Mostrando postagens classificadas por data para a consulta divertida mente. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta divertida mente. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

22 outubro 2025

"Frankie e os Monstros": uma divertida aventura gótica de terror sobre amizade e diferenças

Os monstros criados pelo Doutor Maluco vivem em um assustador castelo, escondidos dos seres humanos (Fotos: Gringo Filmes e Senator Film Produktion)
 
 

Maristela Bretas

 
Chega aos cinemas nesta quinta-feira (23), a animação "Frankie e os Monstros" ("Stitch Head"), uma aventura gótica de terror divertida e cheia de easter eggs, do início ao fim. O filme mistura um pouco de tudo: um cientista maluco que lembra o Doutor Emmett Brown (interpretado por Christopher Lloyd em De Volta para o Futuro), monstros simpáticos e bem coloridos, além de um clima sombrio, mas nada assustador. 

A produção, dirigida por Steve Hudson e com direção de animação de David Nasser — conhecido por sucessos como "Meu Malvado Favorito", "Hotel Transilvânia" e "Rio 2" — ainda faz alusões a "Pinóquio", à personagem Tristeza de "Divertida Mente", aos "Minions", e até ao clássico "E.T. – O Extraterrestre". 


São referências que enriquecem a narrativa e tornam a história mais cativante. Cada cena que lembrava uma produção do passado é capaz de fazer o público vibrar e se emocionar. A produção é inspirada na série de livros infantis Stitch Head, de Guy Bass.

Tudo começa no Castelo Grotescal, onde o Professor Maluco (voz original de Rib Brydon) vive tentando criar o monstro perfeito em seu laboratório. Como um verdadeiro Doutor Frankenstein, ele dá vida a diferentes criaturas, mas logo se esquece de cada uma delas, passando para a próxima experiência.


Entre essas criações está Stitch Head/Frankie (dublado por Asa Butterfield), seu assistente e primeira criatura, um pequeno menino de aparência estranha remendada e cabeça careca. Stitch está sempre em busca da atenção e do carinho de seu criador, mas nunca recebe ou sequer é notado. 

Enquanto isso, ele se dedica a proteger e esconder os demais monstros criados no laboratório, mantendo o castelo seguro. Todos temem que os humanos que habitam a vila de Grubbers Nubbin, localizada ao pé da montanha, descubram que eles existem e queiram destruí-los.


Até que a chegada à cidade de um Circo de Horrores decadente em busca de novas atrações muda toda a rotina de Stitch. Ao descobrir a existência do jovem, o dono do espetáculo oferece a ele a ilusão de que se fizesse parte do grupo conquistaria tudo o que sempre desejou: amor, fortuna e fama. Mas esta escolha trará sérias complicações para os monstros e os moradores da vila.

O elenco de personagens é carismático e diverso. Destaque para a Criatura (dublado por Joel Fry), o mais recente experimento do Doutor Maluco, que considera Stitch seu melhor amigo; Arabella (voz de Tia Bannon), uma jovem moradora da cidade que não tem medo de monstros; a ranzinza Nan (Alison Steadman), tutora de Arabella que acredita que todos no castelo são perigosos e cruéis.


Além da história encantadora que traz boas lembranças de filmes que marcaram a infância de diferentes gerações, "Frankie e os Monstros" também tem uma trilha sonora, composta por Nick Urata, que é um show à parte. Com grandes sucessos do passado, contribui para o clima nostálgico e emocional do filme.

Apesar de sua atmosfera gótica e alguns momentos sombrios, "Frankie e os Monstros" é conduzido com leveza e sensibilidade, de uma forma divertida, mas que toca o coração do público ao tratar de temas como abandono, preconceito, ganância, medo do desconhecido, lealdade, e acima de tudo, amizade. Uma animação que promete emocionar diferentes gerações.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Steve Hudson
Produção: Gringo Films GmbH, Fabrique d’Images, Senator Film Produktion, Traumhaus Studios, Mia Wallace Productions e Senator Film Köln
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h32
Classificação: Livre
Países: Alemanha, Luxemburgo, Reino Unido, França e República Tcheca
Gêneros: aventura, família, animação, comédia   
 

09 agosto 2025

Qual filme você assistiria com seu maior amigo?

 

  

Equipe do Cinema no Escurinho

 
Chegamos a mais um Dia dos Pais. E se aqui, no mundo real tem pais de todos os tipos, ausentes, presentes, despachados, formais e vários outros... na dramaturgia não seria diferente, né? 

Aqui vai uma listinha da equipe do Cinema no Escurinho, pra você se divertir, se emocionar, odiar, ou até questionar por que aquele pai daquela série ou daquele filme não apareceu por aqui. Deixe seu comentário também.

Eduardo Jr.
- Julius ("Todo Mundo Odeia o Chris")
- Joel ("The Last of Us")
- Don Vito Corleone ("O Poderoso Chefão")
- Mufasa ("Mufasa: O Rei Leão")
- Chris Gardner ("À Procura da Felicidade")


Marcos Tadeu
- Jack ("This is Us")
- Gepeto ("Pinóquio")
- Marlin ("Procurando Nemo")
- Francisco ("2 Filhos de Francisco")
- Max ("Meu Filho, Nosso Mundo")
 
Mirtes Helena Scalioni
- David Sheff ("Querido Menino")
- Osamu Shibata ("Assunto de Família")
- Memo - ("O Milagre da Cela 7")
- Chris Gardner ("À Procura da Felicidade")
- Anthony ("Meu Pai")



Maristela Bretas

- Parker ("Sempre a Seu Lado")
- Darth Vader ("Star Wars")
- Ben ("Capitão Fantástico")
- Bryan Mills ("Busca Implacável")
- Indiana Pai ("Indiana Jones e a Última Caçada")
 
Filipe Mateus
- Guido ("A Vida é Bela")
- Nate Oullman ("Extraordinário")
- Eddie Palmer "(Palmer")
- Joe Kingman ("Treinando o Papai")
- Luiz Gonzaga ("Gonzaga de Pai pra Filho")



Silvana Monteiro
- Richard ("King Richard: Criando Campeãs")
- Memo ("O Milagre da Cela 7")
- Dr. Seyolo Zantoko ("Bem-vindo a Marly-Gomont")
- Ollie Trinke ("Menina dos Olhos")
- Harry Hamilton ("Tal Pai, Tal Filha")

 
SUGESTÕES DE ANIMAÇÕES
- Shrek - "Shrek Terceiro" (2007)
- Stoico - "Como Treinar Seu Dragão" (2010)
- Drácula - "Hotel Transilvânia" (2012)
- Roz - "Robô Selvagem" (2024)
- Gru - "Meu Malvado Favorito" (2010)
- Beto - "Os Incríveis" (2004)
- Grug - "Os Croods" (2013)
- Homer Simpson - "Os Simpsons" (a partir de 1989)
- Sr. Anderson - "Divertida Mente" (2015)





18 fevereiro 2025

Somos "Flow" 100% como animação do ano

Filme aborda a questão climática, a necessidade de conviver com as diferenças e de união em situações extremas (Fotos: Sacrebleu Productions)


Jean Piter Miranda e Eduardo Jr.


"Flow" é como uma obra de arte. É uma animação que não tem diálogos (isso é impressionante), e ainda assim, os animais se comunicam. Você tira várias camadas para poder interpretar a crise climática que a gente está vivendo, a necessidade de pensar no coletivo, de pensar no próximo, de ter empatia, de saber conviver com as diferenças e de, realmente, um necessitar do outro. 

Não dá para ser individualista em situações extremas. Poderíamos ser mais coletivistas no nosso dia-a-dia? "Flow" é uma obra para  refletir, ela leva a gente a pensar e sentir. Por estas razões que esta produção da Letônia, dirigida por Gints Zilbalodis, merece ser conferida nos cinemas a partir do dia 20 de fevereiro.


Na história, o mundo está devastado, coberto apenas por vestígios da presença humana. Um gato preto solitário que, um dia, enquanto é perseguido por uma manada de cães, vê seu lar ser destruído por uma grande enchente. 

Buscando uma forma de sobreviver após a inundação, ele enfrenta diferentes ameaças, até que encontra refúgio em um pequeno veleiro povoado por diversas espécies. Todos tentam fugir dessa situação hostil e precisam se unir apesar de suas diferenças.


É aquela questão de experiência. "Robô Selvagem" é mais uma produção norte-americana, muito boa por sinal, mas que a gente coloca naquele mesmo pacote das outras boas produções hollywoodianas, como "Monstros S.A"., "Vida de Inseto" ou "Divertida Mente". 

Tem muita produção boa da Disney, da Pixar, da DreamWorks e a gente coloca ali, está tudo igual. Como experiência, eu falo que foram boas, mas é mais daquilo que a gente já viu. 

Como obra cinematográfica, "Flow" é diferente em tudo. A parte gráfica, a mixagem de som, a temática, ficaram ótimas. A animação ser feita sem diálogo, apenas com sinais sonoros e gestos entre os animais, e você ter que ler a situação para entender o que está passando, ficou fabuloso. 


As metáforas ficam na nossa cabeça, por muito, muito tempo. É um filme que marca. Você não vai conseguir tirar ele da cabeça. E tem cenas que são maravilhosas, na água, no céu, que dão para fazer pôster e pregar na parede. Por mim não precisava nem ter votação. Já poderia dar o Oscar direto para "Flow".

O colaborador Eduardo Jr. concorda com Jean Piter. Para ele, "se você chegou a este texto esperando encontrar análises sobre técnica e execução cinematográfica, pode se decepcionar. A interpretação das camadas e mensagens do filme tem tudo para ganhar mais espaço no gosto do público (no meu, já ganhou). 


Em tempos em que a perfeição parece ser o objetivo dos estúdios de animação, "Flow" se preocupa menos com a estética e mais com o conteúdo. Não que o desenho tenha traços malfeitos, mas notoriamente está um pouco distante daquele "padrão Pixar", tão amplamente difundido. 

Na tela os gráficos remetem a videogames dos anos 90. Aqui os personagens são um gato, um cachorro, uma capivara, um lêmure e uma garça, que juntos tentam sobreviver a uma inundação. No desenvolver da trama vão se abrindo camadas para interpretar diversas pautas e mensagens no filme. 


O grupo improvável de cinco animais, domésticos e selvagens, em uma floresta e precisando aprender como conviver em harmonia até remete à necessidade de união entre os cinco continentes pela preservação do nosso planeta.

"Flow' não tem diálogos, mas as escolhas e os gestos dos personagens falam por si só. Ou seja, a arte se faz até sem palavras. As ações e cenas ficam reverberando na cabeça da gente durante um tempo. 

Um filme lindo, especialmente na fotografia, capaz de deixar o público embasbacado. Merecedor do Globo de Ouro como Melhor Animação. E mesmo com um orçamento de 3,5 milhões de euros (em torno de R$ 21 milhões) é também um dos fortes candidatos ao Oscar 2025.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Gints Zilbalodis
Roteiro: Gints Zilbalodis, Matïss Kaza e Ron Dyens
Produção: Sacrebleu Productions
Distribuição: Mares Filmes, Alpha Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h25
Classificação: Livre
País: Letônia, França e Bélgica
Gêneros: animação, fantasia, família, aventura

23 janeiro 2025

Indicações de Fernanda Torres e "Ainda Estou Aqui" ao Oscar 2025 levam redes sociais ao delírio



Maristela Bretas


Com três indicações ao Oscar 2025, o filme brasileiro "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, entra na maior disputa do cinema mundial concorrendo às estatuetas de Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro e a grande consagração, Melhor Atriz, para Fernanda Torres. 

O anúncio dos indicados à 97ª edição do Oscar aconteceu na manhã dessa quinta-feira (23) e provocou uma explosão de euforia nas redes sociais pelo Brasil, que recebe a primeira indicação na categoria Melhor Filme.

"Ainda Estou Aqui"A (Foto: Alile Dara Onawale)

As redes sociais foram à loucura com o anúncio do filme brasileiro entre os concorrentes e a Fernanda Torres agradeceu em vídeo pelo apoio de todos aqueles que assistiram o longa e torceram por ela e pela produção. 

No início deste mês, Fernandinha, como passou a ser chamada carinhosamente por muitos brasileiros, conquistou o Globo de Ouro na mesma categoria com sua interpretação de Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura militar no Brasil.

Fernanda Torres, em cena de "Ainda Estou Aqui"
(Foto: Alile Dara Onawale)


A última vez que o país teve um representante entre os indicados foi em 1999, com Fernanda Montenegro e “Central do Brasil”, também dirigido por Walter Salles. Agora é esperar até o dia 2 de março quando acontece a cerimônia de entrega dos Oscar 2025 em Los Angeles, com apresentação de Conan O´Brien.

Os demais candidatos à premiação são os longas "Emilia Perez", com 13 indicações, seguido por "Wicked" e "O Brutalista", cada um com dez. "Conclave" e "Um Completo Desconhecido" receberam oito indicações cada. 

"Conclave" (Foto: Diamond Films)

Confira abaixo a lista completa:

Melhor filme
"Anora"
"O Brutalista"
"Um Completo Desconhecido"
"Conclave"
"Duna: Parte 2"
"Emilia Pérez"
"Ainda Estou Aqui"
"Nickel Boys"
"A Substância"
"Wicked"

Melhor Direção
Sean Baker - "Anora"
Brady Corbet - "O Brutalista"
James Mangold - "Um Completo Desconhecido"
Jacques Audiard - "Emilia Pérez"
Coralie Fargeat - "A Substância"

"A Substância (Foto: Universal Pictures)

Melhor Ator
Adrien Brody - "O Brutalista"
Timothée Chalamet - "Um Completo Desconhecido"
Colman Domingo - "Sing Sing"
Ralph Fiennes - "Conclave"
Sebastian Stan - "O Aprendiz"

Melhor Atriz
Cynthia Erivo - "Wicked"
Karla Sofía Gascón - "Emilia Pérez"
Mikey Madison - "Anora"
Demi Moore - "A Substância"
Fernanda Torres - "Ainda Estou Aqui"

"Wicked" (Foto: Universal Pictures)

Melhor Ator Coadjuvante
Yura Borisov - "Anora"
Kieran Culkin - "A Verdadeira Dor"
Edward Norton - "Um Completo Desconhecido"
Guy Pierce - "O Brutalista"
Jeremy Strong - "O Aprendiz"

Melhor Atriz Coadjuvante
Monica Barbaro - "Um Completo Desconhecido"
Ariana Grande - "Wicked"
Felicity Jones - "O Brutalista"
Isabella Rossellini - "Conclave"
Zoe Saldaña - "Emilia Pérez"

"A Semente do Fruto Sagrado" (Foto: Mares Filmes)

Melhor Filme Internacional
"Ainda Estou Aqui" - Brasil
"A Garota da Agulha" - Dinamarca
"Emilia Pérez" - França
"A Semente do Fruto Sagrado" - Alemanha
"Flow" - Letônia

Melhor Roteiro Adaptado
"Um Completo Desconhecido"
"Conclave"
"Emilia Pérez"
"Nickel Boys"
"Sing Sing"

Melhor Roteiro Original
"Anora"
"O Brutalista"
"A Verdadeira Dor"
"Setembro 5"
"A Substância"

"Gladiador 2" (Foto: Paramount Pictures)

Melhor Figurino
"Um Completo Desconhecido"
"Conclave"
"Gladiador 2"
"Nosferatu"
"Wicked"

Melhor Maquiagem e Cabelo
'Um homem diferente'
"Emilia Pérez"
"Nosferatu"
"A Substância"
"Wicked"

Melhor Trilha sonora
"O Brutalista"
"Conclave"
"Emilia Pérez"
"Wicked"
"O Robô Selvagem"

"Nosferatu" (Foto: Universal Pictures)

Melhor Canção Original
"El Mal" - "Emilia Pérez"
"The journey" - do filme "The Six Triple "Eight"
"Like a Bird" - "Sing Sing"
"Mi camino" - "Emilia Pérez"
"Never Too Late" - documentário "Elton John: Never Too Late"

Melhor Curta-metragem Com Atores
''A Lien"
"Anuja"
"I'm Not a Robot"
"The Last Ranger"
'"The Man Who Could Not Remain Silent"

Melhor Curta-metragem Animado
"Beautiful Men"
"In the Shadow of Cypress"
"Magic Candies"
"Wander to Wonder"
"Yuck!"

"O Robô Selvagem" (Foto: DreamWorks Animation)

Melhor Documentário
"Black Box Diaries"
"No Other Land"
"Porcelain War"
"Trilha Sonora Para um Golpe de Estado"
"Sugarcane"

Melhor Documentário de Curta-Metragem
'Death by Numbers"
"I am ready, warden"
"Incident"
"Instruments of a Beating Heart"
"The Only Girl in the Orchestra"

Melhor Animação
"Flow"
"Divertida Mente 2"
"Memórias de um Caracol"
"Wallace & Gromit: Avengança"
"O Robô Selvagem"


"Duna - Parte 2" (Foto: Warner Bros. Pictures)

Melhor Direção de Arte
"O Brutalista"
"Conclave"
"Duna: Parte 2"
"Nosferatu"
"Wicked"

Melhor Montagem
"Anora"
"O Brutalista"
"Conclave"
"Emilia Pérez"
"Wicked"

Melhor Som
"Um Completo Desconhecido"
"Duna: Parte 2"
"Emilia Pérez"
"Wicked"
"O Robô Selvagem"

"Emília Perez" (Foto: Paris Filmes)

Melhores Efeitos visuais
"Alien: Romulus"
"Better Man: A História de Robbie Williams"
"Duna: Parte 2"
"Planeta dos Macacos: O Reinado"
"Wicked"

Melhor Fotografia
"O Brutalista"
"Duna: Parte 2"
"Emilia Pérez"
"Maria Callas"
"Nosferatu"


"O Brutalista" (Foto: Universal Pictures)

20 dezembro 2024

"Mufasa: O Rei Leão" - uma emocionante história de legado e pertencimento

Live-action supera a produção anterior e entrega uma narrativa original e bem estruturada, com elementos inéditos (Fotos: Walt Disney Pictures)


Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema


Com direção de Barry Jenkins, estreou nos cinemas "Mufasa: O Rei Leão" ("Mufasa: The Lion King"), o live-action da Disney tão esperado para este ano. Explorando a história de origem do icônico pai de Simba, o filme se propõe a aprofundar a mitologia por trás do universo iniciado com "O Rei Leão" em 2019. 

A narrativa acompanha Mufasa em sua juventude, superando uma infância difícil para se tornar o lendário líder da Pedra do Reino. Órfão e sem rumo, ele forma uma amizade improvável com Taka, um carismático herdeiro real. 


Juntos, eles enfrentam desafios que moldam suas personalidades e definem seus futuros. Essa relação, além de revelar as semelhanças e diferenças entre os dois, dá origem a eventos que culminam no conflito central da franquia.

O diretor acerta ao trazer novidades para a franquia, corrigindo os erros do remake de 2019, com uma narrativa original e bem estruturada. O filme apresenta elementos inéditos, como a criação da Pedra do Reino, a transformação de Taka em Scar e o início do relacionamento de Mufasa com Sarabi. Esses detalhes são trabalhados de forma orgânica, enriquecendo a história e oferecendo novas camadas ao universo já conhecido.


As vozes do elenco da versão original são um dos destaques, incluindo Aaron Pierre, como Mufasa; Beyoncé (Nala); Mads Mikkelsen, como o vilão Kiros; Tiffany Boone (Sarabi), além da dupla Seth Rogen (Pumba) e Billy Eichner (Timão); Blue Ivy Carter, a filha de Beyoncé (dando voz a Kiara); Kelvin Harrison Jr. (Taka/Scar); John Kani (Rafiki) e Donald Glover, como o jovem Simba.

O roteiro de Jeff Nathanson utiliza paralelos com a obra original para desenvolver seus personagens. A amizade entre Mufasa e Taka, por exemplo, remete à relação de Simba e Nala, mas com um tom mais maduro e dramático. 

Essa construção cuidadosa destaca como desafios e escolhas moldaram não apenas os protagonistas, mas todo o cenário político e emocional da Pedra do Reino.


A fotografia de James Laxton é um dos pontos altos do filme, com paisagens exuberantes e detalhes impressionantes dos felinos, enquanto a direção de arte de Dan Webster presta uma bela homenagem ao clássico. Os cenários e a ambientação são ricos em detalhes e ajudam a transportar o público para o coração da savana.

Barry Jenkins explora temas importantes como legado e pertencimento, centrando a narrativa na busca de Mufasa por propósito e unidade em um mundo cheio de desafios. O vilão Kiros, também se destaca ao trazer complexidade e ambição à trama.

Mesmo seguindo a fórmula clássica de vingança da franquia, ele se apresenta como um adversário formidável para Mufasa, com uma história bem construída que sustenta suas motivações.


No entanto, o filme apresenta algumas falhas. As músicas adicionais interpretadas por Lin-Manuel Miranda, embora agradáveis, não têm o mesmo impacto memorável das trilhas sonoras das produções anteriores. 

Além disso, as intervenções cômicas de Timão e Pumba, embora divertidas, muitas vezes quebram o ritmo emocional da história com o personagem título.

Outro ponto fraco é a relação de Simba com Kiara, que deixa lacunas no roteiro, especialmente nos momentos envolvendo a leoa e sua família.


Apesar desses problemas, "Mufasa: O Rei Leão" entrega uma experiência criativa e emocionante, expandindo a mitologia da franquia de forma ousada. É um presente para os fãs e um exemplo de inovação, diferente de sequências como "Divertida Mente 2" e "Moana 2" que seguiram fórmulas previsíveis.

Ao explorar as origens de Mufasa, a Disney demonstra que ainda  há espaço para surpresas e histórias envolventes nesse universo tão amado.


Ficha técnica:
Direção: Barry Jenkins
Roteiro: Jeff Nathanson
Produção: Walt Disney Pictures, Fairviem Entertainment
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h58
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: live-action, aventura, musical, família

20 junho 2024

"Divertida Mente 2" – as emoções estão mais intensas e divertidas

A sala de controle ganhou novos integrantes e a briga vai mudar completamente o comportamento de Riley (Fotos: Walt Disney Studios)


Maristela Bretas


Deixando a vergonha de lado e sem querer ser pretensiosa, precisei deixar minha ansiedade de lado para não contar antes da hora o quanto gostei de "Divertida Mente 2" ("Inside Out 2"). A animação entra hoje em cartaz nos cinemas trazendo Riley (Kensington Tallman, com dublagem de Isabella Guarnieri) de volta, com emoções à flor da pele, dignas de uma jovem entrando na puberdade. 

Quem já passou por isso sabe como os hormônios enlouquecem a gente. Antes a alegria e a raiva dividiam os sentimentos da menina com a tristeza e o medo. A agora pré-adolescente vai precisar aprender a controlar outras emoções, bem mais fortes e que vão mudar totalmente sua vida e suas relações. 


Se em "Divertida Mente" (dirigido por Pete Docter em 2015) as bolinhas coloridas da memória ganharam e perderam força à medida que Riley crescia e deixava a infância, agora o cérebro da nossa jovem vai dar um salto temporal com os novos sentimentos. 

Em especial a Ansiedade, que vai acompanhar a personagem por toda a sua vida. Como faz com todos nós. Identifiquei-me totalmente com esta figura descabelada de cor laranja, bem estressada e com muita energia.

Assim como na animação original, "Divertida Mente 2", sob a direção de Kelsey Mann, também provoca aquele cisco nos olhos que faz lágrimas escorrerem pelo rosto, mesmo que em menor quantidade que sua antecessora. 


O forte desta sequência é que ela nos fazer questionar relacionamentos e lembranças da infância, que as novas emoções insistem em apagar para que novas sejam criadas novas na puberdade. Mas será que precisamos mesmo esquecer o que vivemos de bom no passado para que o presente seja melhor? 

Na história, a central de controle ganha novos integrantes. Coordenada por Alegria (Amy Poehler, com dublagem de Miá Mello) desde os primeiros anos de vida de Riley, com a ajuda de Tristeza (Phyllis Smith/Katiuscia Canoro), Raiva (Lewis Black/Léo Jaime), Medo (Tony Hale/Otaviano Costa) e Nojinho (Liza Lapira/Dani Calabresa). 


A chegada de Ansiedade (Maya Hawke e a voz da superligada Tatá Werneck) e seus amigos Inveja (Ayo Edebiri/Gaby Milani), Tédio (Adèle Exarchopoulos/Eli Ferreira) e Vergonha (Paul Walter Hauser/Fernando Mendonça) vai deixar a jovem mais sensível. 

Riley, que está completando 13 anos, passa a terá reações novas, algumas até incontroláveis e violentas. O grupo conta também com a simpática Nostalgia (June Squibb/Sylvia Salustti), que sempre aparece antes da hora. 

Com a desculpa de que está querendo ajudar a jovem em seu amadurecimento e, ao mesmo tempo protegê-la do mundo, Ansiedade toma a sala de controle, afasta os antigos sentimentos e provoca uma tremenda crise emocional em Riley. Alegria agora terá de encontrar uma forma de fazer sua dona relembrar e recuperar suas emoções passadas. 


Os roteiristas Meg Le Fauve e Dave Holstein souberam explorar bem os novos personagens, com destaque para Ansiedade e Vergonha. A primeira vai disputar o comportamento de Riley com Alegria, levando a jovem a fazer coisas que no passado jamais faria. Ela é o sentimento mais comum na maioria dos seres humanos, em especial dos jovens de hoje. Já a segunda é uma figura grande, forte, mas extremamente tímida e doce, que terá importante papel na trama.

Com boas piadas, narrativa leve e de fácil compreensão, muita cor e personagens carismáticos, "Divertida Mente 2" tem tudo para alegrar e encantar as crianças pequenas. Mas serão os adultos, como acontece nas produções da Pixar, que irão se emocionar e entender melhor as mensagens da animação que amadureceu junto com Riley.


Ficha técnica
Direção: Kelsey Mann
Produção: Pixar Animation Studios, Walt Disney Studios
Distribuição: Walt Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h36
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, família, comédia

20 maio 2024

"Amigos Imaginários" é o reencontro com as emoções da infância que faz a gente chorar

Longa tem roteiro simples e bem conduzido, que remete a um mundo de fantasia (Fotos: Paramount Pictures)


Maristela Bretas


Se a intenção do diretor, roteirista e produtor John Krasinski era fazer com que uma história simples levasse às lágrimas apenas explorando as emoções e a imaginação, ele conseguiu bem demais. Impossível não tirar o lencinho da bolsa e ficar imune ao longa "Amigos Imaginários" ("If"), em cartaz nos cinemas.

O filme demora para entrar no mundo da fantasia dos personagens que um dia ocuparam a vida de milhões de crianças. Mas a partir do momento que surge o mais fofo deles - Blue (que é roxo), não tem como não se envolver com a história. 


Krasinski também tem importante papel no longa, como o pai da adolescente Bea (Cailey Fleming). Ele e a esposa criaram a filha mostrando que a fantasia e a imaginação são importantes na vida, especialmente nos momentos difíceis. 

Tudo começa quando a jovem precisa se mudar para a casa da avó (a veterana atriz Fiona Shaw) onde passou a infância com os pais. Após a morte da mãe e a doença do pai, Bea se sente deslocada e é incentivada pelo pai a reencontrar sua criatividade. 


Sem perceber o que estava acontecendo, ela começa a ver e interagir com os "migs", que só podem ser vistos por quem abre seu coração para as lembranças e emoções do passado. O encontro com Cal, que tem a aparência humana, vai mudar sua vida e a de todos à sua volta.

Ryan Reynolds está muito bem no papel de Cal, um cara que guarda mágoas do passado, mas que tenta ajudar os migs a reencontrarem seus amigos. O ator deixa de lado a ironia de "Deadpool" para apresentar um personagem que tenta recuperar a alegria de um dia ter sido amado por alguém. A presença de Bea faz com que ele deixe de ser o adulto antipático e mal-humorado para voltar a ficar de bem com a vida.


Destaque para Cailey Fleming, que entrega uma Bea abalada com a perda da mãe e a doença do pai. Mas que reencontra a felicidade ao ajudar os novos amigos diferentões. A jovem atriz (que interpretou a personagem Rey quando menina em "Star Wars: A Ascenção Skywalker" - 2019) se sai muito bem e vai conquistando o público ao longo da trama.

Mas as estrelas da produção são realmente os "Amigos Imaginários". Cada um, com sua história, só quer voltar a ser feliz junto com suas crianças, que agora cresceram e não se lembram mais deles. 

As personalidades são as mais diversas, reproduzindo o que cada uma de suas crianças sentia na época - alegres, faladoras, tímidas, medrosas, ousadas, histéricas, atrapalhadas, mas, acima de tudo, confiantes em seus migs.


O filme é colorido, vibrante, especialmente por causa dos personagens do mundo da fantasia. Enquanto os migs com suas trapalhadas encantam as crianças na plateia, é a pureza das boas lembranças do passado e os reencontros com seus antigos amigos que fazem os adultos se emocionarem e as lágrimas brotarem nos olhos.

Na versão dublada, a voz de Blue é do ator Murilo Benício, enquanto a boneca bailarina Blossom é dublada por Giovanna Antonelli. Até o filho do casal, Pietro, tem participação dando voz ao amigo Fantasma.

Na legendada, grandes nomes do cinema emprestam suas vozes aos "Amigos Imaginários": Emily Blunt (Unicórnio); Matt Damon (Sully); Steve Carell (o fofíssimo e engraçado Blue); Phoebe Waller-Bridge (a boneca Blossom), além de Brad Pitt, Bradley Cooper, George Clooney, Awkwafina, Sam Rockwell, Maya Rudolph, e muitos outros. 


A trilha sonora ganhou a batuta de Michael Giacchino, responsável por sucessos como as franquias "Jurassic World" (2015 a 2022), "Homem-Aranha" (2017 a 2021), "Planeta dos Macacos" (2014 a 2017), "Star Trek" (2009 e 2016), "Missão Impossível" (2006 a 2011), além de animações como "Divertida Mente" (2015), "Ratatouille" (2007) e "Viva - A Vida é Uma Festa"(2017) e dezenas de trilhas de outras obras cinematográficas.

Fica um alerta: após todos os créditos há uma homenagem especial ao ator Louis Gossett Jr., que faleceu em março deste ano, e fez a voz do sábio urso de pelúcia Lewis. 

Não perca a oportunidade de se emocionar e até lembrar de seu Amigo Imaginário da infância. Ah, não se esqueça de levar um lencinho. E se alguém descobrir quem foi a criança de Lewis, me conte, por favor.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: John Krasinski
Produção e Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h44
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: família, fantasia, comédia, aventura

03 julho 2023

"Elementos" da natureza se misturam para divertir e emocionar

Faísca e Gota formam o casal da nova animação da Pixar que fala sobre família, relacionamentos e diferenças
(Fotos: Walt Disney Company)


Maristela Bretas


Estou falando da nova animação da Pixar Animation Studios, "Elementos", em cartaz nos cinemas e encantando o público desde a sua estreia. A produção tem história, mensagens fortes e bem atuais, personagens simpáticos, situações engraçadas, e acima de tudo, emociona a ponto de fazer chorar. 

Assim como em outras obras da produtora, como "Divertida Mente" (2015), "Luca" (2021), "Red: Crescer é uma Fera" (2022), além dos curtas "Piper" (2016) e "Bao" (2018), que falam de relacionamentos, família e amadurecimento, "Elementos" foca também nos costumes de outros povos e no preconceito com o imigrante, no caso, o asiático.


Na animação, Bernie Lumen/Brasa (o ator filipino Ronnie del Carmen) e a esposa Cinder/Fagulha (Shila Ommi) deixam sua terra para tentar a sorte em outro lugar, onde pretendem dar uma vida melhor à filha Ember/Faísca (a atriz chino-americana Leah Lewis) que está para nascer. 

Eles chegam à Cidade Elemento, onde vivem diferentes tipos de seres formados por água, terra, ar e fogo. estes últimos, no entanto, não são bem aceitos pelos demais elementos e acabam formando sua própria comunidade, fora da cidade.


Faísca cresce aprendendo com o pai como cuidar da Loja do Fogo, que um dia ele promete que será dela. Pelas características e cultura apresentadas fica claro que a família Lumen é de descendência asiática. 

A jovem nunca sai do bairro e segue à risca a regra principal dos pais: "elementos não podem se misturar". Um bom exemplo do que acontece com muitas comunidades de imigrantes pelo mundo, que não são aceitas por sua cor, raça ou origem diferentes do local. 


Impetuosa e de estopim curto, Faísca tem de conviver com esse preconceito e desconfiança e ainda precisa descobrir o que quer para seu futuro, mesmo que ele tenha sido traçado pelo pai. 

Até que um acidente a coloca frente a frente com Wade/Gota (Mamoudou Athie), que pelo nome já dá para saber que é do elemento água. Ele é um jovem de bem com a vida, muito emotivo que chora a toa e tem uma simpatia contagiante.

Gota vai ajudar Faísca a salvar o negócio do pai e fazê-la repensar seus conceitos, especialmente sobre o amor.


"Elementos" tem várias abordagens numa só história, todas interligadas, que se tornam mais fortes com as cores vibrantes usadas na animação e dos personagens fofos e divertidos, até mesmo quanto têm ataques de fúria, como Faísca (típico da adolescência). Características fortes das produções da Pixar.


Tudo isso é capaz de levar o público a aplaudir de pé ao final do filme e até mesmo chorar de emoção, tanto pelo relacionamento da jovem com Gota quanto com o pai e a mãe. Presenciei isso na sessão que fui em BH, lotada por famílias com crianças.

Somado ao visual temos uma ótima trilha sonora, composta por Thomas Newman ("Procurando Nemo" - 2003 e "Wall-E" - 2008), que conta com 37 músicas, entre elas, "Steal The Show", cantada por Lauv, que toca quando Gota e Faísca estão juntos. Confira abaixo.


Recomendo a versão dublada que está ótima, com vozes de Luiza Porto (Faísca), do mineiro Dláigelles Silva (Gota), Giovanna Antonelli (Sra. Ripple, mãe do Gota), André Mattos (Brasa), Cacau Protásio (Flarietta), Marisa Orth (Fagulha) e muitos outros. A direção de dublagem é de Diego Lima.

"Elementos" é uma animação para todas as idades e merece ser visto em família, com um lencinho na mão. Assim como Gota e sua mãe que choram rios de lágrimas, você também vai deixar escorrer esse elemento por seu rosto sem vergonha de se emocionar.


Ficha técnica:
Direção: Peter Sohn
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Company
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h42
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, comédia, família, aventura