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10 setembro 2026

"Homem-Aranha: Um Novo Dia" coloca Peter Parker diante do seu maior inimigo: a solidão

Quarto filme do super-herói amplia as conexões do personagem com outros núcleos do Universo Cinematográfico Marvel (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Maristela Bretas


Em “Homem-Aranha: Um Novo Dia” (“Spider-Man: Brand New Day”), em cartaz nos cinemas, sob a direção de Destin Daniel Cretton, encontramos o Amigo da Vizinhança vivendo integralmente para defender Nova York. 

Quatro anos depois dos acontecimentos de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021), ninguém mais se lembra que ele é Peter Parker (novamente vivido por Tom Holland) — nem mesmo aqueles que mais amava.

Mas o pior para o super-herói é acompanhar de longe a vida da amada MJ (Zendaya) e do melhor amigo Ned Leeds (Jacob Batalon), que também não se lembram dele. 


Peter, agora adulto e mais maduro, tornou-se um Homem-Aranha mais experiente, sem perder o carisma e o jeito doce de bom menino que sempre o diferenciaram dos demais Vingadores.

Direcionando toda sua energia para o combate ao crime, ele passa a trabalhar ao lado da polícia e da detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas). A solidão e o afastamento das pessoas que ama, porém, começam a cobrar um preço alto.

O corpo e a mente do Homem-Aranha sofrem transformações que aumentam seus poderes, mas também provocam alterações de comportamento e agressividade, colocando em risco quem está ao seu redor. 


Tudo se complica com o surgimento de uma nova ameaça, capaz de controlar a mente das pessoas. É Jean Grey (Sadie Sink, de “Stranger Things”), uma jovem mutante com poderes que ainda não faz parte dos X-Men e sequer teve contato com o Professor Charles Xavier. 

Após um trauma familiar, ela procura respostas e acaba se tornando uma das adversárias mais perigosas já enfrentadas pelo herói.

Esse é um dos pontos positivos de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”: o filme amplia as conexões do personagem com outros núcleos do Universo Cinematográfico Marvel. 
                      

Ao lado do Teioso aparecem Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Yelena Belova/Viúva Negra (Florence Pugh), que acabam se tornando importantes aliados na batalha. 

O encontro com o Justiceiro, principalmente, dá ao longa um tom mais urbano e próximo das histórias de crime que fazem parte da origem do personagem nos quadrinhos.

No elenco também estão nomes conhecidos da franquia, como Marisa Tomei, novamente como tia May; Michael Mando, como Mac Gargan/Escorpião; e Tramell Tillman, como Bill Metzger, ligado ao Departamento de Controle de Danos. 



A trilha sonora é outro destaque. Michael Giacchino, responsável pelas partituras dos três filmes anteriores de Tom Holland como Homem-Aranha, retorna com uma composição que acompanha tanto a ação quanto o momento mais solitário de Peter. 

As músicas escolhidas ajudam a criar uma identidade mais urbana e contemporânea para o longa, com nomes como Tame Impala, Bad Bunny, TV on the Radio, Chaka Khan, Cannons e Steve Lacy.

Mais que um filme de super-herói, com teias, explosões, lutas, perseguições pelas ruas de Nova York e acrobacias no ar, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” aposta no amadurecimento de Peter Parker e nas consequências de sua escolha de dedicar a vida ao combate ao crime. 


O personagem ganhou experiência, força e confiança como Homem-Aranha, mas perdeu justamente aquilo que fazia sua vida como Peter Parker valer a pena.

Em nenhum dos filmes anteriores do personagem a ideia de que "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades" parece tão presente quanto aqui. 

Peter precisa entender que ser herói não significa abrir mão de tudo que o torna humano. Por trás da máscara ainda existe um homem que sente falta de ter amigos, de amar e de ser lembrado.


E é justamente aí que Tom Holland encontra um dos melhores momentos de sua atuação como Peter Parker. Mais solitário, cansado e emocionalmente machucado, ele mostra um herói que já não precisa aprender a balançar entre os prédios, mas ainda necessita descobrir como viver sem as pessoas que perdeu. O Homem-Aranha está mais forte. Peter Parker, nem tanto.

Mesmo sabendo que não pode simplesmente voltar ao passado, o público torce para que Peter encontre novamente seu caminho até MJ e consiga recuperar a amizade com Ned. Afinal, o Homem-Aranha pode viver sozinho por algum tempo, mas Peter Parker não precisa — e talvez nem consiga — continuar assim.


Como toda boa franquia que ainda movimenta multidões, o filme deixa portas abertas para novas aventuras. Até o momento, o longa arrecadou mundialmente mais de US$ 2,4 bilhões, tornando-se a terceira maior bilheteria da história do cinema. 

A cena pós-créditos reforça a promessa de que o Homem-Aranha voltará, enquanto a presença de personagens como a Viúva Negra, Hulk, Justiceiro e Jean Grey amplia ainda mais as possibilidades para o futuro do Universo Marvel.  

O longa também prepara terreno para acontecimentos maiores, como “Vingadores: Doomsday”, com estreia em dezembro de 2026, e “Vingadores: Guerras Secretas”, previsto para dezembro de 2027. Jean Grey ainda terá participação no novo filme dos X-Men, que deverá estrear em 2028.



No fim, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” entrega aquilo que os fãs esperam — ação, humor, referências aos quadrinhos e grandes encontros —, mas ganha força justamente quando deixa as explosões de lado para mostrar a solidão de Peter. 

Porque, antes de ser um dos maiores heróis da Marvel, ele continua sendo um garoto que queria fazer a coisa certa.

Talvez esse seja o verdadeiro “novo dia” do título: não o nascimento de um novo Homem-Aranha, mas o começo de uma nova fase para Peter Parker, que finalmente precisa aprender que salvar o mundo não significa necessariamente abrir mão de ter uma vida. 

Para quem ainda não assistiu, este é um dos melhores filmes da franquia atual.


Ficha técnica:
Direção: Destin Daniel Cretton
Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers
Produção: Columbia Pictures, Sony Pictures Marvel Studios
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h30
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura

06 setembro 2026

"O Convite": comédia sim, mas com jeito de lição de autoajuda

Filme acompanha o que seria um simples encontro de dois casais vizinhos, mas que acaba se transformando em uma grande confusão (Fotos: O2 Play)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Difícil resistir a uma comédia rica e instigante como "O Convite" ("The Invite"), em cartaz no Cineart Ponteio, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Belas Artes. Com elenco perfeito e roteiro ágil e inteligente, o filme acompanha o que seria um simples encontro de dois casais vizinhos, mas que acaba se transformando em confusões, revelações e constrangimentos. 

Com roteiro de Rashida Jones e Will McCormack e direção de Olivia Wilde ("Não Se Preocupe Querida" - 2022), o longa começa provocando altas gargalhadas antes de se transformar numa conversa séria quase incômoda para o público.


Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) vivem uma rotina insuportável e facilmente identificada pelo espectador desde as primeiras cenas do filme. Ele é professor de música numa pequena escola, anda de bicicleta e tem sérios problemas de coluna. 

Ela é a típica dona de casa, cujas funções se limitam a limpar, lavar e preparar as refeições. Os diálogos entre os dois são ríspidos, limitam-se a temas práticos, pequenas brigas e não há nenhum carinho. Descobre-se logo que eles têm uma filha, mas ela não aparece ao longo da trama.


Tudo muda quando Angela, numa tentativa de quebrar a rotina, convida um casal vizinho que está há pouco tempo morando no prédio. Por trás do convite, está algo mais além da simples cortesia. 

Ela e Joe estão curiosos para saber mais sobre as transas ruidosas dos dois que só conhecem de cumprimentos e gentilezas no elevador. Há, no ar, uma nítida inveja dos gemidos, sussurros e gritos ouvidos do apartamento ao lado.

A entrada em cena de Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton) ilumina o filme. Ele, quase discreto, e ela, loiríssima, esbanjando sensualidade, transformam o apartamento de Angela e Joe. O elenco, aliás, é a grande sacada de "O Convite".  


A exuberante Piña deixa claro, desde o início, que é moderna e ousada. É sexóloga e faz questão de relatar as experiências de sexo grupal que ela e o marido costumam ter, para delírio dos anfitriões. 

E a diretora Olivia Wilde, como Angela, brilha como a mulher carente, desiludida e curiosa. Também carente, mas mais afoito, o personagem Joe, feito por Seth Rogen, é o grande responsável pelas gargalhadas do público.

Outra sacada que faz toda a diferença é, sem dúvida, o cenário. Tudo se passa, praticamente, em apenas dois cômodos da casa: a sala e o pequeno escritório de Joe, como se fosse o palco de um teatro. 


Sem nenhuma cena de nudez e com raros beijos e abraços, o longa deixa transparecer o tesão que começa a brotar entre eles, enquanto os vizinhos relatam suas histórias mirabolantes. São os momentos mais engraçados do filme.

Classificado como comédia dramática, "O Convite" peca pelo final, discursivo e com cara de autoajuda. O fechamento não chega a comprometer o filme, mas uma solução mais sutil talvez levasse o longa a um outro patamar. 

Afinal, há outras formas menos explícitas que podem levar o espectador à reflexão sem fazê-lo parar de rir, como se, depois da piada, o convocasse à seriedade. Merecia um final mais criativo.


Ficha técnica:
Direção: Olivia Wilde
Produção: Annapurna Pictures
Distribuição: O2 Play
Exibição: Cineart Ponteio, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Belas Artes
Duração: 1h47
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, drama

12 julho 2026

"Nós Acreditamos em Vocês": quando a Justiça coloca a palavra das vítimas em julgamento

Drama belga expõe a difícil fronteira entre a dúvida e a proteção das vítimas contra abusos domésticos
(Fotos: Filmes do Estação)
 
 

Patrícia Cassese

 
À exceção de uma pequena cena externa, logo em seu início, a narrativa do filme belga “Nós Acreditamos em Vocês” ("On Vous Croit"), de Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys, se passa totalmente no curso de uma audiência judicial, na qual o que está em jogo é a permissão para a reaproximação (ou não) de um pai – vivido por Lauren Cappelutto - de seus dois filhos, uma adolescente e um garoto, esse, ainda criança. Mais que isso, ele pode conquistar a guarda das crianças.

A questão é que não só a Alice (Myriem Akheddiou), ex-esposa do sujeito e mãe dos dois, é absolutamente contrária à hipótese de que este contato seja restabelecido, quanto os próprios rebentos têm verdadeira aversão a tal – na verdade, ambos entram em pane diante da mera possibilidade de compartilhar o mesmo ar que o genitor, o que obrigatoriamente aconteceria (acontece) na audiência.   


O motivo de tal ojeriza é compartilhado em pequenas pílulas com o espectador no curso do citado compromisso: sobre o pai paira a suspeita de atos desprezíveis, incluindo a molestação do filho. 

Aliás, a mãe, assim como sua advogada, sustenta que uma situação fisiológica a qual o garoto está lidando no momento, e que o faz eventualmente faltar à escola, por ter muito nela de constrangedor, seria derivada justamente do aventado abuso. 

Ocorre que o processo perpetrado contra o pai ainda não foi julgado, e é nesta brecha jurídica que ele tenta descredibilizar a mãe, com a ajuda de uma jovem (muito jovem) advogada.


Interessante apontar que tanto a advogada da mãe quanto a do pai são mulheres, assim como a juíza que vai deliberar sobre o caso. Assim, no centro do embate, temos quatro mulheres contra dois homens – além do pai dos garotos, o advogado destinado pelo estado para analisar o que seria hipoteticamente melhor para os dois menores de idade.

Colocado também na condição de juiz, o espectador vai sendo informado das versões a partir do momento em que, na audiência, as partes envolvidas ganham o direito à palavra. 

Ou seja, o público não presenciou nada (não há cenas de flashbacks), e, portanto, não tem como saber de que lado está a verdade, mas, para embasar a sentença, precisa ser convencido pelos argumentos apresentados por uma das partes.


E é aí que temos o “clássico” processo de descredibilização da mulher, fenômeno que transcende fronteiras geográficas, religiosas e culturais e se espraia pelos quatro cantos do planeta. 

No caso de Alice, a própria advogada do reclamante chama atenção pela tentativa de desmoralizar uma companheira de sexo – talvez inclusive pela especificidade, aqui já apontada, de ser jovem demais, portanto, certamente sem ainda ter experimentado o desafio de ser mãe. 

Um componente importante, então, passa a ser o conjunto de expressões manifestadas por cada personagem, inclusive as corporais, assim como a argumentação. Neste quesito, que bela interpretação, a de Myriem Akheddiou.


Em um momento em que a violência – inclusive a sexual – doméstica tem sido cada vez mais denunciada, com índices assustadores, “Nós Acreditamos em Vocês” cumpre a missão de alertar quanto à importância de uma análise acurada de cada caso, visto que nem sempre as provas são assim, tão evidentes. 

E, afinal, estamos falando de seres (crianças, adolescentes) que, na maioria das vezes, inclusive pela dependência emocional e financeira, não têm como se defender de abusos que vão mostrar suas consequências pelo resto de suas existências.


Ficha técnica:
Direção: Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys
Produção: Makintosh Films
Distribuição: Filmes do Estação
Duração: 1h18
Exibição: em breve no streaming 
Classificação: 14 anos
País: Bélgica
Gênero: drama

11 junho 2026

"Dia D" - Spielberg usa os alienígenas para falar de nós mesmos

Diretor retoma sua paixão pela ficção científica misturando ação, conspiração e fé em nova produção 
(Fotos: Universal Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Uma reunião de amigos numa viagem ao passado. Este é "Dia D" ("Disclosure Day"), novo filme de Steven Spielberg em cartaz nos cinemas, o 37º de sua carreira, que traz fortes referências a produções marcantes de sua carreira. 

O diretor, que sempre demonstrou fascínio por temas ligados à presença de extraterrestres em nosso planeta, volta a explorar esse universo e conduz a história com a experiência de quem ajudou a definir o gênero.

Longas como "ET - O Extraterrestre" (1982) e "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" (1977) são lembrados em várias cenas, reforçando o lado mais emocional de Spielberg, que completa 80 anos no final de 2026. 

Diferentemente de "Guerra dos Mundos" (2005), que apostava mais na ação, mas sem deixar de lado as relações familiares. Até mesmo produções de outros diretores, como "Sinais" (2002), de M. Night Shyamalan, vêm à memória em determinados momentos.


E, como disse antes, esse reencontro de velhos amigos começa pela trilha sonora de John Williams, responsável pelas composições de grande parte dos filmes mais importantes de Spielberg, incluindo os três citados acima. 

A ideia de "Dia D" partiu do próprio diretor e foi entregue a outro parceiro de longa data, David Koepp — roteirista de "O Mundo Perdido: Jurassic Park" (1997) e "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" (2008) — para desenvolver a história.

No novo longa, Spielberg aposta na divulgação de documentos ultrassecretos sobre a presença de extraterrestres na Terra e o contato direto das forças militares norte-americanas com eles. Coincidência ou não, um dos períodos de aparições alienígenas destacados na trama é o governo Nixon, tema que dialoga com outro trabalho do diretor, "The Post - A Guerra Secreta" (2017).


Na história, Daniel Kellner (Josh O'Connor) e Hugo Wakefield (Colman Domingo) trabalham na segurança da agência secreta Wardex responsável por guardar esses arquivos e decidem revelar ao mundo os segredos sobre os ETs entre nós. 

A partir daí começa uma perseguição implacável, repleta de ação, ótimas cenas de perseguições (especialmente a do trem) e suspense, liderada por Noah Scanlon (Colin Firth), chefe dessa agência que tenta capturar a dupla e recuperar os pendrives com os documentos.


Enquanto isso, em outra parte do país, a meteorologista Margareth Fairchild (Emily Blunt), apresentadora de uma emissora de TV em Kansas City, passa a apresentar um comportamento estranho, falando em uma língua desconhecida. 

Sem entender o motivo, se vê misteriosamente conectada aos dois foragidos. Especialmente a Daniel, o único humano capaz de decifrar a linguagem alienígena. Todos os atores entregam ótimas interpretações e bem alinhadas à proposta da trama.

O elenco conta ainda com Eve Hewson, como Jane, namorada de Daniel; Wyatt Russell, como o atual companheiro dela; e Henry Lloyd-Hughes, no papel de Casper, chefe da segurança de Noah, entre outros.


O filme apresenta diversas imagens dos contatos com alienígenas, tanto em situações amistosas quanto em episódios de atrocidades praticadas pelos humanos. 

Algumas dessas sequências poderiam facilmente integrar os arquivos secretos recentemente divulgados pelo governo dos Estados Unidos sobre fenômenos extraterrestres e que foram guardados a sete chaves por décadas.

Mas Spielberg vai além da ficção científica. O diretor também coloca a fé em debate, levando até personagens religiosos a questionarem suas próprias crenças. Deus criou o universo apenas para os humanos? Estamos realmente sozinhos? 

Ao mesmo tempo, a divulgação das imagens gera dúvidas sobre o que é verdadeiro e o que é falso num mundo em que a inteligência artificial e as fake news dominam as redes sociais e provoca reações diversas.


O longa demonstra preocupação em retratar os alienígenas como seres mais evoluídos — e possivelmente até mais humanos — do que nós mesmos. A revelação dos arquivos acontece justamente num momento delicado, quando o planeta parece caminhar para uma Terceira Guerra Mundial.

Mais uma vez, aflora o lado emocional de Spielberg, embalado pelos arranjos de John Williams e pela belíssima fotografia de Janusz Kaminski, outro colaborador histórico do diretor, responsável por trabalhos como "Os Fabelmans" (2022), "Amor, Sublime Amor" (2021) e "Munique" (2005).

"Dia D" deixa uma grande interrogação no ar: Spielberg queria apenas fazer mais um filme sobre alienígenas ou provocar uma reflexão sobre a possibilidade — cada vez menos tratada apenas como ficção — de que não estamos sós no universo?


No início, o longa pode parecer confuso, apresentando fatos isolados que, com o decorrer da trama, vão sendo interligados, mostrando que a desinformação gera temor. E que as pessoas podem não estar preparadas para aceitar a presença alienígena.

Talvez o verdadeiro Dia D seja justamente o dia da revelação e a presença desses seres na Terra represente mais esperança do que ameaça. Para descobrir, será preciso tirar os olhos das telas por alguns instantes e ouvir a mensagem que eles tentam nos transmitir sobre o futuro que estamos construindo.

Assista ao filme e deixe aqui seu comentário sobre o que achou.


Ficha técnica:
Direção:
Steven Spielberg
Roteiro: David Koepp
Produção: Universal Pictures e Amblin Entertainment
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h25
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: Ficção, suspense

03 março 2026

“Kokuho: O Preço da Perfeição”, o longa japonês que evidencia o teatro kabuki e desperta impaciência

Filme dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado
(Fotos: Sato Company)
  
 

Eduardo Jr.

 
O sucesso deve ser reservado apenas a quem tem sangue de artista? Vocação e suor sem sobrenome famoso devem garantir o estrelato? Estas questões certamente vão ressoar na mente do público ao assistir “Kokuho: O Preço da Perfeição” ("Kokuho"), que estreia nos cinemas brasileiros dia 5 de março.

Dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado, se tornou o longa japonês mais assistido da história do Japão, com mais de 12 milhões de espectadores.


A história começa em 1964, na cidade de Nagasaki, e termina 50 anos depois. No filme, tradições, laços de sangue, arte, ambição e ciúme atravessam as vidas de dois jovens. Kikuo (interpretado por Sōya Kurokawa na adolescência, e Ryô Yoshizawa na fase adulta) assiste ao pai, líder de uma gangue da Yakuza, ser assassinado. 

Órfão, ele passa a viver na casa de Hanai Hanjiro II (Ken Watanabe), um famoso ator do teatro kabuki. Daí, junto de Shunsuke (Keitatsu Koshiyama), filho único do ator, ele decide se dedicar a essa forma de arte.


O kabuki é um teatro surgido no século XVII, após o governo japonês proibir a presença de mulheres nos palcos. Com isso, os homens passam a desempenhar papéis femininos. Interpretam aquilo que não são. Uma bela metáfora sobre um dos dilemas vivido pelo protagonista.

A jornada de Kikuo, agora rebatizado de Toichiro, traz os elementos da humilhação e da dor física em busca da excelência. Mas estes não serão os únicos problemas dele. Herdar um sobrenome de peso, enfrentar o ciúme da família, lidar com a opinião pública, abdicar de aspectos da vida em nome da arte, enfrentar a angústia de não se sentir parte daquele mundo... 

Tudo isso vai criando camadas e se colocando como dramas do personagem – e alongando a história.


“Kokuho: O Preço da Perfeição” é inteligente ao mostrar personalidades complexas, desenvolvidas como num livro. Talvez por ser uma adaptação de um romance de mesmo nome, escrito por Shuichi Yoshida. Não há maniqueísmo. 

O adotado apresenta doçura e fúria, talento e medo; enquanto o herdeiro Shunsuke traz as tintas da ingenuidade, da inveja, da amizade e do revanchismo. Ninguém é só bom ou apenas ruim.

Por outro lado, o longa faz jus ao termo que o caracteriza: é longo! É contemplativo e também cansativo. A grande quantidade de marcações de passagem de tempo deixa as quase três horas de filme ainda maiores. Contar a vida de alguém leva tempo, mas não tira do espectador a sensação de cansaço.  


Durante esse tempo, o público vai desfrutar de câmeras bem posicionadas, colocando algumas cenas como pinturas orientais. Destaque para a cena no cemitério, onde as opiniões têm lados definidos, e as apresentações de kabuki nos palcos.

O termo kokuho significa “tesouro nacional”. Se esse título de importância se refere à arte centenária do teatro ou à pessoa que abre mão de diversas coisas em nome do topo da arte, é algo que fica no ar, indefinido. Assim como o filme: morno, no meio do caminho. Vale à pena assistir, mas desperta mais impaciência do que emoção.  


Ficha técnica:
Direção: Lee Sang-il
Distribuição: Sato Company e Imovision
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h54
Classificação: 14 anos
País: Japão
Gênero: drama

18 fevereiro 2026

“O Frio da Morte”: thriller gelado sobre amor, solidão e sobrevivência

Emma Thompson brilha como a viúva que precisa salvar uma jovem mantida como refém numa cabana
em meio a uma floresta coberta de neve (Fotos: Leonine Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Um thriller de ação tenso e surpreendente, de gelar os ossos - literalmente - e que prende o espectador na cadeira do início ao fim. Este é "O Frio da Morte" ("Dead of Winter"), que estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas, com uma atuação brilhante de Emma Thompson no papel principal.

Ela é Barb, uma mulher que acaba de perder o marido, com quem passou boa parte da vida. Para atender ao último desejo do esposo, parte em sua velha caminhonete em uma viagem solitária até o Lago Hilda, no norte de Minnesota, onde pretende espalhar as cinzas no local em que passaram as primeiras férias juntos. 


Durante o trajeto é surpreendida por uma forte nevasca e se perde nas estradas tomadas pela neve perto do lago. Ao parar para pedir informações em uma cabana isolada na floresta, Barb descobre que uma jovem chamada Leah (Laurel Marsden) está sendo mantida em cativeiro por um casal, interpretado por Judy Greer (Purple Lady) e Marc Menchaca (Camo Jacket). Sem ter a quem recorrer, ela vai fazer de tudo para salvar a refém. 

Desde o início, o filme provoca tensão ao mostrar a protagonista circulando sozinha durante a tempestade, mal conseguindo enxergar o caminho. 


O cenário gélido, o estranho dono da cabana que mal pronuncia dez palavras ao lhe dar informações e a companheira dele, com fúria e angústia nos olhos, reforçam a atmosfera inquietante. 

Durante a tentativa de resgate da jovem ocorrem várias reviravoltas. A violência é latente e em alguns momentos, explícita. Mas o que mais incomoda é a presença constante da morte - tanto nas memórias da viúva, presa aos dias bons e ruins com o marido falecido, quanto na relação desgastada dos sequestradores.


Barb é uma mulher pacífica, mas as circunstâncias a levam a tomar medidas extremas para salvar Leah. Sem querer defender os "bandidos", eles também têm seus motivos pessoais para agir como agem, o que evidentemente, não justifica os crimes cometidos.

Os cenários são uma atração à parte. Filmado na Finlândia, Canadá e Alemanha (mesmo com a história ambientada nos Estados Unidos), "O Frio da Morte" entrega belas imagens de montanhas e florestas cobertas de neve e lagos congelados. Difícil não sentir o vazio e a finitude que emanam do ambiente.


Leah torna-se o ponto em comum entre Barb e os sequestradores. Torce para ser salva pela viúva, mas não sabe se o socorro chegará a tempo de evitar seu seja morta por seus algozes. Mas ficou uma falha no roteiro: como ela conheceu o casal que a sequestrou?

Já Barb sente a morte ainda mais presente após a perda do marido, e a jovem Lhe oferece uma nova razão para viver. Algo semelhante ocorri com Purple Lady e Camo Jacket, que mantêm um relacionamento conturbado marcado por violência doméstica.


O longa permite diversas interpretações - algumas sutis, outras mais evidentes - cabendo a cada personagem revelar por que está ali: memórias que não podem ser esquecidas, saudade, solidão, perdas, relação abusiva, a luta pela sobrevivência. 

O frio da morte pode significar a queda da temperatura do corpo (hipotermia ) que pode matar, a rigidez cadavérica, o desejo de morrer e também o medo de que isso aconteça antes da hora.

"O Frio da Morte" é um filme que eu recomendo. Pena que a reviravolta final não tenha sido a que eu desejava, embora faça sentido dentro da trama. Vale conferir nos cinemas. Um lembrete: não esqueça de levar um casaco - o ar-condicionado parece tornar a experiência ainda mais fria, além da neve Coisa de gelar os ossos. Depois comenta aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção: Brian Kirk
Roteiro: Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb
Produção: Augenschein Filmproduktion e Stampede Ventures, com a coprodução da Leonine Studios
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: 14 anos
Países: EUA, Canadá e Alemanha
Gêneros: ação, suspense psicológico

08 janeiro 2026

"A Empregada": o suspense que prova que confiança pode ser armadilha

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney protagonizam o longa inspirado no best-seller homônimo escrito
por Freida McFadden (Fotos: Paris Filmes)
  
 

Marcos Tadeu
Do blog parceiro Jornalista de Cinema

  
"A Empregada" ("The Housemaid"), em cartaz nos cinemas, traz para as telas o suspense psicológico que conquistou leitores do best-seller de suspense de Freida McFadden. 

Dirigido por Paul Feig (de "Um Pequeno Favor" - 2018), o filme aposta em mistério, tensão e jogos de manipulação para fisgar o público logo de cara, deixando claro que aquela casa luxuosa esconde muito mais do que parece.


A história acompanha Millie Calloway (Sydney Sweeney, de "Madame Teia" - 2024), uma jovem tentando recomeçar a vida depois de um passado difícil. 

A oportunidade surge quando ela aceita trabalhar como empregada doméstica na mansão de Nina (Amanda Seyfried, de "Mamma Mia" - 2018) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar, de "É Assim que Acaba" - 2025).

No início, tudo parece perfeito demais e é justamente aí que mora o perigo. Aos poucos, Millie percebe que seus patrões são estranhos, instáveis e donos de segredos perturbadores, transformando o que parecia um emprego dos sonhos em um verdadeiro pesadelo.


O filme acerta no elenco. Sydney Sweeney segura bem o papel e convence como alguém que tenta manter o controle mesmo quando tudo começa a sair do lugar. 

Amanda Seyfried e Brandon Sklenar também se destacam, criando personagens cheios de ambiguidades, daqueles que deixam o espectador o tempo todo desconfiado. A dinâmica entre os três é o que realmente move a história e sustenta o suspense até o fim.

O longa, no entanto, escorrega no ritmo. Em alguns momentos, ele aposta em exageros e ironias; em outros, fica pesado demais, trazendo discursos mais diretos sobre violência psicológica e união feminina. 


Essa mudança de tom pode causar estranhamento, mas não chega a estragar a experiência. O final ainda deixa algumas perguntas no ar, dando aquela sensação de “continua?”, o que pode indicar planos para uma sequência. 

"A Empregada" cumpre bem o que promete: prende a atenção, provoca desconforto e rende boas reviravoltas. É um suspense que funciona tanto para quem gosta de mistério quanto para quem busca um filme envolvente para começar o ano no cinema. 

Sem reinventar o gênero, o longa entrega entretenimento sólido e deixa claro por que essa história fez tanto sucesso antes mesmo de chegar às telonas.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Produção: Lionsgate, Hidden Film
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: suspense

08 setembro 2025

“Dormir de Olhos Abertos” apresenta, sem emoção, a visão de imigrantes sobre viver no Brasil

Filme foi dirigido pela alemã Nele Wohlatz e produzido por Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho
(Fotos: Vitrine Filmes)


Eduardo Jr.


Apresentar, em uma hora e meia, a percepção de estrangeiros sobre o Brasil, terra onde buscam reconstruir suas vidas. Esta é a temática do filme “Dormir de Olhos Abertos”. O longa, dirigido pela alemã Nele Wohlatz e produzido por Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, estreia dia 11 de setembro nos cinemas;

Com o perdão do trocadilho, o ponto de partida é um aeroporto, onde uma jovem oriental espera seu companheiro, que decide não viajar mais. Ali se imprime a solidão que vai acompanhar a protagonista Kai (Liao Kai Ro) por toda a trama.


Chegar a outro país, onde o idioma se coloca como barreira e nem o ar condicionado fala sua língua, é algo difícil de suportar. Mas Kai segue tentando, buscando parecer uma cidadã local e se aproximando de um vendedor de guarda-chuvas. Como a chuva não chega, a loja fecha e o possível amigo também desaparece. Mais uma vez ela está sozinha.

Kai (e a câmera, escura demais em certos momentos) começam a observar o cotidiano de chineses que se agrupam na cidade e moram em prédios de luxo. E é na observação desses imigrantes que a história começa a causar estranhamento.


A jovem parece deixar de ser a protagonista, dando lugar à rotina diária desses estrangeiros, muitas vezes permeada de inseguranças e medo. Daí o título do longa, já que a recomendação entre eles é de que se mantenham atentos, não baixem a guarda, não durmam profundamente.

Algumas frases até soam engraçadas, como o estranhamento quanto ao hábito de o brasileiro “colocar farofa em tudo”. Mas os momentos de comédia não salvam a sensação de suspensão na qual o espectador é colocado. O filme é silencioso e consegue a façanha de só revelar que a história se passa em Recife após 25 minutos de exibição.


O público é instigado a experimentar a solidão, a aflição e a incredulidade diante da situação de se entregar a empregos sem contrato e nem garantias trabalhistas, realidade que afeta inúmeros imigrantes que chegam ao Brasil.

No entanto, é pouco para avaliar positivamente o longa, que padece de emoção. Enquanto produto audiovisual, esta poderia ser considerada uma obra “estranha”.
 

Ficha técnica:
Direção:
Nele Wohlatz
Produção: Cinemascópio
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h37
Classificação: 14 anos
Países: Brasil, Argentina, Taiwan e Alemanha
Gênero: drama

19 agosto 2025

2ª Edição do Festival Bárbara de Cocais começa nesta quarta-feira, com programação gratuita

Ações acontecem em Barão de Cocais e Santa Bárbara, com cinema, palestras, oficinas, Creche Parental Pública e Espaço Livre de Brincar (Fotos: Divulgação)


Da Redação


Com programação gratuita, o município de Santa Bárbara, em Minas Gerais, recebe a 2ª edição do Festival Bárbara de Cocais, que começa hoje e vai até o dia 24 de agosto. O evento é integrado à Bárbara de Cocais – Escultura Comunitária #01, obra de longa duração que, desde 2023, atua com gestos de escuta, aproximação e criação compartilhada.

Idealizada pelo artista visual e cineasta Pablo Lobato, a escultura se expande pelos territórios de Santa Bárbara e Barão de Cocais por meio de mostras de cinema, oficinas, creches temporárias, pesquisas e encontros com as comunidades, tramando experiências que cruzam arte e formação humana.

A mostra de cinema principal será realizada em uma sala especialmente montada para esta edição no Cine Vitória (Santa Bárbara), com três sessões diárias entre 20 e 23 de agosto, além de encontros e conversas com convidados. 


A curadoria da mostra, assinada por Pablo Lobato e Gustavo Jardim, se aproxima das infâncias e adolescências como quem observa a nascente de um rio, acompanhando gestos inaugurais, riscos e invenções que fazem brotar mundos inéditos. 

“O cinema aqui não explica a infância, aprende com ela — deixando-se atravessar por caminhos imprevisíveis e potências de transformação, como revelam, entre outras obras, a errância sensível de "Saudade Fez Morada Aqui Dentro" (Haroldo Borges), os laços de solidariedade de "Conduta" (Ernesto Daranas), a fuga inventiva de "Micróbio e Gasolina" (Michel Gondry), a animação contemplativa "À Deriva" (Gints Zilbalodis) e a força criativa de "Jonas e o Circo Sem Lona" (Paula Gomes)”, explica Pablo.

O Cinema ao Ar Livre, ação itinerante da escultura, segue ao longo do ano levando sessões para distritos, ruas, praças e quintais de Santa Bárbara e Barão de Cocais, criando espaços de encontro, cuidado e imaginação coletiva.

"Micróbio e Gasolina" - Michel Gondry

Oficina de cinema

Durante o festival, o público ainda tem a oportunidade de se inscrever na oficina "O cinema ao redor", conduzida pelo cineasta e educador Gustavo Jardim, que propõe experiências audiovisuais para explorar o mundo por meio de imagens e sons e criar sentidos singulares sobre o cotidiano. 

A atividade gratuita ofertará 20 vagas e acontecerá na Casa da Cultura, no período de 19 a 22 de agosto, das 8h às 11h. Para saber mais sobre as inscrições, acesse o perfil @barbaradecocais, no Instagram. 

"No Caminho Com Mario" - Coletivo Mbya-Guarani de Cinema

Encontros e espaços infantis

O evento contará ainda com palestras que abrem espaço para pensar o brincar livre, a imaginação e a cultura da infância como fundamentos da formação humana, integrando arte e cuidado.

Inspiradas na Abordagem Pikler que enfatiza o desenvolvimento infantil através do movimento livre, as famílias com bebês e crianças pequenas terão a Creche Parental Pública, montada na Praça Joaquim Aleixo Ribeiro, no Centro de Santa Bárbara, e o Espaço Livre de Brincar, em Barão de Cocais.

"Recreio" - Abbas Kiarostami

Programação de filmes

- "Projeto do Meu Pai", de Rosária Moreira - curta-metragem (Brasil)
- "A Batalha do Passinho", de Emílio Domingos - 1h12 (Brasil)
- "Billy Elliot", de Stephen Daldry = 1h50 (Reino Unido)
- "Recreio" ("Breaktime"), de Abbas Kiarostami - curta-metragem (Irã)
- "O Cavalinho Azul", de Eduardo Escorel - 1h20 (Brasil)
- "No Caminho com Mario", Coletivo Mbya-Guarani de Cinema - curta-metragem (Brasil)
- "Difícil é Não Brincar", de Papoula Bicalho - curta-metragem (Brasil)
- "Micróbio e Gasolina", de Michel Gondry - 1h43 (França)
- "As Aventuras do Príncipe Achmed", de Lotte Reiniger - 1h06 (Alemanha)
- "Saudade Fez Morada Aqui Dentro", de Haroldo Borges - 1h50 (Brasil)

"Difícil é Não Brincar" - Papoula Bicalho

- "À Deriva", de Gints Zilbalodis - 1h10 (Letônia e França)
- "Jonas e o Circo Sem Lona", de Paula Gomes - 1h20 (Brasil)
- "Conduta", de Ernesto Daranas Serrano - 1h48 (Cuba)
- "5x Favela" (episódio "Couro de Gato"), de Joaquim Pedro de Andrade - 15 minutos (Brasil)
- "5x Favela — Agora por Nós Mesmos" – “Arroz com Feijão” e "Deixa Voar”, produção Carlos Diegues, Renata de Almeida Magalhães - 1h35 (Brasil)
- "Wolfwalkers", de Tomm Moore e Ross Stewart - 1h43 (Irlanda, Reino Unido, Luxemburgo, França, EUA)
- "O Menino e o Mundo", de Alê Abreu - 1h20 (Brasil)
- "Volta às Aulas", de Jacques Rozier -curta-metragem (França)
- "Cartão Vermelho", de Lais Bodanzky - curta-metragem (Brasil)
- "Isso Não é Uma Performance", de Ana Pi - curta=metragem (Brasil e França)
- "Marte Um", de Gabriel Martins - 1h12 (Brasil)

"As Aventuras do Príncipe Achmed" - Lotte Reiniger

Serviço:
Festival Bárbara de Cocais – Cinema e Formação Humana
Datas:
20 a 24 de agosto de 2025
Entrada: gratuita
Locais:
Santa Bárbara 

- Cine Vitória (Rua João Mota, 81, Centro)
- Praça Joaquim Aleixo Ribeiro (ao lado da Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Centro)
- Casa da Cultura (Av. Petrina de Castro Chaves, 48, Centro)
Barão de Cocais 
- Creche Mafiza Ribeiro (Rua Domingos Maia,755, bairro Lagoa)
Confira a programação: gratuita
Informações e programação completa: https://festival2025.barbaradecocais.org/
@barbaradecocais