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07 dezembro 2017

"Extraordinário", uma lição de vida que sacode os sentimentos

Depois de "O Quarto de Jack", o jovem Jacob Tremblay brilha novamente no papel do cativante Auggie Pulmann (Fotos: Lionsgate Films/Divulgação)

Maristela Bretas


Poderia ser simplesmente mais um filme meloso, sobre uma criança com uma deformidade facial que sofre bullying na escola. Mas "Extraordinário" ("Wonder") foi muito além e dá uma sacudida nas emoções. Ele faz a gente rir, chorar, ficar com raiva quando o garoto é ameaçado e ao mesmo tempo sentir orgulho, pela forma como ele enfrenta o mundo preconceituoso. O filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas e vale muito a pena ser visto. por pais e filhos juntos. 

O filme é baseado no best-seller mundial homônimo, da escritora R.J. Palacio. O livro narra, com algumas alterações a história verdadeira do menino August Pullman, que nasceu com uma síndrome genética que lhe causou deformidade facial. Mesmo após passar por 27 cirurgias plásticas que lhe permitiram ouvir, enxergar e falar melhor, ele ainda sofre com o preconceito. Para muitos, essa história já faria desistir de ver o filme ou ler o livro. 

Grande engano. O resultado dessa jornada de superações é capaz de mexer com a emoção de muita gente. E a escolha do jovem Jacob Tremblay, de "O Quarto de Jack", foi muito acertada para o papel de Auggie (como August era chamado pelos pais e amigos), que contou com uma maquiagem surpreendente. Ele está excelente e conta ainda com pais de renome ao seu lado - Julia Roberts (sempre ótima, como Isabel, a mãe superprotetora que não quer ver o filho sofrer) e Owen Wilson (no papel de Nate, o pai alegre, boa praça, divertido e que sempre tenta mostrar o lado bom da vida para o filho).

A jovem Izabela Vidovic, que interpreta Via, irmã de Auggie também entrega uma boa interpretação, como a adolescente que ama o irmão, mas sofre por receber menos atenção dos pais por causa da doença dele. Sônia Braga, apesar de constar no cartaz brasileiro como forma de atrair público, faz apenas uma ponta como avó de Auggie e Via. O elenco mirim também cumpre bem o seu papel tanto os que criticam e humilham Auggie quanto os que se tornam seus amigos, especialmente Jack Will, interpretado por Noah Jupe. Até a cachorrinha Dayse merece destaque.

Auggie é um menino especial em todos os sentidos: divertido, sensível, inteligente, amoroso, criativo e fã de "Star Wars". Os personagens da saga são seus maiores aliados nos momentos difíceis do mundo real, principalmente Chewbacca, o defensor das horas de aperto. O capacete de astronauta é sua armadura para enfrentar o mundo, já que impede que as pessoas vejam seu rosto coberto de cicatrizes . Assim elas não podem criticar nem zombar dele.


“Extraordinário” conta a emocionante história de August Pullman, um menino de 10 anos que sempre estudou em casa por causa de uma deficiência facial. Agora ele terá de deixar a segurança de sua casa, onde é um herói e sonha se tornar um astronauta, para frequentar a 5ª série de uma escola convencional, com todos os desafios e preconceitos desta faixa de idade, extremamente cruel. E para vencer esta jornada ela vai precisar contar ainda mais com sua família, professores e novos amigos.

Claro, não poderiam faltar as frases de efeito, comuns em um drama como este, mas nada que comprometa o enredo, muito bem conduzido pelo diretor Stephen Chbosky ("As Vantagens de Ser Invisível"). É pra chorar? Com certeza e sem vergonha de levar um lencinho para o cinema. A história é linda, emocionante e a atuação de todo o elenco contribui para ser um filme "Extraordinário". Além de ter uma boa trilha sonora. O filme é uma lição de vida, para adultos e crianças, mostrando a importância de aceitar e respeitar as pessoas como elas são.



Ficha Técnica
Direção e roteiro: Stephen Chbosky
Produção: Lionsgate / Mandeville Films
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h53
Gêneros: Família / Drama
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #Extraordinario, #Wonder, @JuliaRoberts, @OwenWilson, @JacobTremblay, @AuggiePullman, #família, #drama, #emocionaediverte, #filmefamilia, @ParisFilmes, @cinemas.cineart, @espaçoZ, @CinemanoEscurinho

19 maio 2022

Sem tramas nem suspense, “A Felicidade das Coisas” trata com carinhosa tolerância um dos sonhos de consumo da classe média

Primeiro longa de Thais Fujinaga aborda maternidade e a posição da mulher numa cultural patriarcal (Fotos: Embaúba Filmes/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Talvez a melhor definição para “A Felicidade das Coisas” seja: trata-se de um típico filme autoral, sem que isso indique, a princípio, que seja bom ou ruim. Significa apenas que a diretora Thaís Fujinaga, que faz sua estreia em longas depois de alguns curtas, decidiu contar uma história de um jeito peculiar – do seu jeito. 

Junte-se a isso a participação de atores e atrizes desconhecidos do grande público, o que pode tornar a produção, embora lenta e sem ganchos e tramas, um trabalho no mínimo diferente e interessante.


Ao contar a história de Paula (Patrícia Saravy), que, aos 40 anos e grávida de um terceiro filho, está passando uma temporada na modesta casa de praia que acabou de comprar em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, a diretora parece querer nos mostrar um cotidiano corriqueiro e natural. É como se alguém tivesse decidido filmar uma parte das férias de uma família comum. 

“A Felicidade das Coisas” é um recorte do que ocorreu naqueles dias e há momentos em que o espectador pode se aborrecer porque nada acontece. Pelo menos nada de extraordinário.


Como toda família provinciana, Paula e seus dois filhos pré-adolescentes (as crianças Messias Gois e Lavínia Castelari) sonham com uma piscina que desejam instalar a todo custo na casa de praia. E é esse o objetivo daquele grupo familiar naquela temporada. 

Embora a casa careça de reformas mais urgentes, o filme já começa com pedreiros cavando o buraco onde a tão sonhada piscina deve ser colocada. A lentidão dos trabalhadores é apenas o começo dos problemas, já que o dinheiro anda cada vez mais curto. Quem nunca viu isso antes?


Além de “filme de autor”, “A Felicidade das Coisas” é também um “filme de atrizes”, porque é centrado principalmente na atuação de duas delas. Patrícia Saravy, que faz a mãe das crianças, é uma mulher triste, abnegada, às vezes revoltada com um marido ausente, mas sempre capaz de renovar as esperanças. Quem não conhece uma mãe assim? 

Completa a dupla a excelente Magali Biff, que interpreta a mãe de Paula e avó das crianças, sempre pronta a colocar panos quentes, proteger os netos, alimentar os sonhos, cuidar para que tudo dê certo. Os diálogos entre as duas enquanto cuidam da casa, cozinham, lavam pratos, falam das dificuldades e relembram do passado, se parecem com muitas conversas entre mãe e filha adulta num almoço de domingo.


Antes deste longa, a paulista Thaís Fujinaga, que também fez o roteiro, dirigiu “Os Irmãos Mai”, “Hoje é Seu Dia” e “A Visita”. Ganhou prêmios e, claro, alguma experiência. Um olhar mais atento vai perceber um certo traço de curta-metragem em “A Felicidade das Coisas”, principalmente pela forma quase doméstica das atuações, embora corretas e adequadas, inclusive das crianças. É o naturalismo levado às últimas consequências.

Sem tramas, conchavos, tensões, dramas ou suspense, a produção pode agradar aos que apreciam histórias em que nada de extraordinário acontece. Claro que sempre há espaço para metáforas e simbolismos no empenho e teimosia daquela família em torno de uma piscina. Mas talvez o grande mérito de “A Felicidade das Coisas” seja levar o espectador a se reconhecer na tela.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Thais Fujinaga
Produção: Filmes de Plástico / Lira Comunicação
Distribuição: Embaúba FIlmes
Exibição: Una Cine Belas Artes
Classificação: 14 anos
Duração: 1h27
País: Brasil
Gêneros: drama / comédia

03 abril 2023

"A Elefanta do Mágico" é uma animação digna de sessão da tarde em família

Peter e sua amiga criam um profundo laço de carinho e confiança que contagia uma cidade (Fotos: Netflix)


Marcos Tadeu 
Blog Narrativa Cinematográfica


Do livro para a tela. O sucesso "A Elefanta do Mágico" ("The Magician’s Elephant"), da escritora Kate DiCamillo, é a mais nova animação produzida e exibida pela Netflix. Dirigida por Wendy Rogers, a obra está no ranking de top 10 da plataforma.

A produção tem entre seus destaques o elenco estelar de dubladores, entre eles, Noah Jupe ("Um Lugar Silencioso" - 2021), Brian Tyree Henry ("Trem-Bala" - 2022), Benedict Wong ("Doutor Estranho" - 2016), Mandy Patinkin ("Extraordinário" - 2017) Sian Clifford (série "Fleabag" - 2016 e 2019) e Miranda Richardson ("Malévola" - 2014).


Na obra conhecemos Peter (Jupe), um garoto que sonha reencontrar a irmã, que todo mundo diz que morreu há muito tempo. Um dia ele visita uma vidente que avisa que, por uma moeda, ela poderá responder apenas uma pergunta. 

Peter faz seu pedido e é avisado pela vidente que será preciso achar uma elefanta, algo que ninguém nunca viu no reino de Baltese, onde se passa a história, e que ela o levará a seu destino.


Enquanto isso, do outro lado da cidade, um mágico (Wong) se apresenta para uma plateia sonolenta. Sem querer, provoca um acidente ao fazer uma mágica e uma elefanta cai sobre uma idosa, Madame LaVaughn (Richardson). 

Peter fica sabendo da existência do animal e que ele está ameaçado de ser sacrificado pelo rei. O garoto fará de tudo para mantê-lo vivo para encontrar sua irmã, como garantiu a vidente. 


Para isso terá de cumprir três tarefas impossíveis impostas pelo monarca: lutar contra o melhor soldado, voar e fazer a condessa que deixou de sorrir, dar uma gargalhada sincera. 

O filme tem até uma proposta interessante, mas que pouco inova. Tudo é muito rápido e com pouco desenvolvimento. 

Como o drama do ex-soldado Vilna Lutz (Patinkin) aposentado que salvou Peter da guerra e o adotou, mas o obriga a se comportar como um soldado. 


Um ponto negativo é a falta de antagonismo. O rei (voz de Aasif Mandvi), que propõe desafios totalmente fúteis, que até podem soar encorajadores e bonitos, mas ele não convence como vilão. 

É uma pessoa preocupada somente em se divertir, curtir a vida e ter ideias absurdas. Está mais para bobo da Corte, que acha que está agradando aos súditos com suas bobagens. Só que não.


A personagem da elefanta também foi pouco explorada. Por ela não falar e só se comunicar como um animal normal, sem exageros, deu seu recado apenas no olhar e na confiança em Peter. Pouco sabemos sobre seu mundo e de onde veio, apenas que deseja rever sua família.

Como em outras animações, há também a mensagem filosófica e bonita: "é preciso ter esperança e acreditar que é possível". 

Mas os desafios soam fracos no decorrer da história e, em nenhum momento, conseguimos ver mudanças no protagonista.


Mesmo não tendo a profundidade e o desenvolvimento de "Pinóquio", de Guillermo del Toro, "A Elefanta do Mágico" é uma animação ótima para uma tarde em família, especialmente com filhos pequenos.

Tem final bonito, colorido, com os clichês comuns de um conto de fadas e sem reviravoltas. Agora é aguardar as próximas produções da diretora Wendy Rogers.


Ficha técnica:
Direção: Wendy Rogers
Produção: Netflix e Animal Logic
Exibição: Netflix
Duração: 1h43
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: animação, fantasia, aventura, família

18 setembro 2018

"O Predador" é refilmagem com bons efeitos visuais e elenco com pouco carisma

Produção apresenta um alienígena com o sorriso da morte mais assustador e novos dreads na cabeça (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas

Shane Black relembra os tempos de sargento Richard Hawkins, de "O Predador" (1987) e retoma a famosa franquia como roteirista e diretor desta nova versão do ser alienígena mais monstruoso do cinema. Se há 31 anos, ele lutou ao lado de Arnold Schwarzenegger (que fez o papel do major Alan Schaeffer) na caçada aos invasores do espaço, hoje Black coloca seu lado irônico para recontar a história que foi sucesso na época a sua maneira, utilizando inclusive o tema musical original.

Os fãs da franquia não devem gostar muito das mudanças. Mas uma coisa foi melhorada - o sorriso da morte da fera ficou mais assustador e com mais dreads na cabeça. Em "O Predador" ("The Predator"), que acaba de ser lançado nos cinemas, o ser alienígena tem DNA humano com a força e o corpo do antigo inimigo dos terráqueos.

Os efeitos visuais ficaram muito bons, mas o roteiro não corresponde ao esperado, prejudicando inclusive o elenco, que também não é muito carismático. Até mesmo Jacob Tremblay, o menino prodígio de "O Quarto de Jack" (2013) e "Extraordinário" (2017) foi transformado num clichê da criança que vai resolver tudo. Ele é um garoto com autismo, filho do herói Quinn McKenna, um ex-fuzileiro naval interpretado pelo fraco Boyd Holbrook ("Logan" - 2017).

Quinn McKenna é o típico mocinho que acha que vai matar com tiros de pistola um ser super forte e inteligente, que tem a capacidade de desaparecer. Se o personagem não conquista o público, acontece o contrário com o grupo de desajustados comandados por ele para combater o predador. Cinco ex-combatentes do exército, cada um com sua loucura, proporcionam as cenas e diálogos mais divertidos do filme. E também os questionamentos mais sérios, principalmente sobre quem é o verdadeiro inimigo e os verdadeiros assassinos.


Claro que o Predador é a estrela do filme, um personagem bem interessante, mas deixa o expectador menos tendo que seu antecessor da década de 8, que só queria caçar e matar com requintes de crueldade. Esse também separa corpos e tem prazer em ver muito sangue e fazer suas vítimas sofrerem. Mas não é nada comparado ao conterrâneo que vem à Terra caçá-lo, mais forte e brutal.

"O Predador" 2018 também tem em seu elenco a atriz Olivia Munn ("Oito Mulheres e Um Segredo" - 2017) como a cientista chamada para investigar o retorno dos predadores ao planeta.  Mal aproveitada, fica parecendo que o diretor escalou uma mulher para um papel de destaque no filme para não ser chamado de machista.

O novo filme começa com uma perseguição entre naves alienígenas que traz à Terra um novo predador. Ele acaba sendo capturado por humanos, mas um dos militares, Quinn McKenna, que estava em operação na área, rouba o capacete e bracelete do alienígena. A bióloga Casey Brackett (Olivia Munn) é chamada para examinar o ser recém-descoberto, mas ele consegue escapar do laboratório após uma matança geral. 

Ao tentar recapturá-lo, Casey encontra McKenna, que está em um ônibus com ex-militares com problemas. Juntos, eles buscam um meio de sobreviver e, ao mesmo tempo, proteger o Rory (Jacob Tremblay), filho de McKenna, que está com os artefatos alienígenas pegos pelo pai.

Mesmo com um ritmo frenético no início, diálogos divertidos e muita ação na metade da exibição e um final bem aquém do esperado, sem o mesmo impacto do primeiro filme, "O Predador" é um bom entretenimento. Vale a pipoca e o ingresso no cinema e praticamente revela uma possível continuação. Fica um alerta: a versão 3D é muito escura e atrapalha a visualização de algumas cenas. O 2D pode ser uma opção melhor.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Shane Black
Produção: 20th Century Fox / Dark Castle Entertainment
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 1h45
Gêneros: Ação / Ficção
País: EUA
Classificação: 18 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #OPredador, #BoydHolbrook, #JacobTremblay, #alienigena, #ShaneBlack,#OliviaMunn, #suspense, #ação, #FoxFilm, #cinemas.cineart, #CinemanoEscurinho

07 novembro 2019

"Doutor Sono" é uma boa sequência de "O Iluminado", mas sem o mesmo impacto

Ewan McGregor interpreta Danny Torrance adulto, que vai fazer um ajuste de contas com seu passado. (Fotos: Warner Bros Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Um resgate do passado, sem medo de abusar das lembranças. Esta talvez seja a principal qualidade de "Doutor Sono", do diretor Mike Flanagan, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. A continuação de "O Iluminado" (1980) é também baseada na obra mestre do terror e suspense Stephen King, agrada ao relembrar cenários, como o Hotel Overlook, e situações semelhantes as do primeiro filme, dirigido por Stanley Kubrick. Mas fica difícil não comparar, especialmente porque a sequência não tem um Jack Nicholson para fazer as honras da casa.


O filme tem algumas cenas iniciais que insinuam algo mais tenebroso, mas só engrena mesmo após os primeiros 40 minutos. O diretor conduz a trama com uma preocupação bem didática, como se estivesse explicando para quem chegou agora, 39 anos depois, o que deu origem a toda essa loucura. Demora, mas funciona bem. Outro ponto favorável é a trilha sonora, com o tema original causando o impacto desejado e as locações, especialmente na região montanhosa coberta de neve. Sem falar nos efeitos visuais, que ajudam a dar mais vida à "Doutor Sono".


Ewan McGregor entrega uma boa interpretação de Danny Torrance, filho de Jack, papel de Nicholson, um adulto atormentado por visões, alcoólatra e sem perspectiva de vida Tinha tudo para seguir os passos do pai, seu maior tormento, e surtar. Ele vai bem a maior parte do filme, mas perde espaço para as interpretações da jovem atriz Kyliegh Curran (no papel de Abra Stone) e Rebecca Ferguson, que vive Rosie, a mágica má do chapéu.


É na dupla feminina que está a maior aposta, mas o roteiro não favoreceu o talento da bela Ferguson. Sua vilã é linda e sedutora, mas não convence não mete medo nem provoca o tradicional incômodo na cadeira no espectador que aguarda uma cena chocante. Os diálogos ficaram a desejar e enfraqueceram, em vários momentos, o roteiro e as atuações. 

Já Kyliegh Curran está ótima do início ao fim, convence e até faz a gente torcer por ela, especialmente quando começa a ter visões. É Abra Stone quem vai fazer tudo acontecer, juntamente com Danny. Ela passa uma imagem de poderosa, que consegue vencer seus piores inimigos, mas que ao mesmo tempo precisa de um amigo para dividir seu segredo.


Na história, Danny Torrance conseguiu sobreviver  ainda na infância a uma tentativa de homicídio por parte do pai, um escritor perturbado por espíritos malignos do Hotel Overlook. Danny cresceu e agora é um adulto traumatizado e alcoólatra. Sem residência fixa, ele se estabelece em uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospital local. Mas a paz de Danny está com os dias contados a partir do momento que cria um vínculo telepático com Abra Stone. A jovem tem poderes tão fortes ou mais  que aqueles que carrega.



O elenco conta ainda com alguns nomes conhecidos como Jacob Tremblay ("Extraordinário" - 2017); Henry Thomas (o inesquecível Elliot, de "ET - O Extraterrestre"), o substituto mais barato de Jack Nicholson; Cliff Curtis, Carl Lumbly e outros.

Para o escritor Stephen King, autor das duas obras de suspense homônimas, "Doutor Sono" agradou mais que o primeiro e foi considerado por ele, em recente entrevista para a Entertainment Weekly como uma redenção do que considerou ruim na versão cinematográfica de "O Iluminado" (1980). Resta agora ao nosso leitor conferir "Doutor Sono" nos cinemas e deixar seu comentário abaixo.


Ficha técnica:
Direção: Mike Flanagan
Produção: Warner Bros. Pictures / Vertigo Entertainment / Intrepid Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h32
Gêneros: Suspense / Fantasia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3,5  (0 a 5)

Tags: #DoutorSono, #StephenKing, #RebeccaFerguson, #MikeFlanagan, #suspense, #WarnerBrosPictures,  @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

09 agosto 2025

Qual filme você assistiria com seu maior amigo?

 

  

Equipe do Cinema no Escurinho

 
Chegamos a mais um Dia dos Pais. E se aqui, no mundo real tem pais de todos os tipos, ausentes, presentes, despachados, formais e vários outros... na dramaturgia não seria diferente, né? 

Aqui vai uma listinha da equipe do Cinema no Escurinho, pra você se divertir, se emocionar, odiar, ou até questionar por que aquele pai daquela série ou daquele filme não apareceu por aqui. Deixe seu comentário também.

Eduardo Jr.
- Julius ("Todo Mundo Odeia o Chris")
- Joel ("The Last of Us")
- Don Vito Corleone ("O Poderoso Chefão")
- Mufasa ("Mufasa: O Rei Leão")
- Chris Gardner ("À Procura da Felicidade")


Marcos Tadeu
- Jack ("This is Us")
- Gepeto ("Pinóquio")
- Marlin ("Procurando Nemo")
- Francisco ("2 Filhos de Francisco")
- Max ("Meu Filho, Nosso Mundo")
 
Mirtes Helena Scalioni
- David Sheff ("Querido Menino")
- Osamu Shibata ("Assunto de Família")
- Memo - ("O Milagre da Cela 7")
- Chris Gardner ("À Procura da Felicidade")
- Anthony ("Meu Pai")



Maristela Bretas

- Parker ("Sempre a Seu Lado")
- Darth Vader ("Star Wars")
- Ben ("Capitão Fantástico")
- Bryan Mills ("Busca Implacável")
- Indiana Pai ("Indiana Jones e a Última Caçada")
 
Filipe Mateus
- Guido ("A Vida é Bela")
- Nate Oullman ("Extraordinário")
- Eddie Palmer "(Palmer")
- Joe Kingman ("Treinando o Papai")
- Luiz Gonzaga ("Gonzaga de Pai pra Filho")



Silvana Monteiro
- Richard ("King Richard: Criando Campeãs")
- Memo ("O Milagre da Cela 7")
- Dr. Seyolo Zantoko ("Bem-vindo a Marly-Gomont")
- Ollie Trinke ("Menina dos Olhos")
- Harry Hamilton ("Tal Pai, Tal Filha")

 
SUGESTÕES DE ANIMAÇÕES
- Shrek - "Shrek Terceiro" (2007)
- Stoico - "Como Treinar Seu Dragão" (2010)
- Drácula - "Hotel Transilvânia" (2012)
- Roz - "Robô Selvagem" (2024)
- Gru - "Meu Malvado Favorito" (2010)
- Beto - "Os Incríveis" (2004)
- Grug - "Os Croods" (2013)
- Homer Simpson - "Os Simpsons" (a partir de 1989)
- Sr. Anderson - "Divertida Mente" (2015)





18 novembro 2024

"Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal" - imersão poético sensorial nas vivências de uma mulher negra

A personagem Mackenzie é interpretada por quatro atrizes diferentes que vão representá-la em cada fase da vida (Fotos: A24/Divulgação) 


Silvana Monteiro


A chegada de "Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal" ("All Dirt Roads Taste of Salt") aos cinemas de Belo Horizonte em 21 de novembro não poderia ser mais oportuna. No mês da Consciência Negra e um dia após o feriado nacional que celebra a luta, resistência e o valor ancestral do povo negro, o filme, dirigido por Raven Jackson, apresenta uma narrativa visual e poética que retrata com profunda sensibilidade a trajetória de uma mulher negra no Mississippi ao longo de décadas. 

Com momentos singelos e intensos, a obra se torna um tributo à força, memória e histórias que moldam a identidade da protagonista. Adotando uma estratégia narrativa de poucos diálogos e focando-se nos sons e nas imagens captadas em 35mm, o filme evoca uma conexão profunda com a natureza e o ambiente rural dos anos sessenta, conferindo um significado diferenciado a cada cena. 


O drama, produzido pela A24 e distribuído pela Pandora Filmes, estreou no Festival de Sundance em 2023 ´é uma homenagem à riqueza das emoções humanas e às experiências que moldam uma personalidade.  

Destaque para a abordagem poética e sensorial, oferecendo uma experiência cinematográfica que foge do convencional. Dirigido com uma sensibilidade rara, o filme convida a uma imersão nas camadas da memória e da identidade negra no sul dos Estados Unidos , através da vivência de sua protagonista.

O longa acompanha a vida de Mackenzie, uma mulher negra no Mississippi, desde a sua infância até a idade adulta, revelando suas alegrias, dores e o impacto do tempo, do espaço e das relações. 

A personagem é interpretada por quatro atrizes diferentes para representá-la em cada fase da vida. São elas Mylee Shannon, Kaylee Nicole Johnson, Charleen McClure e Zainab Jah. 


A narrativa é construída como um mosaico, uma coleção de memórias, que se entrelaçam para formar um retrato da vida da protagonista. Os diálogos, minimalistas e precisos, funcionam como complemento à atmosfera, mais do que como condutores da história.

Cada palavra é cuidadosamente escolhida, carregando uma profundidade que ressoa com a experiência vivida. Esse estilo narrativo privilegia o silêncio como uma linguagem própria da obra, onde os gestos, toques e olhares dizem mais que qualquer discurso.


A fotografia é um dos pontos mais fortes do filme. A câmera capta a textura da terra, da pele, dos cabelos; o timbre aveludado das vozes em conversas íntimas; o brilho do sol filtrado pelas árvores e os tons quentes que dominam a paleta visual, ecoando a estética negra que embeleza seus personagens. 

Cada cena é cuidadosamente composta, quase como uma pintura, refletindo a conexão visceral entre a protagonista e sua terra. A forma como a luz é utilizada para destacar os detalhes dos rostos e das paisagens cria uma intimidade visual que aproxima o espectador da experiência intimista dos acontecimentos.

O design de som é outro destaque especial. A trilha sonora, composta majoritariamente por sons ambientes e mínimas músicas instrumentais, cria uma atmosfera imersiva. O espectador é transportado para cada ação desenvolvida pelos personagens, desde o ato de pescar até o manuseio do solo.

Os sons da natureza - o vento passando pelas folhas, o murmúrio de um riacho distante, os grilos - são integrados para intensificar o senso de pertencimento e nostalgia.


A diretora, que também é poeta e fotógrafa, utiliza sua sensibilidade para construir uma ode à ancestralidade e aos momentos que nos moldam de maneira quase invisível. Nesse sentido, a obra se assemelha a "Dias Perfeitos" (2024), em que o simples se torna extraordinário, e o retrato do cotidiano se revela grandioso e vivaz.

"Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal" é uma obra de arte que desafia as convenções narrativas e visuais do cinema tradicional. É uma experiência que exige paciência e contemplação do espectador, recompensando-o com uma profundidade emocional rara. 

Ao capturar a essência negra com tanto respeito e autenticidade, o filme se estabelece como uma raridade. É, sem dúvida, uma obra que merece ser vista e sentida.


Ficha técnica
Direção e roteiro: Raven Jackson
Produção: A24
Distribuição: Pandora Filmes
Exibição: no Centro Cutural Unimed BH-Minas
Duração: 1h18
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, ficção

06 junho 2024

"Grande Sertão" não perde em nada para produções hollywoodianas

Luísa Arraes e Caio Blat interpretam Diadorim e Riobaldo, os protagonistas na adaptação da obra literária de Guimarães Rosa (Foto: Helena Barreto)


Larissa Figueiredo 


Com ares de distopia cyberpunk, o filme "Grande Sertão", de Guel Arraes, estreia nos cinemas nesta quinta-feira (6). Adaptação do romance homônimo de Guimarães Rosa, "Grande Sertão: Veredas”, a produção é protagonizada por Luísa Arraes, como Diadorim, e Caio Blat, na pele de Riobaldo. 

O tempo da narrativa oscila entre o passado e o presente de Riobaldo. O roteiro e a montagem preservam as divagações do protagonista sobre o certo e o errado, Deus e o diabo, amor e ódio, e todas as dicotomias que moldam o desenrolar da história. 

Foto: Ricardo Brajterman/Divulgação

É nessas cenas que Blat “encarna” o jagunço, ora louco, ora lúcido, e mostra um total domínio do texto dinâmico, melódico e lírico, assim como na obra literária. 

Já Luisa Arraes, em sua primeira vez sendo dirigida pelo pai, não soou natural como Blat ao adentrar o universo da obra. A complexa personagem Diadorim é a força motriz do enredo e demanda uma profundidade que Arraes não correspondeu, entregando uma performance carregada de artificialidade. 

Intencionalmente ou não, a atriz também atribuiu à personagem trejeitos cômicos e exagerados que decepcionam o público que conheceu Diadorim no romance literário de Guimarães Rosa. 

Foto: Paris Filmes/Divulgação

A interpretação de Eduardo Sterblitch é uma das grandes surpresas do longa de Arraes. O ator e humorista encarou o desafio de trazer Hermógenes às telas. O personagem impiedoso e sinistro que tem pacto com o diabo ganhou um carisma assustadoramente único. Em "Grande Sertão", ele mostra sua genialidade e prova ao grande público sua versatilidade. 

A história se passa numa grande comunidade da periferia brasileira chamada “Grande Sertão”. A luta entre policiais e bandidos assume ares de guerra e traz à tona questões como lealdade, vida e morte, amor e coragem, Deus e o diabo. 

Riobaldo entra para o crime por amor a Diadorim, mas não tem coragem de revelar sua paixão. A identidade de Diadorim é um mistério constante para Riobaldo, que lida com escolhas morais e dilemas éticos, enquanto busca entender seu lugar no mundo e sua própria natureza. 

Foto: Helena Barreto/Divulgação

De forma geral, além do texto lírico, a obra remonta às origens do cinema e traz forte contribuição do teatro. Todos os personagens são hiperbólicos em seus movimentos, falas e expressões. 

O cenário de "Grande Sertão", que na adaptação é uma favela, não perde em nada para produções hollywoodianas, assim como a fotografia e a montagem, altamente coerentes esteticamente com a proposta da adaptação. 

Foto: Helena Barreto/Divulgação

As cenas de ação são extensas na medida certa entre o extraordinário e cansativo, mas bem coreografadas. Elas abordam com profundidade a estrutura das milícias nas comunidades e a retroalimentação do ciclo da violência na “luta” entre bandidos e policiais. 

"Grande Sertão" veio em boa hora. A adaptação é fiel ao livro e renova as discussões elaboradas por Guimarães Rosa em 1956. Por fim, é inegável dizer que o filme pode cativar tanto o público que leu o romance, quanto o que não conhece a obra. 


Ficha técnica:
Direção: Guel Arraes
Roteiro: Guel Arraes e Jorge Furtado
Produção: Paranoid Filmes, coprodução Globo Filmes
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h48
Classificação: 18 anos
País: Brasil
Gêneros: ação, drama
Nota: 4 (0 a 5)

13 fevereiro 2019

Endividado, Clint Eastwood vira "A Mula" do tráfico para pagar as contas

Biografia de traficante conta, de maneira aliviada, como ele usava a desculpa de que os fins justificavam para transportar drogas pelos EUA (Fotos: Warner Bros. Pictures)

Maristela Bretas


"A Mula" ("The Mule") trata-se de uma história comum, nada de excepcional, talvez pelo fato de ter sido aliviada na produção pelo produtor, diretor e ator principal Clint Eastwood. A versão cinematográfica se preocupou mais em apresentar o então octogenário Leo Earl Sharp como um bom e inicialmente inocente velhinho, que começa a traficar drogas somente para pagar as contas e ajudar os amigos. Até o nome dele foi usado de outra forma no filme para ficar mais leve - ele é chamado apenas de Earl Stone.

El Tata (esquerda) e Clint Eastwood (Montagem)
"El Tata", como era conhecido o traficante Leo Sharp, antes de ganhar fama no mundo do crime, cultivava flores ornamentais, em especial lírios, e conseguiu criar espécies híbridas de variadas cores. Chegou a plantar flores no jardim da casa do presidente George W. Bush. Como veterano da Segunda Guerra Mundial foi condecorado com a Medalha de Bronze por seus serviços. Mas problemas financeiros teriam levado o idoso, então com 90 anos, amigo de todos, respeitado na comunidade e acima de qualquer suspeita a se envolver com o Sinaloa, cartel de drogas mexicano, onde acabou se tornando uma lenda como a mula mais velha e mais bem sucedida do tráfico, tendo transportado milhares de quilos de cocaína para os Estados Unidos.

No filme, Clint Eastwood deu uma aliviada em vários pontos da vida de Sharp, quase levando as pessoas a torcerem por ele de tão bonzinho ficou o personagem, esquecendo que era um criminoso. Não poderia ser diferente do homem que também viveu alheio à própria família por anos a fio, só se preocupava com as farras com os amigos e a boa vida que o dinheiro do tráfico passou a lhe proporcionar. Earl Stone tem uma postura humana, que demonstra arrependimento de muitas coisas e a necessidade de tentar consertar as relações com as pessoas que ama.

O traficante foi preso em outubro de 2011 no Estado de Michigan durante uma operação da Divisão de Narcóticos e permaneceu por três anos numa prisão federal, sendo libertado por uma questão humanitária (idade avançada). E mesmo a história confirmando que ele sempre usou sua velha caminhonete para o transporte da carga, o que não despertava a atenção da polícia, no filme, ao contrário, uma das primeiras coisas que Stone faz ao receber o primeiro pagamento é trocar a velha companheira de estrada por uma picape novinha preta extremamente chamativa.

O elenco desperdiça atores de peso como Bradley Cooper, que foi dirigido por Eastwood em "Sniper Americano" (2015) - ele faz o agente Colin Bates, da Divisão de Narcóticos que persegue Stone; Laurence Fishburne, como o chefe de Bates; Andy Garcia é Laton, chefão do tráfico (e pensar que ele já foi um sonho de consumo); Michael Peña, o agente Treviño, parceiro de Bates na polícia; Dianne Wiest é Mary, esposa de Earl Stone; Taissa Farmiga, como Ginny, neta de Earl, e Alison Eastwood no papel de Íris, única filha de Earl (ela é filha na vida real de Clint). Mas todos estão lá somente para compor a história, deixando o brilho para o protagonista.

As "adaptações" para o cinema da vida real do traficante levam a história mais para o lado dramático, quebrada por algumas situações de aperto, como os encontros com a polícia durante as viagens e a relação com os narcotraficantes, que respeitavam Stone por sua idade e sagacidade. "A Mula" é um bom filme, com alguns diálogos interessantes, mas nada de extraordinário, belas locações proporcionadas pelas viagens pelo interior dos EUA, trilha sonora bem escolhida, boa direção e ótima atuação de Clint Eastwood, que volta para a frente das câmeras após seis anos somente como diretor. Aos 88 anos, ele domina toda a trama com grande carisma, de dentro e de fora. Mas falta emoção à produção. Com certeza é dispensável o lencinho para assistir "A Mula".


Ficha técnica:
Direção e produção: Clint Eastwood
Produção: Malpaso Productions / Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Drama / Biografia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

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