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03 março 2026

“Kokuho: O Preço da Perfeição”, o longa japonês que evidencia o teatro kabuki e desperta impaciência

Filme dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado
(Fotos: Sato Company)
  
 

Eduardo Jr.

 
O sucesso deve ser reservado apenas a quem tem sangue de artista? Vocação e suor sem sobrenome famoso devem garantir o estrelato? Estas questões certamente vão ressoar na mente do público ao assistir “Kokuho: O Preço da Perfeição” ("Kokuho"), que estreia nos cinemas brasileiros dia 5 de março.

Dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado, se tornou o longa japonês mais assistido da história do Japão, com mais de 12 milhões de espectadores.


A história começa em 1964, na cidade de Nagasaki, e termina 50 anos depois. No filme, tradições, laços de sangue, arte, ambição e ciúme atravessam as vidas de dois jovens. Kikuo (interpretado por Sōya Kurokawa na adolescência, e Ryô Yoshizawa na fase adulta) assiste ao pai, líder de uma gangue da Yakuza, ser assassinado. 

Órfão, ele passa a viver na casa de Hanai Hanjiro II (Ken Watanabe), um famoso ator do teatro kabuki. Daí, junto de Shunsuke (Keitatsu Koshiyama), filho único do ator, ele decide se dedicar a essa forma de arte.


O kabuki é um teatro surgido no século XVII, após o governo japonês proibir a presença de mulheres nos palcos. Com isso, os homens passam a desempenhar papéis femininos. Interpretam aquilo que não são. Uma bela metáfora sobre um dos dilemas vivido pelo protagonista.

A jornada de Kikuo, agora rebatizado de Toichiro, traz os elementos da humilhação e da dor física em busca da excelência. Mas estes não serão os únicos problemas dele. Herdar um sobrenome de peso, enfrentar o ciúme da família, lidar com a opinião pública, abdicar de aspectos da vida em nome da arte, enfrentar a angústia de não se sentir parte daquele mundo... 

Tudo isso vai criando camadas e se colocando como dramas do personagem – e alongando a história.


“Kokuho: O Preço da Perfeição” é inteligente ao mostrar personalidades complexas, desenvolvidas como num livro. Talvez por ser uma adaptação de um romance de mesmo nome, escrito por Shuichi Yoshida. Não há maniqueísmo. 

O adotado apresenta doçura e fúria, talento e medo; enquanto o herdeiro Shunsuke traz as tintas da ingenuidade, da inveja, da amizade e do revanchismo. Ninguém é só bom ou apenas ruim.

Por outro lado, o longa faz jus ao termo que o caracteriza: é longo! É contemplativo e também cansativo. A grande quantidade de marcações de passagem de tempo deixa as quase três horas de filme ainda maiores. Contar a vida de alguém leva tempo, mas não tira do espectador a sensação de cansaço.  


Durante esse tempo, o público vai desfrutar de câmeras bem posicionadas, colocando algumas cenas como pinturas orientais. Destaque para a cena no cemitério, onde as opiniões têm lados definidos, e as apresentações de kabuki nos palcos.

O termo kokuho significa “tesouro nacional”. Se esse título de importância se refere à arte centenária do teatro ou à pessoa que abre mão de diversas coisas em nome do topo da arte, é algo que fica no ar, indefinido. Assim como o filme: morno, no meio do caminho. Vale à pena assistir, mas desperta mais impaciência do que emoção.  


Ficha técnica:
Direção: Lee Sang-il
Distribuição: Sato Company e Imovision
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h54
Classificação: 14 anos
País: Japão
Gênero: drama

18 fevereiro 2026

“O Frio da Morte”: thriller gelado sobre amor, solidão e sobrevivência

Emma Thompson brilha como a viúva que precisa salvar uma jovem mantida como refém numa cabana
em meio a uma floresta coberta de neve (Fotos: Leonine Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Um thriller de ação tenso e surpreendente, de gelar os ossos - literalmente - e que prende o espectador na cadeira do início ao fim. Este é "O Frio da Morte" ("Dead of Winter"), que estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas, com uma atuação brilhante de Emma Thompson no papel principal.

Ela é Barb, uma mulher que acaba de perder o marido, com quem passou boa parte da vida. Para atender ao último desejo do esposo, parte em sua velha caminhonete em uma viagem solitária até o Lago Hilda, no norte de Minnesota, onde pretende espalhar as cinzas no local em que passaram as primeiras férias juntos. 


Durante o trajeto é surpreendida por uma forte nevasca e se perde nas estradas tomadas pela neve perto do lago. Ao parar para pedir informações em uma cabana isolada na floresta, Barb descobre que uma jovem chamada Leah (Laurel Marsden) está sendo mantida em cativeiro por um casal, interpretado por Judy Greer (Purple Lady) e Marc Menchaca (Camo Jacket). Sem ter a quem recorrer, ela vai fazer de tudo para salvar a refém. 

Desde o início, o filme provoca tensão ao mostrar a protagonista circulando sozinha durante a tempestade, mal conseguindo enxergar o caminho. 


O cenário gélido, o estranho dono da cabana que mal pronuncia dez palavras ao lhe dar informações e a companheira dele, com fúria e angústia nos olhos, reforçam a atmosfera inquietante. 

Durante a tentativa de resgate da jovem ocorrem várias reviravoltas. A violência é latente e em alguns momentos, explícita. Mas o que mais incomoda é a presença constante da morte - tanto nas memórias da viúva, presa aos dias bons e ruins com o marido falecido, quanto na relação desgastada dos sequestradores.


Barb é uma mulher pacífica, mas as circunstâncias a levam a tomar medidas extremas para salvar Leah. Sem querer defender os "bandidos", eles também têm seus motivos pessoais para agir como agem, o que evidentemente, não justifica os crimes cometidos.

Os cenários são uma atração à parte. Filmado na Finlândia, Canadá e Alemanha (mesmo com a história ambientada nos Estados Unidos), "O Frio da Morte" entrega belas imagens de montanhas e florestas cobertas de neve e lagos congelados. Difícil não sentir o vazio e a finitude que emanam do ambiente.


Leah torna-se o ponto em comum entre Barb e os sequestradores. Torce para ser salva pela viúva, mas não sabe se o socorro chegará a tempo de evitar seu seja morta por seus algozes. Mas ficou uma falha no roteiro: como ela conheceu o casal que a sequestrou?

Já Barb sente a morte ainda mais presente após a perda do marido, e a jovem Lhe oferece uma nova razão para viver. Algo semelhante ocorri com Purple Lady e Camo Jacket, que mantêm um relacionamento conturbado marcado por violência doméstica.


O longa permite diversas interpretações - algumas sutis, outras mais evidentes - cabendo a cada personagem revelar por que está ali: memórias que não podem ser esquecidas, saudade, solidão, perdas, relação abusiva, a luta pela sobrevivência. 

O frio da morte pode significar a queda da temperatura do corpo (hipotermia ) que pode matar, a rigidez cadavérica, o desejo de morrer e também o medo de que isso aconteça antes da hora.

"O Frio da Morte" é um filme que eu recomendo. Pena que a reviravolta final não tenha sido a que eu desejava, embora faça sentido dentro da trama. Vale conferir nos cinemas. Um lembrete: não esqueça de levar um casaco - o ar-condicionado parece tornar a experiência ainda mais fria, além da neve Coisa de gelar os ossos. Depois comenta aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção: Brian Kirk
Roteiro: Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb
Produção: Augenschein Filmproduktion e Stampede Ventures, com a coprodução da Leonine Studios
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: 14 anos
Países: EUA, Canadá e Alemanha
Gêneros: ação, suspense psicológico

08 janeiro 2026

"A Empregada": o suspense que prova que confiança pode ser armadilha

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney protagonizam o longa inspirado no best-seller homônimo escrito
por Freida McFadden (Fotos: Paris Filmes)
  
 

Marcos Tadeu
Do blog parceiro Jornalista de Cinema

  
"A Empregada" ("The Housemaid"), em cartaz nos cinemas, traz para as telas o suspense psicológico que conquistou leitores do best-seller de suspense de Freida McFadden. 

Dirigido por Paul Feig (de "Um Pequeno Favor" - 2018), o filme aposta em mistério, tensão e jogos de manipulação para fisgar o público logo de cara, deixando claro que aquela casa luxuosa esconde muito mais do que parece.


A história acompanha Millie Calloway (Sydney Sweeney, de "Madame Teia" - 2024), uma jovem tentando recomeçar a vida depois de um passado difícil. 

A oportunidade surge quando ela aceita trabalhar como empregada doméstica na mansão de Nina (Amanda Seyfried, de "Mamma Mia" - 2018) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar, de "É Assim que Acaba" - 2025).

No início, tudo parece perfeito demais e é justamente aí que mora o perigo. Aos poucos, Millie percebe que seus patrões são estranhos, instáveis e donos de segredos perturbadores, transformando o que parecia um emprego dos sonhos em um verdadeiro pesadelo.


O filme acerta no elenco. Sydney Sweeney segura bem o papel e convence como alguém que tenta manter o controle mesmo quando tudo começa a sair do lugar. 

Amanda Seyfried e Brandon Sklenar também se destacam, criando personagens cheios de ambiguidades, daqueles que deixam o espectador o tempo todo desconfiado. A dinâmica entre os três é o que realmente move a história e sustenta o suspense até o fim.

O longa, no entanto, escorrega no ritmo. Em alguns momentos, ele aposta em exageros e ironias; em outros, fica pesado demais, trazendo discursos mais diretos sobre violência psicológica e união feminina. 


Essa mudança de tom pode causar estranhamento, mas não chega a estragar a experiência. O final ainda deixa algumas perguntas no ar, dando aquela sensação de “continua?”, o que pode indicar planos para uma sequência. 

"A Empregada" cumpre bem o que promete: prende a atenção, provoca desconforto e rende boas reviravoltas. É um suspense que funciona tanto para quem gosta de mistério quanto para quem busca um filme envolvente para começar o ano no cinema. 

Sem reinventar o gênero, o longa entrega entretenimento sólido e deixa claro por que essa história fez tanto sucesso antes mesmo de chegar às telonas.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Produção: Lionsgate, Hidden Film
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: suspense

08 setembro 2025

“Dormir de Olhos Abertos” apresenta, sem emoção, a visão de imigrantes sobre viver no Brasil

Filme foi dirigido pela alemã Nele Wohlatz e produzido por Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho
(Fotos: Vitrine Filmes)


Eduardo Jr.


Apresentar, em uma hora e meia, a percepção de estrangeiros sobre o Brasil, terra onde buscam reconstruir suas vidas. Esta é a temática do filme “Dormir de Olhos Abertos”. O longa, dirigido pela alemã Nele Wohlatz e produzido por Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, estreia dia 11 de setembro nos cinemas;

Com o perdão do trocadilho, o ponto de partida é um aeroporto, onde uma jovem oriental espera seu companheiro, que decide não viajar mais. Ali se imprime a solidão que vai acompanhar a protagonista Kai (Liao Kai Ro) por toda a trama.


Chegar a outro país, onde o idioma se coloca como barreira e nem o ar condicionado fala sua língua, é algo difícil de suportar. Mas Kai segue tentando, buscando parecer uma cidadã local e se aproximando de um vendedor de guarda-chuvas. Como a chuva não chega, a loja fecha e o possível amigo também desaparece. Mais uma vez ela está sozinha.

Kai (e a câmera, escura demais em certos momentos) começam a observar o cotidiano de chineses que se agrupam na cidade e moram em prédios de luxo. E é na observação desses imigrantes que a história começa a causar estranhamento.


A jovem parece deixar de ser a protagonista, dando lugar à rotina diária desses estrangeiros, muitas vezes permeada de inseguranças e medo. Daí o título do longa, já que a recomendação entre eles é de que se mantenham atentos, não baixem a guarda, não durmam profundamente.

Algumas frases até soam engraçadas, como o estranhamento quanto ao hábito de o brasileiro “colocar farofa em tudo”. Mas os momentos de comédia não salvam a sensação de suspensão na qual o espectador é colocado. O filme é silencioso e consegue a façanha de só revelar que a história se passa em Recife após 25 minutos de exibição.


O público é instigado a experimentar a solidão, a aflição e a incredulidade diante da situação de se entregar a empregos sem contrato e nem garantias trabalhistas, realidade que afeta inúmeros imigrantes que chegam ao Brasil.

No entanto, é pouco para avaliar positivamente o longa, que padece de emoção. Enquanto produto audiovisual, esta poderia ser considerada uma obra “estranha”.
 

Ficha técnica:
Direção:
Nele Wohlatz
Produção: Cinemascópio
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h37
Classificação: 14 anos
Países: Brasil, Argentina, Taiwan e Alemanha
Gênero: drama

19 agosto 2025

2ª Edição do Festival Bárbara de Cocais começa nesta quarta-feira, com programação gratuita

Ações acontecem em Barão de Cocais e Santa Bárbara, com cinema, palestras, oficinas, Creche Parental Pública e Espaço Livre de Brincar (Fotos: Divulgação)


Da Redação


Com programação gratuita, o município de Santa Bárbara, em Minas Gerais, recebe a 2ª edição do Festival Bárbara de Cocais, que começa hoje e vai até o dia 24 de agosto. O evento é integrado à Bárbara de Cocais – Escultura Comunitária #01, obra de longa duração que, desde 2023, atua com gestos de escuta, aproximação e criação compartilhada.

Idealizada pelo artista visual e cineasta Pablo Lobato, a escultura se expande pelos territórios de Santa Bárbara e Barão de Cocais por meio de mostras de cinema, oficinas, creches temporárias, pesquisas e encontros com as comunidades, tramando experiências que cruzam arte e formação humana.

A mostra de cinema principal será realizada em uma sala especialmente montada para esta edição no Cine Vitória (Santa Bárbara), com três sessões diárias entre 20 e 23 de agosto, além de encontros e conversas com convidados. 


A curadoria da mostra, assinada por Pablo Lobato e Gustavo Jardim, se aproxima das infâncias e adolescências como quem observa a nascente de um rio, acompanhando gestos inaugurais, riscos e invenções que fazem brotar mundos inéditos. 

“O cinema aqui não explica a infância, aprende com ela — deixando-se atravessar por caminhos imprevisíveis e potências de transformação, como revelam, entre outras obras, a errância sensível de "Saudade Fez Morada Aqui Dentro" (Haroldo Borges), os laços de solidariedade de "Conduta" (Ernesto Daranas), a fuga inventiva de "Micróbio e Gasolina" (Michel Gondry), a animação contemplativa "À Deriva" (Gints Zilbalodis) e a força criativa de "Jonas e o Circo Sem Lona" (Paula Gomes)”, explica Pablo.

O Cinema ao Ar Livre, ação itinerante da escultura, segue ao longo do ano levando sessões para distritos, ruas, praças e quintais de Santa Bárbara e Barão de Cocais, criando espaços de encontro, cuidado e imaginação coletiva.

"Micróbio e Gasolina" - Michel Gondry

Oficina de cinema

Durante o festival, o público ainda tem a oportunidade de se inscrever na oficina "O cinema ao redor", conduzida pelo cineasta e educador Gustavo Jardim, que propõe experiências audiovisuais para explorar o mundo por meio de imagens e sons e criar sentidos singulares sobre o cotidiano. 

A atividade gratuita ofertará 20 vagas e acontecerá na Casa da Cultura, no período de 19 a 22 de agosto, das 8h às 11h. Para saber mais sobre as inscrições, acesse o perfil @barbaradecocais, no Instagram. 

"No Caminho Com Mario" - Coletivo Mbya-Guarani de Cinema

Encontros e espaços infantis

O evento contará ainda com palestras que abrem espaço para pensar o brincar livre, a imaginação e a cultura da infância como fundamentos da formação humana, integrando arte e cuidado.

Inspiradas na Abordagem Pikler que enfatiza o desenvolvimento infantil através do movimento livre, as famílias com bebês e crianças pequenas terão a Creche Parental Pública, montada na Praça Joaquim Aleixo Ribeiro, no Centro de Santa Bárbara, e o Espaço Livre de Brincar, em Barão de Cocais.

"Recreio" - Abbas Kiarostami

Programação de filmes

- "Projeto do Meu Pai", de Rosária Moreira - curta-metragem (Brasil)
- "A Batalha do Passinho", de Emílio Domingos - 1h12 (Brasil)
- "Billy Elliot", de Stephen Daldry = 1h50 (Reino Unido)
- "Recreio" ("Breaktime"), de Abbas Kiarostami - curta-metragem (Irã)
- "O Cavalinho Azul", de Eduardo Escorel - 1h20 (Brasil)
- "No Caminho com Mario", Coletivo Mbya-Guarani de Cinema - curta-metragem (Brasil)
- "Difícil é Não Brincar", de Papoula Bicalho - curta-metragem (Brasil)
- "Micróbio e Gasolina", de Michel Gondry - 1h43 (França)
- "As Aventuras do Príncipe Achmed", de Lotte Reiniger - 1h06 (Alemanha)
- "Saudade Fez Morada Aqui Dentro", de Haroldo Borges - 1h50 (Brasil)

"Difícil é Não Brincar" - Papoula Bicalho

- "À Deriva", de Gints Zilbalodis - 1h10 (Letônia e França)
- "Jonas e o Circo Sem Lona", de Paula Gomes - 1h20 (Brasil)
- "Conduta", de Ernesto Daranas Serrano - 1h48 (Cuba)
- "5x Favela" (episódio "Couro de Gato"), de Joaquim Pedro de Andrade - 15 minutos (Brasil)
- "5x Favela — Agora por Nós Mesmos" – “Arroz com Feijão” e "Deixa Voar”, produção Carlos Diegues, Renata de Almeida Magalhães - 1h35 (Brasil)
- "Wolfwalkers", de Tomm Moore e Ross Stewart - 1h43 (Irlanda, Reino Unido, Luxemburgo, França, EUA)
- "O Menino e o Mundo", de Alê Abreu - 1h20 (Brasil)
- "Volta às Aulas", de Jacques Rozier -curta-metragem (França)
- "Cartão Vermelho", de Lais Bodanzky - curta-metragem (Brasil)
- "Isso Não é Uma Performance", de Ana Pi - curta=metragem (Brasil e França)
- "Marte Um", de Gabriel Martins - 1h12 (Brasil)

"As Aventuras do Príncipe Achmed" - Lotte Reiniger

Serviço:
Festival Bárbara de Cocais – Cinema e Formação Humana
Datas:
20 a 24 de agosto de 2025
Entrada: gratuita
Locais:
Santa Bárbara 

- Cine Vitória (Rua João Mota, 81, Centro)
- Praça Joaquim Aleixo Ribeiro (ao lado da Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Centro)
- Casa da Cultura (Av. Petrina de Castro Chaves, 48, Centro)
Barão de Cocais 
- Creche Mafiza Ribeiro (Rua Domingos Maia,755, bairro Lagoa)
Confira a programação: gratuita
Informações e programação completa: https://festival2025.barbaradecocais.org/
@barbaradecocais

13 agosto 2025

"No Céu da Pátria Nesse Instante" mostra a tensão provocada pela polarização das eleições de 2022

Documentário dirigido por Sandra Kogut traz um retrato histórico necessário do Brasil contemporâneo
(Fotos: O2Play)
 
 

Jean Piter Miranda

 
Os atentados de 8 de janeiro de 2023 marcaram profundamente a história recente do Brasil. Uma história que ainda ecoa pelo país, seja pela polarização, que ainda persiste, seja pela luta por anistia aos que atacaram a democracia. 

Mas como foi que chegamos a esse ponto? A resposta está em “No Céu da Pátria Nesse Instante”, documentário da diretora Sandra Kogut, que estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas. 

A produção leva para as telas pessoas comuns que militavam em favor de Lula e de Bolsonaro. Cada uma contando sobre suas expectativas nos dias que antecederam as votações em primeiro e segundo turnos das eleições de 2022. 

Diretora Sandra Kogut

Marcelo Freixo, então candidato a governador do Rio, e sua esposa, a roteirista Antônia Pellegrino são acompanhados em atos de campanha. Assim como uma família bolsonarista também participa do documentário. Kogut equilibra bem o tempo de tela de cada lado, sem favorecer nenhum deles. 

Outros personagens são inseridos ao longo do documentário. Além dos militantes, também aparecem servidores da Justiça Eleitoral. O treinamento de mesários, a preparação das urnas e os desafios para realizar as eleições em todos os municípios, em especial os do Norte do país. 


Tensão no ar

Tudo vai sendo apresentado de forma leve, embora seja perceptível um clima de tensão no ar. É como se todo mundo soubesse o que estava por vir. Os atos de campanha dos dois lados. O medo de sair com camisa de candidato, o clima tenso de ir às ruas fazer campanha. Bolsonaristas confiantes na vitória. Lulistas temerosos com o futuro. 

Caminhoneiros organizados, pastor pedindo voto, a bomba no aeroporto de Brasília, denúncia de boca de urna e as blitze ilegais no dia das eleições. Tem muita coisa nessa complexa história que se apresenta em ordem cronológica, sem narrador. 

A tensão que vai aumentando durante a apuração. Uma história que a gente viu e viveu, mas que, ao ser revista, traz de volta um turbilhão de emoções, independente de que lado você esteja. 


Vem o resultado, vem a posse e a explosão do 8 de janeiro. Apoiadores do governo derrotado inconformados com o resultado das eleições e a vitória de Luis Inácio Lula da Silva invadem o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). Violência, quebradeira, vandalismo, pedido de intervenção militar. Um dia que entrou para história e que ainda não acabou. 

O documentário reconta essa história sem adjetivar ninguém. Não faz juízo de valor, não debocha, não ironiza, nem comemora. É uma produção honesta e muito bem feita que merece ser vista para que tudo o que ocorreu não caia no esquecimento.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Sandra Kogut
Produção: Ocean Films em coprodução com Marola Filmes, Kiwi Filmes, GloboNews, Globo Filmes e Canal Brasil
Distribuição: O2 Play e Lira Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h45
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: documentário

03 julho 2025

"Jurassic World: Recomeço" é tentativa de resgatar a essência da franquia criada por Spielberg

Produção traz novos e antigos dinossauros, locações espetaculares e Scarlett Johansson
como protagonista (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Uma superprodução com grandes efeitos visuais, cenários deslumbrantes e o protagonismo entregue a Scarlett Johansson para tentar resgatar a essência do clássico que deu origem a uma das mais marcantes franquias do cinema. Este é "Jurassic World: Recomeço" ("Jurassic World: Rebirth"), que estreia nesta quinta-feira.

Para garantir o sucesso do longa, o próprio Steven Spielberg, que dirigiu o filme original, retorna como um dos produtores executivos. A direção é de Gareth Edwards, conhecido por títulos como "Godzilla" (2014) e "Rogue One: Uma História Star Wars" (2016) e "Resistência" (2023). 


O novo filme funciona como uma espécie de "reboot" da franquia iniciada em 1993. No entanto, mesmo com o inesquecível tema de John Williams na trilha sonora, não consegue causar o mesmo impacto do original.

Apesar disso, "Jurassic World: Recomeço" oferece emoção, ação, um elenco totalmente novo, aventura, dinossauros colossais e até um pequeno e simpático animal, todos criados em CGI que já valem o ingresso. A cena com os titanossauros é uma das mais emocionantes. 


Entre os pontos negativos está uma criatura, resultado de experiências genéticas, que tem a aparência de um tiranossauro com cabeça de uma baleia-beluga desfigurada. Ele é pouco assustador e sem propósito. Ainda bem que o velho e terrível T-Rex está lá para garantir ótimas cenas de ataques e mostrar quem (ainda) é o rei da ilha.

Outro tropeço foi a escolha do vilão humano, previsível e bem clichê desde a sua primeira aparição bem clichê. Deixa claro que será o personagem oportunista, que só quer se dar bem e não importa com o que acontecerá com o restante da equipe.


A história se passa cinco anos após os eventos de “Jurassic World: Domínio” (2022). Os dinossauros estão novamente ameaçados de extinção após a convivência com os humanos em ambientes de extrema poluição das grandes cidades.

Alguns sobreviventes são preservados isolados na ilha tropical, onde o clima é mais favorável à sua existência e onde tudo começou. Lá ainda estão as antigas instalações da InGen destruídas no passado e onde eram realizadas as experiências genéticas.


Uma equipe de mercenários recebe a missão de coletar amostras de DNA das três criaturas mais colossais da terra, mar e ar, com o objetivo e desenvolver um novo medicamento que poderá salvar milhares de vidas. 

Apesar de achar que conhece os perigos da ilha habitada por animais pré-históricos, o grupo liderado pela agente de operações especiais Zora Bennett (Scarlett Johansson) não estava preparado para enfrentar uma natureza tão selvagem e seus novos habitantes geneticamente alterados.


Paralelamente à missão científica, acontece a história de uma família que se vê envolvida com os caçadores de DNA e os monstros pré-históricos. 

Fica aqui a seguinte pergunta: o que essas pessoas estão fazendo ali, viajando num veleiro pelos trópicos por águas extremamente perigosas, em uma área habitada por animais perigosos? Como nos demais filmes da franquia, sempre há um civil ou parente para criar um novo problema.

Scarlett Johansson está muito bem no papel, cruzando rios, escalando montanhas e combinando beleza e letalidade. Sua personagem é uma mistura da Lara Croft interpretada por Angelina Jolie em "Tomb Raider" (2001), com "Viúva Negra" (2021).


Dividem o protagonismo com ela, Mahershala Ali, como o mercenário Duncan Kincaid, e Jonathan Bailey, no papel do paleontólogo Henry Loomis, especialista no habitat das criaturas. Ambos entregam ótimas atuações. 

O elenco conta ainda com Rupert Friend (o empresário Martin Krebs); Luna Blaise (Teresa Delgado); Manuel Garcia-Rulfo (o pai dela, Reuben); Audrina Miranda (a irmã, Isabella) e David Iacono (o namorado, Xavier). 

Na equipe de Zora estão os mercenários interpretados por Ed Skrein (Atwater), Philippine Velge (Nina) e Bechir Sylvain (LeClerc).


Um dos destaques do filme são as locações, gravadas em sua maioria na Tailândia. São imagens espetaculares de florestas, montanhas, do pôr do sol e das cachoeiras. Elas foram feitas em diferentes parques nacionais do país, como o Ao Phang Nga e o Khao Phanom Bencha.

A produção também utilizou os tanques gigantes do Malta Film Studios, na cidade de Kalkara, em Malta, e o oceano da região para as sequências aquáticas. As gravações em estúdios foram realizadas no Sky Studios Elstree, em Londres, para as cenas internas, e tomadas externas em Nova York.

Mesmo tendo trazido de volta o roteirista do primeiro Jurassic Park, David Koepp, o enredo deixa a desejar. Ainda bem que as atuações e os dinossauros salvam a história. 


Os ataques, tanto em terra quanto na água, são muito bem construídos e empolgantes. Sem contar a presença de velhos conhecidos da franquia, como o T-Rex e os velociraptors.

"Jurassic World: Recomeço" reúne vários ingredientes para agradar aos fãs: ação, nostalgia, dinossauros impressionantes e uma produção visual de alto nível. 

Não é uma sequência direta de "Domínio" e nem um remake do filme original (ainda o melhor de todos), mas entrega uma experiência digna de ser conferida na telona.


Ficha técnica:
Direção:
Gareth Edwards
Roteiro: David Koepp
Produção: Amblin Entertainment e The Kennedy/Marshall Company
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura

12 junho 2025

Cinema para amar e se divertir

 
 

Equipe do Cinema no Escurinho

 
A semana do Dia dos Namorados está no ar, e o cinema é o refúgio perfeito para todos os corações! Seja para celebrar a dois ou para curtir a própria companhia, prepare a pipoca que a programação está cheia de opções para todos os gostos. A turma do Cinema no Escurinho tem boas indicações para nossos seguidores.

Para os apaixonados (e os que gostam de um bom romance): que tal se aninhar com seu amor para um drama romântico que aquece a alma, ou uma comédia leve que garante boas risadas? 

Para os solteiros (e os que celebram a liberdade!): quem disse que o Dia dos Namorados é só para casais? Este é o momento perfeito para se mimar, seja com uma comédia hilária que te fará esquecer de tudo, ou um filme de ação eletrizante, ou até mesmo um suspense que prende a respiração. Reúna os amigos ou curta sua própria companhia com um filme que te faça vibrar ou se emocionar!

Não importa seu status, o importante é aproveitar a magia do cinema. Escolha seu gênero preferido e celebre o amor – seja ele romântico, entre amigos ou o amor-próprio! Aí vão as nossas dicas.  

Eduardo Jr.

"Cidade dos Anjos" (1998) 
Um anjo (Nicolas Cage) se apaixona por uma mortal (simplesmente Meg Ryan, por quem qualquer um se apaixonaria, né?). Filme sobre relacionamento, finitude, dogmas, e ainda entrega emoção. Disponível na Amazon Prime, Google Play Filmes, Apple TV e Youtube.

"Cidade dos Anjos"

Maristela Bretas

"Idas e Vindas do Amor" (2010)
Esta comédia romântica trata exatamente do Dia dos Namorados, quando vários casais (e não casais) têm suas vidas entrelaçadas no Dia dos Namorados. Alguns em busca de novos amores, outros com corações partidos, mas todos em busca do grande amor. No elenco de peso temos Bradley Cooper, Jennifer Garner, Anne Hathaway, Julia Roberts, Patrick Dempsey, Ashton Kutcher, entre outros famosos. Disponível na Amazon Prime, Google Play Filmes e Apple TV.

"Idas e Vindas do Amor"

"Meu Primeiro Amor" (1991)
Comédia dramática lançada em 1991 e dirigida por Howard Zieff. O longa é estrelado por Macaulay Culkin e Anna Chlumsky. Enquanto Vada lida com os desafios da adolescência, ela também desenvolve uma paixão por seu colega de classe, Thomas J. Sennett (interpretado por Macaulay Culkin). Juntos, eles embarcam em uma jornada de autodescoberta, amizade e amor.  Disponível na Amazon Prime, Google Play Filmes e Apple TV.

"Meu Primeiro Amor"

Mirtes Helena Scalioni

“L’Amour” (2012)
Comovente filme francês dirigido por Michael Haneke. Com atuações inspiradas de Jean-Louis Trintignant e Emmanuelli Riva, o longa é focado em um casal de idosos apaixonados um pelo outro e pela música clássica. O drama começa quando ela adoece e precisa de cuidados especiais. É o amor elevado à sua máxima potência quando posto à prova. Dos finais mais chocantes que eu já vi. Disponível no Max, Amazon Prime e Mubi.

"L'Amour"


A Culpa é das Estrelas” (2014)
O livro e o filme exploram temas universais como a doença, a morte e o amor, de forma sensível e emocionante. Hazel e Gus são personagens marcantes, que conquistam o público pela sua força e determinação. O autor, John Green, foi inspirado por uma história real de uma jovem que lutou contra o câncer, o que adiciona uma camada de autenticidade à trama. Ainda não superei esse filme maravilhoso. Disponível no Disney+. Confira a crítica aqui

"A Culpa é das Estrelas"


"Sorte no Amor" (2006)
A bem-sucedida Ashley tem uma vida maravilhosa e é conhecida como a garota mais sortuda do mundo. Entretanto, após beijar o desastrado Jake em um baile a fantasia, a sorte dos dois é invertida. Quem nunca teve sorte no amor? Quem sempre acha que foi um solteiro (a) que só teve azar no amor? Gosto muito desse filme que ele expõe de maneira divertida e prática o que é sorte/ azar no amor. Quem menos espera pode se tornar um par para a vida toda. Disponível na Disney+, Telecine e Amazon Prime.

"Sorte no Amor"

"Comer, Rezar, Amar" (2010)
Na história conhecemos Liz que tinha um marido e uma carreira estável. Tudo muda após passar por um divórcio. Liz precisa aprender a gostar de si própria e redescobrir o amor não só em homens, mas nas dores e delícias da vida. Viajando e experimentando novos sabores, ela começa a mudar sua percepção e visão de vida. Um filme para se aprender sobre o que é estar solteiro e também sobre a vida a dois. Disponível na Amazon Prime, Apple TV, Telecine e Google Play Filmes.

"Comer, Rezar, Amar"

Silvana Monteiro

Em Uma Ilha Bem Distante (2023)
Comédia alemã que acompanha uma mulher de 49 anos, casada e mãe de uma filha. Ela sofre com a estrutura de ter que assumir tudo sozinha sem a ajuda dos homens da casa. Ela resolve partir para a Croácia após a morte da mãe e acaba em uma jornada de descobertas e de liberdade ao conhecer um morador local. Disponível na Netflix.

"Em uma Ilha Bem Distante"

Série "Quando o Telefone Toca" (2024)
Série coreana que aborda um casamento arranjado entre um político e uma herdeira muda, que é sequestrada. Romance, drama e suspense se misturam a segredos e personagens inesperados, mudando totalmente o rumo da vida do casal, cuja relação se torna mais forte para enfrentarem a crise juntos. Disponível na Netflix.

"Quando o Telefone Toca"

Os filmes que exploram as nuances do amor, da paixão e até dos desafios de um relacionamento são ideais para reforçar a conexão e compartilhar emoções. Fique de olho nas estreias que prometem suspirar e também no que está nos catálogos dos canais de streaming!

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