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12 julho 2026

"Nós Acreditamos em Vocês": quando a Justiça coloca a palavra das vítimas em julgamento

Drama belga expõe a difícil fronteira entre a dúvida e a proteção das vítimas contra abusos domésticos
(Fotos: Filmes do Estação)
 
 

Patrícia Cassese

 
À exceção de uma pequena cena externa, logo em seu início, a narrativa do filme belga “Nós Acreditamos em Vocês” ("On Vous Croit"), de Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys, se passa totalmente no curso de uma audiência judicial, na qual o que está em jogo é a permissão para a reaproximação (ou não) de um pai – vivido por Lauren Cappelutto - de seus dois filhos, uma adolescente e um garoto, esse, ainda criança. Mais que isso, ele pode conquistar a guarda das crianças.

A questão é que não só a Alice (Myriem Akheddiou), ex-esposa do sujeito e mãe dos dois, é absolutamente contrária à hipótese de que este contato seja restabelecido, quanto os próprios rebentos têm verdadeira aversão a tal – na verdade, ambos entram em pane diante da mera possibilidade de compartilhar o mesmo ar que o genitor, o que obrigatoriamente aconteceria (acontece) na audiência.   


O motivo de tal ojeriza é compartilhado em pequenas pílulas com o espectador no curso do citado compromisso: sobre o pai paira a suspeita de atos desprezíveis, incluindo a molestação do filho. 

Aliás, a mãe, assim como sua advogada, sustenta que uma situação fisiológica a qual o garoto está lidando no momento, e que o faz eventualmente faltar à escola, por ter muito nela de constrangedor, seria derivada justamente do aventado abuso. 

Ocorre que o processo perpetrado contra o pai ainda não foi julgado, e é nesta brecha jurídica que ele tenta descredibilizar a mãe, com a ajuda de uma jovem (muito jovem) advogada.


Interessante apontar que tanto a advogada da mãe quanto a do pai são mulheres, assim como a juíza que vai deliberar sobre o caso. Assim, no centro do embate, temos quatro mulheres contra dois homens – além do pai dos garotos, o advogado destinado pelo estado para analisar o que seria hipoteticamente melhor para os dois menores de idade.

Colocado também na condição de juiz, o espectador vai sendo informado das versões a partir do momento em que, na audiência, as partes envolvidas ganham o direito à palavra. 

Ou seja, o público não presenciou nada (não há cenas de flashbacks), e, portanto, não tem como saber de que lado está a verdade, mas, para embasar a sentença, precisa ser convencido pelos argumentos apresentados por uma das partes.


E é aí que temos o “clássico” processo de descredibilização da mulher, fenômeno que transcende fronteiras geográficas, religiosas e culturais e se espraia pelos quatro cantos do planeta. 

No caso de Alice, a própria advogada do reclamante chama atenção pela tentativa de desmoralizar uma companheira de sexo – talvez inclusive pela especificidade, aqui já apontada, de ser jovem demais, portanto, certamente sem ainda ter experimentado o desafio de ser mãe. 

Um componente importante, então, passa a ser o conjunto de expressões manifestadas por cada personagem, inclusive as corporais, assim como a argumentação. Neste quesito, que bela interpretação, a de Myriem Akheddiou.


Em um momento em que a violência – inclusive a sexual – doméstica tem sido cada vez mais denunciada, com índices assustadores, “Nós Acreditamos em Vocês” cumpre a missão de alertar quanto à importância de uma análise acurada de cada caso, visto que nem sempre as provas são assim, tão evidentes. 

E, afinal, estamos falando de seres (crianças, adolescentes) que, na maioria das vezes, inclusive pela dependência emocional e financeira, não têm como se defender de abusos que vão mostrar suas consequências pelo resto de suas existências.


Ficha técnica:
Direção: Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys
Produção: Makintosh Films
Distribuição: Filmes do Estação
Duração: 1h18
Exibição: em breve no streaming 
Classificação: 14 anos
País: Bélgica
Gênero: drama

09 julho 2026

"A Gente Tenta": entre risos, frustrações e a difícil arte de construir novas histórias

Dorama tem como destaque os atores sul-coreanos Koo Kyo-hwan e Go Youn-jung que formam uma
relação de acolhimento (Fotos: Netflix)
 
 

Silvana Monteiro

 
Para quem gosta de histórias ambientadas nos bastidores do cinema, das produções audiovisuais e de personagens complexos, fica minha indicação de um dorama da Netflix: "A Gente Tenta" ("We Are All Trying Here").

A minissérie acompanha um grupo de cineastas que se reúne regularmente no bar de uma amiga e colega de profissão. Entre projetos frustrados, sonhos adiados, rivalidades, afetos e muita conversa regada a álcool, acompanhamos personagens que tentam sobreviver — e criar — em um mercado audiovisual nem sempre acolhedor.


Os destaques ficam para Hwang Dong-man (interpretado por Koo Kyo-hwan), que há décadas tenta emplacar um roteiro nas grandes produtoras, e Byeon Eun-ah (papel de Go Youn-jung), que carrega um segredo bombástico capaz de ressignificar muitas das relações ao seu redor. 

Go Youn-jung é uma atriz sul-coreana que tem em sua filmografia sucessos séries como "Alquimia das Almas" (2022-2023), "O Amor Pode Ser Traduzido" (2026) e "Em Movimento" (desde 2023). 

Já Koo Kyo-hwan, também sul-coreano, alcançou maior sucesso por sua atuação na série "D.P. Dogs Day (2021-2023, da Netflix, além da participação nos filmes "Jane" (2016) e "Invasão Zumbi 2" (2020).


A dinâmica entre eles dois, que são os mais novos do grupo, e o restante da turma, é construída aos poucos, revelando ressentimentos, admiração, inveja, amizade e sentimentos difíceis de nomear. 

No meio disso tudo, dois atores consagrados do cinema sul-coreano são disputados por sua capacidade de interpretação, mas são colocados, para além do conflito técnico, à prova de suas humanidades. 


O grande mérito da minissérie está nos diálogos, na construção dos acontecimentos e nos temas sensíveis os quais ela aborda. São daqueles que parecem simples à primeira vista, mas continuam pulsando na nossa cabeça e no nosso coração depois que o episódio termina. 

A atuação da dupla principal é impressionante, e a narrativa está repleta de referências sutis a obras consagradas do cinema, um prato cheio para quem gosta de identificar camadas e homenagens. 

A forma como os personagens são desenvolvidos, sem a história de um encobrir a outra, mantendo um ritmo convidativo e interessante, faz querer digerir os capítulos como se faz com um bom prato de comida quando se está faminto. 


Apesar do título modesto em português, a obra é muito mais rica do que parece. Além do humor e dos conflitos profissionais, a série aborda temas como autoria e coautoria, financiamento público para a cultura, maternidade, equidade de gênero no audiovisual e outras questões sensíveis, como o autoextermínio, sem cair em discursos fáceis.

É uma dessas produções que entretêm, fazem rir, provocam reflexão e deixam alguns temas e reflexões ocupando espaço na cabeça por dias. A fotografia também é um grande trunfo. Merece aplausos.


Ficha técnica:
Direção: Cha Young-hun
Roteiro: Park Hae-young
Produção: Netflix
Exibição: Netflix
Duração: 12 episódios
Classificação: 16 anos
País: Coreia do Sul
Gêneros: minissérie, dorama, romance

06 julho 2026

"Mestres do Universo" - "Pelos poderes de Grayskull... Eu tenho a força!"

He-Man devolve a infância aos fãs, mas também prova que nostalgia sozinha não sustenta um reino,
ainda mais Eternia (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Robhson Abreu
Parceiro do Jornal de Belô e Revista PQN

 
Muito antes de os super-heróis dominarem as plataformas de streaming e as bilheterias do cinema, um guerreiro de cabelos loiros, espada em punho e força sobre-humana já mobilizava milhões de crianças brasileiras diante da televisão. 

Exibido diariamente no "Xou da Xuxa", na segunda metade da década de 1980, He-Man e os Mestres do Universo transformou-se em um dos maiores fenômenos de audiência da programação infantil brasileira. 

O sucesso foi tão avassalador que ultrapassou as telas, impulsionou a venda de brinquedos, álbuns de figurinhas e inspirou uma canção gravada pelo grupo infantil Trem da Alegria que, até hoje, permanece viva na memória afetiva de quem cresceu naquela época.

He-Man, o guardião musculoso e bronzeado de Eternia, já ocupava um lugar privilegiado no imaginário de uma geração que transformou o príncipe Adam, o Castelo de Grayskull, Mentor, Teela, a Feiticeira e o temido Esqueleto e sua gangue em personagens inesquecíveis. 

He-Man, série animada de TV (Reprodução)

Quase quatro décadas depois, essa mesma geração, hoje formada por homens e mulheres acima dos 50 anos, volta a encontrar seus heróis nas telonas com o aguardado live-action de "Mestres do Universo" ("Masters of the Universe"), em cartaz nos cinemas da rede Cineart.

Reviver um clássico da cultura pop nunca é tarefa simples. A memória afetiva costuma ser implacável com qualquer adaptação. O diretor Travis Knight ("Bumblebee", 2018) demonstra desde a primeira sequência que conhece o peso dessa responsabilidade. 

Em vez de apostar apenas no apelo nostálgico, constrói uma aventura que respeita o legado da animação e, ao mesmo tempo, entrega um espetáculo visual compatível com as grandes produções contemporâneas. 

Eternia finalmente ganha a grandiosidade que os fãs imaginaram durante décadas, com cenários monumentais, figurinos ricos em detalhes e efeitos especiais que valorizam o universo criado pela Mattel.


O roteiro, assinado por Chris Butler ("Link Perdido", 2019), em parceria com David Callaham ("Homem-Aranha no Aranhaverso", 2018), além dos irmãos Aaron e Adam Nee ("A Cidade Perdida", 2022), preserva a essência dos personagens enquanto atualiza a narrativa para um público mais amplo. 

Algumas passagens poderiam ser mais desenvolvidas e certos conflitos se resolvem com rapidez excessiva, mas a história encontra um bom equilíbrio entre ação, emoção e fidelidade ao material original.

Boas atuações

Nicholas Galitzine ("Uma Ideia de Você", 2024), dublado em português por Garcia Júnior (voz original do herói na TV) entrega um Príncipe Adam convincente e um He-Man fisicamente imponente, transmitindo a evolução do jovem herdeiro até assumir plenamente o papel de defensor de Eternia. 


Mas quem domina boa parte da narrativa é Jared Leto ("Casa Gucci", 2021). Seu Esqueleto está ótimo, reunindo sarcasmo, inteligência e uma presença ameaçadora que transforma cada aparição em um dos grandes momentos do filme. 

O vilão acaba roubando a cena em diversos momentos, confirmando que grandes aventuras também dependem de antagonistas memoráveis.

O elenco de apoio também merece destaque. Idris Elba ("O Esquadrão Suicida", 2021) imprime autoridade, experiência e carisma ao Mentor de Armas, tornando Duncan um dos personagens mais sólidos da produção. 

Sua interpretação transmite a confiança de quem conhece cada batalha travada em Eternia e entende o peso de preparar o verdadeiro campeão de Grayskull, o tímido príncipe Adam.


Outro nome que chama a atenção do público brasileiro é Camila Mendes ("Música", 2024). Filha de pais brasileiros, a atriz assume o papel de Teela com personalidade, coragem e protagonismo. Sua personagem está longe de ocupar uma posição secundária. 

Ela participa das principais sequências de ação, demonstra independência e estabelece uma relação convincente com Adam, tornando-se uma das figuras mais importantes da narrativa.

Morena Baccarin ("Deadpool & Wolverine", 2024) empresta elegância e serenidade à Feiticeira de Grayskull, enquanto Alison Brie ("Bela Vingança", 2020) constrói uma Maligna fria, calculista, lora e ambiciosa, ampliando o clima de tensão que envolve a disputa pelo destino de Eternia.


Em busca da espada do poder

O rei Randor, interpretado por James Purefoy (série "Pennyworth", 2019–2022), e a rainha Marlena, vivida pela atriz Charlotte Riley (minissérie "Peaky Blinders", 2014), enviam Adam aos 10 anos para a Terra, a fim de protegê-lo da invasão liderada por Esqueleto. 

Em um portal mágico aberto pela Feiticeira, o jovem príncipe viaja em uma dimensão e acaba caindo em Oklahoma City, nos Estados Unidos. Durante a travessia, a Espada do Poder se separa dele, e esse é o acontecimento que desencadeia toda a história. 

Quinze anos depois e já com 25 anos de idade, Adam usa o nome Glenn. Ele trabalha no setor de recursos humanos de uma empresa e divide um apartamento com o desconfiado Hussein interpretado por Christian Vunipola ("Nascida Para Cantar", 2024). 

Diariamente ele procura na internet o rumo da Espada do Poder para voltar a Eternia, até encontrá-la e se meter em confusões. 


Ao voltar para casa, Glenn/Adam é perseguido pelo Homem-Fera, interpretado pelo ator Gary Martin ("Minions", 2015). Fiel escudeiro de Esqueleto, ele persegue o príncipe pelas ruas da cidade é uma das principais sequências de ação da primeira parte do filme. E é justamente nesse momento que a bela Teela reaparece para salvar Adam e ajudá-lo a retornar a Eternia.

Esse é um dos principais diferenciais do filme em relação ao desenho do Xou da Xuxa. Na animação, Adam sempre viveu em Eternia e já era o príncipe do reino. No live-action, os roteiristas optaram por construir uma história de origem, mostrando o herói crescendo longe de seu planeta natal antes de assumir definitivamente a força de He-Man. 

Os fãs mais antigos certamente perceberão a ausência de alguns personagens fundamentais na animação original. O tigre Pacato aparece pouco durante o filme até sua aguardada transformação em Gato Guerreiro. 

Embora a escolha prepare o terreno para os próximos capítulos da franquia, fica a sensação de que um dos personagens mais carismáticos de Mestres do Universo merecia maior participação. 


Outro que aparece somente no final do longa é o atrapalhado Gorpo. O pequeno mago, inseparável companheiro de He-Man em praticamente toda a série animada dos anos 1980, sequer integra a aventura principal. 

Para quem acompanhou o desenho desde a infância, sua ausência provoca estranhamento e deixa evidente que a produção preferiu guardar personagens importantes como estratégia para uma futura continuação. Com certeza ele daria maior leveza à história com suas confusões.

Boa trilha sonora

Outro acerto importante em Mestres do Universo está na trilha sonora composta por Daniel Pemberton ("Enola Holmes", 2020, e "Ferrari", 2023). Em vez de viver apenas das lembranças da série animada, o compositor cria uma identidade própria para o filme, alternando momentos épicos e passagens mais emocionais que ampliam a força dramática da história. 

O principal destaque é "Eternia", composta por Pemberton em parceria com o guitarrista Brian May. A faixa abre o filme e ganha uma versão estendida nos créditos finais. O solo de guitarra de May dá à música uma identidade que remete ao rock épico dos anos 1980, uma escolha inspirada na trilha de Flash Gordon (1980), também marcada pela participação do Queen.


Ainda assim, fica a sensação de uma oportunidade perdida. Para o público brasileiro, especialmente aquele que hoje integra a geração 50+, uma discreta homenagem à música composta por Michael Sulivan e Paulo Massadas e gravada pelo Trem da Alegria teria sido um presente inesquecível. A canção ajudou a popularizar He-Man no Brasil e permanece viva na memória afetiva de milhões de fãs. 

Bastaria uma breve referência instrumental, talvez durante os créditos finais, para estabelecer uma conexão emocional ainda mais forte com quem descobriu os heróis de Eternia nas manhãs da eterna rainha dos baixinhos. Nas redes sociais, a Amazon MGM Studios soltou um trailer com a música He-Man, o que levou muito marmanjo aos cinemas.

A produtora fez uma aposta ambiciosa ao investir em uma franquia que marcou profundamente a infância de milhões de pessoas. O resultado demonstra que ainda existe espaço para grandes clássicos quando recebem planejamento, respeito ao material original e qualidade técnica. 

O estúdio deixa claro que pretende transformar "Mestres do Universo" em uma nova franquia cinematográfica.


Vale a pena permanecer na sala até o encerramento completo dos créditos. A cena extra não está ali apenas para cumprir uma tradição de Hollywood. Ela abre caminho para uma continuação e apresenta um importante gancho envolvendo Adora, a irmã gêmea de Adam, a She-Ra, que luta pela honra de Grayskull. 

Isso ampliará o universo da franquia, além de deixar evidente que novas aventuras já fazem parte dos planos da Amazon MGM Studios, embora a confirmação oficial dependa muito do desempenho nas bilheterias e do streaming.

"Mestres do Universo" está longe de ser apenas um exercício de nostalgia. O filme emociona quem cresceu repetindo o juramento diante da Espada do Poder, mas também apresenta esse universo para uma nova geração que só conhece a música do Trem da Alegria. 

Talvez essa seja sua maior qualidade. Mostrar que alguns heróis envelhecem muito bem e que certas lembranças continuam tão poderosas quanto no primeiro dia em que entraram na nossa vida.


Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Produção: Amazon MGM Studios
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: salas da rede Cineart: Boulevard, Cidade e Del Rey
Duração: 2h13
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, fantasia

02 julho 2026

"Minions & Monstros" reinventa a bagunça e aposta no cinema para garantir muita diversão

Os amarelinhos mais amados do planeta voltam com novas aventuras e inimigos bem coloridos e tão
loucos quanto eles (Fotos: Illumination Entertainment)
 
 

Maristela Bretas

 
Quando você pensa que a receita já não cabe mais nenhuma atualização, os Minions se reinventam, voltam ao passado e entregam uma animação ainda mais divertida, com ótimas referências ao mundo do cinema e contando um pouco da saga dos amarelinhos mais loucos de Hollywood.

Este é "Minions & Monstros", em cartaz nos cinemas para alegria da criançada e dos adultos também. Mas não espere ver Bob, Stuart, Kevin e Otto. Estes nossos amiguinhos são da primeira animação da turma - "Minions" (2015) -, que depois se tornaram leais servidores de Gru em "Meu Malvado Favorito 3” (2022).


A onda agora que está dominando o planeta e deixando os fãs loucos, com baldes de pipoca e copos nas salas de exibição, tênis, sanduíches, acessórios e até locadoras de veículos explorando o grande filão do momento, são outros quatro atrapalhados amigos amarelinhos - James, Harry, Ed e Dick (líder do grupo e mais rabugento).

James é o protagonista da vez e descobre no mundo do cinema sua vocação. Vive desenhando e criando histórias, sonha ser diretor de um filme e ganhar o prêmio máximo da academia.

E é em Hollywood que nossos amigos acabam caindo, sempre em busca do líder malvado perfeito. James, Ed e Harry são inseparáveis e essa amizade vai levá-los ao glamour e à riqueza, transformando-os em grandes astros.


Mas os Minions também vão conhecer seus mais perigosos inimigos, que podem parecer fofinhos, só que não. Os coloridos Goomi e sua turma, especialmente a gosmenta Irene, são os vilões - mal dá para acreditar. 

Nossos heróis de camisa amarela e macacão azul vão ter de se unir e contar com toda ajuda possível para vencerem estes estranhos seres que querem destruir o mundo.

A magia do cinema

Um dos maiores destaques de "Minions & Monstros" está na forma como o diretor, novamente Pierre Coffin, soube trazer para uma animação os anos 1920, durante a Era de Ouro de Hollywood, como pano de fundo. 


Como diria Martin Scorsese, o filme é "Absolute Cinema", cheio de referências, relembrando grandes sucessos como "ET - O Extraterrestre", "Toy Story", "Minions", "Jurassic Park". O diretor fez paródia com o diretor George Lucas e até mesmo com clássicos como "Casablanca" e "Tempos Modernos".

Participações que fizeram toda a diferença e ainda contaram com a ótima trilha sonora de John Powell  também com influências de diferentes gêneros e períodos, variando entre "Star Wars" e compositores eruditos como Tchaikovsky.



A voz inconfundível dos Minions é novamente do diretor e cocriador dos personagens Pierre Coffin, tendo como dubladores originais nomes como Jeff Bridges, Jesse Eisenberg e Christoph Waltz.

Mas é na versão dublada que estão nossos talentos brasileiros: Guilherme Briggs (Goomi), Márcio Simões (o diretor de cinema Max), Carla Pompilio (Olivia), Manolo Rey (Howard), Wendel Bezerra (Phillips), Alexandre Moreno (Dort), entre outros.   

Muita ação, diversão e cores fazem de "Minions & Monstros" uma das melhores opções de entretenimento para crianças e adultos nestas férias. Imperdível. Assista e conte aqui o que achou desta nova aventura. 

OBS. - Tem cenas estendidas e divertidas até o final dos créditos


Ficha técnica:
Direção: Pierre Coffin
Produção: Illumination Entertainment
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h27
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: aventura, animação, comédia

01 julho 2026

"Anatomia do Caos": relembrar para jamais esquecer

Filme escancara as bizarrices de um governante negacionista que foi responsável por mais de 700 mil
mortes na pandemia de Covid-19 (Fotos: Divulgação)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Imprescindível. Talvez seja essa a palavra que melhor define "Anatomia do Caos", filme que mostra, com riqueza de detalhes, o que se passou no Brasil a partir da decretação da pandemia de Covid 19 em março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde, lembrando que o país era governado por Jair Messias Bolsonaro.

Com roteiro e direção de Dandara Ferreira ("Meu Nome éGal" - 2023), o documentário, que estreia nesta quinta-feira (2) no Cine Belas Artes, é peça importante para que não caia no esquecimento os absurdos inacreditáveis vividos pelos brasileiros naqueles dias.


A começar pelo gigantesco número de mortes - mais de 700 mil - o filme escancara as bizarrices de um governante negacionista, anticiências e adepto de um chamado tratamento preventivo à base de Hidroxicloroquina, comprovadamente ineficaz.

O filme, que ao final faz questão de deixar clara a intenção de ser um documento de interesse público e de finalidade informativa, mostra a instalação e desenvolvimento da CPI da Covid-19 que levou milhões de brasileiros para a frente das TVs todas as manhãs.

Tornou populares figuras como Omar Aziz, Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Simone Tebet, Osmar Terra, a médica Nise Yamaguchi e o senador Flávio Bolsonaro, sempre pronto a defender o pai.


São inacreditáveis as muitas falas do presidente da República durante a pandemia. Em live ou entrevistas, ele chama a doença de gripezinha, debocha dos doentes com falta de ar, chama os brasileiros de 'maricas', indica medicamentos que não funcionam e responde mal aos jornalistas quando a pergunta é sobre as mortes.

Todos se lembram da famosa frase "eu não sou coveiro" e da campanha contra as máscaras e vacinas. Ou do discurso dele na ONU, quando disse ter salvado o Brasil que estava à beira do socialismo.

Igualmente inesquecível é o chamado gabinete paralelo, que tinha à frente Osmar Terra, defensor intransigente da imunização de rebanho junto com o desastroso ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello.


Outra lembrança importante ativada pelo documentário é a crise de escassez de oxigênio em Manaus, quando milhares de pessoas morreram literalmente por falta de ar.

O Brasil perdeu também grupos indígenas que foram exterminados pela doença levada pelos brancos, mas a CPI pegou fogo mesmo quando o deputado federal Luis Miranda denunciou o que passou a ser chamado de escândalo da Covaxin, quando veio à tona a proposta de pagar muito além do preço de tabela por essa vacina.

Não faltou também menção ao caso da Prevent Sênior, com seus números duvidosos e a surpreendente declaração da médica responsável: "Óbito também é alta".


Com placas indicando o número de mortes aumentando a cada dia, a CPI ouviu também os empresários Carlos Wizard, que defendia o tratamento precoce com Cloroquina enquanto citava versículos bíblicos.

E o impagável e estranhíssimo Luciano Hang, conhecido como "veio da Havan", que marcou presença com suas fanfarronices e convites a motociatas enquanto o Brasil se tornava responsável por 33% das mortes por Covid 19 em todo o mundo.

O tempo costuma apagar tudo, até mesmo as dores mais cruéis. Nesse sentido, "Anatomia do Caos" faz seu papel importante, usando a arte para reativar a memória e para que episódios como esses jamais se repitam. 

Vale ressaltar que, em 2022, Jair Bolsonaro torna-se o primeiro presidente desde a redemocratização a não ser reeleito.


Ficha técnica:
Direção: Dandara Ferreira
Roteiro: Dandara Ferreira e Élcio Verçosa Filho
Produção: Movioca Casa de Conteúdo, Las Margaridas e LabV
Distribuição: Descoloniza Filmes
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h29
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: documentário, drama

28 junho 2026

"O Menino da Calça Rosa" reconstrói uma história para alertar sobre a prática do bullying

Samuele Carrino interpreta o jovem Andrea Spezzacatena que tirou a própria vida devido ao assédio
contínuo na escola (Fotos: Divulgação)
 
 

Patrícia Cassese

 
Filmes baseados em episódios da vida real trazem, em seu bojo, a peculiaridade de o público adentrar a sala de exibição de certa forma já sabendo o desenlace da história – bem, claro, salvo no caso daqueles que, por variados motivos, não tomaram conhecimento do fato, principalmente quando este ocorreu em outro país. 

Evidentemente, essa característica – de o que acontece ao fim já ser sabida - não depõe contra a realização de tais iniciativas, pois, assim como há o chamariz de ver como uma história real foi transposta para o écran, há também a pertinência de levar certos episódios à telona para que não sejam esquecidos.

É o caso de “O Menino da Calça Rosa” ("Il Ragazzo Dai Pantaloni Rosa"), de Margherita Ferri, que integrou a programação da 8 ½ Festa do Cinema Italiano Brasil, exibida em vários cinemas do país, inclusive de BH.

Trata-se de uma encenação a partir de um caso real que comoveu a Itália. Em novembro de 2012, pouco após completar 15 anos, Andrea Spezzacatena tirou a própria vida, solapado pela tormenta que atravessava na escola, onde era vítima de bullying e cyberbullying.


Ao transpor o caso para a telona, a diretora permitiu-se entremear os fatos comprovados (após a morte, a mãe do garoto teve acesso ao conteúdo do celular dele e, assim, tomou conhecimento da dimensão do assédio dos colegas, que chegaram a criar um perfil chamado O Menino da Calça Rosa com toques ficcionais.

Por serem menores, à época, os alunos que perpetraram sofrimento e humilhação a Andrea (vivido no longa-metragem pelo expressivo Samuele Carrino) tiveram a identidade preservada. 

De todo modo – e, mesmo como apontamos, já sabendo o desenlace – o filme alcança o que imaginamos ser seu objetivo precípuo, ou seja, ratificar a necessidade de prevenir a prática do bullying. Assim como saber lidar com a questão quando esse já se implantou, tanto no acolhimento de quem procura a direção da escola ou diretamente algum professor para pedir ajuda.


Ou na percepção da dinâmica da classe (já que, muitas vezes, por vergonha ou medo, o alvo recolhe-se ao silêncio), assim como no tratamento e eventual punição (de educativa à expulsão) de quem o pratica e no investimento na prevenção futura. 

O assunto é premente. Para se ter uma ideia, pesquisa nacional realizada pelo Departamento de Educação dos EUA apontou que 100% dos estudantes ouvidos relataram ter vivenciado, testemunhado ou tido conhecimento de atos de bullying durante o ano letivo de 2021-2022. 

No Brasil, em matéria da Agência Brasil, quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido alvos de bullying, e 27,2% dos alunos nessa faixa etária já sofreram alguma forma de humilhação duas ou mais vezes.  


Os dados foram divulgados em março de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), e se referem a depoimentos coletados em 2024 em escolas de todo o Brasil. 

Vale dizer que Teresa Manes, a mãe de Andrea (vivida, no filme, pela belíssima Claudia Pandolfi), desde a morte do filho se dedica a percorrer escolas do país ministrando palestras para conscientizar jovens e educadores sobre as consequências do bullying. 

Também fundou a Associazione Italiana Prevenzione Bullismo e escreveu o livro “Andrea, para além da calça rosa” (tradução livre). Por seu empenhado trabalho, aliás, em 2022 foi agraciada com a ordem Cavaleiro do Mérito da República por Sergio Mattarella, o presidente da República Italiana. 


Em tempo: a calça rosa citada no título do filme e em outros pontos desta matéria refere-se à peça de vestuário que Andrea ganhou de presente de sua mãe. 

Na verdade, a calça era originalmente da cor vinho, mas uma lavagem na máquina fez com que o tingimento esmaecesse, deixando a peça com um tom rosado – inacreditavelmente, ainda hoje atrelada ao sexo feminino.

Assistir a “O Menino da Calça Rosa” é, pois, uma experiência dolorosa, da qual ninguém sai inalterado. Não se surpreenda ao se flagrar pesquisando o caso a fundo e se afundar na cadeira refletindo como uma prática tão destrutiva e perversa, com um potencial tão significativo de acabar com uma vida e, na esteira, dilacerar famílias inteiras, possa seguir arrebanhando adeptos. De todo modo, uma experiência necessária.


Ficha técnica:
Direção: Margherita Ferri
Roteiro: Roberto Proia
Produção: Eagle Pictures, Weekend Films
Distribuição: Weekend Films
Duração: 1h54
Classificação: 16 anos
País: Itália
Gênero: drama

25 junho 2026

"Supergirl": nem Milly Alcock nem o adorável Krypto conseguem salvar uma heroína sem roteiro

Super-heroína inspiradora que marcou os quadrinhos estreia nova versão nas telonas (Fotos: DC Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois do bom recomeço promovido por "Superman", a DC Studios dá um passo atrás com "Supergirl", que estreia hoje nos cinemas. Desta vez, quem acaba prejudicada é justamente a prima do Homem de Aço. 

A talentosa Milly Alcock, destaque da série "A Casa do Dragão", entrega uma atuação convincente, mas esbarra em uma personagem difícil de conquistar o público.

O maior problema não está na atriz, e sim na construção de Kara. Em vez da heroína inspiradora que marcou os quadrinhos e outras adaptações para a TV e o cinema, surge uma jovem amarga, impulsiva e movida quase exclusivamente pela vingança. 

Em diversos momentos, suas atitudes se aproximam mais das de uma vilã do que das de uma super-heroína. Confesso que, para mim, Melissa Benoist continua sendo a melhor intérprete da personagem.


Quem realmente rouba a cena é Krypto. O fiel e atrapalhado cão de Kara é, de longe, o elemento mais divertido do filme. Sempre que aparece, quebra o clima pesado da narrativa e conquista facilmente a simpatia do público. 

Se existe um verdadeiro protagonista carismático nesta produção, ele tem quatro patas. e tem sua origem revelada no filme.

A trama ganha algum fôlego com a chegada de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem que também busca vingança. A relação entre as duas movimenta a história, embora o roteiro não aprofunde suficientemente suas motivações.


Entre os personagens masculinos, Superman (David Corenswet) faz uma participação importante ao conectar os acontecimentos deste filme aos de "Superman" (2025), dirigido por James Gunn, onde Supergirl apareceu pela primeira vez neste novo universo.

Do lado dos vilões, Matthias Schoenaerts ("Operação Red Sparrow" - 2018) interpreta Krem com competência, ainda que sem grandes surpresas e com características pouco marcantes. Já Jason Momoa retorna ao universo da DC em um papel diferente. 


Depois de viver o herói em "Aquaman" (2018), agora assume o personagem Lobo, um caçador de recompensas intergaláctico de visual extravagante e garras afiadas. A mudança soa forçada, e Momoa praticamente repete o mesmo estilo irreverente e desleixado que costuma apresentar em outros personagens.

O roteiro também decepciona. A história aposta em longas sequências de ação, excesso de computação gráfica e efeitos digitais para sustentar uma narrativa que oferece poucas novidades. As cenas de pancadaria ocupam boa parte do tempo, mas pouco acrescentam ao desenvolvimento dos personagens, tornando o filme repetitivo e previsível.


Curiosamente, enquanto "Superman" optou por suavizar a violência, "Supergirl" segue o caminho oposto. Kara demonstra uma crueldade que chega a incomodar, especialmente para quem conhece a personagem dos quadrinhos. 

Como uma das minhas heroínas preferidas da DC, esperava encontrar uma protagonista mais humana, inspiradora e empática, não alguém capaz de matar.

A trilha sonora, por outro lado, merece destaque. "Garota de Ipanema" volta a marcar presença, acompanhada de outras boas escolhas musicais que ajudam a criar alguns dos melhores momentos da produção.


No fim das contas, "Supergirl" certamente vai dividir opiniões. Milly Alcock faz o que pode com o material que recebeu, enquanto Krypto conquista o público sem esforço. Mas isso não basta para esconder um roteiro frágil e uma protagonista que perdeu justamente a principal qualidade que sempre a diferenciou: o carisma. 

Se quiser consolidar seu novo universo cinematográfico, a DC precisará rever alguns conceitos antes dos próximos filmes de seus heróis.

Obs. O filme não tem cenas pós créditos.


Ficha técnica:
Direção: Craig Gillespie
Produção: DC Studios
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, ficção

24 junho 2026

21ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto começa nesta quinta-feira

(Fotos: Jackson Romanelli/Universo Produção)
 
 

Da Redação

 
Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, a mineira Ouro Preto recebe de 25 a 30 de junho, a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, principal evento brasileiro dedicado à preservação, história e educação audiovisual. 

Ilustrada pelo conceito "Um país existe nas imagens que preserva", a cerimônia oficial de abertura acontece às 19h30, no Cine-Praça, montado na Praça Tiradentes, com uma performance audiovisual concebida por Chico de Paula e Raquel Hallak e dedicada à celebração dos temas que orientam esta edição. 

Na Preservação, a temática é “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e futuro”; na História, “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”; e na Educação, “Primeira vez: cinema, descoberta e invenção”. 

Mostra Preservação

Na abertura acontece ainda a homenagem à cineasta Helena Solberg, uma das pioneiras do cinema dirigido por mulheres no Brasil. Ela estará presente para receber o Troféu Vila Rica e terá parte de sua obra exibida durante o evento. 

A performance audiovisual da abertura este ano pretende traduzir por sons, músicas, imagens e movimentos as reflexões propostas pelas curadorias do evento e tem por ponto de partida a ideia de uma primeira experiência audiovisual e dos instantes que antecedem a criação. 

“Todas as três abordagens da mostra têm uma afinidade na proposta de cada uma. A gente construiu a abertura desse ano muito baseada nessa questão da primeira vez, da primeira experiência, do primeiro momento, do momento que antecede o fato, o acontecimento. Tem um repertório muito amarrado com as temáticas, com cada tema, com cada momento. Então, a gente vai partir da criação do mundo, da criação do cinema, da criação da vida”, afirma o diretor Chico de Paula.

Helena Solberg
(Foto: Ique Esteves/Universo Produção)

Em seguida à cerimônia, o público na praça vai assistir à sessão especial dedicada à homenageada Helena Solberg, com os curtas-metragens “A Entrevista”, de 1966, considerado um marco do cinema feminista brasileiro, e “Meio-Dia”, de 1970. Ambos sintetizam os primeiros movimentos de Solberg e dialogam diretamente com as reflexões propostas pela edição. 

Com programação inteiramente gratuita, a mostra ocupa diferentes espaços da cidade com exibições de filmes, debates, encontros, atividades artísticas, lançamentos e apresentações musicais.

Na mesma noite, às 22h30, o Cine Lounge Show, no Centro de Convenções, recebe o DJ Pátrida e a banda ouro-pretana Tropikaus com um repertório inspirado na Tropicália e na música popular brasileira das décadas de 1960 e 1970. 

Com 15 anos de trajetória como pesquisador musical e DJ, Pátrida apresenta uma discotecagem que atravessa músicas eletrônicas, grooves brasileiros e sonoridades de diferentes épocas. 

DJ Pátrida e banda Tropikaus 
(Fotos: Divulgação)

Na sexta, a partir das 22h30, a programação musical continua com apresentação do DJ David Maurity e da Banda Retrowave. Integrante da Cia. Toda Deseo, Maurity mistura pop e música brasileira em sets dançantes e irreverentes. 

Já a Retrowave apresenta um repertório dedicado aos grandes sucessos do rock nacional e internacional, recriando clássicos que marcaram diferentes gerações.

Na noite de sábado o Cine Lounge Show recebe o DJ Afro Bool e Cabra Guaraná. Com mais de duas décadas de atuação, Afro Bool apresenta um repertório marcado pela soul music, funk e grooves brasileiros. 

Em seguida, Cabra Guaraná assume a pista com sets que misturam brega, funk, piseiro, paredão e música eletrônica, em uma proposta que conecta diferentes referências da cultura popular brasileira.

Cine Expressão
(Foto: Jackson Romanelli/Universo Produção)

A programação literária da Mostra acontece no domingo, 28 de junho, às 12h30, no Hall de Convivência, no segundo andar do Centro de Convenções. Ao todo, serão lançados 21 títulos, sendo 20 livros impressos e um e-book, dedicados a temas relacionados ao cinema, à educação, à memória e ao audiovisual.

Fechando a programação musical do Cine Lounge Show, no domingo, a partir das 22h30, retornam às pick-ups o DJ David Maurity e a Banda Hocus Pocus. Com mais de quatro décadas de trajetória, o grupo é reconhecido como uma das principais referências brasileiras na interpretação da obra dos Beatles, recriando com fidelidade e energia os clássicos do quarteto de Liverpool.


Cortejo da Arte

Um dos momentos mais tradicionais da Mostra acontece no sábado, 27 de junho, às 11h30, com o Cortejo da Arte. Com saída da Praça Tiradentes, a celebração reúne artistas, grupos culturais e manifestações populares em um percurso pelas ruas do centro histórico de Ouro Preto. 

Participam do cortejo artistas circenses, o Bloco Zé Pereira dos Lacaios, o Congado Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês, o contador de histórias Marcelinho Xibil, a Escola de Samba do São Cristóvão, a Fanfarra da Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade, a Fanfarra da Escola Marília de Dirceu, o Grupo Mambembe Teatro de Rua e a Turma do Pipoca.

Cortejo de Arte
(Foto: Leo Lara/Universo Produção)

Arraiá do CineOP

Ainda no sábado, às 18h, acontece o tradicional Arraiá da CineOP, uma das atividades mais aguardadas da Mostra Valores. Realizada pelo quinto ano consecutivo, a festa reúne comunidade, visitantes e participantes da CineOP em uma celebração marcada pela música, pela dança, pela gastronomia típica e pelo fortalecimento das tradições populares. 

A programação inclui apresentações da Quadrilha Pé de Moleque e da Quadrilha da Escola Estadual Antônio Pereira, além do show do grupo Forró da Lu. Com barraquinhas de comidas e bebidas, brincadeiras e ambientação temática, o arraiá transforma o Cine Lounge Show em um espaço de convivência, encontro e celebração da cultura popular. 

A iniciativa também reforça o compromisso da Mostra com a valorização das manifestações culturais locais e com a participação da comunidade na programação do evento.

Arraiá do CineOP 
(Foto:  Leo Lara/Universo Produção)

Cine-Concerto

O encerramento da programação artística da 21ª CineOP acontece na terça-feira, 30 de junho, às 20h, no Cine-Praça, com o cine-concerto “Canção para o Novo Mundo”. Concebido como uma experiência sensorial que une música, poesia e audiovisual, o espetáculo reúne a cantora Titane, o pianista e compositor Túlio Mourão, o percussionista Yuri Vellasco e o videoartista Eder Santos, quatro importantes nomes da cena artística mineira. 

Tendo como ponto de partida o universo estético e musical do Clube da Esquina, a apresentação propõe uma travessia poética por temas como memória, afeto, pertencimento e esperança, articulando canções, projeções visuais e paisagens sonoras em uma narrativa que dialoga com os desafios e as inquietações do mundo contemporâneo. 

A força interpretativa de Titane, a sofisticação musical de Túlio Mourão, a criação visual de Eder Santos e a percussão de Yuri Vellasco convergem em um espetáculo que celebra a potência transformadora da arte e encerra a 21ª CineOP em sintonia com a proposta da Mostra de refletir sobre as imagens, os sons e as histórias que ajudam a construir a memória coletiva.

Trofeus da Mostra
 (Foto: Leo Lara/Universo Produção)

SERVIÇO
21ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto
Data: 25 a 30 de junho de 2026
Locais: Cine-Praça/Praça Tiradentes | Cine-Teatro Petrobras/ Centro de Artes e Convenções | Cine-Museu / Anexo do Museu da Inconfidência
Mais informações: www.cineop.com.br