para contar esta história no cinema, a escolha do elenco foi essencial principalmente Chrissy Metz, que está excepcional. DeVon Franklin conta como foi a seleção dos atores no trailer abaixo.



Também a trilha sonora foi bem acertada e envolvente, com sucessos conhecidos do público como "Uptown Funk" (Bruno Mars e Mark Ronson) e a emocionante "Oceans" (Hillsong United), além de canções religiosas que ajudam a criar o clima religioso necessário para a produção dirigida por Roxann Dawson.


Uma coisa é certa: "Superação - O Milagre da Fé" faz chorar muito, do início ao fim. No cinemas, homens e mulheres deixaram rolar muitas lágrimas. O filme ajuda a lavar a alma e reforçar a crença no poder da fé, representada por uma mãe devotada que esquece tudo (até mesmo de da própria doença), em busca de uma salvação do filho, papel vivido pelo ótimo Marcel Ruiz. A experiência dramática faz Joyce rever sua pos

Expõe também o lado egoísta das pessoas que não têm fé e ao mesmo tempo acham injusto Deus dar uma segunda chance a uns e deixar outros morrerem. Somente a fé de Joyce continua inabalável e será capaz de mudar sua comunidade. Um excelente filme sobre superação, milagre e o poder de Deus que vale muito a pena assistir.


Ficha técnica:
Direção: Roxann Dawson
Produção: Fox 2000 Pictures
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 1h56
Gêneros: Drama / Biografia
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #SuperaçãoOMilagreDaFé, #Breakthrough, #ChrissyMetz, #drama, #biografia, #superação, #fé, #milagre, @FoxFilmBrasil, #EspacoZ, @cinemanoescurinho

sexta-feira, 12 de abril de 2019

365 Filmes em um Ano #101- Shazam!, do parceiro Cinema de Buteco


 
Mais uma participação do Cinema no Escurinho no projeto do parceiro Cinema de Buteco, coordenado por Tullio Dias é que ainda contou com Marcelo Seabra, do blog O Pipoqueiro, e Dani Pacheco, do CdB.

Tags:#365FilmesEmUmAno, @cinemadebuteco, #ShazamO Filme, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 8 de abril de 2019

"De Pernas Pro Ar 3" discute sucesso profissional e família, mas perde em humor para anteriores

Ingrid Guimarães está de volta como Alice, a empresária famosa de uma rede de sex shop que agora quer mudar de vida e se dedicar à família (Fotos: Morena Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


A parceria entre Ingrid Guimarães e a diretora Julia Rezende se repete em "De Pernas Pro Ar 3" para tentar obter o sucesso das duas produções anteriores. Apesar de atrair milhares de fás para os cinemas, a terceira comédia da atriz nesta franquia e a segunda da diretora não tem a mesma graça. Com um roteiro que optou pela discussão do sucesso profissional e a relação com marido e filhos, perdeu o ponto alto que é o humor.


Ingrid tem boas tiradas e se envolve em situações "delicadas", do tipo usar um óculos de realidade virtual para ter fantasias sexuais com Cauã Reymond. Mas não dá para dar gargalhadas, no máximo alguns risos. A história, como foi contada, pode decepcionar um pouco o público que for ao cinema para ver mais uma grande comédia de Ingrid Guimarães. No elenco, destaque cômico, como sempre destaque para Cristina Pereira, a empregada/babá da casa de Alice, muito divertida.


Em "De Pernas Pro Ar 3", Ingrid repete o papel de Alice Segretto, a empresária de sucesso que ganhou o mundo com sua rede de lojas Sexy Delícia. Durante uma turnê por vários países, anuncia sua saída da presidência da empresa e nomeia a mãe Margot (Denise Weinberg) para seu lugar. O objetivo é se dedicar à família, agradando principalmente o marido João (Bruno Garcia) e a filha pequena. 


O que Alice não imaginava era encontrar uma família completamente diferente e crescida. E o filho mais velho namorando todas. Para piorar, ela conhece a jovem Leona (Samya Pascotto), uma competidora com potencial para roubar a cena, a vida de Alice e a atenção de sua família.

Boa trilha sonora e locações, elenco entrega interpretações "certinhas", como se fosse o capítulo de uma novela, mas "De Pernas Pro Ar 3" fica a desejar. O que não irá impedir de ter uma ótima bilheteria, graças à presença de Ingrid Guimarães que é um show a parte.


Ficha técnica:
Direção: Julia Rezende
Produção: Morena Filmes / Paris Filmes / Globo Filmes
Distribuição: Downtown Filmes
Duração: 1h48
Gênero: comédia 
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #DePernasProAr3, #IngridGuimaraes, #entretenimento, #BrunoGarcia, #comedia, #MorenaFilmes, #DowntownFilmes, #ParisFilmes, #cinemaescurinho, @CinemaNoEscurinho

sexta-feira, 5 de abril de 2019

"Minha Obra-Prima", mais um filme argentino instigante e repleto de surpresas e suspense

Comédia reúne dois grandes atores - Luis Brandoni e Guilhermo Francella (Fotos: Eurozoom/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


De uma tacada só, o argentino Gastón Duprat coloca o espectador diante de temas tão sérios quanto abstratos como ética, arte, valores, amadurecimento, marketing, manipulação, amizade, hipocrisia. O filme em questão é "Minha Obra-Prima" ("Mi Obra Maestra"), e o diretor é relativamente conhecido do público brasileiro desde o inesquecível "O Cidadão Ilustre", de 2016. Dessa vez, ele vai um pouco mais longe, usando cinismo e suspense para contar a história de um artista plástico em fim de carreira.


Renzo Nervi (Luis Brandoni) é um velho pintor rabugento que já teve seus dias de glória, mas não consegue mais vender suas obras. Saiu da moda para a maioria dos apreciadores de arte. Menos para um discípulo que teima em aprender com ele, apesar dos seus métodos nada ortodoxos de ensinar, e para o marchand Arturo Silva (Guilhermo Francella), que insiste em recolocar as obras de Nervi no mercado. Detalhe: Nervi e Auturo são amigos há mais de 40 anos e se conhecem muito bem.


Os diálogos, inteligentes, dinâmicos e criativos são o grande trunfo de "Minha Obra-Prima" e ajudam a envolver o espectador, que vai colhendo e desfazendo pistas ao longo do filme que, a certa altura, se transforma em suspense. Brandoni e Guilhermo Francella atuam em sintonia perfeita e o jogo entre esses dois grandes atores merece todos os aplausos.


A personalidade sui generis de Renzo Nervi, revelada de forma quase histriônica pelo talento de Luiz Brandoni, numa interpretação irretocável, é, de certa forma, outra atração. Arrogante, exótico e egoísta, o pintor esbalda antipatia de uma forma tão peculiar que acaba por ganhar a simpatia do público, que começa a concordar com as atitudes extremas dele.


Surpreendente talvez seja a palavra que melhor define "Minha Obra-Prima" que, enquanto toca nas mazelas da arte, desnuda conceitos, critica a elite dita intelectual e coloca em xeque a importância e o valor do marketing nesses tempos de mídias poderosas e de celebridades em busca de fama e dinheiro a qualquer preço. O filme está em exibição na sala 1 do Belas Artes, sessões às 15h40 e 19h40.
Duração: 1h41
Classificação: 14 anos

Tags: #MinhaObraPrima, #GuilhermoFrancella, #LuisBrandoni, #comédia, #suspense, #obrasdearte, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 4 de abril de 2019

"Shazam!" - Um super-herói meninão que garante boas risadas e ótimos efeitos visuais

Jack Dylan Grazer e Zachary Levi entregam boas interpretações e são a diversão nesta nova produção com personagem da DC Comics (Fotos: Steven Wilke/Warner Bros. Entertainment)

Maristela Bretas


Humor, ação e muitos efeitos são os ingredientes bem dosados de "Shazam!", nova aposta com um super-herói da DC Comics que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas. A fórmula funciona muito bem e deverá garantir mais uma ótima bilheteria à Warner, como outros dois sucessos da mesma família - "Mulher Maravilha" (2017) e "Aquaman" (2018) -, mostrando que estão acertando o rumo na disputa com a Marvel. Os fãs agradecem e vão esquecendo, aos poucos, produções que deixaram a desejar, como "Esquadrão Suicida" (2016).


A escolha do ótimo cômico ator Zachary Levi ("Thor: Ragnarok" - 2017) para interpretar o super-herói que usa collant vermelho com um raio amarelo no peito (não confunda com Flash, da mesma DC Comics que tem fantasia quase igual) foi muito acertada. Ele entrega um personagem engraçado, trapalhão, forte e sem noção de seus poderes, usando às vezes em brincadeiras e para ganhar uns trocados. Afinal, Shazam é apenas um jovem de 15 anos no corpo de um homem de 30. O adolescente Billy Batson é vivido pelo ator Asher Angel, que se transforma num adulto quando usa a palavra mágica - "Shazam!".



Além dos problemas da idade, Billy sofre por ter se perdido da mãe aos 6 anos e estar sempre passando por lares de crianças abandonadas. Até cair na casa do casal Victor e Rosa Vasquez e conhecer aquele que vai se tornar seu maior amigo e aliado, Freddy Freeman, interpretado pelo ótimo Jack Dylan Grazer (de "Querido Menino" - 2019 e "It: A Coisa" - 2017). Ele é um garoto com deficiência que só quer ser notado e ter um amigo super-herói, como Batman ou Superman, por exemplo. As cenas de Freddy e Shazam são as mais engraçadas do filme, afinal, como todo adolescente que quer ser adulto, eles aproveitam para experimentar tudo o que a maioridade permite fazer, como beber cerveja, por exemplo. 



Mark Strong ("Kingsman: O Círculo Dourado" - 2017) foi outro acerto para o papel do cientista Dr. Thaddeus Sivana (ou Silvana), o arqui-inimigo dos quadrinhos que quer roubar os poderes do herói. Menos conhecido do público em geral que seus irmãos de HQs, Batman e Superman, mas bem mais simpático, Shazam é bem apresentado no filme, assim como o Dr. Sivana, e como seus mundos se encontraram. 



Ambos são fortes, mas a diferença de idade e maturidade conta muito na hora das batalhas. Dr. Sivana é um adulto traumatizado e cruel enquanto Shazam é um garoto bom mas solitário em corpo de homem, que brinca de super poderes e segue tudo o que o amigo Freddy manda, muitas vezes sem medir as consequências do que está fazendo. 


Os efeitos visuais são outro destaque de "Shazam!". Muitos raios, de ambos os lados, monstros assustadores, batalhas no ar e em terra, destruição de prédios, magos com poderes e boas perseguições. Os assuntos sérios também são abordados, como o bullying à deficiência de Freddy, a busca de Billy por sua mãe natural e a relação em um lar onde todos precisam se unir para ser uma boa família. Os atores que formam este grupo também fazem um bom trabalho, com destaque para Faithe Herman, que interpreta a muito fofa Darla, a mais jovem dos "irmãos". 


"Shazam!" ganha o público principalmente pelo jeitão infantil do super-herói com peito estufado que vibra como uma criança cada vez que descobre um novo poder. O filme também faz inúmeras referências a outros personagens da DC, tanto nos brinquedos de Freddy quanto nos diálogos e especialmente no final e na ficha técnica, o que torna a produção ainda melhor, mais leve e divertida, com humor inteligente, sem cair no pastelão. Vale muito a pena conferir. 

FIQUE ATENTO: Este filme também tem duas cenas pós-créditos, a primeira mais importante.



Ficha técnica:
Direção: David F. Sandberg 
Produção: New Line Cinema / DC Entertainment
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h12
Gêneros: Ação / Fantasia
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #ShazamFilme, #ZacharyLevi, #(MarkStrong, #JackDylanGrazer, #acao, #aventura, #superheroi, #comedia, @WarnerBrosPictures, @DCComics, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 1 de abril de 2019

"Dumbo" perde o colorido e parte da magia, mas reforça importância da família

Produção dirigida por Tim Burton remete à infância e até faz chorar quando o bebê elefante voa pela primeira vez (Fotos: Walt Disney Studios/Divulgação)

Maristela Bretas


Mais aventura, menos fantasia. Este é "Dumbo", o live-action que tem como principal foco as relações - em especial as familiares. A história do bebê elefante de grandes orelhas que sofre bullying, é separado da mãe, ganha amigos e uma nova família e é usado como atração por donos de circo inescrupulosos foi mantida. A nova versão, no entanto, tem uma abordagem mais humana e social que combina com os dias atuais. A diferença no roteiro será percebida por aqueles que assistiram a animação "Dumbo", de 1941.


O estilo do diretor Tim Burton, que também dirigiu "Alice no País das Maravilhas" (2010), do mesmo estúdio, é bem claro. "Dumbo" não tem o colorido e a magia do desenho, mas nem por isso deixa de remeter à infância e até faz chorar quando o bebê elefante voa pela primeira vez. Os ambientes são mais escuros, com figuras bizarras e o diretor explora imagens projetadas nas sombras e uma abordagem mais dura, apontando as fraquezas e virtudes dos personagens.


"Dumbo" está ótimo e entrega uma ótima produção em efeitos visuais, trilha sonora, figurino e fotografia. Intencional ou não, o parque de diversões Dreamland, do empresário de entretenimento V.A. Vandevere (Michael Keaton) utiliza muitas atrações semelhantes às do Epcot Center, na Disney World. Tem uma montanha-russa moderna (apesar de a história se passar em 1919) e o espaço Maravilhas da Ciência. Mas isso não tira o encanto do filme. O elenco também é de primeira linha e conta com nomes famosos como Collin Farrell, Eva Green, Danny DeVito, Michael Keaton e Alan Arkin.


A história se passa em 1919, nos EUA. Holt Farrier (Colin Farrell) é uma ex-estrela de circo que retorna da Primeira Guerra Mundial sem parte do braço esquerdo. Sua esposa faleceu enquanto estava fora e agora precisa criar os dois filhos (interpretados por Nico Parker e Finley Hobbins). Agora ele é o encarregado de cuidar de uma elefanta prestes a parir. 


Quando o bebê nasce, todos ficam surpresos com o tamanho de suas orelhas. O pequeno Dumbo é desprezado e só as crianças o adoram. Até descobrir que pode voar graças às orelhas, tornando-se a atração do circo e despertando a cobiça de empresários do entretenimento.

O filme traz várias mensagens, em especial para as famílias. Isso fica claro na ligação da mamãe Jumbo com o filhote Dumbo, nos conflitos entre Holt e seus filhos que só querem a atenção do pai, e até nas falas da bela Colette Marchand (Eva Green), estrela do espetáculo, que deixa claro a falta que faz na vida dela ter filhos.


Já Max Médici (Danny DeVito), o dono do circo onde Dumbo nasceu, considera a trupe o que há de mais importante na sua vida, mas muitas vezes deixa o dinheiro falar mais alto, mesmo quando alega que está fazendo o melhor para todos. Diferente de Vandevere, que quer ter Dumbo em seu show e não pensa duas vezes em descartar pessoas e separar famílias em nome do lucro, sem qualquer arrependimento.


O filme do elefantinho mais fofo do cinema, com seus olhos azuis apaixonantes e que sabe voar vale a pena ser conferido, em família de preferência, para tirar boas lições de vida, bater palmas com as crianças e chorar sem sentir vergonha. Um alerta: crianças menores de 5 anos podem ficar inquietas com o filme por ser pouco colorido e com muita narração, mas irão se divertir com o personagem voador. A história será compreendida melhor pelos maiores.


Ficha técnica:
Direção: Tim Burton
Produção: Walt Disney Studios
Distribuição: Disney/ Buena Vista
Duração: 2h10
Gêneros: Aventura / Fantasia / Família 
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 3,8 (0 a 5)

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