quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Com história clichê, Jennifer Garner volta à ação pesada em "A Justiceira"

Filme conta a trajetória de uma mulher para vingar a morte de sua família, cujos culpados foram inocentados pela corrupção (Fotos: Tony Rivetti Jr./STXFilms)

Maristela Bretas


Ela já foi a agente Sydney Bristow nas cinco temporadas da série de TV "Alias" (2001 a 2005), interpretou Elektra (personagem dos quadrinhos da Marvel) ao lado do ex-marido Ben Affleck no filme "Demolidor - O Homem Sem Medo" (2003), retomou a super-heroína numa produção solo no ano seguinte e fez seu último filme de ação em 2007, como a agente do FBI Janet Mayes em "O Reino", ao lado de Jamie Foxx.

Onze anos depois, Jennifer Garner retorna aos filmes de ação intensa, com muita luta, tiros, explosões e vingança de sobra para viver "A Justiceira" ("Peppermint"), filme dirigido por Pierre Morel (“Busca Implacável”) que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. A bela atriz, em excelente forma física, bate muito (e apanha muito também), mas teve sua atuação prejudicada e não consegue salvar o filme, graças ao fraco roteiro de Chad St. Jones (“Invasão a Londres” - 2016) recheado de clichês e cópia de filmes como "O Justiceiro" (2004) e "Desejo de Matar" (2018). 


A começar pela história: Riley North vê o marido e a filha serem mortos durante um passeio no parque de diversões para comemorar o aniversário da menina. Graças à corrupção sustentada pelo narcotráfico, os culpados são inocentados. Ela passa cinco anos treinando e planejando sua vingança contra todos os envolvidos. 

Jennifer Garner entrega uma boa atuação, primeiro como a mãe e esposa amorosa no início do filme, que se transforma na matadora que proporciona ao expectador muita ação e cenas de extrema violência. Em entrevista ela contou que logo que se uniu ao projeto para interpretar Riley North, em “A Justiceira”, iniciou um treinamento intensivo de fortalecimento corporal e desenvolvimento de habilidades. 


Diariamente, durante horas, a atriz dedicou seu tempo a aulas de boxe, krav maga, musculação, condicionamento físico e dança. “Eu cresci como dançarina e acho que é por isso que a ação faz tanto sentido para mim, é tudo coreografado e usando um método baseado na dança, que funciona muito bem para as cenas de luta”, explica Garner.

Além do condicionamento físico, Garner passou um tempo com os membros da marinha americana para melhorar suas técnicas táticas e de manuseio de armas. “Eu tinha uma compreensão básica de como usar uma arma e trocar a munição, mas já fazia muito tempo”, conta a atriz que fez todas as cenas perigosas sob a orientação da dublê, Shauna Duggins, que a acompanha há quase 20 anos. 



Sem grandes abordagens, "A Justiceira" é só um filme de ação, mas que poderá ser lembrado apenas como a versão feminina de "O Justiceiro", sem nada de novo e desmerecendo o talento da atriz principal para filmes do gênero e que merecia uma produção no padrão de "Alias" (dirigido por J.J. Abrams) ou até melhor. Para piorar, até o restante do elenco é pouco conhecido e sem peso. Acompanhado de pipoca e um refrigerante, "A Justiceira" vale como distração.


Ficha técnica:
Direção: Pierre Morel
Produção: Huayi Brothers Pictures / Lakeshore Entertainment
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Suspense / Ação
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #AJusticeira, #Peppermint, #JenniferGarner, #suspense, #ação, #DiamondFilms, #CinemanoEscurinho

domingo, 14 de outubro de 2018

Anna Kendrick e Blake Lively garantem bom suspense em "Um Pequeno Favor"

Trama aborda a amizade entre duas mulheres totalmente diferentes e o desaparecimento de uma delas sem deixar vestígios (Fotos: Peter Lovino/Lionsgate)

Maristela Bretas


Um competente elenco feminino, com boas interpretações que garantem um suspense policial de qualidade. Esse é "Um Pequeno Favor" ("A Simple Favor"), produção que tem como protagonistas as atrizes Blake Lively e Anna Kendrick. Uma trama que leva o espectador a achar que descobriu o final logo no início do filme, mas que se surpreende com o desenrolar do roteiro a partir da metade da projeção.

"Um Pequeno Favor" é bem conduzido, apesar de apresentar alguns momentos de lentidão que poderiam ser reduzidos para dar maior agilidade à história que foca na relação de amizade e interesse das personagens Stephanie (Anna Kendrick) e Emily (Blake Lively). Uma ligação que começou do nada, entre duas pessoas totalmente opostas que se unem com a desculpa de que os filhos são colegas de sala, mas na realidade buscam alguma forma de tirar proveito mútuo. Tudo isso regado a Dry Martini mexido não batido, ao contrário de James Bond, que gostava da bebida batida, não mexida.

Kendrick e Lively estão muito bem e formam uma boa dupla, com química, proporcionando tanto cenas tensas quanto cômicas, com certo sarcasmo. Esta parte graças Stephanie, uma vlogueira de gastronomia classe média, que cria sozinha o filho pequeno e luta para pagar as contas no fim do mês. Ela resolve dar uma de detetive e vai contando no seu canal todo o processo de investigação para descobrir o paradeiro de sua mais nova amiga, a executiva bem sucedida e elegante Emily, desaparecida do nada.

Enquanto isso, Stephanie precisa conviver com um trio de pais de coleguinhas do filho que não perde a chance de lembrá-la que está sendo usada como uma babá gratuita. Além de tomar conta do filho da desaparecida e cuidar da casa e do marido da "amiga". Sem notícias, ele passa a ser um quase viúvo. Como a polícia não encontra pistas, a vlogueira parte em busca de respostas por conta própria e vai descobrindo aos poucos que a nova amiga não era nada do que ela pensava.

Além das interpretações, "Um Pequeno Favor" se destaca também pela boa trilha sonora com sucessos franceses da década de 60 para contar o passado de Emily e ajudar a desvendar o mistério. Um bom filme que vale conferir pela atuação, principalmente, de Anna Kendrick, e pela direção de Paul Feig.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Produção: Lionsgate
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h57
Gêneros: Suspense / Policial
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #UmPequenoFavor, #ASimpleFavor, #AnnaKendrick, #BlakeLively, #Lionsgate, #drama, #suspense, #policial, #cinemas.cineart, #CinemaNoEscurinho

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Público elege "João, O Maestro" o melhor filme do Festival de Cinema Brasileiro na Rússia

Evento foi realizado de 25 de setembro a 7 de outubro em Moscou e São Petersburgo, com o apoio da Embaixada do Brasil (Fotos: Divulgação) 


"João, O Maestro", de Mauro Lima, foi escolhido pelo público como o melhor filme do Festival de Cinema Brasileiro na Rússia, realizado em Moscou de 25 a 30 de setembro e em São Petersburgo de 3 a 7 de outubro. O resultado foi divulgado pela Linhas Produções Culturais, que organiza o festival com o apoio da Embaixada do Brasil. Cerca de três mil pessoas compareceram às sessões nas duas cidades e votaram no melhor entre os oito filmes exibidos.

Além de "João, O Maestro", participaram do Festival – que chegou à 11ª edição em Moscou e à 7ª em São Petersburgo – "O Filme da Minha Vida" (drama), de Selton Melo, "Antes Que Eu Me Esqueça" (drama), de Tiago Arakilian, "Fala Sério, Mãe!" (comédia), de Pedro Vasconcelos, "Tungstênio" (drama), de Heitor Dhalia, "Talvez uma História de Amor" (comédia romântica), de Rodrigo Bernardo, "Arábia" (drama), de João Dumans e Affonso Uchoa, e o documentário "Fevereiros", de Marcio Debellian, ainda inédito no Brasil.


"João, O Maestro" é uma cinebiografia do pianista e maestro brasileiro João Carlos Martins, considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo. A produção aborda alguns detalhes pouco conhecidos da vida do artista, como o primeiro concerto internacional, a relação com as mulheres, a teimosia e o perfeccionismo em relação à música. Estabelecido como pianista de sucesso, na fase adulta, sofre um acidente que prejudica o movimento da mão direita. João tenta se reestabelecer e, enquanto isso se apresenta em concertos para uma mão só. 


No entanto, um segundo acidente retira os movimentos da mão esquerda, o que faz com que ele, mais uma vez, tenha que se reinventar. O maestro João Carlos Martins participou ao vivo da abertura do festival, no dia 25 de setembro, respondendo a perguntas do público russo por meio de vídeo conferência na própria sala do cinema.

Para Fernanda Bulhões, curadora e produtora do Festival, da Linhas Produções Culturais, este foi o ano em que as avaliações dos filmes pelo público foram as melhores. “Nós sempre levamos diversidade de estilos. Há dramas, comédias, romances, documentários e filmes autorais. E as avaliações que recebemos ao fim de cada sessão são sempre muito positivas”, diz. 

Segundo ela, tão importante quanto a boa avaliação é o público, que cresce ano a ano. “O Festival de Cinema Brasileiro é um evento muito esperado na Rússia. Faz parte do calendário cultural de Moscou e São Petersburgo. E o que é melhor: já tem um público cativo de admiradores, que só aumenta”, celebra.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Mauro Lima
Produção: LC Barretto Productions / Globo Filmes / RioFilme / Canal Brasil
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Biografia / Drama
País: Brasil
Classificação: 14 anos

Tags: #JoaoOMaestro, #maestroJoãoCarlosMartins, #MauroLima, #LinhasProduçõesCulturais, #FestivaldeCinemaBrasileironaRussia, #CinemaNoEscurinho

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

"Tudo Por Um Pop Star" é filme para atrair fãs de atrizes adolescentes de TV

Klara Castanho, Maísa Silva e Mel Maia formam o trio de amigas inseparáveis que têm o mesmo sonho: conhecer sua banda preferida (Fotos: Globo Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


A história é bem simples, sem muitas reviravoltas e o diretor Bruno Garotti entrega o que propõe. "Tudo Por Um Pop Star" é um filme para fãs de 8 a 12 anos das atrizes principais, em especial Maísa Silva, do SBT. Ela é Gabi, que mora no interior do Rio de Janeiro e tem como melhores amigas as jovens Manu (Klara Castanho) e Ritinha (Mel Maia). As três são apaixonadas pela banda pop masculina Slavabody Disco Disco Boys, febre entre as mocinhas de todo o Brasil. Até que um dia, o grupo anuncia que irá tocar no Rio de Janeiro e elas resolvem fazer de tudo para que seus pais permitam que assistam ao show.

Entre peripécias, mensagens gravadas em vídeo e muita confusão, as jovens fazem tudo o que se espera de uma fã que quer conhecer e ficar perto de seu ídolo. E vão viver uma grande aventura, com direito a todos os clichês possíveis de um filme para adolescentes. Mas sem apelações, o que difere de muitas produções atuais para esta faixa de público. "Tudo Por Um Pop Star" é baseado no livro homônimo da escritora Thalita Rebouças, autora do sucesso "Fala Sério, Mãe" (2017) e que escreveu o roteiro do filme.

Como boas fãs, as três vivem (e sofrem) por seus ídolos, uma banda que tem um cantor brasileiro entre seus integrantes, papel de João Guilherme Ávila - fraquinho demais como ator. O destaque fica mesmo para as três jovens que passam a sensação de serem amigas de verdade. Há sintonia no trio e isso ajuda a segurar o filme, que tem uma história que é puro clichê e todos sabem como vai acabar, mas que deverá encantar e atrair uma legião de fãs às salas de cinema a partir desta quinta-feira.

O lado cômico de "Tudo Por Um Pop Star" fica por conta de Giovanna Lancellotti, que interpreta Babete, a prima hippie de Manu que leva o trio para ver o show no Rio. E o youtuber Felipe Neto, no papel do youtuber chiliquento Billy Bold, que critica o tempo todo banda teen e seus seguidores. A trilha sonora tem sucessos conhecidos, alguns interpretados pela Slavabody, como "Sing", de Ed Sheeran.

O roteiro foca mesmo é na mensagem de que a amizade está acima de tudo e que vale a pena correr atrás de um sonho, por mais impossível que ele possa parecer. Não espere nada além dessa comédia romântica nacional com cara de novela para adolescentes.



Ficha técnica:
Direção: Bruno Garotti
Produção: Panorâmica Filmes / Globo Filmes / Fox Films do Brasil/ Telecine
Distribuição: Paris Filmes / Downtown Filmes
Duração: 1h30
Gêneros: Comédia / Romance
País: Brasil
Classificação: Livre
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #TudoPorUmPopStar, #MaísaSilva, #KlaraCastanho, #MelMaia, #GiovannaLancellotti, #ThalitaRebouças, #comedia, #romance, #EspaçoZ, #GloboFilmes, #ParisFilmes, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Com trilha sonora envolvente, "Nasce uma Estrela" emociona e é digno de Oscar

Lady Gaga e Bradley Cooper formam o par romântico que vive momentos diferentes em suas carreiras (Fotos: Neal Preston/Warner Bros. Entertainment/Ratpac-Dune Entertainment)

Maristela Bretas


Ela já tem uma legião de fãs como cantora. Mas agora, Lady Gaga se consagra como atriz e vai atrair outros milhares de seguidores que irão se encantar com a interpretação da cantora Ally em "Nasce uma Estrela" ("A Star is Born"). A nova versão do clássico que emocionou milhares de pessoas pelo mundo em 1976 e que contou com Barbra Streisand no papel principal, entra em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira para balançar corações e fazer chorar.

Para fazer o par romântico com Lady Gaga, que arrasa quando sobe ao palco, está o premiado Bradley Cooper, que também ocupa as funções de diretor (lugar que seria inicialmente de Clint Eastwood) e produtor. E sua estreia na direção está muito boa e pode atrair algumas estatuetas, inclusive no Oscar 2019. Além de lindo e atraente, Cooper surpreende ao cantar com sua voz rouca algumas das canções da bela e envolvente trilha sonora do filme, que nada fica a dever à versão de 42 anos atrás.


Gaga interpreta canções originais no filme que ela compôs com Cooper e vários outros artistas, incluindo Lukas Nelson, Jason Isbell e Mark Ronson. Todas as músicas foram gravadas ao vivo. Destaque para "I'll Never Love Again" (de arrepiar), "Shallow", "Maybe It's Time" e "Always Remember Us This Way". Já no início Lady Gaga mostra todo o seu talento e diversidade ao interpretar também a clássica "La Vie En Rose", logo no início do filme.

Na linda e triste história de amor, Cooper faz o papel do cantor de rock Jackson Maine, que tem problemas com a bebida e as drogas. Ele conhece Ally, uma garçonete que compõe lindas músicas românticas e possui uma bela voz, mas ainda é desconhecida. Jack resolve ajudá-la. Mas, ao mesmo tempo em que Ally vai se tornando uma estrela de sucesso da música pop, ele entra num processo de decadência e se afunda cada vez mais no vício. E apesar do grande amor que os une, o relacionamento começa a deteriorar.

O elenco de "Nasce uma Estrela" também inclui Sam Elliott (sempre muito bom) Andrew Dice Clay e Dave Chappelle. Mas é a dupla principal que brilha, mostrando a trajetória de cada um e a força de um lindo amor cantado em belas canções. Bradley Cooper e Lady Gaga têm uma sintonia que encanta e emociona, mantendo o ritmo da produção até o fim. Um filme imperdível.



Ficha técnica:
Direção: Bradley Cooper
Produção: Live Nation Productions /MGM Pictures /Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil
Duração: 2h16
Gêneros: Drama / Romance / Musical
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 4,8 (0 a 5)

Tags: #NasceUmaEstrela, #AStarIsBorn, #LadyGaga, #BradleyCooper, #SamElliott, #drama, #romance, #WarnerBrosPictures, #EspaçoZ, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

"Uma Noite de 12 Anos" - filme oportuno e imprescindível para o Brasil de hoje

O filme de Brechner conta a história de três homens que sofreram o horror e a crueldade da ditadura no Uruguai dos anos de 1970 e 1980 (Tornasol Films/Divulgação)
  

Mirtes Helena Scalioni



Mais do que um aviso, um alerta. Para o Brasil atual e polarizado, é isso que vai ficar ao final da sessão de "Uma Noite de 12 Anos" ("La Noche de 12 Anõs"), que conta a história mais do que verdadeira de três personalidades que sofreram o horror e a crueldade da ditadura no Uruguai dos anos de 1970 e 1980. Os cerca de 4.500 dias que os jornalistas Maurício Rosencof e Eleutério Fernandez Huidobro e o então agricultor José Mujica passaram como reféns do Exército em várias prisões são mostrados de maneira contundente pelo diretor Álvaro Brechner. Imperdível, imprescindível e oportuno.

Em 1973, 12 militantes do Movimento Nacional de Libertação Tupamaros, de oposição à ditadura militar, foram retirados da prisão onde estavam, tornaram-se reféns do Exército e, durante 12 anos, vagaram por cadeias em vários locais do Uruguai, para as quais eram levados sempre encapuzados. Nenhum deles tinha a menor noção de onde estava. Além disso, eram mantidos incomunicáveis. Não se falavam entre si e nem com os militares carcereiros.

O filme de Brechner pinça três desses detentos e, por meio deles, desnuda o que há de pior em um regime totalitário. É baseado no livro "Memórias del calabozo", escrito por dois dos personagens: Rosencof, vivido no filme pelo argentino Chino Darin, e Huidobro, interpretado por Afonso Tort. O terceiro da história, que depois se transformou num dos presidentes mais populares do Uruguai, Pepe Mujica, é feito por Antonio de la Torre.

Num filme como esse, com cenários sempre sombrios e claustrofóbicos, o trabalho dos atores ressalta e é fundamental. Com muito brilho e talento, os três - assim como os demais do elenco - dão seu recado envolvendo o público com a ideia que parece alimentar os personagens: a de que é preciso resistir para viver, apesar dos extremos da tortura física e psicológica e de toda sorte de humilhação e maus tratos. É como se mostrassem dois lados extremos do ser humano: a crueldade e a nobreza da resistência.

Numa sacada genial, o diretor intercala cenas dos três, cada um com sua dor e solidão, cada um tentando se reinventar para sobreviver no seu silêncio. Alguns flashbacks ajudam o espectador a conhecer um pouco da trajetória de cada um antes da prisão. A raríssima leveza de "Uma Noite de 12 Anos" fica por conta de pequenos momentos em que, aparentemente, o Exército é ridicularizado diante de algumas situações. Mas, como o filme é baseado em histórias reais, não há por que duvidar. O que fica é que, nem sempre, os opressores estavam devidamente organizados e afinados em seus objetivos.

Quem consegue chegar até o finalzinho do filme sem chorar - de tristeza, indignação, repúdio, raiva, medo - vai fatalmente sucumbir com a versão única e cortante de "The sound of silence", de Simon e Garfunkel, interpretada pela cantora catalã Silvia Pérez Cruz. Um soco no estômago. A partir daí, resta ao espectador voltar para a casa com a certeza de que é preciso refletir e, como os personagens, resistir e lutar para que lições de um passado tenebroso sejam profícuas e que a liberdade permaneça como o bem mais precioso da humanidade.
Duração: 2h02
Classificação: 14 anos
Distribuição: Vitrine Filmes


Tags: #UmaNoiteDe12Anos, #drama, #biografia, #AlvaroBrechner, #Chino Darin, #AntonioDeLaTorre, #VitrineFilmes, #AlfonsoTort, #JoseMujica, #ditaduramilitarnoUruguai, #Tupamaros, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Refilmagem de "Papillon" é mais um bom filme sobre a briga pela liberdade

Charlie Hunnam e Rami Malek interpretam os papéis que na primeira versão foram de Steve McQueen e Dustin Hoffman (Fotos: José Haro/Constantin Film)


Mirtes Helena Scalioni


Remakes costumam ser perigosos por vários motivos. Um deles: todo mundo já sabe o final da história. Outro: as comparações são inevitáveis, principalmente quando a primeira versão fez muito sucesso. Esse é o caso de "Papillon", filme inesquecível dirigido em 1973 por Franklin J. Schaffner e estrelado por ninguém menos que Steve McQueen e Dustin Hoffman nos principais papéis e que agora chega às telas pelas mãos de Michael Noer.

Se agora, em pleno ano 2018, o diretor dinamarquês decide contar de novo a história de Henri Charrière, o Papillon, um homem que passa praticamente a vida inteira tentando fugir da prisão, é sinal de que o assunto continua interessando. Na verdade, o personagem, baseado na autobiografia de Charrière, é mesmo fantástico.

Sua ânsia de liberdade, sua resistência física e inteligência para criar planos mirabolantes de fuga continuam atraindo o público, que já mostrou esse interesse em produções similares como "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre", ambos de Frank Darabon - para ficar só nos mais famosos.


Pequeno resumo para quem não conhece a história, baseada em fatos reais: Henri Charrière é um bandidinho chinfrim que vive na Paris dos anos de 1930. Aventureiro e exímio arrombador de cofres, vive nas altas rodas entre malandros, ladrões e prostitutas, sem qualquer preocupação com o futuro, até ser preso acusado de um assassinato que não cometeu.

Traído por ex-comparsas que montaram para ele uma armadilha, Papillon - que é chamado assim por ter uma borboleta (em francês, papillon) tatuada no peito - é condenado à prisão perpétua e levado para um presídio na Guiana Francesa, de onde ninguém jamais conseguiu fugir.

Steve McQueen e Dustin Hoffman (Divulgação)
Como todo personagem de presídio que se preza precisa de um parceiro, Charrière vira amigo e protetor de um falsário, Louis Dega, vivido na primeira versão pelo grande Dustin Hoffman e, agora, pelo também talentoso Rami Malek. E já que as comparações são inevitáveis, Charlie Hunnam se sai bem como protagonista da versão atual, embora fique a alguns quilômetros de distância do carismático Steve McQueen.


Inesquecível também a trilha sonora da versão de 1973, em especial a música-tema de "Papillon" sob a batura de Jerry Goldsmith, indicada ao Oscar como Melhor Música em 1974. Na nova versão, a trilha é toda composta por músicas francesas orquestradas, algumas com a participação de corais, sob a direção de David Buckley. Bonita, mas não causa o mesmo impacto da anterior.


O resto, todo mundo já sabe: muita violência, muito sofrimento, torturas e truculência entremeadas de lições de lealdade e companheirismo. No fundo, "Papillon", como quase todos os filmes e histórias que tratam da privação da liberdade, falam mesmo é de como o homem pode ser forte e persistente em seu sonho de ser livre, a ponto de levar uma vida inteira correndo atrás dele.
Classificação: 16 anos
Duração: 1h57
Distribuição: Imagem Filmes


Tags: #Papillon, #HenriCharrière, #baseadoemfatosreais, #MichaelNoer, #RamiMalek, #CharlieHunnam, #drama, #SteveMcQueen, #DustinHoffman, #ImagemFilmes, #liberdade,  #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

"Venom" peca ao trazer um anti-herói sem identidade


Longa transita bem entre o lado cômico e a carga dramática, como vem sendo notado ao longo da série (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)


Wallace Graciano


Poucos antagonistas ficaram tão enraizados na cultura popular quanto Venom. A forma híbrida entre um homem e um parasita alienígena ganhou notoriedade nos quadrinhos não apenas por ser o contraventor das histórias do “Homem-Aranha”, mas também pelo visual peculiar e seus recursos físicos que destoavam dos demais vilões. Não à toa, o transgressor foi a grande aposta para o próximo longa do universo Marvel. Porém, tais características, que fizeram dele único no cânone do herói, foram deixadas de lado no filme que estreia nas telonas nesta quinta-feira (4).

A história, que começa soturna, mas ganha cor com o passar dos minutos, conta as desventuras de Eddie Brock (Tom Hardy), um repórter investigativo conceituado sempre ávido por grandes notícias. Vive um céu de brigadeiros com sua futura esposa, Anne Weying (Michelle Williams). Porém, ao entrar escondido no e-mail de sua amada, ele tem acesso a um relatório que expõe que a companhia na qual ela trabalha, a Life Foundation, fazia testes laboratoriais em humanos. Com uma entrevista marcada com o CEO da empresa, Carlton Drake (Riz Ahmed), ele toca na ferida e acaba arruinando a carreira de ambos.

Desempregado e desamparado, Brock tem acesso a uma médica da Life, que reporta que a empresa testava a simbiose de um parasita com humanos. Entendendo que aquela seria sua última chance, ele invade a sede da companhia e tem contato com a gosma, que o toma como receptáculo, transformando-o, aos poucos, em Venom.

Apesar de apresentar bem o antagonista ao público, a trama peca ao desenvolvê-lo. Forçando uma necessidade de mostrar um outro lado do protagonista, o filme exagera na necessidade de tratar seu lado esquizofrênico tal qual os conceitos de “O médico e o monstro”. Nesse momento, Venom perde sua força, pois não se estabelece uma identidade ao personagem, que assume-se como anti-herói de forma abrupta, sem qualquer explicação ao expectador. Apesar disso, o longa transita bem entre o lado cômico e a carga dramática, como vem sendo notado ao longo da série.


“Venom” tinha tudo para ser um dos grandes filmes do universo Marvel, pois é rico em efeitos visuais, sonoros, e tem boas atuações, porém peca ao desvirtuar a identidade do personagem sem abraçá-lo. É como se apenas quisesse cativar um novo público, esquecendo os fãs de outrora. E a necessidade de um final feliz é a maior canalhice que qualquer filme pode cometer.

Obs: fique um pouco a mais no cinema - duas cenas pós-credito



Ficha técnica:
Direção:  Ruben Fleischer
Produção: Marvel Entertainment / Columbia Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h52
Gêneros: Ação / Ficção científica
País: EUA
Classificação: 14 anos

Tags: #Venom, #Marvel, #TomHardy, #SonyPictures, #CinemanoEscurinho

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Com ótimos sustos, "A Freira" faz conexão com "Invocação do Mal 2"

Taissa Farmiga é o destaque no quinto filme que apresenta a origem do demônio Valak (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

(Texto reproduzido do site Cinema de Buteco)

Para muitos pode parecer apenas mais um dos filmes de terror da franquia que tem nos dois longas de "Invocação do Mal" e  em "Annabelle 2 - A Criação do Mal" (2017) seus melhores exemplos. Mas "A Freira" ("The Nun") não fica atrás de seus antecessores e entrega a produção esperada pelos fãs, provocando bons sustos e pulos na cadeira. O diretor Corin Hardy soube explorar bem os três personagens e fazer a conexão que esclarece como surgiu o primeiro grande trabalho de investigação paranormal do casal de demonologistas Lorraine e Ed Warren.

Para quem segue a franquia (e para quem ainda não mas gosta de um bom terror, eu aconselho seguir), "A Freira" é o início da linha cronológica de toda a história, mesmo tendo chegado depois dos outros quatro filmes. E não exige que seja assistido na ordem das exibições. A produção explica rapidamente no início e no fim a conexão com o casal e seu primeiro encontro com o demônio Valak, que incorpora a freira em "Invocação do Mal 2"(2016).

Algumas cenas de "A Freira" fogem do terror e entram no campo do absurdo, mas não tiram o mérito da produção, por mais sem sentido que possam ser. A história se passa em 1952 em um convento instalado num antigo e assustador castelo. Os cenários escuros e tenebrosos de seus corredores e catacumbas ajudam a criar a tensão que antecede os ataques da freira demoníaca. Cruzes também são viradas de cabeça para baixo, objetos arremessados contra os protagonistas, portas se fecham e figuras assombradas aparecem e somem do nada.

Só para relembrar, o primeiro e grande sucesso que abriu as portas das boas bilheterias da franquia foi "Invocação do Mal" (2013), seguido de "Annabelle" (2014), "Invocação do Mal 2" e "Annabelle 2 - A Criação do Mal". "A Freira" chega às telas oferecendo uma produção eficiente, com ótimas interpretações, em especial a de Taissa Farmiga, irmã de Vera Farmiga (que faz o papel de Lorraine Warren nas outras produções). O terror bem interpretado, pelo visto, está na veia da família.

Taissa é a noviça Irene que aguarda para ser ordenada freira. Ela é enviada pelo Vaticano à Romênia, em companhia do padre exorcista Burke (Demian Bichir) para desvendar o suicídio de uma freira que vivia, como as demais, na clausura de um convento. Eles são ajudados por Frenchie (Jonas Bloquet), um camponês que entregava mantimentos para as freiras e encontrou o corpo da vítima.

O que eles não contavam era enfrentar uma entidade muito poderosa - o demônio Valak que se apossou do corpo de uma freira (interpretada por Bonnie Aarons), capaz de causar terror dentro e fora do convento. A chegada dos dois religiosos e do rapaz transforma o local em um verdadeiro campo de batalha. O certo é que "A Freira" merece ser visto e ajuda a manter a atração do público pela milionária e uma das melhores franquias de terror dos últimos tempos, não importando os clichês (claro, eles tinham de existir, como bom filme de gênero). E já prepara os fãs para "Invocação do Mal 3", previsto para ser lançado em 2020.



Ficha técnica:
Direção: Corin Hardy
Produção: New Line Cinema / The Safran Company
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h36
Gêneros: Terror / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #AFreiraFilme, #TheNun, #terror, #InvocacaodoMal, #WarnerBrosPictures, #EspacoZ, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho