Filme acompanha o que seria um simples encontro de dois casais vizinhos, mas que acaba se transformando em uma grande confusão (Fotos: O2 Play)
Mirtes Helena Scalioni
Difícil resistir a uma comédia rica e instigante como "O Convite" ("The Invite"), em cartaz no Cineart Ponteio, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Belas Artes. Com elenco perfeito e roteiro ágil e inteligente, o filme acompanha o que seria um simples encontro de dois casais vizinhos, mas que acaba se transformando em confusões, revelações e constrangimentos.
Com roteiro de Rashida Jones e Will McCormack e direção de Olivia Wilde ("Não Se Preocupe Querida" - 2022), o longa começa provocando altas gargalhadas antes de se transformar numa conversa séria quase incômoda para o público.
Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) vivem uma rotina insuportável e facilmente identificada pelo espectador desde as primeiras cenas do filme. Ele é professor de música numa pequena escola, anda de bicicleta e tem sérios problemas de coluna.
Ela é a típica dona de casa, cujas funções se limitam a limpar, lavar e preparar as refeições. Os diálogos entre os dois são ríspidos, limitam-se a temas práticos, pequenas brigas e não há nenhum carinho. Descobre-se logo que eles têm uma filha, mas ela não aparece ao longo da trama.
Tudo muda quando Angela, numa tentativa de quebrar a rotina, convida um casal vizinho que está há pouco tempo morando no prédio. Por trás do convite, está algo mais além da simples cortesia.
Ela e Joe estão curiosos para saber mais sobre as transas ruidosas dos dois que só conhecem de cumprimentos e gentilezas no elevador. Há, no ar, uma nítida inveja dos gemidos, sussurros e gritos ouvidos do apartamento ao lado.
A entrada em cena de Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton) ilumina o filme. Ele, quase discreto, e ela, loiríssima, esbanjando sensualidade, transformam o apartamento de Angela e Joe. O elenco, aliás, é a grande sacada de "O Convite".
A exuberante Piña deixa claro, desde o início, que é moderna e ousada. É sexóloga e faz questão de relatar as experiências de sexo grupal que ela e o marido costumam ter, para delírio dos anfitriões.
E a diretora Olivia Wilde, como Angela, brilha como a mulher carente, desiludida e curiosa. Também carente, mas mais afoito, o personagem Joe, feito por Seth Rogen, é o grande responsável pelas gargalhadas do público.
Outra sacada que faz toda a diferença é, sem dúvida, o cenário. Tudo se passa, praticamente, em apenas dois cômodos da casa: a sala e o pequeno escritório de Joe, como se fosse o palco de um teatro.
Sem nenhuma cena de nudez e com raros beijos e abraços, o longa deixa transparecer o tesão que começa a brotar entre eles, enquanto os vizinhos relatam suas histórias mirabolantes. São os momentos mais engraçados do filme.
Classificado como comédia dramática, "O Convite" peca pelo final, discursivo e com cara de autoajuda. O fechamento não chega a comprometer o filme, mas uma solução mais sutil talvez levasse o longa a um outro patamar.
Afinal, há outras formas menos explícitas que podem levar o espectador à reflexão sem fazê-lo parar de rir, como se, depois da piada, o convocasse à seriedade. Merecia um final mais criativo.
Ficha técnica:
Direção: Olivia Wilde Produção: Annapurna Pictures Distribuição: O2 Play Exibição: Cineart Ponteio, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Belas Artes Duração: 1h47 Classificação: 16 anos País: EUA Gêneros: comédia, drama
Produção de Ricardo Alves Jr. foi filmada em Belo Horizonte e tem trilha sonora original do pianista Amaro Freitas (Fotos: Vitrine Filmes)
Eduardo Jr.
Em cartaz nos cinemas o primeiro longa dirigido por Grace Passô, "Nosso Segredo", que integra a Sessão Vitrine Petrobrás. O filme acompanha uma família negra que tenta se reerguer após uma perda recente.
Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de encarar as raízes de suas dores e, juntos, descobrirem um novo caminho.
Com produção de Ricardo Alves Jr. e filmado em Belo Horizonte, o filme tem trilha sonora original de Amaro Freitas, o criativo e celebrado pianista brasileiro.
Já na primeira cena o espectador recebe a informação de que aspectos sobrenaturais podem estar por vir. Mas a dica não é sinal de fácil compreensão da obra, que exige enorme capacidade interpretativa de quem assiste.
Os integrantes da família são apresentados gradativamente, e é fácil questionar se há, de fato, alguma ligação entre eles. Ponto positivo para a tentativa de retratar como as pessoas estão isoladas umas das outras naquela família.
E aqui, do outro lado da tela, fica uma certa angústia por não entendermos determinados comportamentos ou a profundidade daquelas personagens.
Uma das poucas (talvez a única) dicas da salvação para esta família venha do texto, no momento em que um dos filhos escuta de uma amiga que é preciso demonstrar afeto para aquelas com quem convive.
Depois disso o espectador é arrastado novamente para o campo da incompreensão ao ver uma casa que parece se manifestar de maneira sobrenatural.
E dentro do espaço quase claustrofóbico da casa, no grupo formado por pai, esposa, avó e netos, fica claro que a personagem que talvez tenha as respostas é a criança. O longa deixa transparecer que ela se comunica com um amigo imaginário.
E aí a busca pelo "quem é/o que é" o causador dos ruídos e eventos estranhos na casa vai conduzindo a história, até chegarmos ao final, que pode explicar ou tirar do sério quem ficou ali, acompanhando a história por 103 minutos que parecem não acabar.
Se este texto não diz muito ao espectador, é porque o longa também se vale de linguagem metafórica para transmitir o desejo da diretora. Os festivais mostram que essa mensagem provocou algum efeito.
Selecionado para a Mostra Perspectives, dedicada a cineastas que estão em seu primeiro longa-metragem no Festival Internacional de Berlim (Berlinale), "Nosso Segredo" conquistou no Festival de Gramado o Kikito de Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.
Claro, o cinema não precisa entregar tudo mastigado para o espectador. E assim como não há obrigação de se trazer obras de fácil compreensão ou embaladas em rótulos como "terror" ou "suspense", os prêmios conquistados também não garantem que a obra vai agradar ou que será lembrada nas listas de melhores filmes nacionais.
Ficha técnica:
Direção e roteiro: Grace Passô Produção: Entre Filmes, coprodução Globo Filmes, Desvia Filmes, Quarta-Feira Filmes, Foi Bonita a Festa e Grãos da Imagem Distribuição: Vitrine Filmes Exibição: Cineart Cidade, Centro Cultural Unimed BH-Minas e Cine Belas Artes Duração: 1h43 Classificação: 14 anos Países: Brasil e Portugal Gêneros: drama, família, fantasia
4ª edição celebra feiras e mercados populares como espaços de encontro, memória e preservação da cultura alimentar (Fotos: Divulgação)
Da Redação
O Matula Film Festival – Cinema e Comida chega à sua quarta edição de 6 a 8 de agosto, no Mercado Central de Belo Horizonte, com o tema “Gastronomia de Feira”.
Durante três dias, o festival celebra feiras e mercados populares como espaços de encontro, memória e preservação da cultura alimentar, com programação que reúne exibições de filmes, mesas de debate, palestras, lançamentos de publicações, cozinhas-show e percursos guiados pelo mercado.
A Mostra de Filmes reúne produções nacionais e internacionais que exploram as múltiplas relações entre comida, cultura, território e identidade.
Com exibições gratuitas, a programação apresenta documentários, ficções e animações que revelam histórias de produtores, cozinheiros, comunidades, mercados e tradições alimentares, promovendo reflexões sobre patrimônio cultural, sustentabilidade e modos de vida.
Professor Carlos Augusto Monteiro (NUPENS/USP)
e a chef e historiadora Juliana Duarte
Cada dia tem um eixo temático. A quinta-feira (6) abre com “Sabores de Origem: a Feira como Patrimônio Vivo”. O primeiro compromisso é o tour Mercado Vivo, conduzido pelo jornalista gastronômico Nenel Neto, criador do Baixa Gastronomia, que apresenta personagens e lugares do Mercado Central.
Na sequência, a mesa de abertura “Mercados Vivos: Cultura Alimentar e Futuro” reúne os homenageados desta edição, o professor Carlos Augusto Monteiro (NUPENS/USP) e a chef e historiadora Ju Duarte, ao lado de convidadas do IDEC e da ACT Promoção da Saúde.
O dia inclui ainda o lançamento da publicação "Queijos Artesanais de Minas", resultado de dois anos de pesquisa da Emater-MG pelas 16 regiões produtoras do estado.
"Galinha Cheia" (Matheus Monstro e Japa)
Às 13 horas, sessão 1 de curtas: "Coração de Junho" (Eduarda Gulman e Irina Cordeiro, SP, 2025, 15 min); "Planeta Fome" (Édier Willian, RO, 2025, 15 min); "Fui na Feira" (Ana Carolina Aliaga e Vitória Marques, SP, 2023, 19 min) e "Galinha Cheia" (Matheus Monstro e Japa, Maceió, 2023, 9 min).
Thaylane Cristina (BH Film Commission) estará às 14 horas na Mesa de debate “Filmando Cidades Alimentares”. A segunda sessão de cinema acontece às 15 horas com o longa "Comida de Mentira", de Rafael Mellim (SP, 2024, 65 min)
"Planeta Fome" (Édier Willian)
Na sexta-feira (7), sob o eixo “Cozinhas Criativas: Tradição, Inovação e Encontro”, a chef Carol Dini comanda a cozinha-show “Da Cidade ao Mercado”, com oficina de fermentados em homenagem a Bergamo, na Itália, cidade convidada desta edição e integrante da Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO, da qual Belo Horizonte também faz parte.
A sessão 3 acontece às 13 horas dedicada às Cidades Criativas da Gastronomia Unesco, com a exibição dos filmes: "Heróis do Meio Ambiente" (Gaziantep, Turquia, 2025, 4 min); "Pão Doce de Santa Maria da Feira" (Santa Maria da Feira, Portugal, 2025, 33 min); "Raiz Cultural" (Marcia Mística, Paraty, 2025, 15 min); "Em Quem Você Acredita" (Matosinhos, Portugal, 2025, 3 min) e "Ilha da Gastronomia" (Gustavo Zinder, Florianópolis, 2026, 12 min).
"Fui na Feira" (Ana Carolina Aliaga e Vitória Marques)
Já às 15 horas será a sessão 4 com a exibição de "MAXLAB Mercados em Movimento: Living Matter" (Teresa Sala, Bergamo, Itália, 2023, 26 min) e "Território e Transformação" (Massimo Battaglini, Piemonte, Itália, 2026, 36 min)
O sommelier de cachaças Léo Gomes conduz a degustação comentada "Territórios da Cachaça", com rótulos apresentados no documentário "Cachaça, O Espírito Brasileiro", de Carlos Ribas (BH, 2026, 83 min), que tem pré-estreia na mesma sala, às 16 horas.
"Cachaça, O Espírito Brasileiro" (Carlos Ribas)
O sábado (8), dedicado ao eixo “Memória à Mesa: Cinema, Afeto e Identidade”, começa com o Cortejo Dona Lucinha: integrantes da comunidade do Serro que participaram das filmagens de "O Melhor Queijo do Mundo" conduzem o público pelos corredores do mercado até a sala de cinema, onde o longa de Lucas Assunção tem sua pré-estreia mundial, às 11 horas.
Outras duas sessões de cinema marcam o último dia do festival. A primeira às 13 horas, com a exibição dos curtas "Diamantina" (Tangente Filmes, Diamantina, 2026, 14 min) e "Quitandas de Minas Novas" (Nereu Jr, Minas Novas, 2025, 16 min).
"Atlas do Queijo Minas Artesanal"
Fecham a programação o lançamento do "Atlas do Queijo Minas Artesanal", bate-papo com Denise e Eduardo Girão, do projeto "Só Queijo Cura", e a mostra Raízes Mineiras.
Ao longo dos três dias, as cozinhas-show da Academia de Chefs do Prepara Gastronomia/Sebrae Minas recebem chefs de diferentes cidades mineiras para preparos feitos com ingredientes do próprio mercado, no circuito “Do Mercado à Mesa – Caminhos do Ingrediente”.
Também diários são os Caminhos da Matula, roteiro de estabelecimentos do Mercado Central selecionado por Nenel Neto em diálogo com os temas da programação, e o lançamento de publicações sobre cultura alimentar, que inclui ainda Papilex – A História Invisível dos Sabores, de Carol Dini.
Serviço Matula Film Festival – Cinema e Comida Data: 6 a 8 de agosto de 2026 Local: Mercado Central de Belo Horizonte, Av. Augusto de Lima, 744, Centro Programação:www.matulafilmfestival.com.br
Leo Alkemade e Huub Stapel formam uma ótima parceria que dá leveza, equilíbrio e simplicidade à narrativa sobre esta jornada de pai e filho (Fotos: Autoral Filmes)
Mirtes Helena Scalioni
Mais do que uma história de despedida, o filme holandês "Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho" ("Champagne") trata de uma celebração da vida. Aclamado e premiado em seu país de origem, o longa emociona e diverte enquanto acompanha a jornada dos dois pelas estradas da Europa. Classificado como uma comédia dramática, o trabalho do diretor Tim Kamps encontra o tom perfeito para falar de amor.
É preciso salientar que "Champagne..." é um filme, antes de tudo, simples. Logo no início, o espectador toma conhecimento de que o velho Hans (Huub Stapel) e sua mulher Sophie (Beppie Melissen) se ocupam, principalmente, de tomar conta dos netos.
Ao mesmo tempo, o avô é apresentado como brincalhão, quase irresponsável, e apreciador de bebidas alcoólicas, principalmente de champagne, que ele adora, para preocupação e desespero de toda a família.
Na verdade, trata-se mesmo é de um road movie. São poucas e ligeiras as primeiras cenas da família. Assim que descobre a doença e o estado terminal de Hans, o filho Maarten (Leo Alkemade) propõe a viagem pelo nordeste da França, exatamente a região vinícola onde nasceu e é cultivado com esmero o champagne. A bebida, como todos sabem, é associada a festejos, alegria e comemorações. Por que não antes da morte?
A relação pouco íntima entre pai e filho fica nítida assim que a viagem começa. Há silêncios que pesam e incomodam e que, aos poucos, vão se transformando em risos, lembranças, revelações. Entre consultas ao mapa, paradas para abastecimento do carro e, principalmente para as refeições, o amor entre os dois parece desabrochar como se eles estivessem se (re)conhecendo.
Há momentos de descobertas e pura ternura que comovem o espectador. E talvez exatamente pela simplicidade como a história vai se desenvolvendo, "Champagne..." é um filme que pode ser entendido e apreciado em qualquer idioma ou cultura, pois fala do sentimento universal entre pai e filho.
Plasticamente, o longa explora as maravilhas da região, com seus vinhedos infinitos e imagens de pequenas estradas entre as parreiras, onde os dois se perdem em bifurcações e encruzilhadas. Nada mais bonito e simbólico.
Também há cenas de dezenas de champagnes sendo abertas, inclusive pelo método conhecido como sabrage, em que se abre a garrafa com espada ou facão afiado que arranca o bocal e faz jorrar o líquido com abundância. Impossível não sair do cinema com sede de champagne.
O ator Leo Alkemade se baseou no seu próprio projeto de sair pela estrada com seu pai, que acabou morrendo antes que a viagem se concretizasse. Inspirado, ele escreveu o roteiro junto com Rik van den Bos e, de certa maneira, cumpriu o que tinha prometido ao pai.
No fundo, "Champagne ..." parece ser mesmo um convite à celebração da vida antes que ela se apague. Não por acaso, no Brasil, o filme entra em cartaz em 6 de agosto, mês em que se celebra o Dia dos Pais.
Ficha técnica:
Direção: Tim Kamps Roteiro: Leo Alkemade e Rik van den Bos Produção: Aattache Films e Brabant Films Distribuição: Autoral Filmes Exibição: Cine Una Belas Artes Duração: 1h30 Classificação: 14 anos País: Holanda Gêneros: road movie, comédia dramática
Na sequência de nossa maratona temos "Toy Story 3", que chegou aos cinemas em 2010 com orçamento de US$ 200 milhões e se tornou o primeiro longa de animação a ultrapassar US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais.
Andy (voz de John Morris) cresceu e está indo para a faculdade. Ele precisa decidir o que fazer com seus antigos brinquedos. Quando Woody, Buzz e a turma vão parar na creche Sunnyside, descobrem que o lugar não é tão perfeito quanto parece.
Agora, precisam escapar de um novo inimigo e encarar a difícil despedida de Andy. O grande mérito do filme está em fechar de maneira emocional a história do jovem e trabalhar com maturidade a passagem da infância para a vida adulta.
Woody, Buzz e os demais enfrentam mudanças que colocam sua amizade à prova, principalmente o cowboy, que inicialmente só quer manter todos juntos em casa.
O urso de pelúcia Lotso é uma das grandes surpresas da nova animação. Aparentemente fofo, ele carrega um histórico de abandono e ressentimento que o transforma em um líder cruel e totalitário.
O elenco reúne novamente a maioria dos dubladores do primeiro e do segundo filmes como Tom Hanks (Woody), Tim Allen (Buzz), Joan Cusack (Jessie), Don Rickles (Sr. Cabeça de Batata), Estelle Harris (Sra. Cabeça de Batata), Wallace Shawn (Rex), John Ratzenberger (Porquinho), Laurie Metcalf (Mãe de Andy) e Annie Potts (Betty).
Mas trouxe também novos nomes como Emily Hahn (Bonnie), Ned Beatty (Lotso), Michael Keaton (o boneco Ken), Jodi Benson (Barbie), Whoopi Goldberg (Stretch), Kristen Schaal (Trixie) e Blake Clark (que substituiu Jim Varney, falecido em 2000 e que fazia a voz de Slinky), entre outros.
Na dublagem brasileira, os personagens ganharam as vozes de Marco Ribeiro, Guilherme Briggs, Mabel Cezar, Pádua Moreira, Alfredo Martins, Carmen Sheila, Marco Antônio Costa, Reginaldo Primo, Carlos Gesteira, Duda Ribeiro, Olavo Cavalheiro, Renata Ferreira, Sheila Dorfman, Fernanda Bullara e Miriam Ficher, respectivamente.
O ponto negativo de "Toy Story 3" está na fórmula repetida. Mais uma vez, os brinquedos são separados e precisam enfrentar uma situação perigosa para conseguirem voltar juntos.
Bonnie, a nova criança que passa a fazer parte dessa história, também poderia ter recebido mais espaço para desenvolver sua relação com os brinquedos.
Ainda assim, "Toy Story 3" funciona justamente porque entende que crescer também significa aprender a deixar ir. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar e venceu Melhor Animação e Melhor Canção Original, além de ter sido indicado a Melhor Filme.
No fim, a despedida de Andy e dos brinquedos se tornou um dos momentos mais marcantes da Pixar: uma conclusão honesta, que permanece na memória e no coração mesmo quando a vida adulta chega e precisamos seguir nossas próprias escolhas.
Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story" (1995), "Toy Story 2" (1999), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".
Ficha técnica:
Direção: Lee Unkrich Produção: Pixar Animation Studio Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution Exibição: Disney+ Duração: 1h40 Classificação: Livre País: EUA Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil
Continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, expressões faciais e movimentação dos personagens (Fotos: Pixar)
Sequência direta do primeiro filme, "Toy Story 2" chegou aos cinemas em 1999 com a difícil missão de manter a essência do original, explorando o que significa ser um brinquedo por meio da amizade entre Buzz Lightyear e Woody (novamente dublados por Tim Allen e Tom Hanks), ao mesmo tempo em que expande esse universo com uma nova história.
Com um orçamento de US$ 90 milhões e uma bilheteria mundial de US$ 511,3 milhões, tornou-se a terceira maior arrecadação daquele ano e mais um grande sucesso comercial da Pixar.
A história gira em torno da descoberta de Woody sobre seu passado como estrela de um antigo programa de TV. Ao conhecer Jessie (voz de Joan Cusack), o cavalo Bala no Alvo (efeitos vocais de Frank Welker) e Pete Fedido (Kelsey Grammer), ele passa a questionar se deve permanecer ao lado de Andy e dos velhos amigos ou viver para sempre em um museu.
Enquanto isso, Buzz e seus amigos embarcam em uma missão para resgatá-lo, invertendo a dinâmica do filme original. Lançada quatro anos após "Toy Story", a continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, iluminação, expressões faciais e movimentação dos personagens.
Os cenários ficaram mais detalhados e a equipe conseguiu criar sequências mais complexas e dinâmicas, como a perseguição na loja Al's Toy Barn e a emocionante cena no aeroporto. O filme também demonstrou a evolução do RenderMan, software de renderização da Pixar que permitiu imagens mais sofisticadas e maior liberdade criativa para os animadores.
A qualidade técnica e narrativa da produção foi reconhecida com diversas premiações. "Toy Story 2" venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia em 2000 e conquistou vários Annie Awards, considerados os principais prêmios da indústria da animação. Vale lembrar que, naquela época, a categoria de Melhor Filme de Animação ainda não existia, sendo criada apenas alguns anos depois.
O grande mérito da continuação está na introdução de personagens carismáticos como Jessie, Bala no Alvo e Pete Fedido, ao mesmo tempo em que aprofunda a trajetória de Woody.
O filme questiona o verdadeiro propósito de um brinquedo: ser preservado para sempre como peça de museu ou viver sua existência sendo amado por uma criança. Essa reflexão dá a narrativa uma maturidade emocional que vai muito além da aventura.
Outra novidade está na forma como o longa brinca com referências da cultura pop. A mais famosa delas envolve Buzz Lightyear e Zurg (Andrew Stanton). Durante o resgate de Woody, Buzz encontra seu maior inimigo e os dois recriam uma das cenas mais icônicas da história do cinema.
Em uma clara homenagem a "Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca", Zurg revela a Buzz: "Eu sou seu pai". A piada funciona porque Buzz foi inspirado nos heróis das aventuras espaciais que marcaram as décadas de 1970 e 1980.
O filme também ri de si mesmo quando Buzz encontra uma fileira de outros Buzz Lightyear na loja de brinquedos. A cena satiriza a crise de identidade do primeiro filme ao mostrar que ele acreditava ser único quando, na verdade, era apenas mais um brinquedo produzido em massa.
A brincadeira ganha força com a entrada de um astronauta semelhante na missão de resgate, criando situações divertidas e reforçando a confusão de identidades.
Um dos temas mais fortes de "Toy Story 2" é a busca por pertencimento e identidade. Diferentemente do primeiro filme, que explorava principalmente a amizade entre Woody e Buzz, a continuação questiona quem os brinquedos são e qual é seu verdadeiro propósito.
Agora amigos, eles não estão mais em conflito. A relação entre os dois amadureceu e serve como base para a narrativa. Enquanto o astronauta lidera a missão para resgatar o caubói, este passa por uma jornada interna ao descobrir que faz parte do antigo programa de televisão, "Woody's Roundup".
Pela primeira vez, ele percebe que é mais do que o brinquedo favorito de Andy: é uma peça rara, com uma história e um legado próprios. É nesse momento que entram os novos personagens. Jessie carrega as marcas de ter sido abandonada por sua antiga dona e acredita que criar laços com crianças inevitavelmente leva ao sofrimento. Bala no Alvo demonstra uma lealdade incondicional a Woody, reforçando a ideia de pertencimento através dos vínculos.
Já Pete Fedido representa o extremo oposto: por nunca ter sido escolhido por uma criança, acredita que o melhor destino para um brinquedo é ficar protegido em um museu, onde jamais será esquecido ou descartado.
A partir dessas diferentes perspectivas, Woody é colocado diante de uma escolha difícil. De um lado, a possibilidade de viver para sempre em um museu, sendo admirado e preservado como uma peça histórica. Do outro, continuar ao lado de Andy, sabendo que um dia será deixado para trás quando seu dono crescer.
A trilha sonora ficou novamente a cargo de Randy Newman, que ampliou os temas musicais apresentados no primeiro filme e ajudou a dar uma identidade emocional ainda mais forte à continuação.
O grande destaque é a canção "When She Loved Me", interpretada por Sarah McLachlan, que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. A música acompanha a história de Jessie e se tornou uma das cenas mais emocionantes da história da animação, abordando sentimentos como abandono, saudade e passagem do tempo. A trilha também conta com novas versões de "You've Got a Friend in Me" e músicas inspiradas no universo de Woody's Roundup.
O que deixa a desejar é que a trama repete parte da estrutura do primeiro filme, com Woody novamente separado dos demais brinquedos e Buzz assumindo a liderança de uma missão de resgate.
Além disso, personagens já conhecidos, como Rex (Wallace Shawn), Slinky (Jim Varney), Porquinho (John Ratzenberger) e Betty (Annie Potts), recebem pouco desenvolvimento, ficando em segundo plano para dar espaço aos novos integrantes da história.
No fim, a mensagem é simples e poderosa: Woody descobre que ser um cowboy famoso, raro ou valioso não importa tanto quanto aquilo que sempre deu sentido à sua existência: brincar, criar memórias e fazer parte da vida de uma criança. Nenhuma coleção, museu ou reconhecimento pode substituir o sentimento de ser amado por seu dono.
É justamente nessa escolha que "Toy Story 2" encontra sua força emocional e se consolida como uma das melhores continuações da história da animação. Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story" (1995), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".
Ficha técnica:
Direção: John Lasseter, Ash Brannon, Lee Unkrich Produção: Pixar Animation Studio Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution Exibição: Disney+ Duração: 1h32 Classificação: Livre País: EUA Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil
Quem diria que uma história protagonizada por brinquedos poderia se transformar em um fenômeno de público e crítica? Lançado em 1995, "Toy Story - Um Mundo de Aventuras" não apenas conquistou espectadores de todas as idades, como também marcou definitivamente a história do cinema.
Levando cerca de quatro anos para ser produzido foi o primeiro longa-metragem da Pixar e também a primeira animação da história inteiramente realizada por computação gráfica (CGI).
Sob a direção de John Lasseter e com roteiro assinado por Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen, Pete Docter e Alec Sokolow, a obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos deste gênero no cinema.
Por trás desse avanço artístico, havia também uma base científica fundamental. Nomes como Ed Catmull e Alvy Ray Smith, cofundadores da Pixar Animation Studios, foram essenciais nesse processo.
Catmull, especialista em computação gráfica, ajudou a desenvolver e aprimorar sistemas de imagem digital e a estruturar o pipeline de produção 3D que tornou o filme possível.
Já Alvy Ray Smith contribuiu com fundamentos matemáticos e visuais que permitiram a criação de imagens digitais consistentes em larga escala. Sem esse tipo de engenharia, "Toy Story" simplesmente não existiria.
O resultado foi um sucesso imediato. Com um orçamento considerado modesto para os padrões de Hollywood — cerca de US$ 30 milhões — o filme arrecadou impressionantes US$ 394,4 milhões nas bilheterias mundiais. O desempenho consolidou o estúdio como uma das maiores forças da animação e abriu caminho para uma nova era do cinema animado.
Na história, o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) é o brinquedo favorito de Andy e o líder entre os brinquedos do quarto. Sua rotina muda completamente quando Buzz Lightyear (Tim Allen), um moderno patrulheiro espacial, chega como presente de aniversário.
O que começa como rivalidade logo se transforma em uma grande aventura, cheia de perigos, descobertas e amizade, enquanto tentam encontrar o caminho de volta para casa.
No meio da jornada, eles cruzam com Sid (Erik von Detten), o vizinho de Andy, um garoto que desmonta brinquedos e cria invenções estranhas com suas peças. Presos na casa do destruidor, Woody e Buzz precisam encontrar uma forma de escapar antes que seja tarde demais.
O grande mote do longa está justamente na relação entre Woody e Buzz. Acostumado a ser o brinquedo favorito de Andy, o cowboy vê a chegada do astronauta como uma ameaça e faz de tudo para afastá-lo, chegando a provocar a queda dele pela janela.
A atitude de Woody provoca revolta nos outros brinquedos, que passam a condená-lo pelo ocorrido. A partir daí, os dois são forçados a conviver e a enfrentar seus conflitos.
Existe aqui um interessante contraste entre gerações. Woody representa os brinquedos tradicionais, ligados ao Velho Oeste e a uma ideia mais artesanal de diversão. Já Buzz simboliza a modernidade, a tecnologia e o fascínio infantil por aventuras espaciais.
Esse choque fica ainda mais evidente na forma como Buzz acredita ser, de fato, um patrulheiro espacial, incapaz de aceitar sua condição de brinquedo.
É nesse ponto que surge uma das subtramas mais fortes do filme. Enquanto Woody insiste repetidamente em afirmar para Buzz “você é um brinquedo”, o astronauta luta para sustentar sua fantasia de missão espacial. O momento em que tenta voar para escapar da casa de Sid é o ponto de virada emocional da narrativa.
Ao som de “I Will Go Sailing No More”, ele finalmente confronta a realidade e compreende que não é um herói espacial e sim mais uma das diversões de Andy. É uma cena melancólica e surpreendentemente madura para uma animação infantil, tratando identidade, aceitação e propósito com rara sensibilidade.
A partir desse conflito, "Toy Story" revela seu tema mais profundo: pertencimento e identidade. Esses dois conceitos não aparecem de forma abstrata, mas como experiências vividas dentro da própria dinâmica do grupo dos brinquedos.
O filme constrói isso de maneira simples e precisa: quem pertence ao grupo nem sempre se sente pertencente, e quem é aceito pelo grupo nem sempre se reconhece dentro dele.
Woody é o principal exemplo dessa tensão. No início, ocupa uma posição de estabilidade como líder e brinquedo favorito de Andy. Existem harmonia e reconhecimento naquele universo. Porém, a chegada de Buzz desestabiliza essa estrutura.
Depois do conflito com a queda do astronauta, Woody passa a ser visto com desconfiança pelos outros brinquedos. Ele continua fisicamente dentro do grupo, mas perde o reconhecimento emocional. Está presente, mas já não pertence plenamente. Esse deslocamento mostra que pertencimento não é automático: ele depende de confiança, validação e reconhecimento coletivo.
Buzz, por outro lado, vive o movimento inverso. Ele chega como um estranho, mas é rapidamente aceito pelos outros brinquedos. Sua aceitação, porém, não se baseia em quem ele realmente é, mas na imagem que representa: um brinquedo avançado e admirável. Ou seja, ele pertence ao grupo sem compreender esse pertencimento.
O astronauta vive uma crise de identidade, não se vê como brinquedo, mas como um patrulheiro espacial em missão. Isso cria uma ironia central: ele é aceito por todos, mas não se reconhece e vai precisar se desconstruir até que aceite sua realidade.
No fundo, "Toy Story" fala de algo profundamente humano: não basta fazer parte de um grupo para se sentir pertencente, e não basta ser reconhecido pelos outros para compreender a si mesmo.
É nesse encontro entre perda de lugar e descoberta de si que o filme encontra sua força emocional mais profunda — e é aí que deixa de ser apenas um marco tecnológico para se tornar uma história sobre o que significa existir dentro de um mundo que também precisa te reconhecer.
Mas a conclusão dessa jornada vai além da identidade individual. O que "Toy Story" realmente revela é que o pertencimento só se completa quando existe aceitação — de si e do outro. É nesse ponto que Woody e Buzz deixam de ser apenas opostos e passam a ser parceiros.
Se no início representam choque de gerações, egos e visões de mundo, ao longo da narrativa constroem algo mais forte do que suas diferenças: uma amizade baseada na transformação mútua.
Woody aprende a dividir espaço, perder o controle e reconhecer o valor do outro. Buzz, por sua vez, aprende a se aceitar sem abrir mão da coragem e do sentido de propósito que o define.
Não se trata apenas de estar no mesmo lugar, mas de construir um lugar em conjunto. A canção “Amigo Estou Aqui” sintetiza essa virada emocional de forma definitiva.
Mais do que um tema musical, ela traduz apoio, presença e permanência mesmo diante das diferenças. Woody e Buzz descobrem que a força não está em competir por atenção, mas em caminhar lado a lado.
No fim, "Toy Story" não fala apenas sobre brinquedos de uma criança. Fala sobre vínculos que se formam quando dois mundos diferentes aprendem a coexistir, se transformar e se reconhecer. E é aí que tudo se fecha com simplicidade e força: amizade é quando o outro deixa de ser ameaça — e passa a ser parte de quem você é.
Diva do cinema francês das décadas de 1910 e 1920 recebeu uma atuação sensível e vibrante da atriz Sandrine Kiberlain (Fotos: Imovision)
Patrícia Cassese
Uma das maiores divas da arte da interpretação francesa ganhou, recentemente, uma cinebiografia à sua altura dirigida por Guillaume Nicloux, “A Divina Sarah Bernhardt” ("Sarah Bernhardt, La Divine") que traz Sandrine Kiberlain nas vestes da atriz falecida em março de 1923, aos 78 anos.
Com cenas que perpassam três períodos importantes da vida da estrela, o longa centra-se principalmente em sua intempestiva paixão pelo colega de profissão Lucien Guitry, interpretado por Laurent Lafitte.
Uma observação: tanto ele quanto Sandrine são figuras conhecidas pelo público brasileiro que acompanha com atenção a cinematografia francesa contemporânea.
Lafitte, por exemplo, está em “A Mulher Mais Rica do Mundo”, exibido recentemente, enquanto Kiberlain, em “Vizinhos Bárbaros”, de Julie Delpy, que acaba de aportar no catálogo da Netflix – e, conselho, vale muito a pena assistir.
Mas voltemos a “A Divina Sarah Bernhardt”. No curso da história, o espectador acessa os momentos de fragilidade da retratada (como a dependência doentia do amor de Julien), seu sofrimento psicológico (que a leva por várias vezes a praticar a autolesão), seu temperamento avant-garde (Sarah se relaciona com homens e mulheres e não se furta a enumerar as dezenas de amantes), seu viés feminista (aboliu o corselete e fala da ausência de mulheres dramaturgas) e, principalmente, sua sagacidade e seu fino humor. A extravagância se reflete até na escolha dos animais que habitam sua casa, casa de um lêmure ou de uma cobra.
No início, a narrativa flagra a atriz às vésperas de se submeter à amputação de uma perna. Cônscia dos ricos da cirurgia, e com todo temor advindo dessa constatação, ela se mantém afiada, fazendo piadas sobre mais uma parte do corpo perdida (já teve extraídos um rim e um pulmão).
Logo depois ao retroceder no tempo, a história trata de explicar o pedido de perdão feito a Lucien também nas cenas iniciais, assim como mostra aspectos como o modo inconsequente o qual o único filho arruína o patrimônio por ela conquistado, bem como a relação muito particular com Sacha, filho de Lucien. Detalhe: só mais adiante o público vai entender por que, na época da amputação, os dois não se falavam mais.
Com estética caprichada e interpretações convincentes, em particular, de Sandrine, “A Divina Sarah Bernhardt” comove o público, tendo também como mérito o fato de narrar pormenores da vida deste ícone francês, que, aliás, chegou a se apresentar no Brasil três vezes. (NR. - Aliás, foi em apresentação de “La Tosca”, no Rio de Janeiro, em 1905, que a atriz sofreu a queda que lesionou seu joelho de modo a anos mais tarde ser necessária a citada amputação da perna).
Em cena, abundam referências aos ícones com os quais Sarah Bernhardt conviveu em seu tempo, caso de Émile Zola, Victor Hugo (que a presenteou com um crânio humano) e Alexandre Dumas, de quem encenou “A Dama das Camélias”.
Todas as observações levantadas até aqui já sustentam e incentivam a ida ao cinema. Para os que já conhecem a história da diva, vale ver a representação ajustada ao quilate da homenageada, enquanto para os que pouco sabem, ou mesmo os que sequer ouviram falar, uma excelente oportunidade para travar contato com essa que é conhecida como a primeira celebridade global da história, em tempos em que o mundo nem sonhava em um dia estar assim, tão conectado.
Para além do talento inato, Sarah Bernhardt é o clássico exemplo de uma mulher avant la lettre. Motivos mais que suficientes para fazê-la merecer biografias, cinebiografias e tudo o que mais houver para celebrar sua persona e contribuir para a memória da vida de pessoas tão fora da curva.
Ficha técnica:
Direção: Guillaume Nicloux Distribuição: Imovision Duração: 1h38 Classificação: 16 anos País: França Gêneros: drama, romance, cinebiografia