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13 fevereiro 2020

"Jojo Rabitt" - a guerra pelo olhar puro de uma criança

Taika Waititi e Roman Griffin Davis formam a dupla de amigos improváveis que proporcionam momentos bem divertidos (Fotos: 20th Century Fox / Divulgação)

Maristela Bretas


Com uma abordagem lúdica e ao mesmo tempo satírica sobre a guerra, "Jojo Rabitt", do diretor Taika Waititi ("Thor: Ragnarok" - 2017) é uma história que mexe com as emoções. Ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, o filme é ambientado na Segunda Guerra Mundial e critica de forma bem debochada, a ascensão de Adolf Hitler e do nazismo na Alemanha, sem deixar de mostrar a crueldade imposta pelo regime. 

O conflito é apresentado pela ótica de Jojo Betzler (Roman Griffin Davis), um garoto tímido de 10 anos, que vive a fase de transição para a adolescência, mora com a mãe solteira, é fanático com o nazismo e tem apenas dois amigos: um real, o fofo, mas trapalhão Yorki (Archie Yates) e um imaginário, o lunático Adolf Hitler, interpretado pelo próprio Taika Waititi (está excelente).


Pode parecer estranho, mas o líder nazista é o "grilo falante" na cabeça de Jojo, que sonha em participar do grupo pró-nazista Juventude Hitlerista. Ele, assim como milhares de crianças alemãs, é doutrinado com informações distorcidas e mentirosas sobre os inimigos e as crueldades que eles cometem. Em acampamentos, as crianças vestem uniformes, fazem a saudação a Hitler e recebem treinamento militar, que inclui queimar livros e matar judeus Mas, ao contrário dos colegas, Jojo acha errado pegar em armas ou fazer mal a qualquer ser, humano ou animal.


Na cabeça do pequeno soldado, Adolf é um amigo invisível com quem pode brincar, ter aventuras e dividir a rotina cruel da guerra. Taika Waititi mescla comédia e drama para contar a história de Jojo "Rabitt". Sempre ao som da bela trilha sonora de Michael Giacchino ("Homem-Aranha: Longe de Casa" - 2019; "Os Incríveis 2" - 2018; "Jurassic World: Reino Ameaçado" - 2018). 

Na contramão dos ideais nazistas está a mãe do garoto, Rosie (papel de Scarlett Johansson), que ama o filho e respeita suas crenças, apesar de ser contrária à ditadura imposta à Alemanha. Mãe e filho são inseparáveis, até surgir uma pessoa na casa que mudará a vida do menino. Ele descobre que Rosie está escondendo no sótão de sua casa a linda jovem judia, Elsa (Thomasin McKenzie). Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o garoto começa a ter fortes sentimentos pela nova hóspede.


Jojo passa a questionar até que ponto é correto o que Adolf prega e como isso afetou sua família e amigos. O menino é a imagem da pureza, do tipo que sente borboletas voando no estômago quando se apaixona. Mas também é vítima do sistema que defende. Graças à bela interpretação de Roman Griffin Davis, o público recebe um personagem que faz a gente querer colocá-lo no colo.

Além do diretor (que também é o roteirista e produtor), o elenco conta com coadjuvantes bem conhecidos que ajudam a dar um tom ameno à narrativa: Sam Rockwell (capitão Klenzendorf), Rebel Wilson (monitora Rahm), Alfie Allen (Finkel, ajudante do capitão), Stephen Merchant, como o capitão nazista Herman Deertz. Destaque para o fofo Archie Yates, como Yorki, amigo fiel de Jojo que não entende muito bem o por quê de estar ali e que acha que a guerra é uma grande brincadeira. 


Apesar de ter como pano de fundo o grande conflito mundial, que dizimou milhares de judeus e combatentes, "Jojo Rabitt" é um filme de emoções, boas e ruins. Waititi, que é judeu, optou por ironizar de forma bem escrachada o nazismo e seu líder maior. Criou um personagem divertido, desengonçado e bem histérico, que sempre surge quando Jojo tem dúvidas. 

Além das ótimas atuações, "Jojo Rabitt" tem também uma bela fotografia e um bom figurino, que ajudaram a compor bem a reconstituição de época. Trata-se de um filme sobre uma criança que soube criar e desfazer ídolos e ideais e amadurecer em tempos de guerra. Trata-se de um filme com um belo roteiro, muito próximo à realidade atual de muitos países. "Jojo Rabitt" pode ser conferido no Cineart Paragem, Net Cineart Ponteio e Cinemark Diamond Mall, em versão 2D legendada.



Recomendo

Segundo maior vencedor com estatuetas do Oscar (Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Visuais), além de Globo de Ouro e outras premiações deste ano, "1917", do diretor Sam Mendes, é outra ótima opção para quem gosta de filmes de guerra. Ele se passa na Primeira Guerra Mundial e foi filmado com poucas cenas de corte, o que dá uma maior realidade à produção, que ainda está em cartaz no cinema. 

Outra dica é o ótimo "O Zoológico de Varsóvia", ambientado durante a invasão alemã à Polônia, na Segunda Guerra Mundial, quando os donos do referido zoo passam a esconder judeus dos nazistas. Em breve sairá uma crítica desta produção, que eu indico muito e pode ser conferida no catálogo da Netflix.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Taika Waititi
Produção:  Fox Searchlight Pictures / TSG Entertainment 
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 1h48
Gêneros: Guerra / Drama / Comédia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #JojoRabitt, #TaikaWaititi, @ScarlettJohansonn, @RomanGriffinDavis, @20thCenturyFox, #guerra, #comédia, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

14 janeiro 2020

"Coringa" é 11 vezes indicado ao Oscar 2020 e documentário brasileiro entra na lista

(Montagem sobre fotos de Divulgação)

Maristela Bretas


Dirigido por Todd Phillips e tendo como ator principal Joaquin Phoenix, "Coringa" foi a produção com o maior número de indicações - 11 no total - a prêmios do Oscar 2020 anunciado nessa segunda-feira pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O anúncio foi feito pelos atores John Cho e Issa Era e a cerimônia dos melhores do cinema acontece no dia 9 de fevereiro em Los Angeles. Na sequência, “1917” e “O Irlandês” concorrem a dez indicações cada. Em terceiro lugar, com seis indicações, estão “Parasita”, “História de um Casamento”, “Jojo Rabbit” e “Adoráveis Mulheres”. O documentário brasileiro “Democracia em Vertigem", da diretora Petra Costa, que mostra o processo de impeachment de Dilma Rousseff,  concorre a Melhor Documentário. Confira a lista dos Indicados ao Oscar 2020.

MELHOR FILME
"Coringa"



"Adoráveis Mulheres"
"Ford vs Ferrari"
"O Irlandês"
"Jojo Rabbit"
"História de um Casamento"
"1917" (venceu o Globo de Ouro)
"Era uma Vez em...Hollywood"  (venceu o Critics’ Choice Awards)
Parasita

MELHOR ATOR
Antonio Banderas - "Dor e Glória"
Leonardo DiCaprio - "Era Uma vez em... Hollywood"
Adam Driver - "História de um Casamento"
Joaquim Phoenix - "Coringa" (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)
Jonathan Pryce - "Dois Papas"

MELHOR ATRIZ
Cynthia Erivo - “Harriet”
Scarlett Johansson - “História de um Casamento”
Saoirse Ronan - “Adoráveis Mulheres”
Charlize Theron - “O Escândalo”
Renée Zellweger - “Judy - Muito Além do Arco-Íris (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese - "O Irlandês"



Todd Phillips - "Coringa"
Sam Mendes - "1917" (venceu o Globo de Ouro e empatou no Critics’ Choice Awards)
Quentin Tarantino - "Era Uma Vez em... Hollywood"
Bong Joon Ho - "Parasita" (empatou no Critics’ Choice Awards)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kathy Bates - "O Caso Richard Jewell"
Laura Dern - "História de um Casamento" (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)
Scarlett Johansson - "Jojo Rabbit"
Florence Pugh - "Adoráveis Mulheres"
Margot Robbie - "O Escândalo"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tom Hanks - "Um Lindo Dia na Vizinhança"
Anthony Hopkins - "Dois Papas"
Al Pacino - "O Irlandês"
Joe Pesci - "O Irlandês"
Brad Pitt - "Era Uma Vez em... Hollywood" (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"O Irlandês" - Steven Zaillian
"Jojo Rabbit" - Taika Waititi
"Coringa" - Todd Phillips e Scott Silver
"Adoráveis Mulheres" - Greta Gerwig (venceu o Critics’ Choice Awards)
"Dois Papas" - Anthony McCarten

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Entre Facas e Segredos" - Rian Johnson
"História de um Casamento" - Noah Baumbach
"1917" - Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns



"Era Uma Vez em... Hollywood" - Quentin Tarantino (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)
"Parasita" - Bong Jooh Ho e Han Jin Won

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Indústria Americana"
"The Cave"
"Democracia em Vertigem"
"For Sama"
"Honeyland"

MELHOR EDIÇÃO
"Ford vs Ferrari"
"O Irlandês"
"Jojo Rabbit"
"Coringa"
"Parasita"

MELHOR FOTOGRAFIA
 “O Irlandês”
“Coringa”
"Lighthouse"
"1917" (venceu o Critics’ Choice Awards)
"Era Uma Vez em... Hollywood"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"O Escândalo" (venceu o Critics’ Choice Awards)



"Coringa"
"Judy"
"1917"
"Malévola: Dona do Mal"

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"Ad astra"
"Ford vs Ferrari"
"Coringa"
"1917"
"Era Uma Vez em... Hollywood"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Ford vs Ferrari"



"Coringa"
"1917"
"Era Uma Vez em... Hollywood"
"Star Wars: A Ascensão Skywalker"

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Brotherhood”
“Nefta Football Club”
“The Neighbors’ Window”
“Saria”
“A Sister”

MELHOR DESIGN DE FIGURINO
“O Irlandês”
“Jojo Rabbit”
“Coringa”
“Adoráveis Mulheres”
“Era Uma Vez em… Hollywood”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“I can’t let you throw yourself away” - Randy Newman (“Toy Story 4” )
“(I’m gonna) love me again” - Elton John e Bernie Taupin (“Rocketman”) (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)



“I’m standing with you” - Diane Warren (“Breakthrough”)
“Into the unknown” - Kristen Anderson-Lopez e Robert Loopez (“Frozen 2”)
“Stand up” - Joshuan Brian Campbell e Cynthia Erivo (“Harriet”)

MELHOR TRILHA ORIGINAL
"Coringa" - Hildur Guadnotóttir (Venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards como Melhor Compositora)
"Adoráveis Mulheres" - Alexandre Desplat
"História de Um Casamento" - Randy Newman
"1917" - Thomans Newman
"Star Wars - A Ascensão Skywalker" - John Williams

MELHOR ANIMAÇÃO
"Como Treinar Seu Dragão 3"
"I Lost My Body"
"Klaus"
"Link Perdido" (venceu Globo de Ouro)
"Toy Story 4" (venceu o Critics’ Choice Award)

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
"Dcera (daughter)"
"Hair Love"
"Kitbull"
"Memorable"
"Sister"

MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO
"In the Absence
"Learning to Skateboard in a Warzone"
"Life Overtakes Me"
"St Louis Superman"
"Walk Run Cha-cha"

MELHOR FILME INTERNACIONAL
"Corpus Christi" - Polônia
"Honeyland" - Macedônia do Norte
"Os Miseráveis" - França
"Dor e Glória" - Espanha
"Parasita" - Coreia do Sul (venceu o Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards)




MELHOR DESIGN  DE PRODUÇÃO
"O Irlandês"
"Jojo Rabbit"
"1917"
"Era Uma Vez... em Hollywood"
"Parasita"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Vingadores: Ultimato" (venceu o Critics’ Choice Awards)
"O Irlandês"
"O Rei Leão"
"1917"
"Star Wars: A Ascensão Skywalker"

Tags: #Oscar2020, #Coringa, #1917Filme, #EraUmaVezEmHollywood, #OIrlandes, JojoRabbit, #MartinScorsese, #Parasita, #DemocraciaEmvertigem, #drama, #policial, #ação, #aventura, #melhoresdocinema, @CinemaEscurinho, @cinemanoescurinho

10 fevereiro 2020

"Parasita" é eleito quatro vezes o melhor do Oscar 2020

Produção do diretor sul-coreano Bong Joon Ho venceu como Melhor Filme e Melhor Filme Internacional (Foto: The Jokers / Les Bookmakers)

Maristela Bretas


A 92ª edição do Oscar, que aconteceu neste domingo em Los Angeles teve um grande vencedor, principalmente por ser estrangeiro. "Parasita", de Bong Joon Ho, faturou quatro estatuetas e foi uma surpresa para o diretor sul-coreano. Ele comemorou muito com sua equipe a conquista de quatro grandes categorias - Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro. Uma prova de que existe cinema de ótima qualidade fora de Hollywood. Confira a ótima critica da colaboradora Mirtes Helena Scalioni, no blog @cinemanoescurinho.

Coringa
A segunda colocação em premiações ficou para "1917", do diretor Sam Mendes, com três estatuetas, entre as dez a que foi indicado. A maior surpresa ficou para "Coringa", indicado a 11 prêmios, mas que só levou duas - de Melhor Ator, para Joaquin Phoenix (que já era esperado), e Melhor Trilha Original. Também saíram com dois troféus os filmes "Ford vs Ferrari" e "Era Uma Vez em... Hollywood". Outro que não se deu bem e saiu apenas com aplausos e elogios de outros vencedores foi "O Irlandês", do diretor Martin Scorsese. Nas principais categorias, os vencedores já eram esperados, como para Melhores Atores Coadjuvantes, Melhor Atriz e alguns troféus técnicos.

A solenidade do #Oscar2020 foi aberta com uma bela apresentação musical de Janelle Monae. Na primeira fileira Tom Hanks, Brad Pitt, Charlize Theron e Margot Robbie se destacaram. Steve Martins e Chris Rock brincaram e fizeram piadas com os convidados, inclusive com Martin Scorsese sobre a duração de "O Irlandês". E lembraram que faltaram mulheres e negros entre as indicações.

Era Uma vez em... Hollywood

Regina King subiu ao palco e foi a primeira a chamar o vencedor de Melhor Ator Coadjuvante, confirmando o favoritismo de Brad Pitt. Ele faturou todas as premiações anteriores ao Oscar com seu papel em "Era Uma Vez em... Hollywood", filme de Quentin Tarantino.

Para Melhor Animação, a escolha foi bem difícil, todas muito boas. A estatueta foi para o mais cotado - "Toy Story 4". Na sequência foi anunciado o vencedor de Melhor Curta de Animação, prêmio que saiu para "Hair Love".  Aurora e Idina Menzel, cantando com outras intérpretes de Elsa pelo mundo, apresentaram a música-tema de "Frozen 2" - "Into the Unknown".

Keanu Reeves e Diane Keaton se reencontram e relembram quando atuaram juntos em "Alguém Tem que Ceder" (2003). Comentaram o filme e se divertiram no palco para, em seguida, anunciarem o vencedor de Melhor Roteiro Original. A estatueta foi entregue a Bong Jooh Ho e Han Jin Won por "Parasita". Pela primeira vez um filme sul-coreano conquista um Oscar.

Jojo Rabitt
Natalie Portman e Timothée Chalamet anunciaram "Jojo Rabbit", de Taika Waititi, como vencedor do prêmio de Melhor Roteiro Adaptado. O diretor fez um discurso que começou agradecendo à mãe dele. Na sequência, o Oscar de Melhor Curta-Metragem saiu para “The Neighbors’ Window”.

As comediantes Kristen Wiig e Maya Rudolph subiram ao palco, fizeram piadas e pediram papéis aos diretores presentes. Elas entregaram a estatueta de Melhor Design de Produção para "Era Uma Vez em... Hollywood".  As atrizes anunciaram, cantando, o vencedor de Melhor Figurino. A estatueta saiu para "Adoráveis Mulheres".

Adoráveis Mulheres

Mark Ruffalo apresentou o vencedor de Melhor Documentário da noite. A estatueta foi para "Indústria Americana". Não foi desta vez que um filme brasileiro levou o Oscar, apesar da grande torcida por "Democracia em Vertigem". Ruffalo entregou também o prêmio ao vencedor 'de Melhor Curta Documentário, estatueta entregue a "Learning to Skateboard in a Warzone".

O prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante foi entregue por Mahershala Ali a Laura Dern, por seu papel em "História de Um Casamento", que lhe garantiu também outras premiações, como aconteceu com Brad Pitt. Ela agradeceu a todos que participaram do filme e principalmente a seus pais, que ela chamou de suas lendas e heróis.

 Eminem deu um show surpresa ao interpretar "Lose Yourself", que fez a plateia aplaudi-lo de pé. O rapper não compareceu ao Oscar de 2003, quando deveria ter cantado esta mesma música, vencedora do troféu de Melhor Canção Original.

Ford vs Ferrari

Oscar Isaac e Salma Hayek anunciaram os vencedores dos prêmios de Melhor Edição de Som, que saiu para Donald Sylvester por "Ford vs Ferrari", e Melhor Mixagem de Som, estatueta merecidamente entregue a Mark Taylor e Stuart Wilson por  "1917",  que garantiu também a  Roger Deakins o prêmio de Melhor Fotografia. . Em seguida, Michael McCusker e Andrew Buckland faturaram a segunda estatueta da noite, a de Melhor Edição, para "Ford vs Ferrari", filme dirigido por James Mangold.

Os atores de "Cats", usando suas fantasias do filme, anunciaram para "1917", mais um troféu, de Melhores Efeitos Visuais, desbancando "Vingadores: Ultimato" que era o favorito. Para Melhor Maquiagem e Penteado, "O Escândalo" levou a premiação pelo trabalho de maquiagem feito em Charlize Theron. A atriz ficou praticamente idêntica à jornalista que denunciou o assédio sexual abordado no filme.

O Escândalo

Seguindo um roteiro esperado, "Parasita" conquistou a segunda estatueta da solenidade, a de Melhor Filme Internacional. O diretor Bong Joon Ho agradeceu a todos e ao elenco e disse que após este troféu já estava preparado para tomar seu primeiro drink da noite.

Brie Larson, Gal Gadot e Sigourney Weaver se uniram no palco e celebraram que pela primeira vez, em 92 anos da história do Oscar, uma maestrina iria reger as trilhas originais que disputavam o troféu deste ano nesta categoria. Coube a Eímear Noone comandar as apresentações da orquestra, começando por "Adoráveis Mulheres", seguido por "1917", "História de Um Casamento", "Coringa", "Star Wars - Ascensão Skywalker". A trilha vencedora foi a do filme "Coringa" .(I’m gonna) love me again”, de  Elton John e Bernie Taupin, do filme “Rocketman”, ficou com a estatueta de  Melhor Canção Original, como já era esperado.

Rocketman

Para Melhor Diretor, grandes nomes estavam na disputa, mas foi Bong Joon Ho, por seu trabalho em "Parasita" quem levou o troféu, atropelando Quentin Tarantino e Martin Scorsese, a quem ele homenageou citando uma de suas famosas frases. Com muita humildade, agradeceu também a Tarantino, que foi uma inspiração no seu trabalho. E finalizou afirmando que depois daquela vitória já poderia beber a noite inteira. Era a terceira estatueta da noite do filme sul-coreano.

Parasita

Steven Spielberg anunciou a homenagem aos que já morreram, ao som de "Yesterday", dos Beatles, cantada por Billie Eilish e arranjo de Finneas. Entre os nomes estavam atores, diretores, produtores e até o jogador de basquete Kobe Bryant, falecido recentemente num acidente de helicóptero.

Olivia Colman, vencedora do Oscar de Melhor Atriz no ano passado, foi a responsável por chamar Joaquin Phoenix para lhe entregar a estatueta de Melhor Ator do Oscar de 2020, por sua fantástica atuação como "Coringa". Ele fez um discurso com fortes críticas ao sistema e cobrando que a sociedade se envolva mais nas questões sociais e ambientais. Rami Malek confirmou o nome de Renée Zellweger como a ganhadora de Melhor Atriz, por seu papel como Judy Garland, em  “Judy - Muito Além do Arco-Íris". O Oscar se junta a várias premiações recebidas por elas neste ano.

E finalmente, o prêmio mais esperado da noite, o de Melhor Filme foi entregue por Jane Fonda, aplaudida de pé por seu trabalho e sua postura ativista. Ela abriu seu discurso falando sobre conscientização e o impacto que o cinema pode exercer sobre as vidas das pessoas. E anunciou a quarta e mais cobiçada estatueta de Hollywood a "Parasita", uma produção da Coreia do Sul.

                                    VENCEDORES

MELHOR FILME - "Parasita", do diretor Bong Joon Ho


MELHOR ATOR - Joaquim Phoenix - "Coringa"

MELHOR ATRIZ - Renée Zellweger - “Judy - Muito Além do Arco-Íris"

MELHOR DIRETOR - Bong Joon Ho - "Parasita"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - Laura Dern - "História de um Casamento"

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Brad Pitt - "Era Uma Vez em... Hollywood"


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO - "Jojo Rabbit" - Taika Waititi

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL - "Parasita" - Bong Jooh Ho e Han Jin Won

MELHOR DOCUMENTÁRIO - "Indústria Americana"

MELHOR EDIÇÃO - "Ford vs Ferrari"

MELHOR FOTOGRAFIA - Roger Deackins - "1917"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO - "O Escândalo"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM - "Ford vs Ferrari"


MELHOR MIXAGEM DE SOM - "1917"

MELHOR CURTA-METRAGEM - “The Neighbors’ Window”

MELHOR DESIGN DE FIGURINO - “Adoráveis Mulheres”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL - “(I’m gonna) love me again” - Elton John e Bernie Taupin (“Rocketman”)

MELHOR TRILHA ORIGINAL - "Coringa" - Hildur Guadnotóttir


MELHOR ANIMAÇÃO - "Toy Story 4"

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO - "Hair Love"

MELHOR CURTA DOCUMENTÁRIO - "Learning to Skateboard in a Warzone"

MELHOR FILME INTERNACIONAL - "Parasita" - Coreia do Sul

MELHOR DESIGN  DE PRODUÇÃO - "Era Uma Vez... em Hollywood"

MELHORES EFEITOS VISUAIS - "1917"


Tags: #Oscar2020, #Parasita, #1917Filme, #EraUmaVezEmHollywood, #Coringa, #BongJoohHo, #JojoRabbit, #ToyStory4, #drama, #ação, #guerra, #melhoresdocinema, @CinemaEscurinho, @cinemanoescurinho,

15 junho 2016

Com química fraca e pouca emoção, "Como Eu Era Antes de Você" faz chorar pouco

Emilia Clarke e Sam Claflin formam o casal principal do romance adaptado da obra de Jojo Moyes (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Ele tem um sorriso de derreter corações. Ela sorri com os olhos e é capaz de amolecer o mais duro dos corações. O texto foi adaptado de um dos best-seller da escritora água com açúcar Jojo Moyes, que também foi roteirista do filme. Tudo apontava para mais um drama de fazer chorar do início ao fim e sair do cinema com o peito aliviado e apaixonado. Pronto para virar também um sucesso de bilheteria, o que pode até acontecer. Mas alguma coisa se perdeu no caminho.

Ao contrário das produções do gênero do também escritor e roteirista Nicholas Sparks, "Como Eu Era Antes de Você" ("Me Before You") é um romance comum de história fraca, mas que poderia ter ganhado contornos mais emocionantes com um bom roteiro. No entanto, antes mesmo do meio da narrativa já se sabe como vai terminar. E isso tira a graça de quem vai ao cinema para ver uma produção como esta, para fazer chorar mesmo, como diriam minhas amigas de coração mole.

Mesmo assim, o público feminino (adolescente ou não) deve levar um lencinho na bolsa, porque vai ter choro. O casal é fofo - Emilia Clarke (de “Game of Thrones”) e Sam Claflin (da saga “Jogos Vorazes”) -, mas há momentos em que falta química entre eles, apesar de Clarke estar ótima em seu papel e ter presença mais marcante que seu par. 

Talvez a direção não tenha aproveitado devidamente o potencial destes dois atores, explorando melhor o lado "meloso". As cenas precisavam ter sido mais intensas, feitas com o coração. Clarke e Claflin tinham tudo para ficarem marcados como o par romântico do ano. Mas parece que não vai ser desta vez.

O enredo poderia ser mais atraente, até para compensar a adaptação, como faz Sparks com seus livros, que atraem milhares de leitores, que o seguem também nos filmes. Podem ter histórias fracas, mas faturam. Moyes, claro, quer seguir o mesmo caminho de sucesso, mas vai precisar aprender a fazer mudanças. Não li o livro de mesmo nome, mas o filme "Como Eu Era Antes de Você" é fraco, esperava mais, principalmente pela grande divulgação.

O longa-metragem conta a história de Louisa “Lou” Clark (Clarke), uma jovem sonhadora e alegre que mora em uma cidade no interior da Inglaterra. Sua vida vai mudar ao perder o emprego e, precisando ajudar no sustento da família, aceita trabalhar como cuidadora e acompanhante do belo e amargo Will Traynor (Claflin), um banqueiro rico que se tornou tetraplégico após um acidente ocorrido dois anos antes. Ele está prestes a desistir de tudo, mas Lou está determinada a mostrar ao jovem a alegria de se viver. Para ajudar a dar o clima certo, a música-tema do casal é “Not Today”, da banda Imagine Dragons. O filme tem trilha sonora do compositor Craig Armstrong (“O Grande Gatsby”).

Apesar de todos esses pontos negativos, espero que essa primeira tentativa sirva de lição para próximas produções, se acontecerem. Acho que vale a pena conferir "Como Eu Era Antes de Você" nos cinemas. Como uma dessas mulheres de coração mole, também chorei no final. Para os fãs de Moyes, uma boa oportunidade de ver no cinema um de seus livros adaptados. O filme entra em cartaz oficialmente nesta quinta-feira, mas já pode ser visto em várias salas que fizeram pré-estreias no último final de semana.




Ficha técnica:
Direção: Thea Sharrock
Produção: New Line Cinema / Metro Goldwyn Mayer (MGM)
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h50
Gêneros: Drama / Romance
País: Reino Unido
Classificação: 12 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #comoeueraantesdevocê, #EmiliaClarke, #SamClaflin, #romance, #TheaSharrock, #Imaginedragons, #WarnerBrosPictures, #NotToday, #NewLineCinema, #CinemanonoEscurinho, #PortalUAI

14 janeiro 2021

Ótimos filmes exibidos em 2020 que valem a pena ser vistos e revistos

Divulgação
 

Maristela Bretas


Com as salas de cinema fechadas por causa da pandemia de Covid -19 por oito meses, os amantes da Sétima Arte conseguiram assistir apenas alguns dos grandes lançamentos previstos para serem exibidos na telona em 2020. Quem saiu ganhando foram as plataformas de streaming, que conquistaram o público oferecendo uma maneira mais fácil, segura e confortável para curtir ótimas produções.

Não são poucos os sucessos oferecidos, nos mais diversos gêneros - suspense, aventura, drama, romance, animação ou policial. Se você está procurando um bom filme para ver sentadinho no sofá com um balde pipoca, aqui vão algumas indicações dos colaboradores do Cinema no Escurinho que valem a pena.

Tem até ganhadoras do Oscar 2020 que entraram no circuito comercial no início do ano passado e que já estão disponíveis para TV, smartphone ou tablet. Se quiser saber mais sobre algumas produções, clique nos links e confira as críticas. Uma boa diversão!

Divulgação

Jean Piter Miranda

- Ninguém Sabe Que Estou Aqui (Netflix)
- O Caminho de Volta (Google Play Filmes)
- O Diabo de Cada Dia (Netflix) 
- Você Nem Imagina (Netflix)
- Enola Holmes (Netflix)
- Mulher Maravilha 1984 (Cinema/Warner Bros. Pictures)
- Mulan (Disney+) 
- Rede de Ódio (Netflix)
- O Dilema das Redes (Netflix) 
 
Divulgação
 

Mirtes Helena Scalioni

- Os Miseráveis (Cinema/Paramount Pictures)
- Você Não Estava Aqui (Cinema/Vitrine Filmes)
- O Bar (Netflix)
- Adú (Netflix) 
- Rosa e Momo (Netflix) 
- AmarElo (Netflix)

Divulgação

Maristela Bretas

- Jojo Rabbit (Cinema/Fox Films) 
- O Homem Invisível (Cinema/Universal Pictures) 
- 1917 (Cinema/Universal Pictures) 
- O Caso Richard Jewell (Cinema/Warner Bros. Pictures)  
- Adoráveis Mulheres (Cinema/Sony Pictures)
- Umbrella - curta de animação (estará disponível gratuitamente no canal do Youtube da Stratostorm até 21/01/2021)
- Soul (Disney+)
- O Escândalo (Cinema/Paris Filmes)  
- Trilogia do Baztán (Netflix)