terça-feira, 30 de outubro de 2018

"O Primeiro Homem": para (tentar) desvendar a alma de Neil Armstrong

A escolha de Ryan Gosling para o papel principal é um dos pontos altos do filme dirigido por Damien Chazelle (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


É claro que há cenas lindas da imensidão do espaço, o vazio e o infinito - tudo embalado por uma valsa empolgante capaz de provocar arrepios e fazer o espectador pensar no mistério da vida. Mas elas não são, nem de longe, o mote de "O Primeiro Homem" ("First Man"), filme de Damien Chazelle sobre a vida de Neil Armstrong, o astronauta norte-americano que, em 1969, pisou pela primeira vez na Lua depois de viajar na Apollo 11. 

Desta vez, a corrida espacial é apenas uma desculpa para falar de um jovem tímido, arredio e obstinado, pronto a pagar qualquer preço para cumprir o que parecia uma missão.

Mas, como falar da quase obsessão de um homem real, um pai de família como qualquer outro, se ele é calado, introspectivo e raramente deixa transparecer suas emoções? Eis aí o grande mérito do diretor, que acertou, pelo menos, três vezes: primeiro, ao escolher o talentoso Ryan Gosling, com quem trabalhou anteriormente em "La La Land" (2017), para o papel principal.

Segundo, por privilegiar closes do rosto e dos olhos do ator, permitindo que o espectador pelo menos tente desvendar o que vai na cabeça e na alma do astronauta. E terceiro, ao chamar Claire Foy (atriz premiada na série "The Crown") para o papel de Janet Shearon, mulher de Neil. É ela que humaniza a história e, de certa forma, faz o elo entre o espectador e Armstrong, dando alguns sinais do íntimo do marido, do que ele pensa e sente.

Atores e diretores falam sobre os obstáculos da produção


Damien Chazelle, que dividiu a função de produtor com Steven Spielberg, foi o diretor de "La La Land" e "Whiplash (2015)" - ambos também sobre personagens obstinados -, impõe ao público, em "O Primeiro Homem", torturantes sacolejos, posições e lugares claustrofóbicos como a solicitar sua participação e comprometimento. É como se dissesse: "Sintam como foi difícil ser astronauta e pioneiro em 1969".

Mesmo assistindo ao filme em projeções normais em 2D, há quem tenha saído do cinema com um pouco de enjoo no estômago, tamanha a turbulência das aeronaves - uma forma de mostrar como eram rudimentares as máquinas. E como corriam riscos os homens que se aventuravam naquele empreendimento incentivado a qualquer custo pelo governo norte-americano, preocupado unicamente em sair na frente da então União Soviética na corrida espacial. Possíveis mortes eram simples acidentes de trabalho.

Baseado no livro homônimo de James Hansen, "O Primeiro Homem" é diferente de outros filmes sobre o espaço, focados mais na aventura e nas conquistas. Principalmente porque deixa no espectador um certo incômodo que vai além das turbulências e das cenas barulhentas como se as naves fossem se desmanchar.

Seja em 2D ou nos modernos 3 e 4D, o que fica, no final, é a pergunta, a urgência de saber em nome de que - ou de quem - uma pessoa pode se embrenhar tanto num projeto tão cheio de sacrifícios, incertezas e perigos. No caso de Armstrong, é um mistério. Há quem acredite que ele queria conhecer a morte depois que perdeu sua filhinha de três anos.
Duração: 2h22
Classificação: 12 anos
Distribuição: Universal Pictures


Tags: #OPrimeiroHomem, #FirstMan, #RyanGosling, #DamienChazelle, #ClaireFoy, #JasonClarke, #KyleChandler, #Drama, #Biografia, #UniversalPictures, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

domingo, 28 de outubro de 2018

"Fúria em Alto Mar" exalta poderio militar dos EUA e vale só pela ação

Gerard Butler tem o papel principal e mesmo como um dos produtores não consegue salvar filme fraco (Fotos: Concorde Filmverleih/Divulgação)

Maristela Bretas


Depois de "Invasão a Londres" (2017) e "Invasão à Casa Branca" (2013), Gerard Butler volta ao papel do mocinho mal-humorado salvador da pátria. Só que em "Fúria em Alto Mar" ("Hunter Killer")  ele troca tiros, explosões e mortes por decisões arriscadas e apostando no bom senso do inimigo. Ele é o capitão Joe Glass, que comanda o submarino USS Arkansas e assume uma tripulação desconhecida, a qual precisa ganhar a confiança.

E como primeira missão, ele e sua equipe são escalados para descobrir o que aconteceu com outro submarino norte-americano que desapareceu enquanto espionava um submarino russo no Mar de Barents. Durante a investigação, eles acabam sendo escalados para salvar o presidente russo durante uma rebelião e evitar a 3ª Guerra Mundial.

A história não tem muitas novidades, é fraca, mas o final convence pelos efeitos visuais e a ação é boa, não deixando o filme naufragar totalmente. Gerard Butler reforça o papel de "bam bam bam" da história, com uma postura bem canastrona, como nas duas e repete o cargo de produtor. E claro, concentra todas as atenções e decisões em seu personagem, mesmo com posição contrária de sua tripulação.

Dividindo o elenco principal está Gary Oldman ("O Destino de Uma Nação" - 2017), que até tenta, mas o papel não faz jus a seu talento. Ele interpreta o Ministro da Defesa Charles Donnegan, que está doidinho por um confronto armado. Destaque também para Michael Nyqvist, no papel do capitão Andropov que comanda o submarino russo investigado pelo desaparecimento da embarcação dos EUA.


"Fúria em Alto Mar" tem até algum suspense e consegue prender o público por sua dinâmica, embalada por uma boa trilha sonora. A ação é maior nas cenas de combate no fundo do mar e no resgate do presidente russo (um ator totalmente sem sal que lembra Tarcísio Meira mais novo). Desta parte participam quatro integrantes de uma força especial comandada pelo SEAL Bill Beaman (interpretado por Toby Stephens, de "13 Horas" - 2017).

Um entretenimento para quem gosta de filmes de espionagem e Guerra Fria nos dias atuais, Tem até mensagem de paz no final e, diferentemente das produções anteriores de Butler, não termina com uma bandeira dos EUA tremulando ao vento.


Ficha técnica:
Direção: Donovan Marsh
Produção: Original Films / Millenium Films
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 2h02
Gêneros: Ação / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #FuriaEmAltoMar, #HunterKiller, #GerardButler, #GaryOldman, #ação, #suspense, #ImagemFilmes, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

"Halloween" é uma homenagem ao filme original com pitadas de atualidade

Jamie Lee Curtis volta a enfrentar seu maior medo após 40 anos (Fotos: Jessica Quinalha /NBCUniversal)

Carol Cassese


Quarenta anos depois do clássico que ainda é uma das principais referências do gênero terror, o assassino Michael Myers retoma suas atividades, após escapar da prisão justamente na noite de Halloween. O primeiro filme, "Halloween - A Noite do Terror", lançado em 1978, passou por diversos reboots, remakes e sequências (como as partes as partes IV, V e VI). 


Dirigido por David Gordon Green, o novo "Halloween", que chega hoje aos cinemas, ignora todas essas continuações e se diferencia delas por trabalhar melhor os personagens e a cidade de Haddonfield. O filme traz também o criador do personagem, John Carpenter, como um dos produtores executivos e consultor criativo, além da participação especial de Nick Castle, o primeiro Michael Myers.


Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), a mulher que sobreviveu a noite de 1978, é a personificação do trauma. Vive isolada, em uma casa repleta de grades e armas, e se mostra completamente paranoica com a segurança de sua filha e de sua neta. Quando Lauren descobre que Myers está solto na sua cidade, sente certo alívio por finalmente estar legitimada a sentir medo. E agora ela quer fazer justiça com as próprias mãos. Lee Curtis retorna ao seu papel com maestria indiscutível e Andi Matichak, que interpreta a jovem Allyson, também não decepciona.


 Paralelamente, o espectador também acompanha Myers fazendo suas vítimas. As cenas, com o auxílio de uma trilha sonora impecável, criam uma atmosfera de tensão crescente para a narrativa. Myers é como uma sombra. Em muitos momentos do longa não sabemos exatamente onde ele está. Os sustos não são óbvios, mas sim contundentes. 

O final conta com uma sequência de cenas apreensivas (um espectador mais sensível certamente irá fechar os olhos) e dá gancho para uma possível continuação. Fica a sensação de que o filme é, sem dúvidas, uma bela homenagem ao original, contando com inúmeras referências, maior desenvolvimento e pitadas de atualidade. 



Ficha técnica:
Direção e roteiro: David Gordon Green
Produção: Trancas International Films / Blumhouse Productions / Miramax Films / Rough House Pictures / Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures 
Duração: 1h49
Gêneros: Terror / Suspense
País: EUA
Classificação: 16 anos

Tags: #Halloween, #terror, #suspense, #JohnCarpenter, #JamieLeeCurtis, #MichaelMyers,  #espacoz, #cinemas.cineart, #CinemaNoEscurinho

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

"Podres de Ricos" - Uma comédia romântica chinesa simpática e bem feita

Henry Golding e Constance Wu formam o par romântico e mostram uma boa química (Fotos: Sanja Bucko/Warner Bros. Pictures)

Maristela Bretas


Baseado no primeiro livro da trilogia escrita por Kevin Kwan, "Asiáticos Podres de Ricos - Vol 1. (2013), já traduzido para o português e sucesso de vendas, o "Podres de Ricos" ("Crazy Rich Asians"), que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, é uma comédia romântica divertida, reunindo bons atores, alguns já famosos por participações em produções de Hollywood. Eles entregam boas interpretações, alguns até exageram no papel de milionários chineses excêntricos e absurdamente espalhafatosos. Os outros dois livros - "China Rich Girlfriend" e "Rich People Problems" ainda não têm tradução, mas devem virar filme se seguirem o sucesso do primeiro.

E é esse estilo de vida, recheado de pessoas que só pensam em dinheiro e gastar muito, do tipo "dono do mundo" que o diretor Jon M. Chu explora em "Podres de Ricos". Tem o jovem herdeiro de uma fortuna incalculável, que resolve trabalhar em outro país para "escapar" do controle da família e se apaixona pela linda professora de Economia de origem comum; os rígidos costumes orientais que não permitem "a mistura de castas", mas que são ignorados quando o objetivo é gastar o dinheiro de suas famílias. 


Existem amigos sinceros, claro que sim, mas os inimigos são em número maior e bem mesquinhos e cruéis. Mas o pior está dentro de casa e é comum no mundo inteiro - a sogra que, claro, odeia a futura nora. Em "Podres de Ricos é interpretada pela ótima Michelle Yeoh ("Guardiões da Galáxia Vol.2"), que manda em tudo e todos e quer definir com quem o filho vai casar.

O romance é gostoso de assistir e o casal tem uma boa química, com destaque para a simpática Constance Wu, que emprestou a voz em duas animações - "Lego Ninjago - O Filme" (2017) e  "Next Gen" (produção chinesa da Netflix lançada em setembro último). Henry Golding ("Um Pequeno Favor" - 2018) é seu par romântico. 


A parte divertida fica para Awkwafina ("Oito Mulheres e um Segredo"), como Peik Lin, a amiga descolada de Rachel, Ken Jong (como o pai dela) e Chris Pang no papel do primo Colin Khoo, como ele mesmo diz, o lado arco-íris da família Young.

Na história, Rachel Chu (Constance Wu) é uma professora de economia nos EUA e namora Nick Young (Henry Golding) há algum tempo. Quando Nick convida Rachel para ir ao casamento do melhor amigo em Singapura, ele se esquece de avisar à namorada que é herdeiro de uma fortuna e um dos solteiros mais cobiçados do local. Além de ter uma mãe totalmente controladora que desaprova o namoro, a família de Nick é esbanjadora e esnobe, e faz questão de mostrar para os de fora que não aceita conviver com ninguém com menos de bilhões de dólares na conta bancária.


A produção também não economizou em belas locações e vestuário - caro e luxuoso, até mesmo quando é brega. "Podres de Ricos" vale pela diversão, é leve, sem grandes pretensões e com todos os clichês de uma boa comédia romântica que deverá agradar adolescentes e adultos. Se depender do sucesso literário da trilogia, "Podres de Ricos" possivelmente terá uma continuação com as histórias dos outros dois livros, que também são sucesso de vendas especialmente na China.



Ficha técnica:
Direção: Jon M. Chu
Produção: Warner Bros. Pictures / Color Force
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h01
Gêneros: Comédia / Romance
Países: EUA / China
Classificação: 12 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #PodresDeRicos, #JonMChu, #ConstanceWu, #romance, #comédia, #WarnerBrosPictures, #espaçoz, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 23 de outubro de 2018

MIS Cine Santa Tereza exibe, de graça, sucessos do Cinema Atual Espanhol

Evento realizado pelo Escritório Cultural da Embaixada da Espanha, com o apoio do Instituto Cervantes BH, começa hoje e vai até dia 28 de outubro (Foto: Ricardo Laf/PBH)


A originalidade e a diversidade da produção cinematográfica espanhola contemporânea poderá ser conferida, com entrada franca, de hoje até o dia 28 de outubro, no MIS Cine Santa Tereza, com a exibição da XV Mostra de Cinema Atual Espanhol. Cinco longas-metragens compõem a programação deste ano: "A Noiva", "Desnorteados", "Sete Minutos Depois da Meia Noite", "A Colmeia" e "Doñana - 4 Estações".

O evento é realizado pelo Escritório Cultural da Embaixada da Espanha, com o apoio do Instituto Cervantes BH, – órgão oficial do governo da Espanha e referência mundial na difusão da cultura e do ensino de espanhol. Antes de chegar à capital mineira, a mostra passou pelas cidades de Salvador e Aracaju. Após a temporada em Belo Horizonte, ela segue para Palmas, Manaus, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Brasília.


A exibição, que vai passar por nove capitais, representa uma importante ferramenta para a difusão da cultura hispânica no Brasil. “Nossa programação traz alguns dos títulos mais relevantes da cinematografia espanhola recente. Nesse sentido, romance, relações familiares intrincadas, tópicos da história do país, imigração e meio ambiente são os fios condutores da mostra”, comenta Luís Javier Ruiz Sierra, diretor do Instituto Cervantes BH.

Confira a programação

A Noiva  ("La Novia") - 2015
Desde pequenos, Leonardo, o noivo e a noiva formaram um triângulo inseparável, mas, quando se aproxima a data do casamento, as coisas se complicam porque entre ela e Leonardo sempre houve algo mais que amizade. A crescente tensão entre ambos é como um elo invisível que não se pode explicar e muito menos se romper. Baseado no clássico de Federico García Lorca, "Bodas de Sangue" e vencedor de 15 prêmios e 25 indicações internacionais em 2015.
Exibições: dias 23 e 26/10, às 19h30 e 28/10, às 17h
Diretora: Paula Ortiz
Gêneros: Drama / Romance
Duração: 1h33
Classificação: 12 anos



"Sete Minutos Depois da Meia Noite" ("Un Monstruo Viene a Verme") - 2016
Após a separação de seus pais, Connor, um menino de 12 anos, terá que ocupar-se das tarefas de casa, pois sua mãe está doente com câncer. Frente a isso, o menino tentará superar seus medos e fobias com a ajuda de um monstro. Suas fantasias terão que enfrentar-se não somente com a realidade, mas também com sua fria e calculista avó. Com esse novo trabalho, o diretor  J.A. Bayona fecha sua trilogia sobre as relações entre mães e filhos que iniciou com “El Orfanato” e continuou com “Lo Imposible”. O filme foi vencedor de nove prêmios Goya, dois Fênix Awards e três Gaudi Awards em 2017.
Exibição: 27/10, às 19h
Diretor: J. A. Bayona 
Gêneros: Drama /Fantasia
Duração: 1h40
Classificação: 12 anos



"A Colmeia" ("La Colmena") -1982
“La Colmena”, baseada no livro homônimo de Camilo José Cela, é um reflexo da áspera e dolorosa realidade após a guerra civil espanhola. A ação tem lugar no café "La Delicia", de Madri, em plena pós-guerra espanhola. O drama será exibido em homenagem aos 40 anos da promulgação da Constituição de 1978, que deu início à etapa democrática na Espanha. O filme é ganhador do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim de 1983.
Exibições: 25/10, às 19h30 e 28/10, às 19h
Diretor: Mario Camus
Gênero: Drama
Duração: 1h45
Classificação: 14 anos



"Desnorteados" ("Perdiendo El Norte") - 2015
Hugo e Braulio, dois jovens com formação universitária, cansados de não encontrar trabalho na Espanha, decidem emigrar para a Alemanha após assistir “Espanhóis pelo mundo”, um programa que apresenta histórias de sucesso de emigrantes. Mas logo eles descobrirão que perseguir o sonho alemão pode ser muito apavorante.
Exibição: 26/10, às 17h
Diretor: Nacho G. Vilella
Gêneros: Drama / Comédia
Duração: 1h42
Classificação: 10 anos



"Doñana - 4 Estações" ("Doñana - 4 Estaciones") - 2014
O documentário fala sobre o ciclo anual de um símbolo natural da Espanha, o Parque Nacional de Doñana, que fica na região de Andaluzia. Trata-se de um relato que mostra a biodiversidade e as mudanças estacionais.
Exibição: 24/10, às 19h30
Diretor: Javier Molina Lamothe
Gênero: Documentário
Duração: 1h30
Classificação: Livre



Serviço:
XV Mostra de Cinema Atual Espanhol
Data: de 23 a 28 de outubro
Local: MIS Cine Santa Tereza - Rua Estrela do Sul, 89 - Santa Tereza - BH
Entrada franca - Os ingressos serão distribuídos na bilheteria 30 minutos antes de cada sessão
Informações: 3277-4699

Tags: #MostraDeCinemaAtualEspanhol, #MISCineSantaTereza, #InstitutoCervantesBH, #EmbaixadaDaEspanha, #A Noiva, #Desnorteados, #SeteMinutosDepoisDaMeiaNoite, #AColmeia, #Doñana4Estações, #drama, #comedia, #documentário, #fantasia, #CinemaNoEscurinho

sábado, 20 de outubro de 2018

"Next Gen" - uma aventura futurista de amizade sincera e boas memórias

A jovem Mai e o robô 7723 são os protagonistas desta simpática e divertida animação chinesa (Fotos: Netflix/Divulgação)

Maristela Bretas


Com belas mensagens e alguns personagens que se assemelham aos de outras produções sobre robôs e tecnologia, a animação futurista chinesa "Next Gen" é uma das apostas da Netflix, em cartaz no canal por assinatura desde setembro último. A aquisição dos direitos globais (exceto na China), em maio deste ano, custou US$ 30 milhões à maior empresa de streaming do mundo. E foi um ótimo investimento.

A animação "Next Gen" é muito simpática, divertida, sem deixar de abordar alguns temas sérios que afetam principalmente aos jovens. Bullying, falta de atenção e carinho, separação familiar, desinteresse pela escola e mágoas guardadas que se transformam em vingança.

"Next Gen" lembra a temática de "Wall-E", com um robozinho simpático catador de lixo abandonado na Terra querendo apenas amizade e coisas boas. O novo herói não tem nome, é chamado de Projeto 7723 e se parece com a versão avançada da namorada de Wall-E. Ele divide o elenco principal com Mai, uma menina com muitos problemas e carências, que só consegue ver o lado cinza da vida. Para ela, todos os robôs são inimigos e 7723 não é diferente.

Mesmo sendo um projeto de ponta para ser empregado em situações de segurança, 7723 também só quer ter conquistar amigos e fazer o bem. É desta estranha relação entre uma humana e um robô nasce uma grande amizade, que ainda conta com a participação de Momo, o cãozinho marrento de Mai, que proporciona as cenas mais divertidas de "Next Gen".

Mai vive por sua conta, numa casa em que o pai deixou a família e a mãe que dá mais atenção aos robôs com os quais trabalha e em jogos e experiências virtuais. Revoltada por nunca ter atenção daqueles que ama, a jovem só pensa em se vingar do mundo e das agressões sofridas na escola. Tem somente Momo para se distrair, até conhecer 7723, que irá mudar sua vida. Mas ela só quer usar os poderes do robô para se defender dos inimigos.

Já o novo amigo só quer agradar Mai e a animação ressalta isso, oferecendo momentos de muita ternura. A ação não foi deixada de lado e a dupla vai precisar estar mais unida para enfrentar muitos perigos, uma vez que 7723 foge de seu criador para viver seu grande sonho. Sem se preocupar com o rastro de destruição que deixa por onde passa, o robô chama a atenção de um perigoso vilão.

Além de "Wall-E", "Next Gen" também reproduz cenas conhecidas como a do filme "Steve Jobs" (2015), quando o mesmo (papel vivido por Michael Fassbender) apresenta o MAC para uma plateia ávida por tecnologia. O mesmo acontece quando o empresário e visionário Justin Pin anuncia seu mais avançado Q-Bot, "melhor que uma família" - o Gen 6 - e promete colocar um em cada casa.


A animação também faz referências a outros sucessos como "Eu Robô" (2004), com a fabricação em massa de robôs "domésticos", a "Godzilla" (2014) no cartaz na parede do laboratório do Dr. Tanner Rice, e aos bichos em origami de Blade Runner. Mas é do insuperável e inesquecível "ET - O Extraterrestre" (1982) que saem as cenas mais memoráveis. Como a de Mai escondendo o 7723 em um galpão, junto com brinquedos e lembranças, como fez Elliot (papel de Henry Thomas) há 36 anos.


E assim como ET tenta se comunicar com seu planeta para retornar antes de morrer, 7723 também tem apenas 72 horas de memória e precisa apagar todas as lembranças que vai acumulando em sua jornada com Mai para não provocar travamento total do sistema.

Na dublagem em inglês foram utilizadas as vozes de John Krasinski (7723), Charlyne Yi (Mai), Jason Sudeikis (Justin Pin), Michael Peña (Momo), David Cross (Dr. Tanner Rice/Q-Bots) e Constance Wu (Molly). Baseado nos quadrinhos "7723" de Wang Nima, "Next Gen" tem na amizade sincera e fiel sua maior mensagem.




Ficha técnica:
Direção e roteiro: Kevin R. Adams e Joe Ksander
Produção: Netflix / Baozou Studios / Alibaba Pictures / Tangent Animation's 
Distribuição: Netflix
Duração: 1h45
Gêneros: Ficção / Animação / Aventura
País: EUA 
Classificação: 10 anos
Nota: 3,8 (0 a 5)

Tags: #NextGen, #Netflix, #animação, #aventura, #ficção, #Projeto7723, #Mai, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Com história clichê, Jennifer Garner volta à ação pesada em "A Justiceira"

Filme conta a trajetória de uma mulher para vingar a morte de sua família, cujos culpados foram inocentados pela corrupção (Fotos: Tony Rivetti Jr./STXFilms)

Maristela Bretas


Ela já foi a agente Sydney Bristow nas cinco temporadas da série de TV "Alias" (2001 a 2005), interpretou Elektra (personagem dos quadrinhos da Marvel) ao lado do ex-marido Ben Affleck no filme "Demolidor - O Homem Sem Medo" (2003), retomou a super-heroína numa produção solo no ano seguinte e fez seu último filme de ação em 2007, como a agente do FBI Janet Mayes em "O Reino", ao lado de Jamie Foxx.

Onze anos depois, Jennifer Garner retorna aos filmes de ação intensa, com muita luta, tiros, explosões e vingança de sobra para viver "A Justiceira" ("Peppermint"), filme dirigido por Pierre Morel (“Busca Implacável”) que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. A bela atriz, em excelente forma física, bate muito (e apanha muito também), mas teve sua atuação prejudicada e não consegue salvar o filme, graças ao fraco roteiro de Chad St. Jones (“Invasão a Londres” - 2016) recheado de clichês e cópia de filmes como "O Justiceiro" (2004) e "Desejo de Matar" (2018). 


A começar pela história: Riley North vê o marido e a filha serem mortos durante um passeio no parque de diversões para comemorar o aniversário da menina. Graças à corrupção sustentada pelo narcotráfico, os culpados são inocentados. Ela passa cinco anos treinando e planejando sua vingança contra todos os envolvidos. 

Jennifer Garner entrega uma boa atuação, primeiro como a mãe e esposa amorosa no início do filme, que se transforma na matadora que proporciona ao expectador muita ação e cenas de extrema violência. Em entrevista ela contou que logo que se uniu ao projeto para interpretar Riley North, em “A Justiceira”, iniciou um treinamento intensivo de fortalecimento corporal e desenvolvimento de habilidades. 


Diariamente, durante horas, a atriz dedicou seu tempo a aulas de boxe, krav maga, musculação, condicionamento físico e dança. “Eu cresci como dançarina e acho que é por isso que a ação faz tanto sentido para mim, é tudo coreografado e usando um método baseado na dança, que funciona muito bem para as cenas de luta”, explica Garner.

Além do condicionamento físico, Garner passou um tempo com os membros da marinha americana para melhorar suas técnicas táticas e de manuseio de armas. “Eu tinha uma compreensão básica de como usar uma arma e trocar a munição, mas já fazia muito tempo”, conta a atriz que fez todas as cenas perigosas sob a orientação da dublê, Shauna Duggins, que a acompanha há quase 20 anos. 



Sem grandes abordagens, "A Justiceira" é só um filme de ação, mas que poderá ser lembrado apenas como a versão feminina de "O Justiceiro", sem nada de novo e desmerecendo o talento da atriz principal para filmes do gênero e que merecia uma produção no padrão de "Alias" (dirigido por J.J. Abrams) ou até melhor. Para piorar, até o restante do elenco é pouco conhecido e sem peso. Acompanhado de pipoca e um refrigerante, "A Justiceira" vale como distração.


Ficha técnica:
Direção: Pierre Morel
Produção: Huayi Brothers Pictures / Lakeshore Entertainment
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Suspense / Ação
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #AJusticeira, #Peppermint, #JenniferGarner, #suspense, #ação, #DiamondFilms, #CinemanoEscurinho

domingo, 14 de outubro de 2018

Anna Kendrick e Blake Lively garantem bom suspense em "Um Pequeno Favor"

Trama aborda a amizade entre duas mulheres totalmente diferentes e o desaparecimento de uma delas sem deixar vestígios (Fotos: Peter Lovino/Lionsgate)

Maristela Bretas


Um competente elenco feminino, com boas interpretações que garantem um suspense policial de qualidade. Esse é "Um Pequeno Favor" ("A Simple Favor"), produção que tem como protagonistas as atrizes Blake Lively e Anna Kendrick. Uma trama que leva o espectador a achar que descobriu o final logo no início do filme, mas que se surpreende com o desenrolar do roteiro a partir da metade da projeção.

"Um Pequeno Favor" é bem conduzido, apesar de apresentar alguns momentos de lentidão que poderiam ser reduzidos para dar maior agilidade à história que foca na relação de amizade e interesse das personagens Stephanie (Anna Kendrick) e Emily (Blake Lively). Uma ligação que começou do nada, entre duas pessoas totalmente opostas que se unem com a desculpa de que os filhos são colegas de sala, mas na realidade buscam alguma forma de tirar proveito mútuo. Tudo isso regado a Dry Martini mexido não batido, ao contrário de James Bond, que gostava da bebida batida, não mexida.

Kendrick e Lively estão muito bem e formam uma boa dupla, com química, proporcionando tanto cenas tensas quanto cômicas, com certo sarcasmo. Esta parte graças Stephanie, uma vlogueira de gastronomia classe média, que cria sozinha o filho pequeno e luta para pagar as contas no fim do mês. Ela resolve dar uma de detetive e vai contando no seu canal todo o processo de investigação para descobrir o paradeiro de sua mais nova amiga, a executiva bem sucedida e elegante Emily, desaparecida do nada.

Enquanto isso, Stephanie precisa conviver com um trio de pais de coleguinhas do filho que não perde a chance de lembrá-la que está sendo usada como uma babá gratuita. Além de tomar conta do filho da desaparecida e cuidar da casa e do marido da "amiga". Sem notícias, ele passa a ser um quase viúvo. Como a polícia não encontra pistas, a vlogueira parte em busca de respostas por conta própria e vai descobrindo aos poucos que a nova amiga não era nada do que ela pensava.

Além das interpretações, "Um Pequeno Favor" se destaca também pela boa trilha sonora com sucessos franceses da década de 60 para contar o passado de Emily e ajudar a desvendar o mistério. Um bom filme que vale conferir pela atuação, principalmente, de Anna Kendrick, e pela direção de Paul Feig.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Produção: Lionsgate
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h57
Gêneros: Suspense / Policial
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #UmPequenoFavor, #ASimpleFavor, #AnnaKendrick, #BlakeLively, #Lionsgate, #drama, #suspense, #policial, #cinemas.cineart, #CinemaNoEscurinho

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Público elege "João, O Maestro" o melhor filme do Festival de Cinema Brasileiro na Rússia

Evento foi realizado de 25 de setembro a 7 de outubro em Moscou e São Petersburgo, com o apoio da Embaixada do Brasil (Fotos: Divulgação) 


"João, O Maestro", de Mauro Lima, foi escolhido pelo público como o melhor filme do Festival de Cinema Brasileiro na Rússia, realizado em Moscou de 25 a 30 de setembro e em São Petersburgo de 3 a 7 de outubro. O resultado foi divulgado pela Linhas Produções Culturais, que organiza o festival com o apoio da Embaixada do Brasil. Cerca de três mil pessoas compareceram às sessões nas duas cidades e votaram no melhor entre os oito filmes exibidos.

Além de "João, O Maestro", participaram do Festival – que chegou à 11ª edição em Moscou e à 7ª em São Petersburgo – "O Filme da Minha Vida" (drama), de Selton Melo, "Antes Que Eu Me Esqueça" (drama), de Tiago Arakilian, "Fala Sério, Mãe!" (comédia), de Pedro Vasconcelos, "Tungstênio" (drama), de Heitor Dhalia, "Talvez uma História de Amor" (comédia romântica), de Rodrigo Bernardo, "Arábia" (drama), de João Dumans e Affonso Uchoa, e o documentário "Fevereiros", de Marcio Debellian, ainda inédito no Brasil.


"João, O Maestro" é uma cinebiografia do pianista e maestro brasileiro João Carlos Martins, considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo. A produção aborda alguns detalhes pouco conhecidos da vida do artista, como o primeiro concerto internacional, a relação com as mulheres, a teimosia e o perfeccionismo em relação à música. Estabelecido como pianista de sucesso, na fase adulta, sofre um acidente que prejudica o movimento da mão direita. João tenta se reestabelecer e, enquanto isso se apresenta em concertos para uma mão só. 


No entanto, um segundo acidente retira os movimentos da mão esquerda, o que faz com que ele, mais uma vez, tenha que se reinventar. O maestro João Carlos Martins participou ao vivo da abertura do festival, no dia 25 de setembro, respondendo a perguntas do público russo por meio de vídeo conferência na própria sala do cinema.

Para Fernanda Bulhões, curadora e produtora do Festival, da Linhas Produções Culturais, este foi o ano em que as avaliações dos filmes pelo público foram as melhores. “Nós sempre levamos diversidade de estilos. Há dramas, comédias, romances, documentários e filmes autorais. E as avaliações que recebemos ao fim de cada sessão são sempre muito positivas”, diz. 

Segundo ela, tão importante quanto a boa avaliação é o público, que cresce ano a ano. “O Festival de Cinema Brasileiro é um evento muito esperado na Rússia. Faz parte do calendário cultural de Moscou e São Petersburgo. E o que é melhor: já tem um público cativo de admiradores, que só aumenta”, celebra.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Mauro Lima
Produção: LC Barretto Productions / Globo Filmes / RioFilme / Canal Brasil
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Biografia / Drama
País: Brasil
Classificação: 14 anos

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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

"Tudo Por Um Pop Star" é filme para atrair fãs de atrizes adolescentes de TV

Klara Castanho, Maísa Silva e Mel Maia formam o trio de amigas inseparáveis que têm o mesmo sonho: conhecer sua banda preferida (Fotos: Globo Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


A história é bem simples, sem muitas reviravoltas e o diretor Bruno Garotti entrega o que propõe. "Tudo Por Um Pop Star" é um filme para fãs de 8 a 12 anos das atrizes principais, em especial Maísa Silva, do SBT. Ela é Gabi, que mora no interior do Rio de Janeiro e tem como melhores amigas as jovens Manu (Klara Castanho) e Ritinha (Mel Maia). As três são apaixonadas pela banda pop masculina Slavabody Disco Disco Boys, febre entre as mocinhas de todo o Brasil. Até que um dia, o grupo anuncia que irá tocar no Rio de Janeiro e elas resolvem fazer de tudo para que seus pais permitam que assistam ao show.

Entre peripécias, mensagens gravadas em vídeo e muita confusão, as jovens fazem tudo o que se espera de uma fã que quer conhecer e ficar perto de seu ídolo. E vão viver uma grande aventura, com direito a todos os clichês possíveis de um filme para adolescentes. Mas sem apelações, o que difere de muitas produções atuais para esta faixa de público. "Tudo Por Um Pop Star" é baseado no livro homônimo da escritora Thalita Rebouças, autora do sucesso "Fala Sério, Mãe" (2017) e que escreveu o roteiro do filme.

Como boas fãs, as três vivem (e sofrem) por seus ídolos, uma banda que tem um cantor brasileiro entre seus integrantes, papel de João Guilherme Ávila - fraquinho demais como ator. O destaque fica mesmo para as três jovens que passam a sensação de serem amigas de verdade. Há sintonia no trio e isso ajuda a segurar o filme, que tem uma história que é puro clichê e todos sabem como vai acabar, mas que deverá encantar e atrair uma legião de fãs às salas de cinema a partir desta quinta-feira.

O lado cômico de "Tudo Por Um Pop Star" fica por conta de Giovanna Lancellotti, que interpreta Babete, a prima hippie de Manu que leva o trio para ver o show no Rio. E o youtuber Felipe Neto, no papel do youtuber chiliquento Billy Bold, que critica o tempo todo banda teen e seus seguidores. A trilha sonora tem sucessos conhecidos, alguns interpretados pela Slavabody, como "Sing", de Ed Sheeran.

O roteiro foca mesmo é na mensagem de que a amizade está acima de tudo e que vale a pena correr atrás de um sonho, por mais impossível que ele possa parecer. Não espere nada além dessa comédia romântica nacional com cara de novela para adolescentes.



Ficha técnica:
Direção: Bruno Garotti
Produção: Panorâmica Filmes / Globo Filmes / Fox Films do Brasil/ Telecine
Distribuição: Paris Filmes / Downtown Filmes
Duração: 1h30
Gêneros: Comédia / Romance
País: Brasil
Classificação: Livre
Nota: 2,5 (0 a 5)

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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Com trilha sonora envolvente, "Nasce uma Estrela" emociona e é digno de Oscar

Lady Gaga e Bradley Cooper formam o par romântico que vive momentos diferentes em suas carreiras (Fotos: Neal Preston/Warner Bros. Entertainment/Ratpac-Dune Entertainment)

Maristela Bretas


Ela já tem uma legião de fãs como cantora. Mas agora, Lady Gaga se consagra como atriz e vai atrair outros milhares de seguidores que irão se encantar com a interpretação da cantora Ally em "Nasce uma Estrela" ("A Star is Born"). A nova versão do clássico que emocionou milhares de pessoas pelo mundo em 1976 e que contou com Barbra Streisand no papel principal, entra em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira para balançar corações e fazer chorar.

Para fazer o par romântico com Lady Gaga, que arrasa quando sobe ao palco, está o premiado Bradley Cooper, que também ocupa as funções de diretor (lugar que seria inicialmente de Clint Eastwood) e produtor. E sua estreia na direção está muito boa e pode atrair algumas estatuetas, inclusive no Oscar 2019. Além de lindo e atraente, Cooper surpreende ao cantar com sua voz rouca algumas das canções da bela e envolvente trilha sonora do filme, que nada fica a dever à versão de 42 anos atrás.


Gaga interpreta canções originais no filme que ela compôs com Cooper e vários outros artistas, incluindo Lukas Nelson, Jason Isbell e Mark Ronson. Todas as músicas foram gravadas ao vivo. Destaque para "I'll Never Love Again" (de arrepiar), "Shallow", "Maybe It's Time" e "Always Remember Us This Way". Já no início Lady Gaga mostra todo o seu talento e diversidade ao interpretar também a clássica "La Vie En Rose", logo no início do filme.

Na linda e triste história de amor, Cooper faz o papel do cantor de rock Jackson Maine, que tem problemas com a bebida e as drogas. Ele conhece Ally, uma garçonete que compõe lindas músicas românticas e possui uma bela voz, mas ainda é desconhecida. Jack resolve ajudá-la. Mas, ao mesmo tempo em que Ally vai se tornando uma estrela de sucesso da música pop, ele entra num processo de decadência e se afunda cada vez mais no vício. E apesar do grande amor que os une, o relacionamento começa a deteriorar.

O elenco de "Nasce uma Estrela" também inclui Sam Elliott (sempre muito bom) Andrew Dice Clay e Dave Chappelle. Mas é a dupla principal que brilha, mostrando a trajetória de cada um e a força de um lindo amor cantado em belas canções. Bradley Cooper e Lady Gaga têm uma sintonia que encanta e emociona, mantendo o ritmo da produção até o fim. Um filme imperdível.



Ficha técnica:
Direção: Bradley Cooper
Produção: Live Nation Productions /MGM Pictures /Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil
Duração: 2h16
Gêneros: Drama / Romance / Musical
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 4,8 (0 a 5)

Tags: #NasceUmaEstrela, #AStarIsBorn, #LadyGaga, #BradleyCooper, #SamElliott, #drama, #romance, #WarnerBrosPictures, #EspaçoZ, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

"Uma Noite de 12 Anos" - filme oportuno e imprescindível para o Brasil de hoje

O filme de Brechner conta a história de três homens que sofreram o horror e a crueldade da ditadura no Uruguai dos anos de 1970 e 1980 (Tornasol Films/Divulgação)
  

Mirtes Helena Scalioni



Mais do que um aviso, um alerta. Para o Brasil atual e polarizado, é isso que vai ficar ao final da sessão de "Uma Noite de 12 Anos" ("La Noche de 12 Anõs"), que conta a história mais do que verdadeira de três personalidades que sofreram o horror e a crueldade da ditadura no Uruguai dos anos de 1970 e 1980. Os cerca de 4.500 dias que os jornalistas Maurício Rosencof e Eleutério Fernandez Huidobro e o então agricultor José Mujica passaram como reféns do Exército em várias prisões são mostrados de maneira contundente pelo diretor Álvaro Brechner. Imperdível, imprescindível e oportuno.

Em 1973, 12 militantes do Movimento Nacional de Libertação Tupamaros, de oposição à ditadura militar, foram retirados da prisão onde estavam, tornaram-se reféns do Exército e, durante 12 anos, vagaram por cadeias em vários locais do Uruguai, para as quais eram levados sempre encapuzados. Nenhum deles tinha a menor noção de onde estava. Além disso, eram mantidos incomunicáveis. Não se falavam entre si e nem com os militares carcereiros.

O filme de Brechner pinça três desses detentos e, por meio deles, desnuda o que há de pior em um regime totalitário. É baseado no livro "Memórias del calabozo", escrito por dois dos personagens: Rosencof, vivido no filme pelo argentino Chino Darin, e Huidobro, interpretado por Afonso Tort. O terceiro da história, que depois se transformou num dos presidentes mais populares do Uruguai, Pepe Mujica, é feito por Antonio de la Torre.

Num filme como esse, com cenários sempre sombrios e claustrofóbicos, o trabalho dos atores ressalta e é fundamental. Com muito brilho e talento, os três - assim como os demais do elenco - dão seu recado envolvendo o público com a ideia que parece alimentar os personagens: a de que é preciso resistir para viver, apesar dos extremos da tortura física e psicológica e de toda sorte de humilhação e maus tratos. É como se mostrassem dois lados extremos do ser humano: a crueldade e a nobreza da resistência.

Numa sacada genial, o diretor intercala cenas dos três, cada um com sua dor e solidão, cada um tentando se reinventar para sobreviver no seu silêncio. Alguns flashbacks ajudam o espectador a conhecer um pouco da trajetória de cada um antes da prisão. A raríssima leveza de "Uma Noite de 12 Anos" fica por conta de pequenos momentos em que, aparentemente, o Exército é ridicularizado diante de algumas situações. Mas, como o filme é baseado em histórias reais, não há por que duvidar. O que fica é que, nem sempre, os opressores estavam devidamente organizados e afinados em seus objetivos.

Quem consegue chegar até o finalzinho do filme sem chorar - de tristeza, indignação, repúdio, raiva, medo - vai fatalmente sucumbir com a versão única e cortante de "The sound of silence", de Simon e Garfunkel, interpretada pela cantora catalã Silvia Pérez Cruz. Um soco no estômago. A partir daí, resta ao espectador voltar para a casa com a certeza de que é preciso refletir e, como os personagens, resistir e lutar para que lições de um passado tenebroso sejam profícuas e que a liberdade permaneça como o bem mais precioso da humanidade.
Duração: 2h02
Classificação: 14 anos
Distribuição: Vitrine Filmes


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